Névoa Branca
5 As Bestas
Adrian acordou. Abriu os olhos. Viu o teto pendurado lá em cima, como os tetos costumam estar.
— Oi, teto.
O teto não respondeu.
Colocou a mão direita na nuca. Estava sentindo uma dor leve e pontiaguda. Pensou que poderia ser devido a tensão.
Levantou-se. Se deparou com a Bruna e a Natália vindo para sala, ainda meio sonolentas.
— Gente, tive outro sonho profético! — Bruna começou a contar seu sonho. — Dessa vez eu vi vocês manipulando facas e usando suas individualidades, menos o Adrian, também vi uma igreja. E ah, eu acho que sei pra onde a gente tem que ir. Também vi isso no sonho! — Bruna parecia animada.
Bruce ainda estava deitado no sofá. Coçou os olhos, tirou as remelas.
— Onde?
— Cachoeira Paulista! Apareceu esse nome em uma placa no meu sonho. Com certeza vamos encontrar algo lá, provavelmente na igreja.
— Espera a gente acordar e comer alguma coisa, aí já vamos direto pra lá. Eu sei o caminho. — Natália disse.
— Sabe? — Adrian indagou, surpreso.
— Sei sim. Quer dizer, mais ou menos. Eu já fui para lá algumas vezes nas viagens que fiz ano passado. — Natália abriu o armário e tirou algumas bolachas e salgadinhos de lá.
Todos acordaram direito, usaram o banheiro, se trocaram com as mesmas roupas estilosas que haviam pego do Shopping no dia anterior. Comeram bolachas e salgadinhos, beberam refrigerante, se encheram de vários alimentos que tinham pego nas lojas. Adrian colocou um chapéu marrom de cowboy e disse:
— Bergamota! Estamos prontos pra viagem!
Saíram da casa de Natália e foram para a Pickup de Bruna. Se ajeitaram nos bancos, quase que o carro ficou apertado agora que o Mendigo Carlos havia se juntado a eles. Bruna foi dirigindo e Natália foi no outro banco da frente. Os garotos e mendigos ficaram para a parte de trás.
Embora com uma certa ansiedade, Bruna dirigiu tranquilamente pela cidade, posteriormente pela Dutra. Deixava os raios de sol da manhã tocar o seu rosto gótico. Dirigia com um braço para fora sentindo a brisa generosamente acariciar seus pelos góticos.
Natália estava emburrada pois seu celular tinha descarregado completamente justo quando ela tirava fotos da estrada. Alguns carros vazios enfeitavam a cidade. Natália divagava sobre o que poderia ter acontecido com todas as pessoas desaparecidas. Logo perceberam que não era só Taubaté que estava vazio. Onde passavam não havia ninguém, nem mesmo cachorros nas ruas.
Adrian olhava pela janela e imaginava ser um dinossauro correndo pelos obstáculos da estrada. Às vezes ele tropeçava.
Mendigo Carlos ficava atento as ruas por alguns momentos, depois se colocava a brincar com salgadinhos em formato de conchas. Se perdia na imersão de estar brincando com um alimento tão divertido.
Bruce rosnava baixinho, o suficiente para conseguir levitar um cigarro Black até sua boca. Fumava sem usar as mãos.
E assim passaram vários e vários minutos, deu quase uma hora de viagem até que finalmente chegaram em Cachoeira Paulista. Estavam começando a se cansar de ficarem tanto tempo sentados. Mas a viagem ainda não tinha terminado, pois eles ainda tinham que achar a tal igreja dos sonhos de Bruna.
Rondaram pela cidade por vinte minutos, encontraram algumas igrejas, mas nenhuma se parecia com a do sonho. Entraram nelas mesmo assim, mas não acharam nada demais, apenas igrejas abandonadas. Depois de muito zanzar pela cidade, encontraram algo, ou melhor, alguém.
— Ali! Estou vendo alguém! — Natália apontou para frente.
Todos olharam atentamente, notaram alguém se escondendo atrás de alguns carros próximos a um mercado.
— Hey, espera aí! Nós só queremos conversar! — Bruna colocou a cabeça para fora do carro e gritou.
A pessoa continuou escondida. Então em um movimento brusco se escondeu atrás de outro carro.
Bruna estacionou o carro de qualquer jeito no meio da rua e todos desceram do veículo. Tentaram se aproximar do indivíduo desconhecido, mas ele continuava se escondendo.
