Não solte a minha mão!
20 Fluxo perfeito
Notas iniciais
arthur ainda estava com a mesma roupa da festa, e eu estava de pijamas. eu não sabia para onde ele me levaria. mas fiz questão de me trocar. coloquei um short de malha, uma regata e um all-star. prendi meus cabelos em um coque simples. e embarquei em seu carro.
– vamos para sua casa? -perguntei.
– eu também preciso trocar de roupa. depois vou te levar para outro lugar!
eu fiquei ansiosa. outro lugar!
arthur saiu do carro às pressas. depois de alguns minutos ele voltou. estava vestindo uma bermuda até os joelhos de cor clara, como ele gostava. uma camiseta, um tenis vans, e um boné aba reta.
sim! no meio da noite, ele me aparece com um boné aba reta. eu não quis me meter, mas aquele boné me era familiar.
– tá fazendo muito sol não é mesmo? — falei irônica.
– só quis fazer uma homenagem à você. e por falar nisso, obrigado. eu gostei muito desse boné.
– bem que eu achei familiar! que bom que você gostou!
sorrimos.
– eu também tenho um presente pra você.
eu olhei surpresa, e ele me entregou. morrendo de curiosidade, eu fui logo arrancando os papéis.
– nossa! não precisava!
– é uma forma de pedir desculpas pelo que aconteceu, e também uma forma de agradecer pelo boné.
eu apenas sorri encantada. era um skate.
ele me deu um skate lindo! nunca havia visto um assim. tinha tudo haver comigo.
– espero que você ainda saiba andar em um!
– a gente não vai andar de skate à essa hora!
– vamos sim! -ele falou sorrindo, dando a partida no carro. — vamos lá na pracinha, ha essa hora não deve ter ninguém por lá, e as calçadas são todas nossas.
– você é.... surpreendente!
sorrimos. naquele momento, eu só queria estar com ele e me divertir. mas não pude deixar de lembrar de beto. ele não merecia aquilo.
– chegamos! -arthur anunciou. — como eu disse, não tem ninguém.
descemos do carro, e retiramos nossos skates. arthur colocou proteções em mim, como capacete, luvas, joelheiras e cotoveleiras. ele, apenas colocou um capacete.
– pronta?
eu afirmei com a cabeça. ele pegou em minha mão, e saímos a andar pelas calçadas.
eu estava indo muito bem. acho que já sabia andar. mas eu fazia questão de dar a mão para arthur.
– um animal? -ele pediu.
eu estranhei mas respondi.
– coelho.
– uma fruta?
– abacaxi.
– uma musica?
– arms, da christina perri.
– um sonho?
– salvar o mundo.
ele sorriu com minhas respostas. pude ver suas covinhas novamente.
– você é linda!
– agora é sua vez! — falei. ainda andávamos de skate.
– animal?
– cachorro.
– fruta?
– cereja.
–música?
– livin' on a prayer. do bon jovi.
– um sonho?
– que todas as pessoas sejam felizes.
eu sorri. e ele também.
( http://www.youtube.com/watch?v=0Cqm1Hot52o ) link da musica do bon jovi.
– a sua música é um clássico. — falei.
– a sua eu nunca ouvi! — rimos.
– pois deveria!
ficamos andando ainda por um tempo. depois paramos para descansar.
– o que você gostaria de fazer esta noite? -ele perguntou.
– pra mim, já está sendo ótimo. porém eu tenho que voltar pra casa. nem meu pai sabe que eu saí.
– você tem que parar de se preocupar. tem que fazer o que quer na hora que quiser. sem pensar no que os outros vão dizer.
– eu tenho que acordar cedo.
– mas amanhã é sabado! -ele protestou.
– mesmo assim eu trabalho...
– tenho certeza que seu patrão não irá se importar se chegar um pouco atrasada!
sem que eu pudesse reagir. ele me puxou pelo braço.
– onde vamos?
– eu conheço um barzinho aqui perto. acho que ainda deve estar aberto.
– barzinho??! você vai me levar num barzinho?
– é bem legal. você vai gostar!
contrariada. entrei no carro junto dele. andamos poucas quadras e chegamos. era bem diferente do que eu imaginava. não tinha bêbados, nem gente brigando.
sentamos numa mesa lá fora. na calçada. parecia um lugar bem tranquilo.
– quer comer alguma coisa?
– não. só estou com sede.
arthur ergueu a mão e fez sinal para a mulher que cuidava da 'cantina' do bar. ela logo veio até nossa mesa.
– pois não.
– o que tem pra beber?
– temos sucos, café, bebidas alcoolicas...
– prefiro um suco. de abacaxi!
ela anotou meu pedido.
– mais alguma coisa?
– eu quero uma cerveja gelada. — arthur disse rindo.
ela anotou mais uma vez e saiu.
– não acredito que você vai beber cerveja!
– qual o problema?
– não gosto de gente bêbada! -fiz ele rir.
– eu não vou me embebedar.
fiz uma cara de desaprovação. mas acabei sorrindo.
logo a mulher voltou trazendo meu suco e a cerveja de arthur.
– obrigada. -agradeci.
– você sabe cantar? -arthur me perguntou.
– não. -eu ri.
– que bom!
– por que?
– se eu conheço bem esse bar, logo logo, vai ter gente cantando no karaokê.
– meu deus! -murmurei.
e não demorou muito. logo já estavam anunciando que as pessoas podiam vir cantar.
duas mulheres começaram a cantar desafinadas. eu e arthur rimos muito.
quando percebi. arthur já me puxava para o palco.
– que musica querem cantar? — a mulher perguntou.
– não vamos cantar! — falei depressa.
– vamos sim! — arthur debateu. — deixa eu mexer nisso aqui.
ele pegou o controle e começou a escolher a musica.
demorou um pouco. mas logo ele a achou.
– essa! — disse ele contente.
o ritmo começou. e eu conhecia a musica.
'' Não te ver é me encontrar imerso nesse mar de fel
Vou te levar pro céu, já que os opostos se atraem
E quando o fluxo é perfeito e vai girando feito carrossel
Se eu te levar pro céu, a noite não acaba mais''
estávamos cantando fluxo perfeito da banda strike.
( http://www.youtube.com/watch?v=fAbZjCigrYM )
arthur cantava alto e gritava feito doido. ele me fez rir tanto, que eu mal conseguia cantar.
as pessoas estavam rindo de nós. mas batiam palma tentando nos apoiar.
''' E ela me faz tão bem, quando cai a noite eu sou refém
E ela me faz tão bem, sem você não sou ninguém
Hoje eu vou me entregar, trilhar com você pra onde você for
Pra que lógica quando se vê que é o amor'''
arthur gritava. e agora eu gritava junto com ele. pareciamos dois bêbados. porém, nunca me senti tão feliz.
''Tudo que eu pedi pra Deus é pra ter uma vida inteira com você
Eu vou que vou, com você aonde for ''
assim que a musica acabou. arthur e eu nos abraçamos rindo.
pra variar, ganhamos o prêmio de '' reis do karaokê''
foi maravilhoso. fomos aplaudidos, e jogaram até confete em nossas cabeças.
de repente, eles começaram a gritar em corro:
– beijo! beijo! beijo!
sem pensar duas vezes, arthur me puxou para perto dele.
e me deu um beijo de cinema na frente de todos.
Fale com o autor