Não vou a lugar algum
1 Capítulo Único
O celular tocou.
– Oi...To na casa do Derek...Não, eu não esqueci, ok! Tá, faço quando chegar. Eu já entendi! Ok, tchau!
Stiles encerrou a ligação, enquanto Derek fazia sua melhor expressão de dúvida.
– Foi o Scott, lembrando que eu tenho um trabalho de Biologia pra Segunda. Ele sabe que to mal na matéria e fica pegando no meu pé. Depois que virou nerd, decidiu cuidar da minha vida também. Mas eu sei que ele só tá preocupado... Você, não tá dando a mínima pro que eu to falando não é?
– Não.
– Nem sei porque eu ainda pergunto...
Era por volta das quatro da tarde em Beacon Hills. Um dia nublado de Novembro. Os dois estavam no sofá da sala. Stiles, deitado, com suas pernas em cima das de Derek brincando com seu celular novo, que tinha ganhado a poucos dias do pai. Derek apenas o observava, enquanto bebia um energético.
– O que está fazendo com esse celular?
– To só baixando uns aplicativos...
– Sei...
– O que você tem hoje? Tá todo esquisito, como se estivesse com raiva de alguma coisa... Espera, não me diga que está com ciúmes do meu celular?!
– Não! Ciúmes...Claro que não! — E revirou os olhos.
– Dá pra dizer o que é, porque eu ainda não tenho o dom de ler pensamentos!
– Você vem pra cá e fica grudado nessa sua nova porcaria!
– Tá, desculpa, ok! Só estava empolgado com ele. Já to desligando... Prontinho, desligado! Eu falei que era ciúmes! – E jogou o celular na poltrona do lado. – Ei, vem cá. Porque lobisomens tem que ser tão estressadinhos?
– Eu não sou...huf!
– Tá vendo! Você já pode desmontar toda sua armadura agora, bravo guerreiro.
Derek deu um leve ar de riso, sua expressão havia mudado. Calmamente deixou a lata de energético sobre a mesa. Levantou-se e foi em direção a cozinha. Abriu o armário e pegou uma pequena barra de chocolate meio amargo. Voltou a sala, onde Stiles o esperava, olhando para o teto e tamborilando os dedos. Derek parou ao seu lado e jogou a barra em seu peito.
– Obrigado. Como você sabia que eu estava com fome? – Falou, enquanto rasgava a embalagem.
– Você sempre esta com fome, Stiles! – Pegou a lata e sentou-se na ponta do sofá. Mais um gole e três minutos depois. Olhou para o lado, e imaginou como começou a gostar de um garoto como aquele. Tão atrapalhado e ao mesmo tempo tão adorável. Um garoto que o fazia se sentir seguro, e ao mesmo tempo o fazia tremulo toda vez que ouvia sua voz, ou olhava em seus olhos castanhos. Com aquele garoto, ele não precisava se intimidar ou fazer cara de durão, as coisas só aconteciam. Deu uma breve risada.
– Que foi? – O garoto dobrou a embalagem, a deixou sobre a mesinha de madeira, e voltou a se deitar.
– Só você que um dia ainda vai acabar com toda a comida dessa casa. – Stiles deu uma risada baixa.
– Vai, não é pra tanto! – Derek deixou sua lata de energético, agora vazia, no canto do sofá, e foi em direção ao corpo de Stiles. Passou uma das mãos na perna dele, enquanto a outra se apoiava no sofá. Chegou em seu pescoço e o beijou, roçando sua barba naquela pele clara. O corpo de Stiles, logo estremeceu reagindo ao estímulo. Puxou a camisa dele de modo que ele ficasse ainda mais próximo. Sabia que pelo queimor em suas maçãs do rosto, já estava todo vermelho. Derek parou para o olhar.
– Porque suas bochechas ficam rosadas tão facilmente?
– Acho que é porque você sabe meu ponto fraco. – Derek agora observava os lábios dele.
– Você está todo sujo de chocolate... – Stiles tentou limpar rapidamente sua boca, mas Derek o interrompeu, beijando-o ferozmente. Seus corpos estavam quentes e o beijo parecia interminável. Stiles levantou um pouco a camisa de Derek para que pudesse sentir sua pele. O puxou para mais perto. De repente o beijo acaba e o jovem lobo se ergue de joelhos puxando Stiles pelo braço para perto de forma brusca e inesperada. Os dedos do garoto passeavam por debaixo da camisa de Derek, que estava tendo certas dificuldades em abaixar o zíper do casaco de Stiles. Enfim, atingiu seu objetivo e não esperou muito para tirar o casaco e a camisa de algodão dele. Faltava apenas uma semana para a Lua Cheia e no próximo fim de semana eles não poderiam ficar juntos, por isso eles queriam aproveitar o máximo possível, já que no meio da semana era difícil de se verem. A não ser por algumas visitas noturnas ao quarto do Stiles. As unhas de Derek arranhavam aquelas costas nuas durante mais um beijo longo. Tinha saído de cima do sofá e ficado de pé ao lado dele, enquanto Stiles prendia suas pernas à cintura de Derek e envolvia seus braços ao redor de seu pescoço. Não demorou muito até eles chegarem à cama, onde o corpo de Stiles foi posto suavemente sobre o edredom. Recebeu um beijo na testa, e fechou os olhos, abrindo assim que outra sessão de barba mal feita roçando em seu pescoço havia terminado. Ele não tinha vergonha em explorar todo o corpo de Derek com suas mãos. O tempo de sentir receios ou vergonhas já havia passado. Tudo o que ele queria ele havia encontrado naquele homem. Era ele por vários motivos inexplicáveis e indescritíveis. Ele sentia que seu corpo, sua alma e seu coração já eram daquele lobisomem. Ele era seu alfa, seu mundo, seu porto seguro. Ele era seu. Suas pernas se enroscavam nas deles e suas mãos nos bolsos do jeans escuro. Respirava rapidamente enquanto Derek percorria todo seu tórax com os lábios. Ele começou a dar algumas risadas não muito altas, mas que deixaram certa dúvida em Derek.
