Notas iniciais
Espero que gostem! Obrigada pelo suporte!

Thomas ainda tinha o maço de cigarros em mãos quando escutou o barulho de passos no lado de fora do banheiro. Grunhiu irritado enquanto recolhia a caixa e tentava esconder o material, mas seus esforços foram em vão.

–Garoto, você sabia que é proibido fumar na escola? –Uma voz alta e nasalada cortou o ar.

Um breve silêncio se seguiu, no qual Thomas erguia os olhos para a figura esguia e anêmica do homem. Ele usava os ralos cabelos loiros partidos para o lado e um crachá o indicava como “Travis”. Tom fez uma careta enquanto soltava o ar, se amaldiçoando mentalmente por ser tão descuidado.

–Eu não estava...

–Não tente negar. –Travis o cortou, uma diversão maligna brincando com sua voz. –Me acompanhe.

Thomas pensou em protestar, mas resolveu se render. Ainda segurava a caixa de cigarros, fazendo com que qualquer desculpa que pudesse inventar parecesse estúpida.

–Vou ser suspenso? –O garoto perguntou assim que chegaram até um largo corredor.

O espaço estava vazio, uma vez que a maioria dos estudantes ainda estavam comendo. Thomas tomou algum tempo para encarar as paredes brancas e altas do lugar, sentindo uma leve tontura com a velocidade que levavam.

–Terá sorte se não for expulso. –O inspetor respondeu enquanto alargava o sorriso.

Tom sentiu o estômago afundar. A última coisa que queria era dar problemas para os novos pais, logo o casal que era tão carinhoso e honesto... eles não mereciam aquilo.

–Tem alguma maneira de eu me livrar disso? –O garoto perguntou repentinamente, sem pensar.

Travis virou os olhos claros para Tom, a boca torcida com desgosto.

–Está pensando que sou um homem corrupto, moleque? –Rosnou.

Thomas resistiu ao impulso de revirar os olhos, respirando profundamente.

–Não, senhor. Só acho que não deveriam comunicar os meus pais... deve ter algum jeito de não passarmos por isso. –Soltou um sorriso frouxo.

O inspetor apenas o encarou, enojado, enquanto retornava ao seu trajeto de maneira silenciosa. Thomas bufou alto, o seguindo com passos firmes e resignados.

Chegaram até a diretoria, um cômodo amplo e com uma grande vidraça que permitia a entrada da luz do Sol. Largos e convidativos sofás azuis estavam colados às paredes amarelas, dando um ar harmonioso ao local.

Thomas não estivera lá muitas vezes, embora essa não tenha sido a primeira vez que havia feito algo que ia de encontro às normas da escola. Estivera observando o lugar com um ar entediado e ansioso quando colocou seus olhos em algo, hum, interessante.

A garota tinha cabelos castanhos e ondulados que lhe desciam até os ombros estreitos e estava sentada em um dos sofás. Seu rosto tinha um formato forte e anguloso, emoldurando as feições impassíveis e concentradas em uma revista qualquer. Os olhos eram cinzentos e adornados por longos cílios negros, um pouco abaixo das sobrancelhas escuras e arqueadas. A boca rosada era uma linha rígida de concentração, os lábios cheios apertados.

Thomas enrugou a testa ao constatar que nunca tinha visto a garota naquela escola. "Talvez fosse a novata de quem os amigos falavam no refeitório", pensou enquanto tentava em vão se recordar do seu nome.

Tomou uma das revistas que estavam sobre a mesa de centro, se sentando ao lado da estranha. Pensou tê-la ouvido soltar um suspiro frustrado, mas talvez fosse só a sua imaginação.

–Eu vou conversar com a diretora. –O inspetor falou, desaparecendo por uma porta para seguir até um escritório.

O garoto começou a folhear seu exemplar, fazendo uma careta ao perceber que se tratava de uma revista para garotas. Tentou disfarçar por alguns segundos, parecendo totalmente compenetrado em uma leitura sobre “Qual é o famoso ideal para você? ”, quando uma voz grave e repentina cruzou o cômodo:

–Blues! –Chamou.

A garota ergueu os olhos de sua revista, surpresa, antes de se levantar preguiçosamente. Ela alisou a camiseta cinza que usava sobre um short jeans, desaparecendo através de uma porta em seguida.

Thomas bufou enquanto encostava a cabeça no apoio do sofá. Agora que estava sozinho e sem distrações, seus pensamentos estavam livres para lhe torturar sobre as possíveis reações dos pais adotivos ao descobrir sobre o seu hábito de fumar.

Após alguns minutos, que mais pareciam décadas para Thomas, a novata saiu da sala ao lado, acompanhada por um brutamontes enfiado em um terno justo.

–Vamos resolver isso rápido. –A garota disse. Sua voz era baixa e rouca.

–Você pode me passar seu endereço? –O homem indagou.

–Não. Vai invadir minha casa, como fez com a escola? –Ela respondeu, seca.

Thomas teve de se conter para não rir, comprimindo os lábios.

–Alexa, não torne as coisas mais difíceis... –O assistente social falou, a conduzindo para fora da diretoria.

