Nínive

2 O dom do confronto


Notas iniciais
O motim é a linguagem dos injustiçados

E quando a batalha oferecia-se mais acérrima...

Uma pré adolescente infectada, ofendera nosso herói num coletivo, chamando-o de: “Bichão de goiaba”. E quebra-lhe a postura de bom moço.

Muitas coisas o trouxera até ali, e a militância contra toda a sorte de preconceitos, a primeira d’elas. Não entendia o preconceito estético, vindo de uma criatura negra, com um histórico ancestral tão comprometido, ao qual não lhe ensinara nada. E nisso, retrucou num surto. Também de modo gago e fanho: ___Por que você não morre e vai para o inferno sua macaca !?!

Houve risos, que virou pancadaria. Ao som viral, da pornofonia devassa. E ele, como bom representante de minorias; fora machucado severamente. Apenas sussurrou para que não o levassem ao hospital, temendo que lá o silenciasse. E desmaia.

Dois dias fora do ar, e tivera um curioso sonho:

Via teventes; ( tele-espectadores ) com latrinas em lugar de suas cabeças, sentados num sofá frente a TV, a programação era fútil...Era dia tradicional de domingo. Ancas e peitos buliçosos, bailavam ao som das batidas. Até que fora interrompida pela vinheta do Governo: “O anúncio do Senhor, Presidente sem rosto; de voz computadorizada. Em instantes...”

Momento exato em que carros do governo a plenos auto falantes, rondavam pelas ruas dizendo “...resistentes não serão tolerados”. Frase última que o arrancara de seu sonho... O qual omitiu a todos.

Jonas estranhou o lugar, calmamente olhando ao redor.

Pois o mesmo era um quase produto da sociedade; semelhanças a parte... Filho de mãe solteira, morador de Conjunto habitacional, e vivia duro. Mas que fora salvo, somente pela veia ávida aos estudos. Estava em casa de mãe preta. Grande amiga da causa e também da família, por ser da mãe, também amiga. Dessas que sempre ajudam a mães; que também são pais.

Jonas já não pegava ônibus, e fizera dali o seu QG, que estava prestes a ganhar dois aliados. E discursava só, de forma bem peculiar: “___Um dia... Entenderão que fomos concebidos todos pelo mesmo parto existencial. E que por isso devemos cuidar uns dos outros.”

Jonas disse isso e fitara ao chão. Talvez imaginando, uma Nínive dali a cinquenta anos, com pilhas de aborto e mães ainda meninas e havendo em cada família, um jovem usuário ou traficante. Todos da geração ciclo – que envelhecem sem sair das escolas... E completa:

“___Hammelin só promove: promiscuidade, bandidismo e emburrecimento. E pior... ainda querem privatizar a nossa água!!!”

—Para ele, era como se privatizasse Deus.

Enquanto isso, o bando ouvia: Caetano e Buarque. E moldavam formas de em folhas de raio x, junto aos punk’s, às pichações de protesto.

Em seu quarto, e frente a espelho; Jonas questionava a Deus sobre o porquê de ser ser uma “caricatura de gente.” Não aceitando a sua aparência. Temia seus pensamentos, ou a exemplo do ônibus; de sucumbir à seu lado mais sombrio.

Era manhã de terça e fora comprar pão.

Não dando por si, entrara não somente na padaria; mas num assalto fotográfico. Nervos a flor da pele. Olhares vítreos. Um infectado já homem, ameaçava o caixa com uma arma; sendo esse um, “rapaz” adamado. Jonas de praxe, também ficara de mãos a vista. Ao lado estava um down de uns dezessete anos... travado e em pranto. Por vezes o caixa, era chamado de “viado”. Jonas agüentou firme até que o menino down, levara uma coronhada, junto a alcunha de: ___ “Mongol !”

Jonas, cansou-se de suas guerras. E preferindo morrer em campo, deu de murros no assaltante, que não atirou, mas atracaram-se. Pois a arma, era de brinquedo. Mais um tumulto. O dow, gritava e fazia caretas. Já o caixa, esganiçava em posse de uma faca, que erra o bandido e fura Jonas, no bico da axila.___Caraaacas!!! – valoriza o ferimento. (Sangue)

Resultado? Os dois abraçam Jonas, mas também a causa.

O infectado foge arrependido... O rapaz do caixa, gritava em choque perguntando: o que fazer por Jonas, que aturdido... só apontava o caminho de mãe preta; e o levaram até la. Chegando ao QG, Jonas apagou; de vez. E... Perdera muito sangue.

Jonas sai do corpo. Se via em velas, sob um pôster do Guevara. Mãe preta o ajudando o ferimento. Ouvia preces num enxame de mãos dadas.

Tudo se apaga; Jonas de novo, tivera o mesmo sonho...Só que não. Diferente.

Mesma sala, os mesmos teventes e com as mesmas cabeças de latrina. Porém, havia uma mão, prestes a puxar a tomada. E procurava a voz que dizia: “...Quem com ferro fere, será ferido...Haverá mudanças.”- e desligando a tv, tudo escureceu.

Desabando no corpo em bandagens. Que normal e sem embaraço, disse em belo timbre: ___Eu tive um sonho! E vibrou por não estar mais gago e nem fanho. “ ___Que macumba é essa? – disse mãe preta desmaiando.

Seus amigos não acreditaram, estavam assustadíssimos. Ainda mais que Olhando o braço, ao contar do sonho; o próprio Jonas imprensava-se à parede... Vendo o albinismo pardeando-se. Todos presenciaram, normalmente se borrando.

—_Olhem isso! – disse o barbinha cadeirante com um note book. Agente das comunicações. Era um vídeo, sob a seguinte manchete: Fenômeno estranho acontece em Nínive.

“Ao cometer a atendente estrábica de bulling, um cliente high society fora ao chão, convulsivamente. E voltando em si, tivera também os olhos, severamente afastados. A ponto de totalmente estrábico. Ao passo que a atendente, recobrou-se da cura.”

“___ Eventos iguais tem acontecido por toda a Nínive. É uma compensação generalizada.”

“___Uma comitiva de cientistas esta vindo do exterior, para maior elucidação dos fenômenos”

E isso no mesmo horário, coincidente à cura de Jonas.

Dois dias dali. E todos entenderam, que Jonas estava sendo mudado em função da causa; para não ser reconhecido. E assim continuar a revolução.

E que o processo de transferência seria gradativo, em função de cada demonstração gratuita de preconceito, dentro do País.

Ciente disso, Jonas aplicava-se a seu chamado. E...

Pode-se de dizer, que durante a faculdade; que o clichê da sala; tipo atlético piadista, passou a comer com um certo suicídio.

Agora a lenda urbana, é de um só nome e muitos rostos. Além de modelo a muitos países. Pois a servir a cada estado e cidade de Nínive... havia um: Fantasma Cáustico.

Mas enquanto isso na capital...

Há alguém que cursa Ciências Políticas. E que leciona antídotos, imunizando e recrutando à resistência. Alguém mudado e no a parte do campus; tendo ao fundo, o cartaz de: Procurado.

A revolução, atribuiu os fenômenos a: Che Guevara. Jonas, porém, a Deus.

Agora... Só esta guerra continua. Pois Jonas, o primeiro Jonas... agora venusto e moreno; e enamora-se de um poderoso decote e par de coxas.

Notas finais
Tiranias e ditaduras, são irmãs. Porém ha versões suaves, de uma e de outra.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.