Adrian olhou para os lados e viu seus amigos de pé em posição de luta.

Bruce estava com suas mãos levantadas em direção a alguém.

Natália estava com uma faca grande de cozinha nas mãos.

Bruna estava segurando um pedaço de ferro.

Nora estava assustada escondida atrás da barricada.

— Galeris, o que está acontecendo? Por que eu estou amarrado? — Adrian perguntou enquanto se rebatia no chão.

— Você não pode morrer, Adrian. Por isso. — Mendigo Carlos disse.

Por um segundo Adrian ficou aliviado. Então sentiu dor. Muita dor. Olhou para a sua perna e viu uma estaca de gelo fincada nela. Ele estava sangrando.

— Você não pode morrer. Mas pode sofrer! — Mendigo Carlos falou e logo em seguida deu uma risada maléfica.

Adrian notou que seus amigos estavam posicionados de um lado e Mendigo Carlos do outro.

— MINHA PERNA! ESTÁ SANGRANDO! POR QUE VOCÊ FEZ ISSO, MENDIGO CARLOS?

— Eu não posso te matar se não vai ser tudo em vão. Então eu vou te deixar vivo, sofrendo. Até que um dia eu descubra como me livrar de você ou descubra melhor como seus poderes funcionam. — O mendigo parecia estar preparando mais um ataque. Mirou na outra perna de Adrian e lançou mais uma estaca de gelo.

— RAAAAAARWN! — Bruce rosnou e desviou a estaca para longe com seus poderes psíquicos.

— Nora, vá desamarrar o Adrian. Eu te protejo enquanto isso. — Bruce estava sério.

— Esse puto te amarrou enquanto a gente dormia e nós acordamos com ele tentando nos matar. — Bruna explicou.

— Não, não, não. Matar não. Eu jamais atacaria uma presa indefesa. Eu só queria acordar vocês já com adrenalina para nós podermos batalhar! — O mendigo lambia os dedos. — Mas antes, como todo bom vilão de filmes, me deixe explicar o que está acontecendo. Mendigo Carlos apertou sua verruga no meio da testa e algo estranhou aconteceu. Seu corpo começou a brilhar e luzes rodopiantes giravam em torno dele. Logo ele se transformou em uma figura diferente. Uma figura alienígena.

— Meu verdadeiro nome não é Mendigo Carlos. Meu nome é Alienígena Strax. Eu sou um Gladiador. Eu viajo de planetas em planetas em busca de criaturas para matar. E seu planetinha azul me chamou a atenção. — O alienígena começou a andar de um lado para o outro, como se estivesse dando uma palestra. Todos continuaram em posição de defesa e ataque.

— Sabe, quando planetas estão à beira de um colapso, os Vermes saem para devorar o que resta. Esses Vermes são o que vocês chamam de Bestas. Assim como no corpo de todos seres vivos tem suas bactérias que saem para comer nossa carne quando mortos, os planetas também têm os seus. Não sei o que vai acontecer com esse planeta Terra de vocês, mas a aparição dos Vermes significa que ele está prestes a morrer de vez. Enfim, os Vermes são criaturas formidáveis que andam em bando, então são ótimos pra caçar. Mas eu acabei encontrando vocês aqui, com seus novos poderes. Aliás, meus poderes de gelo eu adquiri aqui também, de alguma forma. Agora quero matar vocês também. Nós Gladiadores não deixamos presas escaparem. — Sorriu sadicamente.

— Você é um pescotapa então... — Bruce fez uma pergunta retórica. — Natália, teletransporta todo mundo pra longe daqui. Eu cuido desse merda.

— Eu não posso... Eu estou tão acostumada com o Mendigo Carlos que não consigo sentir medo. Meus poderes não vão funcionar.

— Certo. Então tomem cuidado. Vamos acabar com esse maluco! — Bruce também sorriu sadicamente.

Alienígena Strax avançou. Criou duas estacas de gelo e as segurou em suas mãos. Pulou para cima de Natália.

— RAAAAAAAAWRN! — Bruce o empurrou para longe. O alien bateu as costas nas prateleiras. O supermercado era grande, então tinham um bom espaço para lutarem.

