Notas iniciais
Oi! Obrigada por todos os reviews, são eles que me motivam a não enrolar muito para escrever. Muito obrigada, especialmente, por me doar um pouco de seu tempo para ler e deixar algo legal, isso faz o meu dia.

Alexa corria, os cabelos escuros esvoaçando atrás de sua cabeça. O céu cinzento ameaçava uma tempestade, mas aquele seria o último dos problemas da garota caso resolvesse ir correndo até o apartamento improvisado.

Alcançou uma das avenidas principais de Glasgow, a cidade em que morava. Os carros passavam em uma velocidade assustadora, borrões de luz na visão de Alexa. A garota tateou os bolsos de seu short jeans, arrancando um maço de notas amarrotadas e fazendo um sinal sobre a pista com a outra mão.

Não demorou muito para que um carro preto com um indicador de “Táxi” sobre o teto parasse ao lado da calçada, os pneus deslizando sobre o asfalto úmido. A janela abaixou lentamente, exibindo uma mulher de cabelos loiros e presos em um rabo-de-cavalo que sorria educadamente.

–Entre! –Pediu, a voz suave.

Alexa tremia, o vento frio lhe fustigando as pernas e braços descobertos. Assentiu para a mulher, se dirigindo ao banco traseiro.

–Preciso ir à Milton. Pode me deixar na primeira avenida à direita, fica quanto? –Murmurou.

A mulher respondeu em um tom animado enquanto mexia no rádio do carro. Alexa encostou a cabeça no vidro frio da janela, se permitindo desabar por alguns minutos de trânsito infernal.

Pensava no garoto que a havia ajudado, suas feições fortes surpreendentemente lhe invadindo a mente. O rosto anguloso, como o dela, completo pelo maxilar bem moldado. Os cabelos de um loiro escuro, quase castanho, os olhos negros como um céu sem estrelas... Ela não o entendia. Não entendia porque a havia ajudado, se colocado em risco por uma garota que nem conhecia.

Alexa encarava a paisagem nublada do outro lado da janela, a chuva que agora caia torrencialmente. Pressionou os dedos contra a superfície gelada, sentindo um calafrio lhe subir pela pele.

Por que raios ela estava pensando em um garoto quando tinha coisas muito mais importantes para ocupar a mente?

Balançou a cabeça, decididamente. Devia pensar em Rosie. Devia pensar na nova saída que deveria bolar para escapar da assistência social...

–Chegamos! –O tom animado da taxista lhe despertou dos devaneios.

Alexa suspirou enquanto passava algumas notas de libra amarrotadas para a mulher, quem agradeceu com um sorriso.

A garota deu uma longa olhada na paisagem da janela antes de deixar o ar morno do carro, seguindo em direção ao prédio de tijolos vermelhos do outro lado da rua. A chuva a encharcou em alguns segundos, fazendo com que a máscara negra lhe escorresse dos cílios, pintando a face pálida. O corpo franzino de Alexa se sacudia de frio, a mandíbula tremendo insistentemente enquanto a garota caminhava em direção ao prédio.

Era uma parte suja da cidade, mas não era como se ela tivesse alguma opção. Alcançou a maçaneta de uma porta cinzenta e enferrujada, desaparecendo para um corredor mal iluminado e frio. Seus ombros ainda sacudiam violentamente quando ela andou até as escadas amarelas e frágeis que chacoalhavam sob o seu peso.

–Alexa, está aqui? –Uma voz masculina surpreendeu a garota, quem se deteve por alguns segundos em um degrau.

–Logan, é você?

–É. Céus, que bom que é você! –A voz se aproximava.

Finalmente, um garoto alto e vestindo uma camiseta cinza e surrada apareceu no corredor do segundo andar. Seus cabelos eram cacheados e volumosos, de um negro profundo. A boca esboçava um sorriso forçado, que não alcançava os olhos castanhos.

–O que aconteceu? Quem mais seria? –Alexa franziu o cenho.

Logan não respondeu, apenas desceu rapidamente as escadas em direção à garota.

–O que...?

Alexa foi interrompida assim que os braços de Logan se fecharam sobre ela. Sentia o coração do garoto bater, acelerado, próximo à sua cabeça e suas mãos lhe afagarem o cabelo de maneira protetora.

–Eu pensei que ele tinha te pegado. –Logan soltou o ar pesadamente. –Aqui não é mais seguro, Alexa.

–Ele? Você quis dizer... –Ela arregalou os olhos, subitamente alerta.

O garoto a soltou, os músculos se tornando tensos. Encarava o chão quando começou a falar:

–Sim. Um garoto veio aqui hoje e... Bem, é melhor falarmos disso lá dentro.

