Notas iniciais
O interessante da minha playlist, é que ela meio que prever o que vou escrever, assim que começo uma cena mais romântica ela me dá uma música tal como a cena, e bom, isso me ajuda bastante. Espero que gostem :3

Depois que me pai saiu, tomei um banho e vesti algo confortável, desci as escadas e procurei algo pra comer, havia dias que eu não comia algo direito.

Como estava chovendo, decidi voltar pro quarto, porém, a luz de um dos cômodos estava aberta, e bom, não era do quarto do meu pai e da Susy. Fui entrando de mancinho, e peguei Felipe lá, deitado na cama, ouvindo música.

Fiz um barulho qualquer e chamei sua atenção. Ele me viu, e fez sinal pra que eu entrasse.

Entrei e olhei em volta, seu quarto era branco, com alguns posters de bandas que não conhecia na parede, e algumas caixas espalhadas, no fim, era mais bagunçado que meu quarto.

–Sem, sono? -Ele perguntou, afirmei com a cabeça enquanto ainda olhava em volta. -Fecha a porta quando passar! -Ele disse se sentando na cama.

–Sem chance! -Falei, sentando do seu lado, e me encolhendo em sua cama. -E se você querer me usar?! -Ele solta uma risada.

–Aí...Eu é que digo: Sem chance! -Ele ficou mais perto, tirando um dos fone e me dando.

Era uma música calma e envolvente, daquelas que dá sono, mais de uma forma positiva, nunca imaginei que ele ouvia uma música dessas. De certa forma me impressionei.

–Se tivesse tanto medo de mim, não estaria tão perto, e ainda mais numa cama. -Ele me fitou. -Não me responsabilizo pelos meus instintos! -Ele sorri.

Me afastei de uma vez, o fone saiu do ouvido e quase cai da cama.

–Calma, eu não vou fazer nada! -Ele me encarou novamente. -Nada que você não queira! -Ele ri novamente.

–Quer saber, nem sei porque estou aqui! Eu já vou, tenha uma boa noite! -Me levantei da cama, pronta pra sair.

–Pera...Eu já disse, eu não vou fazer nada. -Disse, me fazendo sentar de novo, e me entregando novamente uns dos fones.

Olhei meio desconfiada pra ele, todas nossas conversas terminavam de uma forma inconveniente, pelo menos pra mim. Mesmo assim, cedi, e voltei a me encolher pondo o fone no ouvido.

–Mas iai..O que você queria fazer hoje mais cedo, hein garota?! -Disse ele, mudando de um olhar irônico pra algo mais repreendedor.

–Até você é?! Até você quer vim brigar comigo? -Falei, olhando com raiva pra ele.

–Não...Eu nunca brigaria com uma garota chorona como você. Já pensou...Ter medo de um bebum, como aquele...Eu hein?! -Ele sorriu, mas logo mudou a expressão. -Sinceramente, achei que você era mais forte!

–Eu discuti com meu pai, perdi meus dois únicos amigos, e ainda nem posso ir pra casa da minha mãe pra fugir disso tudo! -Eu falava rápido, com a garganta apertando. -Eu deveria se sentir no mínimo abandonada, não?!

–Fugir resolveria?! -Perguntou Felipe, olhei pra ele meio confusa. -Sabe, meus pai se divorciaram quando eu tinha nove anos...Ambos ficaram brigando pra conseguirem minha guarda. Enquanto isso eu ficava bolando de casa em casa, passei a pensar que iria passar o resto da minha vida assim. Meus pai não tinham tempo pra me dar atenção, e eu não podia fazer amigos, já que não morava em um lugar fixo. -Ele parou, e colocou outra música, já que tinha começado uma música de rock bem pesado, e bem, digamos não era o momento. Ambos rimos. -Bom, eu vivi até os 13 anos sem a companhia de ninguém, até finalmente poder escolher com quem queria ficar...O que quero dizer, é que me acustumei. E se você está reclamando da sua vida, bom, saiba que a minha também não foi muito fácil.

A música que estava tocando era, Your window pane, como as outras, ela era calma e envolvente, me fazia perceber detalhes que nunca pensei que veria em Felipe.

Seus olhos estavam vermelhos de sono, e seu cabelo estava bagunçado. Ele tinha um sinal no pescoço bem engraçado, e bom, aquela música estava realmente conseguindo me envolver.

Continuei sem falar nada, apenas fitando aquele olhos escuros, que ainda não conseguia saber a cor verdadeira, ele também não falava nada, permanecia em silêncio, será que ele também estava percebendo detalhes constrangedores em mim?

–Enfim, o que eu quis dizer com tudo isso... -Disse Felipe, acordando do transe assim como eu, quando a música acabou. -É que, se está difícil, saiba que um dia vai passar, e bom, só vai restar lembranças e conhecimento de tudo isso.

–Se fugir resolve?! -Ele me olhou novamente. -Eu não acho!

Alguns segundos calados, e então ele me pega em silêncio, ainda processando tudo que ele tinha falado. Mal tinha conhecido ele, e bom, ele já havia me contando um pouco da sua vida. Será que ele já confiava em mim?

–Ah, fala sério! -Disse, batendo no ombro dele. -O que você é, um velho? Por que você fala como um! -Soltei um sorriso.

Ele ficou alguns segundos calado e depois abriu um sorriso.

–E o que você acha que é, uma menina mal comida? -Ele falou, rindo da minha cara. -O que é que tem se eu morrer..., Haha! Socorro, socorro, tem um bebum correndo atrás de mim!! -Ele continuava, me imitando, comecei a me irritar.

–Quer saber, eu vou embora! -Disse, cuspindo no fone e o devolvendo. -Taqui seu fone! -Me levantei.

–Que foi, ficou com raiva, você que começou okay! -Ele disse, tentando limpar seu fone, mas ainda rindo.

–Não! Eu só vou embora, porque se ficar mais tempo, eu vou acabar dormindo com essa suas musiquinhas de menina! -Falei, indo embora e batendo a porta com força.

Notas finais
Reviews?!