Capítulo 6 — Machucados físicos e mentais
" Os animais, são os melhores, e nunca te traem "
O meu mundo tinha voltado ao normal, como era antes quando minha irmã não tinha vendido a única casa que eu tinha. Só que dessa vez sem a casa e sem a irmã..
Diego não me forçou a nada, me dava Bom Dia como sempre fez com suas secretarias, nem pedia para mim voltar para casa, para o lar dele.
Fazia 2 semanas que eu havia saido da casa de Diego, eu me sentia livre.. mas eu sabia, bem no fundo que Diego mandava seguranças para o prédio, e mandava outros me seguirem, para manter minha segurança. Eu tinha feito um novo amigo, o Jimmy, sim o cara das armas, o fato de ele ser gay me ajudou, pois, o instinto feminino era o que eu precisava, eu confiava no Jimmy, mais do que em mim própria.
Jimmy e eu eramos melhores amigos, e ele ainda me ajudava com as armas, e me deu algumas aulas de defesa e ataque, sem cobrar nem um tostão.
Sentada na mesa do trabalho, Diego me chamou em sua sala.
– O que deseja? — falei formalmente.
– Sente-se — falou
Sentei-me e ele começou a falar:
– Você é procurada da CIA, por que existe hoje um exame de sangue, que mostra a força da pessoa, e o resultado é a aptidão para espionagem, para qualquer outra coisa que se possa fazer, desde um simples passo na rua até a infiltração na mente de uma pessoa.
– E o que eu tenho que ver com isso ?
– Você é o caso mais RARO já visto, você tem uma capacidade mental muito potente, se comparado a um computador... visívelmente se nota. Você tem uma capacidade de 60 Terabites, apenas na mente. Você é uma ameaça para a CIA.
– Mas você não tem medo!
– Por que eu sei, desde a primeira vez que te vi, que eu sou a única pessoa em quem você pode confiar, você não é uma ameaça, você é só uma pessoa normal, mas a CIA teme que isso mude, que sua mente descubra, e tente algo contra eles, afinal tem o lado negro da CIA
– Eu não faria isso, eu nem sei quem são eles.
– Sabe, pense um pouco
E eu parei de falar, o que me veio na mente forma imagens de homens e mulheres, Jimmy, Diego, o moço da padaria, a mulher que me vendeu o ap, a moça que me dava OLÁ todos os dias na frente do prédio.
– Viu ?
– Eu só vi imagens de algumas pessoas, mas o que elas tem haver com isso??
– São da CIA, estão te cercando desde quando você estava na barriga de sua mãe, eles sabotaram o avião que seus pais estavam, por que, eles acreditavam que você estava junto, e naquela noite, minha mãe foi designada para cuidar de você durante a viagem. Valerie ja tinha 15 anos e você 5, por isso não lembra. Valerie cuidou de você quando completou 16 anos. E ela deixou você por que mandaram, eu mandei.
– EU DORMI NUM FUSCA, POR QUE VOCE QUIS ?
– Não seja tão cabeça dura, você sabe que foi para seu bem. Agora que você sabe a verdade, volta para casa?
– Eu preciso raciocinar, por favor.
– Esta bem.
Realmente não sei, eu queria voltar, mas viver sozinha era melhor, me dava tempo para pensar. Se eu podia mesmo mexer na mente humana, talvez pudesse fazer com que os homens maus, fizessem o bem. Dã Jess, isso não é conto de fadas.
Em casa de novo, fritei um ovo e comi com arroz, normalmente eu não como ovo, mas.. eu estava com essa vontade..
Se eu era capaz de mexer na mente humana, poderia mexer no seu consciênte, quando eles estivessem postos a me machucar, ou machucar a Diego..
Precisaria pesquisar para conseguir isso... pesquisar e muito.
Tomei um banho rápido e pus uma roupa de dormir.
Era umas roupas acinzentadas, não velhas nem novas. Eram confortáveis, era uma roupa desleixada, mas para dormir nas condiçoes do meu dinheirinho, estava ótimo!
Meu celular acende, uma forma de dizer " nova mensagem", abri o correio do celular, era uma mensagem do numero de Diego, dizia:
"Boa noite, espero que esteja bem, realmente quero sua resposta, queria você comigo, aqui em casa, mas sei que, querer não é poder, e eu estou pela primeira vez deixando tudo nas suas mãos, nenhuma mulher fez isso comigo, e eu devo admitir que estou nos seus pés"
Eu estremeço com a ultima frase. Deveria responder? Um simples boa noite?
"Boa Noite.!" — Enviei
Deitei e me revirei na cama, não era algo comum, não era como se o Gustavo me mandasse mensagem, era ELE, era Diego se rebaixando, do seu poder, do seu estilo homem poderoso, por mim. POR MIM.
Essas palavras... a única coisa de que me lembro, era de que eu dormi sorrindo.. possivelmente com um mega sorriso.
Logo de manhã, arrumei minha bolsa, não era algo que eu faria normalmente, mas.. necessitava pôr minha arma nela de forma prática e discreta. Vesti minha roupa casual, oculos pretos e um lenço no pescoço, realmente me sentia bem, talvez a verdade por mais dolorosa que seja, era a melhor saída, eu ainda estava atormentada, mas sim, estava bem.. mas não pronta pra responder a Diego, eu Jessica Harbel, sou a mulher mais procurada da CIA, e só descobri isso a menos de 1 mês, muito menos. Todos que passavam por mim eram suspeitos..