–---

O reflexo lhe encarava longa e criticamente. Os cabelos lisos e loiros ainda estavam um pouco úmidos, bagunçados depois que o garoto os esfregou com a toalha. As sobrancelhas espessas e arqueadas lhe conferiam um ar sério, emoldurando os olhos escuros. Usava uma camiseta branca social, as mangas puxadas até os cotovelos. A calça jeans azul já estava surrada, mas ele não queria incomodar os pais pedindo uma nova só por causa de uma festa estúpida.

–Thomas, já está pronto? –Ouviu a mãe, no corredor.

–Aham, só um minuto. –O garoto respondeu.

Foi até a bancada do quarto, puxando um vidro escuro de perfume. Colocou um pouco do produto no pescoço, se certificando para que o cheiro não ficasse muito forte.

Se perguntava se Blair gostaria de sua aparência... se ainda gostava dele. Secou as mãos suadas nos jeans, encarando novamente seu reflexo. Bem, era aquilo ou nada.

Se adiantou para fora do quarto, descendo as escadas até o primeiro piso. Os pais o esperavam com uma câmera automática em mãos, sorridentes.

–Queremos tirar uma foto da primeira festa do nosso garoto. –O homem explicou, animado. –Bem, a primeira desde que o adotamos.

Thomas deu um sorriso tímido, se encostando em uma parede branca para que registrassem o momento.

–Ótimo! –A mãe anunciou, revendo a imagem no visor da câmera.

–Bem, eu tenho que ir agora... –O garoto murmurou calmamente.

–Ah, claro! Aproveita, filhão. –O pai lhe deu um soco leve no ombro, brincalhão.

Thomas não parava de pensar no quanto era sortudo por tê-los, embora ainda sentisse falta dos pais biológicos. O garoto constantemente se sentia um intruso naquela casa tão feliz e amorosa, era como se ele não merecesse estar ali... espantou os pensamentos, forçando um sorriso e buscando as chaves da moto.

–Chegue antes das três! –A mãe gritou quando Thomas alcançou a varanda.

–Pode deixar!

–Ah, e não esqueça o agasalho. Faz muito frio na moto... –A mulher correu para o quarto do filho, voltando com a amada jaqueta de couro.

Thomas sorriu ao vê-la fazer isso, afinal, ela fora feita para ser mãe, todos os seus traços e atitudes lhe denunciavam.

–Obrigado. –Vestiu a peça, a voz renovada de ânimo.

O garoto finalmente se sentou no estofado da moto negra, sentindo a familiar satisfação em tocar os guidons acolchoados. Permitiu-se fechar os olhos por alguns segundos, ouvindo o ronronar do motor enquanto deslizava o pé sobre a calçada, movimentando o veículo lentamente.

Por fim, abriu os olhos enquanto posicionava os pés nas laterais da moto, sentindo o impulso lhe sacudir o corpo rapidamente antes que a velocidade se acentuasse. O vento em seu rosto, o formigamento em suas mãos... aquilo o acalmava mais que uma dúzia de cigarros.

Foi quando viu de relance um movimento na rua, uma garota franzina que usava um casaco grande e bege. Seus cabelos castanhos estavam presos em um rabo-de-cavalo alto e ela usava uma saia preta com meias ¾, parecendo indecisa no meio de uma ciclovia. A garota virou-se para a rua assim que ouviu o ronco do motor da moto, deixando o rosto assustado à mostra: Alexa Blues.

Thomas reduziu a velocidade, estacionando o veículo ao lado da garota. Ela lhe deu um sorriso nervoso, ele diria “forçado”.

–Ei. –Alexa murmurou, sua voz parecendo mais rouca do que mais cedo.

–Você parece meio perdida... quer uma carona? –Thomas deu um sorriso torto, fazendo um sinal para a garupa da moto.

–Ah, não. –Ela balançou a cabeça decididamente. -Você já me ajudou o bastante por hoje.

–Não seja ridícula, sobe aí. –O garoto sorriu.

–Eu não preciso, só tenho que ir logo ali... –Alexa insistiu.

–Espera. Você vai na festa da Blair? –Thomas franziu o cenho, a interrompendo.

A garota o encarou confusa, os grandes olhos cinzas estreitados. Então, foi como se uma luz se acendesse na cabeça de Alexa.

–Sim. É, mas estou meio perdida com o caminho. –Mordeu o lábio inferior.

A garota mentia muito mal. Gaguejava e mexia muito as mãos, mas aquilo não importou para Thomas.

–Eu tô indo lá, então sobe logo.

Alexa pareceu travar uma última batalha consigo mesma, encarando o banco do carona.

Dane-se, não é como se tivesse outro lugar pra ir, de qualquer forma.

Notas finais
Bem, como deu pra perceber, eles moram em uma cidade inglesa chamada Glasgow. O bairro onde a Alexa mora realmente existe e tem uma péssima fama devido à alta criminalidade. Espero que tenham gostado do capítulo e por favor deixem um comentário! Isso iria fazer o meu dia :) Eu realmente vou tentar responder tudo bem rápido!