– Ai, para cara! HAHAHA! Eu...não consigo...HAHAHAHA...
– Não consegue o quê? FALA! – Ele estava parado, com os olhos esbugalhados esperando pela resposta.
Soltou um suspiro, e se recuperando, finalmente falou.
– Respirar!
– Cócegas de novo Stiles! Meu Deus, se controla!
– Não consigo, desculpa! – Derek saiu de cima dele e sentou-se ao lado.
– Olha Stiles, você sabe que eu amo sua risada, mas você me assusta quando tem esses ataques. Parece que eu estou fazendo alguma coisa de errado.
– Desculpa se eu te faço se sentir assim. Você não fez nada de errado. Você nunca faz. -Se virou e pôs uma das mãos no queixo dele. Achou tão fofo o elogio que tinha recebido. Enfim sorriu gentilmente. – Ei, você quer me dá um beijo ou quer que eu continue falando sem parar. Porque você sabe que quando eu começo a falar eu não consigo parar. É natural, eu sempre falei muito, e você sabe disso. Não é segredo pra ninguém...
– Só cala a boca tá. – E abriu um largo sorriso. Foi em sua direção, encachou as mãos no seu pescoço e o beijou. Aqueles lábios, significavam muito pra ele. Todas aquelas palavras bobas que o faziam rir... Todos os beijos longos e molhados... graças a aqueles lábios. Imaginava que neles, havia algum tipo de feitiço ou encanto que o faziam sempre querer mais beijos. Pensava que qualquer dia desses poderia se perder entre eles e nunca mais se achar. Mas para ele, não seria má ideia.
Stiles estava ajoelhado. Entre suas pernas, o quadril de Derek. Estava tirando a camisa cinza dele, e se apressando para jogá-la o mais longe possível. Desbravou todos os gomos daquele abdômen e escorregava as mãos pelas costas firmes do rapaz. Enroscava-se por todo aquele corpo genuíno. O sangue fluindo mais rapidamente em suas veias. Seu coração batia cada vez mais depressa. Sentia arrepios de instante em instante. O ar frio que vinha da janela tocava suas costas desnudas, o que causava ainda mais sensações aos toques mornos que recebia. Derek puxava o cós de sua calça. Era óbvio que estava ansioso para tirá-la. Empurrou Stiles para que saísse da cama. Desabotoou a calça e abriu o zíper. Deixou os lábios descansarem sobre a lateral dos quadris dele. Puxou lentamente a calça e a cueca samba canção, deixado o ar quente sair de sua boca para a pele de Stiles, causando ainda mais arrepios. Derek se levantou e começou a abrir seu próprio jeans.
– Pode deixar que eu mesmo faço isso. — Sussurrou Stiles, com um tom carinhoso em sua voz. Aproximou-se, cheirou rapidamente seu pescoço, e desceu as mãos em direção a calça, e foi abaixando-se vagarosamente. Os olhos não desgrudavam dos dele. Os dois que já haviam deixado os sapatos na entrada quando tinham chegado do almoço, estavam apenas de meias.
– Derek, tem algum problema se eu ficar de meias? – Derek revirou os olhos instantaneamente.
– Sério, Stiles?
– O dia está frio. Eu estou com frio. Se eu tirar as meias, provavelmente, meus pés também ficaram com frio! – Derek o olhou com cara de tédio.
– Eu vou ter que repetir quantas vezes pra você entender que eu te quero de qualquer jeito, idiota! — Revirou os olhos mais uma vez e o jogou na cama.
