Nós Somos A Evolução

5 Primeiro Passo - Arnold


Notas iniciais
Desculpem a demora, agora não tenho dia certo para postar, pois raramente entro. Espero que gostem e obrigada aos comentários :3

De certa forma, aquela garota me inspirava confiança apesar de eu demonstrar o contrário. Mesmo hesitante, levei-a ao tipo de lugar que queria. Durante o caminho, tentei achar uma maneira de fazer permanecer o silêncio, mas não foi tão agradável como pensei que seria. Eu estava um pouco curioso sobre o que ela poderia fazer e ao mesmo tempo receoso, quero dizer, meu maior defeito era a curiosidade e eu não sabia se poderia resistir se chegasse a certo ponto.

Minha opinião sobre o que ela disse antes de sairmos: nenhuma. Ainda havia muito o que pensar, vale a pena ir atrás de outras pessoas? Aliás, a história dela era convincente? Não estava acostumado a ir tão facilmente na ideia das pessoas. Até porque, se estamos correndo riscos, sair viajando por aí não seria perigoso? E se essas “pessoas” que estão tentando matá-la virem atrás de nós quando sairmos de Las Vegas? Isso se nós sairmos.

_ Onde estamos? – ela perguntou interrompendo minha linha de pensamentos, aponto para frente discretamente.

_ Digamos que esse seja o centro do comercio ilegal de Las Vegas, onde as pessoas traficam, vendem itens roubados, vendem drogas enfim, aqui tem de tudo. – respondi.

A boca dela não se formou em um “Uau”, ao invés disso, ela optou pela parte menos importante.

_ O que você quer dizer com “aqui tem de tudo”? – Eileen não me encarava, sua atenção era inteiramente do lugar.

_ Vai por mim... – baixei a voz antes de continuar – Você não vai querer saber.

Ela não disse nada. Aquilo era uma espécie de beco e tudo pareceu muito estranho para alguém de primeira viagem. Olhando-a desse ângulo, ela me parecia uma garota bem frágil, um tipo de bonequinha. Deixei esses pensamentos de lado e pedi que me esperasse ali. Combinamos que eu faria um sinal para ela quando fosse seguro.

Segui andando para frente em direção a Dante, o cara que me odiava e sempre me socava quando eu ia até ali. Sabe, negócios inacabados. Por que eu nunca me defendi? Talvez fosse por ele ser dez anos mais velho que eu, dez vezes mais forte, e dez vezes mais cheio de capangas que poderiam me matar dentro de dez míseros segundos. E se está se perguntando se eu não usaria meu dom, a resposta é não. Antes de tudo eu ainda não o controlava muito bem, e vai saber se eu não acabaria machucando a mim mesmo. Porque desastrado como sou eu não duvidaria muito da minha capacidade de fazer isso.

_ O que você quer agora? – ele perguntou cheio de marra se aproximando – Já não te mandei ir embora e não voltar mais? E quem é a garota? Pare com isso Arnold, está brincando com a morte.

Ele se aproximou bruscamente com um olhar ameaçador. Não me importei, ou pelo menos fingi.

_ Ela é... Uma prima. Veio passar um tempo comigo e me pediu pra conhecer o lugar. – respondi.

_ Conhecer o lugar? – ele gritou me dando um soco – Tá maluco é?

Me afastei repentinamente sentindo a dor se formar em meu olho direito.

_ Eu não pensei que poderia...

_ Que poderia o quê? – ele interrompeu com outro soco.

Olhei para Eileen e ela estava parada, até o momento sem reação.

Não sabia quanto tempo aquilo iria durar, e quando percebi estava caído no chão com John em cima de mim. Apesar da dor lancinante, eu já deveria saber. Mas se Eileen queria um lugar para acabar com alguém, aquele seria o perfeito, e Dante daria um belo alvo.

Quase fiquei inconsciente até ver Eileen aparecer, e só o que consegui ver em seguida, foi um Dante largado ao chão ao meu lado, seguido por pelo menos três de seus homens que deveriam ter tentado atacar Eileen. Ela me ajudou a levantar rápida e alarmante, e por estranho que pareça, ninguém tentou impedir. Saímos de lá o mais rápido que conseguimos e ela me levou embora com muita dificuldade. Eu era um homem pesado para uma garotinha franzina como ela. Baixa, magra, e fraca.

_ O que você estava fazendo? – me perguntou indignada.

_ Só conversando. – respondi com um sorriso cínico.

_ Ah claro, isso era óbvio. – ela disse de mau humor – E por que não se defendeu?

_ Não é tão fácil como você pensa. – respondi – E além do mais... – o sorriso voltou – Era a sua deixa.

Ela arfou. Estava realmente cansada de me carregar. Caminhamos em silêncio até chegar em minha casa. Não me lembro de muita coisa além de deitar no meu quarto e adormecer logo em seguida.

***

Acordei com o barulho de ovos estalando. O aroma estava delicioso e foi quando me lembrei de quem estaria lá embaixo. Troquei minhas roupas sujas por novas, e desci.