— Nós não queremos te machucar! — Bruce gritou.
Perceberam que a pessoa ficou parada por uns instantes. Estava agachada atrás de um carro. Levantou-se. Colocou às mãos para o alto e falou em bom tom:
— Quem são vocês? Servos do Anticristo? O que vocês querem? — Era uma mulher. Era jovem, provavelmente estava no começo dos seus trinta anos. Seus cabelos eram ondulados e castanhos, tinham cor de nozes. Era baixinha, vestia um sobretudo fino e amarelo, e nos pés botas brancas. Estava assustada.
— Calma, calma. Nós só queremos conversar. — Bruna disse.
— E não sabemos quem é esse tal de Anticristo, então definitivamente não estamos com ele. — Bruce completou.
— Meu nome é Natália e esses são meus amigos e um mendigo. — A garota explicava calmamente. — Qual o seu nome?
— Nora. Eu me chamo Nora. Nora Batista Dos Campos Silvestres de Bragança Maria Eduarda do Leste. — Disse a mulher.
— Ok... E o que você está fazendo? Você está sozinha? Pra onde vai? — Natália perguntou.
A mulher ficou meio trêmula. Perceberam que ela estava carregando uma sacola de papelão cheia de mantimentos.
— Eu sou uma integrante da Resistência. Estou levando esses alimentos para nossa base, a Igreja de São Henrique. — Respondeu ainda meio assustada.
Os cinco trocaram olhares, provavelmente essa era a igreja que estavam procurando.
— Podemos ir com você até essa igreja? — Bruna perguntou.
A mulher balançou sua cabeça positivamente, ainda com uma expressão assustada no rosto.
Se juntaram a Nora. Deram carona para ela até a tal igreja. Chegando lá, ela entrou e pediu para que esperassem do lado de fora. A igreja era grande e robusta. Suas paredes eram pintadas de um tom de amarelo que se confundia com um bege. Parecia uma construção antiga, mas não mostrava traços de ser velha. Era um local bem cuidado.
Depois de alguns minutos, Nora apareceu na porta da igreja acompanhada por um homem alto.
Sua expressão era de felicidade, abriu seus longos braços como se estivesse esperando um abraço. Também vestia uma roupa amarela e esquisita, suas roupas, assim como as de Nora, pareciam mesmo roupas de algum tipo de culto. Seus cabelos eram grisalhos e curtos, ele parecia já ter uma certa idade. Seu sorriso quase que intimidador fez com que Adrian sorrisse de volta.
— Mais pessoas! Que benção! — Disse o homem sorrindo.
— Olá... Eu me chamo Bruce, e você?
— Pode me chamar de Padre Pereira. — O homem continuava com os lábios esticados e mostrando seus dentes. — Entrem, entrem! Por favor!
Com um gesto, Padre Pereira insinuou que os cinco entrassem na igreja. Empurrou bem a porta para que todos entrassem. Bruce olhou para Bruna em busca de aprovação e ela acenou positivamente com a cabeça. Os cinco entraram.
Olharam detalhadamente para a igreja. Por dentro era tão bem cuidada quanto por fora. Suas paredes eram da mesma cor do outro lado. Tinha símbolos religiosos por toda parte. Os bancos eram aqueles clássicos de igrejas, e eram pintados de um marrom claro muito bonito. Notaram que aquela não era a única parte da igreja. Também tinha outros cômodos, vários outros cômodos. Era um lugar relativamente grande. Nora foi se juntando a outras pessoas vestidas iguais a ela. Tinha aproximadamente umas dez pessoas lá dentro.
— O que traz aventureiros para a nossa igreja? Posso ajudá-los?
— Bom, na verdade nós gostaríamos de saber o que aconteceu por aqui. Porque todo mundo sumiu, o que são essas névoas brancas pairando sobre toda cidade. Você sabe nos dizer? — Bruna perguntou.
O Padre fechou a cara. Seus olhos estavam repletos de raiva.
— Como ousam entrar na minha igreja em busca das respostas sobre o Anticristo? Nós não temos nenhuma informação além das que vocês também têm. — Disse o Padre.
— Esse é o problema, a gente não sabe de nada... — Adrian disse.
Bruce notou que quando o padre se exaltou, o Mendigo Carlos pareceu adotar uma posição mais intimidadora.
