Nós, vós e eles

1 Capítulo único


Notas iniciais
Espero que gostem e boa leitura!

O meu imenso casaco de pele não me esquentava e a bota que eu estava calçada também não adiantava em nada, talvez por que por baixo disso tudo o que me cobria era um micro saia e um sutiã preto... Eu estava na rua andando de um lado pro outro, eu te esperava... O vento cortava e eu me segurava nos saltos pra minha perna não tremer tanto. Você estava uma hora atrasado.

Eu nuca tinha me vestido daquele jeito, não tão... Piranha! Mas foi assim que eu tinha te conquistado, com esse meu novo eu, então resolvi seguir por ele e sei lá... Lá estava eu com uma saia de couro apertada de mais.

Eu conseguia ouvir as minhas janelas comentarem que eu estava cometendo mais um erro e estava começando a concordar quando vi seu Audi virar a esquina da minha rua e mesmo estando um pouco longe eu já conseguia ouvir a musica que estava tocando.

— Nois e nois e nois e elas três dia virado...

Você estacionou em frente a minha casa, abriu o vidro e me olhou de cima em baixo várias vezes balançando a cabeça. E eu? Me deixei ser olhada afinal, tinha me arrumado pra isso, pra você...

E então você disse:

— Me apaixonar por... – você deu um muxoxo debochado – Vadias como você, é um dos meus charmes sabia?

Me inclinei sobre a janela e te respondi:

— É... E me apaixonar por babacas como você, infelizmente... – Pausa pra viradas de olhos – É um dos meus!

Levantei empinando a bunda e dei a volta no carro rebolando, abri a porta me sentei, coloquei o cinto e você acelerou rua a frente se concentrando na musica que ainda tocava.

Quando parou no sinal vermelho mais a frente, você olhou pro cara ao seu lado e cantou:

— Que menor folgado! Perguntou do relógio importado da loira do lado, o kunk exalado e o Nike de mil malandriado...

— Eu não sou loira! – disse pra descontrair.

— É, daqui pra frente os “menor folgado” vão perguntar da morena do meu lado...

— E o que que você vai responder?

— Que você não é pro bico deles... Ou é? – você provocou com um sorriso malandro no rosto.

— Ah baby... – eu segurei seu queixo daquele jeito que você detesta – Eu não sou nem pro seu bico...

Seu sorriso se fechou, você balançou a cabeça e se concentrou em dirigir. Eu ri da sua reação de playboy com orgulho ferido.

Quando a gente, enfim, chegou na casa de festa que encontraríamos seus amigos e também os meu amigos, você já estava de boa e sorria pra mim de novo.

Você estacionou o carro bem em frente à porta, numa vaga que parecia guardada pra vossa majestade. E em um momento raríssimo, eu aprenderia isso depois, você atravessou para o meu lado e como um cavalheiro que não é, abriu a porta do carro pra mim, e ainda me deu a mão para me ajudar a sair!

Logo depois fechou a porta, trancou o carro e desceu a mão dos meus ombros até a minha bunda, que é claro que você apertou... É eu tinha mesmo saindo com você.

A fila na porta da casa de festas era imensa, mas você olhou pra ela e fez cara de desdém, ainda e é claro, com a mão na minha bunda, me guiou direto pra porta. Não precisou dizer nada, o segurança simplesmente olhou pra sua cara balançou a cabeça e magicamente abriu a cordinha. Quase conseguir ouvir ele dizer: “Entre senhor, a casa é sua!”.

E a casa realmente parecia ser sua. Eu não a conhecia, mas você me guiava majestosamente, como faria por muito tempo, por entre as pilastras e luzes piscantes. Paramos perto do bar e você logo viu seus amigos, que estavam sentados numa mesa também dando uma de dono daquilo tudo, mas não tão bem quanto você.

Nos aproximamos deles e eu abri um sorriso simpático.

— Então essa é a sua garota? – Um deles disse.

— Muito prazer! – eu disse confiante.

— Mas ela já quer prazer a essa hora? Sorte grande em cara! – o seu amigo mais idiota comentou e todos os outros riram menos você.

Fechei o meu sorriso até então aberto e lembro até hoje da sensação de ódio que esse comentário me trouxe. Mas tarde eu ia aprender a ignorar não só os comentários, mas também os seus amigos na maioria das vezes que saíssemos juntos.

— Vão se ferrar! – você disse bravo e sério a eles.

— Eu vou atrás dos meus amigos. – disse a você já pegando meu celular pra mandar uma mensagem pra eles.

— Sozinha não, não aqui! Eu vou com você! – você disse ainda mais sério.

— Qual o problema de e eu ir sozinha? Eu sei me cuidar!

— Aqui é cheio de cara babaca, iguais a esses daqui – você disse apontando pros seus amigos – Que vão acabar te beijando mesmo se você não deixar...

— Meu Deus! Com que tipo de gente você anda? Credo! – eu disse alto pra que todos, além de você, escutassem.

Naquela noite nós encontramos os meus amigos, depois de andarmos um pouco e quando os meus conheceram os seus foi ódio a primeira vista...

Eu me lembro de ter ouvido que era pra eu te largar, de ter ouvido que estava cometendo o maior erro da minha vida, me lembro de ouvir que dali a uma semana você ia me largar por uma loira alta, me lembro de ouvir que você não prestava, que você era muita areia pro meu caminhão, que eu devia te largar pra ficar com o Murilo... Eu me lembro de ter ouvido muitas vezes naquela noite que a gente não daria certo.

Mas eu me lembro também de estar a sós com você, me lembro do calor do seu corpo contra ao meu, lembro da gente dançando enquanto as caixas de som tocavam Esfregasom, lembro da sua voz sussurrando no pé do meu ouvido me fazendo arrepiar, lembro do seu beijo apaixonado me trazendo cada vez mais pra perto... Lembro de amar você e lembro de me sentir amada por você! Eu me lembro de parecermos imbatíveis!

Eu lembro de toda energia negativa que tinha em volta do nosso relacionamento, lembro do quanto todos a nossa volta emanavam ela, e eu lembro claramente do quanto a gente lutou pra que todo esse mal não nos afetasse tanto...

Depois de muito tempo, desgastados de tanto esforço pra ligar apenas pra nós e esquecer os outros, a gente aprendeu que só o nosso amor não bastava pra nos manter juntos, muito menos pra manter uma relação saudável, a gente entendeu que não tínhamos sido feitos um pro outro e que aquilo já fazia mais mal do que bem...

E agente resolveu colocar o amor próprio e a nossa suade mental acima do nosso amor, da nossa relação... E então acabamos com tudo, com nós... Por nós mesmos e ainda mais pelos outros...

Notas finais
Obrigada por lerem até aqui!
Favoritem, cometem e principalmente especulem! (Amo especulações!)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!