Notas iniciais
–Anny, vem cá. –Disse Mitty, minha amiga desde que me entendo por gente, com aquele seu cabelo platinado comprido, que não me invejava nenhum pouco, mesmo tendo uma arapuca preta que ousava chamar de cabelo. -Anny ele tá ali! –Sabe meu cabelo, bom, nesse dia ele não estava armado como de costume, na verdade estava bonito e cheiroso, tudo porque iria finalmente, me confessar pro garoto que gostava, nada podia sair errado.
–Ah, eu nem sei se quero ir mais...Ele parece ocupado. –Minha cabeça faltava explodir naquele momento, minha respiração estava ofegante e tudo que eu queria era ir pra casa. –Melhor deixar pra outro dia...
–Ah, nada disso. O dia tá lindo, e mesmo sendo inverno, o sol está de pé, tudo está conspirando. –Mitty e seu otimismo lendário.
–Tá bem, eu vou. Não lavei meu cabelo a toa não é mesmo?! –Soltei um sorriso nervoso. –Vamos lá!
–Isso que se fala amiga. Boa sorte!
É agora ou nunca. –Pensei.
–Passei as mãos pelo cabelo pela enésima vez. Chequei novamente meu vestido. (Que na verdade só deveria ser usado para o natal). E desejei a mim mesma sorte. Muita sorte.
Diego, era o garoto dos sonhos, tinha 14 anos, (um ano mais velho que eu) era popular, tinha várias qualidades, gostava de jogar basquete, odiava chocolate e amava filmes de ação. Poderia fazer um livro inteiro só de coisas que ele gostava ou não, porém não era hora pra isso.
–D-Diego?! –Chamei, minha voz saiu tremida e som dela foi horrível, não tinha como piorar. –P-posso falar com você? –E lá vai minha bochechas ficando vermelhas...
–Claro! –Diego saiu de perto dos amigos e pudemos enfim conversar. –Nossa você tá bem bonita.
–Obrigada... –Sorri, nesse ponto acho que já parecia mais um pimentão.
–Mas...Iai o que quer comigo. –Falou ele, quebrando um silêncio de mais de trinta segundos. –Você quer dizer alguma coisa, certo?!
Mãos soadas e coração preste a sair. Vamos lá.
–E-eu, fazia um tempo. –Pra ser exata cinco meses e meio. –Que eu queria dizer isso...É, e-eu gosto de você, Diego –Saiu.
Fala algo! –Meu coração gritava, dez, vinte, trinta, um minuto. Será que ele fico mudo?
–Sério?! Nossa, eu fiquei meio surpreso. –Ele sorriu e coçou a nuca. –Sabe Anny, eu gosto muito de você também.
–Sério! –Interrompi, não escondendo minha felicidade.
–Claro. Mas...não do jeito que você pensa...Não vai dar...Desculpa.
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–Aiii! –Exclamei, tinha pegado no sono de novo na aula. –O que foi que você jogou em mim?! –Gritei baixo, se é que é possível, pegando na minha cabeça e conferindo se não tinha sangue escorrendo. –Um tubo de corretivo?! –Disse me virando quase que completamente para meu amigo Léo, do qual sentava do meu lado.
–Foi mal, mais se você não acordasse, a Susy. –Ele apontou pra professora com o polegar. –Iria te expulsar de novo, você já tá marcada lembra?! –Falou ele, quase sussurrando.
–Não tinha uma coisa menos agressiva pra jogar em mim. Que não arriscasse perfurar meu crânio. Uma bolinha de papel, uma borracha, alguma coisa?!
–Bom até que eu joguei, mas você não acordou. Parece que o sonho tava bom né?! –Ele falou dando um sorrisinho de canto que me dava nos nervos.
–Quem dera, tive aquele sonho outra vez... –Disse rangendo os dentes.
–Qual sonho, aquele que seu pai se casava com nossa professora? –Falou Léo ainda com um tom brincalhão.
–Não, não esse...O outro.
–Aquele aconteceu há três anos atrás?! –Finalmente ele ficou sério.
–Esse mesmo. Acho que esse passado tirou o mês pra me atormentar. –Disse, baixando a cabeça na mesa, tacando com força de propósito.
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