A tarde ia se esvaindo e a chuva começava a cair. Mesmo com o frio, aqueles dois jovens estavam suados. Em meio aos lenções brancos, seus corpos flamejantes emanavam excitação, de uma paixão que ia além dos prazeres carnais. Pele morna. Boca extasiada. Nuca beijada. Costas arranhadas. Pernas tremulas. Braços firmes. Mãos inquietas. Abdômen rígido. Olhos preguiçosos... Havia sentimento em toda a cena. Nenhum fingimento. Nenhum arrependimento. Tudo era explícito e verdadeiro. Um certo entra e sai cheio de vontades acontecia incessantemente. Puxadas no cabelo, delírios febris. Mordidas na orelha, palavras indiscretas sussurradas. O êxtase de todo o movimento os deixava ainda mais sedentos por continuar. Mas quando enfim tinha acabado, desmoronaram em um doce sussurrar de gemidos . Roupas espalhadas pelo carpete. A luz fraca de um único abajur no quarto. A busca de fôlego e a chuva lá fora eram as únicas coisas que se ouviam. Stiles que deitara de bruços, estava a procura de nada específico com os olhos; Derek ainda enroscado em suas costas, descansava a cabeça em suas omoplatas. Não conseguia pensar em muita coisa enquanto recobrava a seus batimentos cardíacos normais. Ele nunca quis se esquecer de nenhum momento passado ao lado de Derek. Queria sempre arquivar as lembranças em sua memória. Derek tentava se recuperar da descarga de adrenalina que havia sofrido. Seu corpo ainda estava trêmulo quando foi para o lado, deixando os braços e as pernas envolvidos no corpo de Stiles. Havia fechado os olhos quando sentiu um movimento. Stiles havia saído de perto dele para fechar a janela. Sua silhueta era tudo que conseguia enxergar. Ele era graciosamente magro e se movia silenciosamente. O celular de Derek tocou na sala.
– Deixa que eu atendo... Ah, é o Scott. Alo? Oi...foi mal, é que eu desliguei ele... você sabe porque... Ah cala a boca!... Sair... acho que hoje não vai dar...talvez amanhã...então tá, tchau...não, eu não esqueci do trabalho Scott! Tchau! – Desligou a ligação e voltou para o quarto. Deixou o celular na mesinha de cabeceira, puxou o edredom e deitou-se novamente. –Frio, frio, frio...
– O que o Scott queria? – Perguntou Derek, enquanto puxava a manta para se cobrir.
– Ele chamou a gente pra sair, talvez ir numa lanchonete... eu falei que talvez amanhã. — estavam frente a frente, dividindo a mesma cama e o mesmo edredom. Corpos nus. Peles próximas. Stiles chegava ainda mais perto, em busca de calor corporal. Punha seus dedos desde o tórax até os quadris de Derek, deslizando-os delicadamente. Derek buscou a mão de Stiles, entrelaçando os dedos nos dele. Os dois olhavam fixamente para aqueles gestos e carícias que os próprios faziam. Os olhares se cruzaram novamente, não podendo evitar a atração e malícia nele contido, houve mais um beijo. Calmo e sereno, respirações profundas, breves pausas, tudo desapareceu e só restaram eles e aquele beijo.
– Isso não é certo, você sabia? Eu gostar tanto de você...isso está bem mais além do que eu me permitia sentir por qualquer pessoa... — Derek soltava as palavras lentamente, Stiles que a já havia se jogado sobre ele novamente, só ouvia, tentando desesperadamente conter sua vontade de voltar aos lábios mal-humorados. Mas em meio a tantas palavras afetuosas, apenas o deixou continuar. – Eu já passei por tanta coisa, e não tive nenhum relacionamento que deu certo...sempre me enganaram, contaram mentiras... agora é diferente. Você é diferente. Eu realmente quero que isso dê certo. Você me entende? — Stiles assentiu como em um sim. – Eu quero você...quero você sério. — Respirou fundo, pôs a mão atrás da cabeça do garoto e ficou em silêncio por um instante. – Acho que isso pode ser a coisa mais esquisita que eu vou falar em toda minha vida, mas... eu...err...hum...eu meio que...hum... dá pra deixar isso mais fácil!?!
– É só terminar a frase, será que é tão difícil assim? — Mais um longo suspiro na tentativa de se acalmar, e enfim Derek voltou a falar.
– É que eu nunca falei isso pra ninguém... eu...eu te amo Stiles... — Ele contemplou a face já corada de Derek e abriu um largo sorriso que não conseguia tirar do rosto.
– E se eu te dissesse que eu sinto o mesmo? Eu tentei ficar longe de você, eu tentei tirar você da cabeça, mas era tarde demais. Eu já não imagino minha vida sem você incluso nela. E é isso. É tudo que eu sei. – O garoto ainda sorrindo, ficou de joelhos, pegou-lhe a mão e o induziu a aproximar-se. Envolveu o braço no pescoço dele e o abraçou apertado, como se o tivesse tomado para si. Não ia deixa-lo, não importa o que os outros dissessem, nada abalaria o que ele sentia. Com os lábios, tocou a nuca, a orelha e as bochechas do lobisomem, que aconchegava a cabeça entre o pescoço e o ombro de Stiles e mantinha os braços circundados ao redor de seu tronco. – Estou aqui, e não pretendo ir a lugar algum sem você. — Derek se desvencilhou do abraço, sorriu e o observou novamente.
– Ainda bem... mas quem disse que eu ia deixar você fazer o contrário?
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