Quando cheguei a cozinha, encarei o relógio e para o meu espanto vi que já eram dez da manhã. Ao pé da porta, parei e fiquei observando Eileen sem que ela percebesse. Seus cabelos negros ondulados e sua pele branca cintilavam a luz do sol que entravam pela janela. Ela já não usava a mesma roupa que ontem. Agora estava com uma camiseta preta e um casaco cinza, uma calça jeans escura e botas. Era uma garota bonita.

_ O que foi? – ela perguntou de repente.

Seus olhos azuis claro me encaravam. Sorri, mas o sorriso morreu. Não poderia deixar que uma garota que eu mal conhecia o roubasse assim de mim.

_ Perdão por ser tão enxerida... – ela começou quando eu não respondi – Mas tomei a liberdade de comprar algumas coisas e dar uma ajeitada nessa casa. Estava um caos. Fiquei imaginando se quem morava aqui era um porco ou um ser humano. – ela provocou.

Ignorei seu comentário.

_ Deixa que eu termino isso. – falei tirando-a de perto do fogão.

_ Você deve estar cansado – ela retrucou – Não precisa se incomodar. – eu a encarei e vi constrangimento por um momento por ter encontrado meu olhar no dela – Certo. – ela disse se rendendo e sentando ao balcão da cozinha.

Quando acabei, coloquei os ovos em dois pratos e nos servi me sentando ao seu lado.

_ O que você quer dizer quando fala que não controla totalmente seu dom? – ela puxou assunto dando a primeira mordida.

_ Você já sabe que eu posso controlar a eletricidade. – comecei.

_ Energia. – ela corrigiu quase que sem intenção sabendo que ambas as sentenças estavam certas.

_ É, isso também. – concordei – Enfim, eu posso usá-la quando eu quiser, mas não posso dizer para qual direção ela vai.

_ Por isso você atacou aquelas pessoas no cassino. – ela deduziu.

_ Sem querer, mas foi. – confirmei.

Ela meditou um pouco. Larguei meu prato intocado e fui para a janela da cozinha observar as coisas que aconteciam em volta. Pude ver poucas pessoas, mas as que via, estavam felizes. Fiquei me imaginando ali, no lugar de uma delas, com minha família e minha vida normal, e a pergunta que eu já não me fazia há anos, retornou como um enorme peso em minha mente. Com tantas pessoas no mundo, por que logo eu tinha que ser diferente? Por que eu?

_ Não consigo entender. – sussurrei.

_ O que você não consegue? – ela perguntou se levantando.

Me virei para ela que ia em direção a pilha de louças.

_ Nunca se perguntou o porquê de ser assim? — indaguei – Por que nós e não nenhuma outra pessoa?

Ela suspirou.

_ Já não me importo mais. – disse por fim – O que eu acho é que cada um de nós tem um objetivo na vida. E eu estou tentando alcançar o meu.

_ Por isso quer minha ajuda? Para alcançar seu objetivo? – perguntei calmo.

_ Em partes, sim. – Eileen ficou mais fria em seu tom de voz. Suas feições tristes – Mas não é só isso. Acredite, eu não quero que aconteça a mais ninguém o que eu vi acontecer com meuspais.

_ Eileen, sinto muito por eles, mas acho que não há nada que possa fazer agora que vá mudar o que aconteceu. – falei.

_ Eu sei disso. – ela disse tempestuosamente.

Seu temperamento mudou de repente.

_ Então pare e pense no que realmente importa! No que está pela frente e no que está por vir! – eu ainda não estava gritando, e mesmo paciente, o meu tom se elevou.

_ Eu não vivo no meu passado como você pensa Arnold. – ela me cortou – E também não vivo no meu futuro como você quer. Eu tenho apenas o presente, e se quer saber, é ele que o que me interessa. – ela agora estava calma.

Nos encaramos por um curto pedaço de tempo até que ela se retirou. Sei que fui um pouco rude, mas não era de todo a intenção. Levantei rapidamente para segui-la.

_ Vou dar uma volta. – anunciou – Quando voltar preciso de uma resposta definitiva. Se for me ajudar, partiremos hoje ao pôr do sol.

E dizendo isso ela saiu me deixando sozinho na sala.

Bufei. Encarei o sofá por instantes antes de me atirar nele e ligar a televisão. Passava uma droga de filme idiota que nem sequer procurei saber o nome. Voltei para a cozinha e peguei um pacote de pipoca, coloquei no microondas e enquanto esperava tive uma ideia maluca. Peguei o telefone, e liguei para um amigo que não via há muito tempo.

_ Alô, Dalton? Como vai cara! Lembra quando me disse que queria viver uma aventura? Bom, acabei de encontrar uma perfeita pra você.

***

Dalton estava sentado ao meu lado comendo pipoca e tomando uma cerveja sem prestar nenhuma atenção no campeonato de futebol americano que passava. Começou a fazer perguntas descontroladamente.