Percebi alguns movimentos suspeitos, meu carro estava no concerto.. mas não lembro por quê. Vi movimento de carros supostamente estranhos.. e logo viraram a esquina onde eu me encontrava.
" Perseguição" — pensei, como nos filmes.
Não sabia o que fazer.. olhei para o lado e vi um cavalo branco, selado e o moço que o arrumava me chamou para pegar o cavalo.
– Suba moça, sei quem és, pode ir, informarei sr. Weber, apenas corra. — falou enquanto me ajudava a subir.
Logo segurei firme no cavalo e fui para a floresta. Sabia que estariam atras de mim, mas poderia fugir, talvez.
Perdi meu sapatos, e agradeço por isso, pois eram de salto e isso poderia me machucar caso precisasse correr, sem o cavalo.
Logo o barulho dos carros me abandonara, aliviada desci e bebi um pouco da água se um rio que passava por ali. Dei de beber ao cavalo e ele comeu um pouco de grama, pois, era o que mais tinha por ali. Depois voltei a montar, não corria, mas andava a passos rápidos com ele. Meu celular não tinha sinal, estava completament perdida e sozinha, exceto pelo cavalo, que tinha me saido um ótimo amigo.
Achei uma mesa de pedras antigas, acinzentadas, estava frio e em um par de horas escureceria. Olhei fixamente para o céu que já estava quase com ares de noite.
– Sabe, acho que vamos ter de ficar aqui — falei e voltei a olhar para o cavalo.
Me admirei muito quando ele assentiu, com sua cabeça. Bufou e se deitou.
Era um animal muito esperto. Me deitei na mesa de pedras, senti algo me cobrir alguns inutos depois que deitei , abri os olhos e vi, eram folhas de alguma árvore muito grande, o cavalo havia trazido, era estranho, não ouvira se mexer, mas senti sua respiração quando largou a ultima folha e voltou a deitar. Seria fácil se fosse uma fábula, mas era um cavalo treinado, e claramente tinha sentimentos.
– Amanhã cedo vamos procurar uma saída, mas antes vamos ver o que comer e beber para você. — Assentiu ele. E baixou sua grande cabeça.
Peguei no sono, acordei pela manhã com o relinchar do animal, era um alarme.. realmente bem treinado.
– Vamos pocotó, vamos achar o que comer e dar o fora..
Minha roupa estava amassada, montei no cavalo e ele mesmo guiou-nos para uma árvore frutífera.
Me pergunto quanto tempo durou para treiná-lo, anos? Custaria muito para um cavalo aprender a achar água, comida, folhas para cobrir seu responsável.
Não havia percebido mas estava toda machucada, limpei com água o que pude.. sangrei com as arvores espinhosas e plantas do "mal". Subi no cavalo e fomos cavalgando pela mata.. meu celular fez barulho, pegou sinal.
– Ei vai com calma amiguinho — falei batendo leve no cavalo — vou tentar ligar para alguém.
Disquei o numero de Diego.
– Jess? Jess ? é você? me diga que está bem, me diga onde estás por favor.. estou morrendo por dentro.
– Deixa eu falar — eta — estou na mata com um cavalo, um moço mandou eu subir e fugir. Vim pra mata, passei a noite aqui, não sei onde eu estou, eu to fraca, e meu amigo também.
– Amigo?
– O cavalo ! Tenta rastrear meu celular, é o único lugar com sinal, por favor.. eu to muito fraca e um pouco machucada.
– Estou fazendo isso nesse exato momento.. fique comigo no telefone, quase morri essa noite.. você é preciosa.
– Diego, me responde.. você me quer por perto pra destruir a CIA não é? Não é por amor.
O telefone ficou mudo.
– Achamos você, fique ai.
Eu desliguei.. se ele focou mudo, era por que a resposta é claramente SIM não era por amor.. nunca foi.
Sentei num tronco de árvore e respirei.. o cavalo ficou comendo grama.
– Ele não gosta de mim
O cavalo largou suas gramas e veio em minha direção, bufou e encostou sua cabeça no meu ombro.
– Ele nunca gostou, era só, pra destruir eles.. eu gostei dele, ilusão.. nunca se apaixone meu amigo — eu dando conselhos para cavalo.. ninguém merece — é silada.
– Eu aprendi a gostar de você. Sim, no começo era só pra destruir. — falou uma voz atrás de mim e o cavalo relinchou, numa forma confortante de me defender.
– Deixa, pocotó.. obrigada.. pode ir se quiser.. — ele apenas bateu a pata no chão — está bem, fique. — girei meus olhos para ele — Obrigada por me achar, me diga o caminho e eu sigo, depois disso.. adeus..
– NÃO! No começo era pra destruir a CIA, mas então seu jeito ingenuo, seu jeito, seu cheiro, seu beijo me tornaram um homem diferente, não quero uma discussão na mata, vamos.
– Não, eu decido, a vida é minha.
– Ta bom — falou se irritando. — o que você quer fazer?
– Sair daqui e ir embora da cidade.
– Não, acordo não fechado.
– Ótimo. — olhei por cima dos meus ombros. — Sabe a saída?
– Você fala com cavalos agora?
Olhei para ele de uma forma tão.. raivosa.. que se olhar matasse, ele estaria morto.
O cavalo se aproximou de mim e eu subi..
– Adeus Weber. Passo qualquer hora para pegar minhas roupas. Ou compro novas.
E sai cavalgando como numa corrida. Isso era dolorsamente dolorido ( ?? )
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