–Ei! –A garota protestou repentinamente. –Eu não posso sair agora! Eu tenho aula. –Ela enrugou a testa, arrumando a alça de uma mochila vermelha sobre o ombro.

O homem ergueu uma sobrancelha escura, subitamente surpreso.

–Você quer ficar?

Alexa bufou, frustrada.

–É claro! –Ela aumentou o tom de voz.

–Srta. Blues! –Uma voz feminina firme se propagou pelo cômodo, interrompendo a discussão que acontecia.

Uma mulher loira e já de idade avançada saía da sala ao lado com um sorriso simpático nos lábios.

–Não pude deixar de ouvir sua discussão com o Patrick e concordo com o seu posicionamento sobre permanecer na escola. –O tom de voz dela parecia verdadeiramente orgulhoso. –Todo jovem tem direito à educação. –Ela encarou acusatoriamente o homem de terno antes de voltar o olhar para Alexa. –Tenho certeza de que a assistência social pode lhe atender em outros momentos.

Patrick soltou um suspiro frustrado, sem tirar os olhos da garota.

–Certo. –Ele se rendeu.

Se aproximou de Alexa para murmurar algo em seguida, ao que a garota respondeu com um grunhido.

–Sr. Turner! –A mulher exclamou, parecendo perceber a presença de Thomas apenas naquele momento.

Ele soltou um sorriso fraco enquanto se erguia do sofá.

–Olá, Sra. Simpson.

–Bom saber que sua voz ainda não foi afetada pelo uso de cigarros. –Ela comentou, fazendo um sinal para que o garoto a seguisse.

Thomas soltou um riso seco e sem-humor. Alexa ainda estava parada no meio da diretoria, o olhar inexpressivo colado à mulher loira.

–Ah, Srta. Blues! Fique aqui, eu não demoro! –Exclamou a diretora, sumindo atrás da porta do escritório.

O garoto a seguiu, entrando no cômodo que era menor e mal iluminado. Uma mesa de madeira escura era o móvel principal da sala, apinhada por pilhas de papéis. O inspetor que havia flagrado Thomas também estava ali, escorado ao batente da porta.

–O Sr. Travis me informou que você foi pego fumando. É verdade? –A mulher perguntou.

Thomas estava prestes a assentir quando uma ideia melhor lhe veio à mente.

–Não. Na verdade, eu fui pego com uma caixa de cigarros. –Ele esclareceu.

A diretora pareceu confusa com a afirmação do garoto, o dando a oportunidade de continuar falando:

–Eu achei a caixa no banheiro e ia jogar fora. -Mentiu.

–Ah, me poupe. –O inspetor interrompeu a conversa, colérico. –Quem você acha que está enganando?

–O deixe falar, Travis. –A mulher pediu, impassível.

Thomas quase deu um sorriso de triunfo, se esforçando para manter o semblante sério.

–Bem, eu nem ao menos estou cheirando à fumaça de cigarros. –O garoto enrugou a testa, em uma atuação convincente. –E nem tenho um isqueiro ou fósforo. Como poderia estar fumando?

A diretora suspirou. Tinha de admitir: eles não tinham provas o suficiente para castigar o garoto.

–Sr. Turner, eu quero muito acreditar em você. Mas também não sou tola. –Ela deu um sorriso triste. –Sei que está mentindo. Por falta de provas, não poderei fazer nada, mas saiba que caso seja pego novamente...

–Eu sei, diretora. –Ele a interrompeu, mal conseguindo disfarçar o alívio.

A mulher assentiu com a cabeça, perdida em pensamentos. Conduziu o garoto até a porta, dando de cara com uma Alexa sonolenta estirada em um dos sofás azuis.

–Srta. Blues, você sabe qual o seu próximo horário? –Indagou, a despertando de um transe.

A garota se sentou enquanto dava um demorado bocejo.

–Não. –Balançou a cabeça enquanto falava. Parecia estranhamente feliz, o que só foi comprovado pelo largo sorriso que lhe cruzou as feições em seguida.

–Conduza a Srta. Blues até a sala de biologia, Sr. Turner. –A diretora ordenou.

–Como quiser. –O rapaz transbordava alívio.

Alexa se ergueu para ir até o garoto, ambos desaparecendo pelo corredor em seguida. Não haviam falado nada até a primeira curva, quando a voz baixa da garota cortou o silêncio:

–Você pode me ajudar em algo? –Ergueu os olhos cinzentos para Thomas, um sorriso travesso lhe tomando as feições.

O garoto sentiu o estômago afundar. Todos os seus instintos lhe falavam para negar, para apenas seguir o que a diretora o havia pedido. Alexa continuava a encará-lo, o sorriso praticamente gritando “ALERTA, PROBLEMAS”.

Dane-se.

–Claro. –Afirmou com um sorriso torto.

–Ótimo. –Ela voltou a encarar o corredor com uma alegria renovada e infantil. –Só me siga.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Obrigada por lerem até aqui e certifiquem-se de acompanhar a fic caso queiram :) Por favor deixem reviews, assim posso saber sobre as impressões de vocês. Comentários também me estimulam a postar mais rápido