— Nós estávamos em um acampamento nessa última semana, nós não sabemos nada do que aconteceu no mundo enquanto estávamos fora. — Bruna explicou.
— Uma semana? Vocês acham que o Apocalipse aconteceu em uma semana? — Padre Pereira questionou desacreditado. — Nós já estamos nisso a quase nove meses!
Os cinco ficaram chocados.
— Como assim nove meses? Nós só estivemos fora por uma semana. — Natália olhava incrédula para seus amigos.
O Padre notou a confusão de seus visitantes e então fez uma proposta.
— Vamos fazer o seguinte. Vocês nos ajudam a matar as Bestas e eu conto para vocês tudo o que vocês quiserem saber.
— As Bestas? — Adrian indagou.
— Ah, claro. Vocês não devem saber sobre elas também.
Então Padre Pereira contou parte da sua história e da Igreja da Resistência. Contou que no início do que ele chama de "Apocalipse", a igreja juntou fiéis que resistiram ao Anticristo e decidiram permanecer na Terra. Mas que eventualmente, em toda noite de lua cheia, bestas selvagens surgiam das entranhas da terra e atacavam a igreja. Eram bestas grandes e poderosas, mas que a Resistência lutava bravamente com elas usando suas "bençãos", nome que eles davam para as individualidades. E que hoje seria a primeira noite de lua cheia do mês, então todos estavam se preparando para a batalha. O Padre disse que as outras partes da história ele contaria só depois dos cinco provarem que são dignos na luta contra as Bestas.
Bruna começou a ligar os pontos da realidade com seu sonho. Já havia entendido quem era os indivíduos encapuzados, eram os membros da resistência. Mesmo que não usassem capuz, mas as cores dos trajes eram os mesmos. E provavelmente as facas que Bruce e Natália seguravam no sonho representava a luta contra as Bestas que eles teriam. Tudo estava se encaixando.
Bruce olhou desconfiado para o Mendigo Carlos. Tinha uma pergunta a fazer.
— Carlos, quer dizer que você dormiu por esses nove meses? Você realmente não sabia de nada do que estava acontecendo?
Mendigo Carlos colocou as mãos atrás da cabeça e deu um sorriso sem graça.
— Parece que aquele Corote Sabor Maracujá me derrubou legal mesmo!
Bruce não ficou satisfeito com a resposta, mas decidiu não levar o questionário adiante.
Os cinco se aconchegaram na igreja. Conversaram com os membros da resistência, mas todos eles eram meio estranhos, a única que era simpática era Nora.
Padre Pereira mostrou a eles armas de grande porte que a Resistência usava para batalhar contra as Bestas. Fuzis, Escopetas, Metralhadoras, vários tipos de Espingardas, granadas. Eles estavam realmente armados até os dentes. Disse que todos usavam as armas e as bençãos na batalha, fazendo o melhor uso possível das duas juntas.
— Você sabe usar armas? — Pereira perguntou para Bruna.
— Sei. Aprendi com meu vô. — A garota respondeu enquanto pegava uma espingarda e mirava em algum ponto da igreja.
— E você? — O Padre perguntou para Natália.
— Sim. Aprendi com o vô dela. — Natália sorriu apontando para Bruna.
O Mendigo Carlos parecia entender bastante sobre armas. Foi analisando cada uma e escolhendo seu arsenal.
Adrian já tinha escolhido sua arma, apenas uma Espingarda velha de caça. Ele se sentia bem com ela.
Se esgueirou entre as pessoas ali presentes até se aproximar de Nora.
— As, bençãos, do pessoal aqui são fortes?
Nora pareceu meio cabisbaixa.
— Sim, são sim. Aquela ali — Nora apontou para uma mulher alta. — Pode lançar bolas de fogo pelas mãos. Aquele outro consegue forçar a gravidade, restringindo os movimentos das Bestas.
— Uau... — Adrian parecia maravilhado, porém ainda um pouco triste por não saber qual era sua individualidade.
— E a sua? Qual sua benção? — O garoto perguntou.
Nora ficou sem graça.
— Ah, minha benção não serve pra batalhas. Eu posso somente transformar pessoas ou animais em vegetais e legumes.
Adrian pareceu confuso.
— Quer ver? — A mulher perguntou.
Adrian concordou positivamente com a cabeça.