_ Você controla a energia, sério mesmo? É como nos desenhos animados? E agora vai embora com uma garota de dezoito anos? Ela é gatinha? Nunca imaginei que você gostasse de garotas mais novas... E como assim vocês vão procurar outras pessoas? E quer que eu vá junto? Por acaso ela também controla a energia? Porque sabe, isso tudo é maluquice. A propósito, ela quer que eu vá junto?

Essas foram apenas algumas.

_ Digamos que eu ainda não contei a ela que você vai. – respondi – Nem mesmo que eu vou, mas garanto que não será problema. – acrescentei.

_ Arnold, você tem noção de quanto tempo a gente não se vê e de repente você me liga me chamando pra uma viagem provavelmente sem volta? – ele ponderou.

Não que eu não esperasse, mas Dalton aceitou tudo fácil de mais. Eh, o garoto não mudou nada com os anos.

_ Eu te prometi que encontraria algo pra você que se parecesse com os filmes, lembra? – falei – Essa é a sua oportunidade, você vem?

_ Mas é claro que não!

_ O quê? – engasguei.

“Claro que não” não era a resposta esperada.

_ Calma cara é brincadeira. – ele disse se aproximando – É claro que eu vou!

_ Ótimo. – falei, automaticamente me sentindo melhor – Agora vai pra casa arrumar suas coisas e volta sem demora, beleza?

_ Pode deixar. – seu rosto se iluminou de alegria.

Quando Dalton saiu, fui para meu quarto e peguei uma mochila onde pus roupas, dinheiro, documentos, meu passaporte (por precaução) e duas armas. A mochila ficou bem cheia e não coube muito mais. Desci a escada e voltei para a sala. Eileen acabara de chegar.

_ E então? Pelo visto já posso imaginar sua resposta. – ela disse.

_ Espera, eu tenho uma condição. – falei jogando a bolsa no sofá e indo em sua direção.

Ela não pareceu gostar disso.

_ Não sei se vou poder aceitá-la super Shock. – ela disse séria.

_ Super Shock? — franzi a testa.

_ Algum problema? – ela devolveu.

_ Não. – respondi – Vou dizer minha condição então pirralha.

_ Pirralha? – ela perguntou.

_ Super Shock? – repeti.

_ Diga logo. Super Shock. – ela acrescentou para provocar.

_ Dalton vai junto. – falei.

_ O quê? – ela estava ficando vermelha.

_ Olha, eu sei que é perigoso e todo o blá blá blá que você me disse, mas ele vai ajudar. Manuseia armas muito bem e é mais forte do que parece. E digamos que razoavelmente inteligente. – falei a última parte um pouco baixo.

_ Isso não vem ao caso. – ela interrompeu – Ele não pode ir.

_ Beleza, então eu também não vou. – respondi.

Pensei que ela fosse virar e dizer algo como “tudo bem, ele pode ir”. Mas ela disse apenas:

_ Certo, então tchau, não tenho mais nada o que fazer aqui.

_ Sério que você vai embora assim, mesmo sem mim? – atirei indignado.

_ Você acabou de dizer que não vai mais. – ela disse simplesmente.

_ Porque eu pensei que você fosse deixar o Dalton ir! – retruquei impaciente.

_ Ouvi meu nome? – Dalton apareceu sorridente na porta, mas parou quando notou nossas caras – Ok, ok. – ele disse – Sinto cheiro de problema. O que aconteceu? Eu posso ir, né?

_ Eu ainda não sei. Tente convencê-la. – apontei para Eileen.

_ Escuta – ela se adiantou – Isso vai ser perigoso e você é muito novo nessa coisa toda pra poder...

_ E daí? – ele contradisse – Eu tenho dezenove anos, pare de me tratar como uma criança. Aparentemente sou mais velho que você.

_ Não te chamei de criança. – ela disse.

Eles nem se conheciam e já estavam discutindo. Me mantive de fora.

_ Olha garota. Eileen, não é? – ela acenou a cabeça em concordância – Faz muito tempo que eu não vejo o Arnold e ele é como um pai que eu nunca tive. Ele me criou desde os meus seis anos e só fui embora aos quinze porque tive mesmo que ir. Não me faça separar dele de novo, quero estar por perto pra tentar retribuir o que ele fez pra mim.

Dalton. Tentei não sorrir. Sempre usando aquela psicologia para convencer as pessoas.

Eileen suspirou. Até que aquela foi rápida.

_ Certo. – Eileen resmungou.

_ Isso! – Dalton comemorou – Então, vamos?

_ Certo. – ela repetiu emburrada.

_ Pra onde? – finalmente perguntei.

_ Nova York. – ela respondeu.

_ Por quê? – Dalton se interessou.

_ Vamos buscar algumas coisas. – ela respondeu.

_ Para...? – gesticulei para que ela explicasse melhor.

_ Vai saber logo super Shock.

_ Super Shock? – Dalton riu – É um apelido novo?

_ Nem pense em me chamar disso. – interrompi nervoso – E tudo bem pirralha. – me virei para ela – Eu sei esperar.

Notas finais
Bjos