Ela se sofre, se sente perturbada, quer fugir da existência mas tem medo de perder a vida.

É uma daquelas pessoas que vivem em modo de defesa, achando que as pancadas que a vida dá doerão menos.

Ledo engano, minha pobre criança.

Ela é daquelas pessoas que de tanto chorar, aprendeu a calar sentimentos como uma palavra dita num momento inconveniente. E isso a machuca. Só que por dentro.

Por fora, ela sorri, é uma garota comum, um tanto dedicada no que faz. Tem amigos, namorado, vida social, mas convive com seus monstros internos dia após dia. Alimentando-os contra sua vontade, cultivando-os contra sua vontade...

Talvez seja o hábito, o medo, o receio.

Ela acorrentou-se aos seus próprios medos, mas pôs as chaves ao seu alcance. Algo em sua mente diz que ela consegue, mas os monstros a seguram pelos pés, pelos braços, pelo tronco, pelos cabelos...

Coitada, ao mesmo tempo que é monstruosamente forte, se sente absurdamente fraca. O corpo é preso ao chão, mas a mente está acima das nuvens, fantasiando com a hipótese remota de um dia conseguir se livrar das correntes, dos cadeados...

E do maldito nó, que a sufoca dia após dia.

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