Nora colocou suas mãos na cabeça de Adrian, quase como se estivesse fazendo alguma prece. Então uma luz esverdeada começou a sair de suas mãos e iluminar todo ambiente. Em questão de segundos Adrian havia se transformado em um repolho. Mas não era um repolho comum, era um repolho com feições de Adrian, como se seu rosto estivesse imprimido de forma grotesca no vegetal.
Natália olhou aquilo. Suas pernas começaram a tremer.
— MAS QUE PORRA É ESSA? ISSO É ASSUSTADOR! POR FAVOR, PARE! — Natália gritou no meio da igreja.
O Adrian repolho começou a gargalhar. Ele parecia estar gostando do acontecido.
Nora sorriu e colocou as mãos na cabeça de repolho de Adrian. Uma luz vermelha surgiu e o garoto se transformou de volta em um esbelto e pálido garoto.
Ficaram todos conversando em uma sala da igreja onde tinham várias mesas e cadeiras para todos. Padre Pereira trouxe lanches para os cinco comerem. Essa foi a última vez que o viram antes da grande batalha começar.
O tempo foi passando e a noite chegando. A lua começou a refletir a luz no céu. Padre Pereira apareceu e guiou toda a Resistência para fora da igreja. Com suas armas em mãos, esperando as Bestas chegarem.
Bruce vinha logo atrás. Tinha feito uns exercícios de canto para sua voz estar preparada para rosnar a noite toda.
Natália e Bruna estavam parecendo personagens femininas de jogos de terror e sobrevivência. Todas pomposas e segurando armas enormes.
Adrian vinha atrás, palitando seus dentes. Com uma mão segurava a Espingarda que estava em suas costas segurada por um fio. Com a outra mão arrumava seu chapéu de cowboy.
Mendigo Carlos tinha feito umas estacas de gelo, pareciam ter se tornado armas mortais.
Todos se colocaram a frente da igreja, preparados para a batalha.
Esperaram alguns minutos. Começaram a ouvir sons esquisitos e pesados. Pareciam vir de cima dos edifícios. Cada vez os sons ficavam mais altos. Começou a parecer pesadas pegadas. Então a primeira criatura se mostrou. Pulou de um prédio e caiu alguns metros de distância da igreja. Apontou sua longa face para os humanos ali presentes e rugiu.
Era uma criatura um pouco mais comprida que um jacaré, porém mais alta e robusta. Seu crânio também se assemelhava a de um jacaré ou crocodilo, era comprido e achatado, porém tinha duas presas enormes saindo dos cantos da boca. Pareciam presas de elefantes, mas muito mais assustadoras. Era quadrúpede, tinha garras afiadas nas patas. Não parecia ter olhos, mas em compensação seus ouvidos eram bem grandes. E para completar o terror, a criatura tinha vários espinhos nas costas.
Primeiro uma apareceu, depois duas, quatro, seis. Aproximadamente umas vinte Bestas surgiram. Todas rugindo com suas faces apontadas para a Resistência.
Padre Pereira estava à frente de todos. Ergueu sua metralhadora para o alto e gritou:
— Morte as Bestas!
Sua aclamação seguiu de vários gritos do pessoal presente. Até mesmo Bruna e os outros gritaram de adrenalina.
Deram o primeiro tiro.
As Bestas rapidamente correram em direção a eles. Era muito rápidas. Os tiros pareciam as atrasar, mas não eram o suficiente para matá-las de uma vez.
Uma das Bestas arrancou a cabeça de um membro da resistência em uma mordida letal e brusca. Vários tiros e projéteis de individualidades a acertaram, a derrubando no chão e por fim matando a primeira criatura. Faltavam muitas.
Logo o campo de batalha ficou bagunçado. Carros pegando fogo, corpos de Bestas ao chão.
Bruce rosnava alto e atirava tudo o que achava pela frente nas Bestas. Todo objeto em seu caminho se tornava uma arma.
Bruna e Adrian corriam e atiravam. Desviavam bem dos ataques das criaturas. Não conseguiam contabilizar mortes, pois mesmo depois de caídas as Bestas se levantavam. Atiravam em vários alvos ao mesmo tempo.
Natália estava com medo, e isso era ótimo. Se teletransportava com facilidade pelo campo de batalha, desviando perfeitamente das Bestas. No meio da batalha descobriu que sua individualidade também funcionava para transportar outros com ela. Então ela, Bruna e Adrian se tornaram uma máquina de tiros. Três pessoas surgindo em vários cantos do campo de batalha em questão de segundos atirando para todos lados.