Nora foi correndo até Adrian para o desamarrar.

— Merda, eu sonhei com isso, mas quando acordei já era tarde demais! — Bruna estava desapontada. — Mas eu também sonhei com uma outra coisa, e quando eu conseguir fazer o que fiz no sonho, esse filho da puta vai morrer!

Alienígena Strax se levantou. Estava com um pouco de sangue azul escorrendo da boca. Limpou com a parte de trás das mãos.

Ele era alto, robusto. Seus olhos eram vermelhos e seu rosto zangado. Quando sorria parecia um clichê de psicopata. Suas pernas eram grossas e firmes. Não tinha nenhum pelo no corpo, apenas esporos saindo para todo lado da cabeça.

— Seu poder é bem problemático, meu caro amigo Bruce. Acho que você tem que morrer primeiro. — O alien soltou várias estacas de gelo pela boca. Bruce tentou desviar de algumas e levitar outras, mas não conseguiu. Uma perfurou seu estômago. O garoto caiu ao chão, com dor.

— BRUCE! — Natália gritou.

— Eu estou bem! — Bruce mirou suas mãos para Strax, rosnou alto. Conseguiu torcer o braço do alienígena, o quebrando. Ele gritou de dor.

— Gosta disso, não é? Seu vagabundo! — Bruce parecia estar fazendo um sex talk.

— Você já me tirou do sério! — Strax criou diversas estacas de gelo, muito mais que dá última vez. Jogou todas em direção a Bruce. O garoto conseguiu criar uma parede de energia psíquica antes que as estacas o atingissem.

— Epa! Isso é novo!

Natália de esgueirou para trás de Strax enquanto ele não estava percebendo. Tentou cortar sua garganta por trás, mas o alien percebeu e desviou, levando apenas um corte profundo em seu outro braço. Pegou Natália pelo pescoço e a atirou no chão com força. A garota quebrou algumas costelas nisso.

Bruna parecia estar concentrada.

— Bruce, eu preciso que você ganhe algum tempo até eu estar preparada.

Bruce não sabia para que, mas confiou em sua irmã. Andou meio cambaleante com a estaca de gelo em sua barriga e tentou se aproximar de Strax para seu poder surtir mais efeito. Nisso, Nora conseguiu desamarrar Adrian. Strax fingiu que ia atacar Bruce, mas era apenas uma distração para que pudesse lançar uma estaca em Nora. A estaca perfurou fundo seus órgãos internos.

— NORA! — Adrian gritou e a segurou nos braços.

— Me desculpe, varão. Acho que não vou conseguir sobreviver. — A mulher disse sorrindo enquanto olhava serenamente para Adrian.

— Não, não, não. Não morra!

Nora fechou seus olhos pela última vez.

Adrian se levantou muito nervoso. Estava com a perna sangrando muito, mas não se importava com a dor. Correu, cambaleante, em direção a Strax. Seus punhos estavam cerrados e nos seus olhos havia fúria.

— Calma, ADRIAN! NÃO AJA SEM PENSAR! — Bruce gritou.

Adrian foi mesmo assim, em fúria.

Strax sorriu e preparou suas estacas.

— Merda... — Bruce sussurrou.

Strax se preparou para fincar a estaca no corpo de Adrian. Mas quando foi disferir o golpe, Bruce entrou na frente. A estaca perfurou o outro lado do seu estômago e o garoto caiu no chão.

— Adrian, você tem que morrer. Mas não agora. Fique vivo mais um pouco pra adquirir mais informação do que temos que fazer. — Muito sangue escorria da boca de Bruce, ele até mesmo se engasgava. Adrian segurou sua cabeça enquanto Bruce dava seus últimos suspiros. Por fim morreu. Adrian fechou os olhos de seu amigo e novamente olhou com fúria para Strax.

— Bruna, seja lá o que você está fazendo, já está pronto? — Natália se arrastava pelo chão.

— Acho que quase. — Bruna se concentrava cada vez mais.

Strax rapidamente, num pulo, chegou na frente de Natália quando a mesma tentava se levantar. Pisoteou sua cabeça com tanta força que pôde-se ouvir o som do crânio se partindo. A garota estava morta.