Mendigo Carlos era sem dúvidas o melhor lutador dali. Usava suas estacas de gelo para fincar no couro grosso das Bestas. Dava pulos acrobáticos e atirava com suas armas. Parecia um ninja ou algo do tipo. Seus movimentos eram velozes e precisos.
Embora umas três pessoas tivessem morrido, a vantagem era da Resistência. Eles estavam equipados com muitas armas e individualidades, as Bestas ofereciam um desafio, mas não eram páreos para a Resistência.
Depois de uma árdua batalha, todas Bestas foram mortas.
Padre Pereira reuniu todos os sobreviventes, cansados.
— Vencemos, meus amigos!
Todo mundo se abraçava, levantavam seus braços para o céu, agradeceram a Deus.
Bruce estava com alguns ferimentos leves, uns arranhados. Bruna, Natália e Adrian estavam ilesos, a individualidade de Natália havia os salvado. Mendigo Carlos estava cansado e sujo, sua roupa rasgada, mas seu olhar estava triunfante. Nora estava cansada e machucada, mas estava bem.
— Agora é hora do banquete! — Exclamou Padre Pereira.
Os cinco foram tomar banho nos vários chuveiros que tinha na igreja. Cuidaram de seus ferimentos, conversaram sobre a batalha entusiasmados. Descansaram um pouco, merecidamente.
Nora veio os chamar para o Grande Salão, onde teria um banquete para comemorar a vitória. Se dirigiram até lá. O Padre os agradeceu pela ajuda e disse que contaria tudo o que sabia após o banquete.
Comeram, se deliciaram. Conversaram com todos, felizes pela batalha vencida.
Um tempo depois, com todos ainda na mesa, Padre Pereira disse que tinha algo a dizer.
— Meus amigos, já os agradeci pela ajuda na batalha contra as Bestas, e realmente somos todos muito gratos. — Os membros da resistência concordaram com a cabeça. — Mas receio que nossa união termina aqui.
Bruce olhou confuso para o Padre e se preparou para rosnar.
— Minha benção me permite ler a mente das pessoas, sabiam? — O Padre disse. — E desde que eu bati o olho em vocês, eu descobri que vocês são servos do Anticristo. Seus ideais são os mesmos deles. E isso eu não admito!
Antes que pudessem reclamar, uma mulher alta se esgueirou atrás de Adrian e cortou sua garganta. O garoto se jogou no chão, tentando respirar. Sua boca vomitava sangue.
Natália se levantou da cadeira assustada.
Rapidamente pegou uma faca e teletransportou para trás da mulher, a esfaqueando nas costas.
Nora começou a gritar:
— O que está acontecendo? Por que vocês estão fazendo isso?
Padre Pereira olhou com desaprovação para ela.
— Você se afeiçoou a esses pecadores. Também merece a morte!
Um dos membros da Resistência deu um tiro de resolver em Nora, matando-a na hora.
Uma outra mulher foi com uma faca para cima de Bruna, Bruce rosnou tão alto que afundou o crânio da mulher, a derrubando no chão.
Mendigo Carlos criou estacas de gelo e começou a lutar contra os membros da Resistência. Rapidamente matou dois deles.
Bruce levitava facas para se defender dos ataques. Um dos membros da Resistência pegou uma lança e conseguiu fincar na barriga de Natália. A garota caiu no chão, gemendo de dor. Se arrastou até o corpo de Adrian, conferiu seu pulso. O garoto estava quase morto. Começou a chorar. Nisso, o Padre Pereira tirou uma pistola do bolso e atirou na cabeça de Natália.
— Bruna, corra! — Bruce disse enquanto começou a rosnar o mais alto que conseguia. Os objetos do Grande Salão começaram a flutuar e o garoto os mirava em direção aos inimigos.
Bruna, assustada, fugiu.
Mendigo Carlos matava todos com maestria. Ninguém era páreo para ele. Em questão de minutos matou todos da Resistência, com exceção de Pereira.
— Você matou meus amigos! — Os olhos de Bruce reviravam. Levantou seus braços em direção ao Padre.
— Não! Por favor, me perdoe! — Pereira suplicava.
Bruce rosnou. Explodiu a cabeça do Padre em mil pedaços.
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