— NÃO! — Bruna gritou. Parou de se concentrar. — Adrian, por favor, morra. — A garota abriu seus braços enquanto Strax criava uma estaca maciça. Bruna fechou os olhos. Strax perfurou a cabeça de Bruna com a estaca de gelo.

Adrian se colocou ao chão. Chorando.

— Você não vai morrer, jovem humano. — Strax riu.

Adrian tentava pensar em algo para fazer, mas não tinha nenhuma ideia. Ele não conseguiria fugir, Strax é muito rápido. Ele só estava aceitando a derrota.

Strax criou duas pequenas estacas de gelo atirou nas palmas das mãos de Adrian. Jogando-o na parede. As estacas fincaram na parede, o deixando numa posição de Cristo na cruz. Adrian estava acabado. Strax começou um monólogo de como gostava de caçar seres inteligentes, mas Adrian não teve força ou estômago para escutar. Tentava pensar, mas não conseguia. Depois de vários minutos agonizando, ouviu Strax falar seu nome.

— Eu vou cuidar das suas feridas, Adrian. Não se preocupe. Você não vai morrer. — Antes que Strax pudesse rir, um alto som percorreu o ambiente. Quando Adrian se deu conta, Strax estava com as mãos na barriga. Suas mãos estavam repletas de sangue azul. Adrian pensou ter visto de relance algo parecido com um laser perfurar o alienígena.

Strax caiu no chão.

Adrian olhava ao redor tentando buscar da onde aquilo tinha vindo. Enxergou uma figura estranha se aproximando. Era algo como um astronauta. Andava com pesar em sua roupa pesada. Se aproximou de Adrian.

— Meu Deus! O que aconteceu aqui? — A voz do astronauta estava trêmula, como se estivesse quase chorando.

Adrian juntou forças para olhar a figura em sua frente. Ficou a observando sem falar nada.

O astronauta tirou o capacete.

Era Ohannah. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.

— Eu cheguei tarde. Todo mundo morreu. Meu Deus, a Bruna... — Ohannah começou a chorar.

— Ohannis... Vai dar tudo certo... Eu só preciso... — Adrian falava com uma voz ríspida e fraca.

Uma estaca de gelo acertou o braço de Ohannah. Por sorte sua roupa espacial diminuiu o impacto. Apenas foi dolorido.

— Como você ainda está vivo? Foi você que fez isso com os meus amigos?

Strax se levantou e criou estacas de gelo em suas mãos. Ohannah se preparou para lutar com ele.

Adrian fez muita força com sua mão direita. Com dificuldade fez sua carne atravessar a estaca de gelo. A dor era imensa. Seus músculos estavam sendo perfurados pela estaca, por sorte o gelo ameniza um pouco a dor. Conseguiu libertar sua mão. Estava aos prantos, as lágrimas caiam ao chão.

— Vai dar tudo certo, vai dar tudo certo, vai dar tudo certo. — Adrian repetia para si mesmo enquanto ficava pendurado por uma só mão na parede. Sua mão direita estava fraca demais, mas conseguiu pegar a faca que Natália estava usando, caída no chão. Sua mão tremia muito. Mas com muito pesar conseguiu cortar seu pulso esquerdo com a faca. Grunhiu de dor.

— Vai dar tudo certo... Vai dar tudo c-certo... Vai dar... — Adrian morreu.

Adrian acordou.

— GALERA, É O SEGUINTE! EU VOU PASSAR AS INSTRUÇÕES! — Adrian gritou.

Os seis olharam confusos para o garoto.

— Não! Você morreu? Não acredito! — Strax estava muito furioso.

— A Bruna teve um sonho, ela vai fazer algo. Protejam ela até ela estar pronta! Bruce, você pode criar barreiras psíquicas, use isso para se defender. E você, Nora, venha até mim! — O garoto falou em alto e bom tom.

— Certo! — Nora foi em direção a Adrian.

Strax lançou estacas de gelo em Nora.

— Ah, mas não vai não! — Bruce a protegeu com um escudo psíquico. — Hahaha, é verdade!

Nora se aproximou de Adrian.

— Rápido! Me transforme em um repolho!

— Que? Tabom...

Nora colocou as mãos na cabeça de Adrian. Uma luz verde envolveu o menino. Ele se transformou em um repolho esquisito com rosto de Adrian.

— Natália! Olhe aqui! — O repolho falou.

— QUE MEDO! — Natália berrou.

— Pronto, agora você pode se teletransportar. Rápido, na sua frente! — Adrian exclamou.

Strax tentou atacar Natália, mas graças ao aviso de Adrian, ela foi rápida o suficiente para se teletransportar para outro lado do supermercado.

— Natália, fica se teletransportando comigo, o Bruce consegue se defender com as barreiras dele. — Bruna pediu.

As duas ficaram uma do lado da outra, de mãos dadas. Bruna estava se concentrando em algo. Strax tentou ataca-las, mas Natália desviava toda vez. Tentou atacar Bruce, mas ele rosnava e o jogava para longe, ou então criava barreiras psíquicas para se defender.

Strax estava ficando impaciente.

— EU TO COM MUITO MEDO DO ADRIAN! — Natália gritava e se teletransportava.

Strax atacava sem sucesso as duas garotas, porém conseguiu atingir Bruce uma vez na perna e uma vez no braço, mas nada grave.

A luta prolongou-se por mais um tempo, até que Bruna ficou pronta.

— Estou pronta! — Bruna falou. — Me coloque de frente com esse filho da puta, Natália! — Natália fez o que sua amiga pediu.

Bruna olhou fixamente para os olhos de Strax. Num piscar de olhos eles estavam em outro lugar.

Era um ambiente vermelho. Não tinha nada. Uma imensidão de vazio vermelho sangue.

Só estavam lá Bruna e Strax. Bruna sorria.

Tudo começou a ficar escuro. De repente tudo piscava. Preto e vermelho. Depois de piscar muitas vezes, o tom voltou ao vermelho, mas dessa vez tinha algo diferente.

Criaturas deformadas e assustadoras também estavam presentes. Se arrastavam com força no que poderia ser chamado de chão. Criaturas feitas de carne podre, com cores horripilantes. Uma delas tinham mãos deformadas como uma única grande garra. Suas pernas eram desproporcionais ao corpo e seus braços longos demais. Não parecia ter olhos ou boca, apenas um rosto desfigurado. Uma outra criatura parecia um demônio. Tinha asas de pássaro, mas eram sujas e descoloridas. Sua cabeça parecia a de um bode, com enormes chifres, mas sua face era pontiaguda. Tinha seios de uma mulher, mas descascados e horríveis.

Não era só essas duas criaturas, tinham várias, de vários formatos e tamanhos. Todas se arrastando em direção a Strax, fazendo grunhidos assustadores.

— Mas que criaturas são essas? Eu nunca encontrei monstros desse tipo nas minhas viagens. O que é isso? Não! Por favor, não! — Strax tremia de medo.

— Bem vindo a minha mente. Esse é o meu pesadelo feito especialmente para você. — A voz de Bruna estava distorcida, soava como vozes masculinas e femininas misturadas, mas ao mesmo tempo parecia um animal chorando. Os olhos da garota brilhavam em vermelho e chifres surgiam de sua cabeça.

— PARE! POR FAVOR, PARE! — Strax berrava em medo.

Enquanto isso, fora desse mundo, Bruna estava de pé na frente de Strax. Parada. Todos olhavam aflito aos dois.

Strax estava de joelhos, com seus olhos revirados e babando pela boca. Estava em um estado catatônico.

— Eu o aprisionei no meu mundo de pesadelos. É um novo poder que eu sonhei que eu tinha. Acho ele bem daora.

Todos olharam maravilhados para Bruna.

— POR FAVOR, AGORA FAZ O ADRIAN VOLTAR AO NORMAL! — Natália gritava para Nora.

A mulher sorriu e pôs a mão na cabeça de repolho de Adrian. Uma luz vermelha rodeou o garoto e ele voltou ao seu estado normal.

Nisso, uma figura apareceu na porta. Um astronauta. Todos, menos Adrian, entraram em posição de luta.

— Calma, gente. Não precisam ficar nervosos. Acho que vocês terão uma surpresa.