Não olhe para trás
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Notas iniciais
Mako Ishiko se levantou da cama, sonolenta. Suas pálpebras pesavam, sua mente implorava para que ela se deitasse novamente e voltasse a dormir. Mas ela sabia que seria arrastada para fora se o fizesse, então apenas esfregou os olhos com uma mão e foi vestir seu uniforme escolar.
Não era a primeira manhã em que ela sofria por acordar. Ela tinha o complicado costume de passar a noite em claro lendo. Seu hábito de leitura era bom, pois a tornara perceptiva e inteligente, mas ela pagava o preço por ler tão tarde todos os dias, quando mal se aguentava em pé de manha.
Entrou se arrastando na cozinha, onde seu pai lia o jornal enquanto bebia uma xícara de café.
–Bom dia — ele disse, levantando os olhos do jornal.
–Dia... — ela murmurou de volta, bocejando.
Near Ishiko entrou correndo na cozinha, escorregando de meias pelo chão.
–Não dormiu direito de novo, Ma-chan? — ele perguntou, pegando uma xícara de chocolate quente.
–Não... — ela disse, sentando-se à mesa e pegando sua xícara. — E você não deveria andar de meias por ai, mamãe vai ficar bem brava quando ver isso — ela riu.
Near fez uma careta e sentou-se, balançando as pernas. O pai, que antes lia jornal, ligou a televisão para assistir às notícias enquanto terminava seu café.
Mako bebia café sem muito entusiasmo. Ao menos aquilo retardaria seu sono durante a aula. Enquanto o efeito da bebida não se manifestava, ela tomava cuidado para não derramar café em si mesma, considerando que estava quase dormindo sentada.
Seu sono pareceu desaparecer por completo quando viu a imagem de sua colega de classe, Ami Katashi, na televisão. Mako levantou de um pulo e correu para perto da TV, aumentando o volume.
"Jovem de 14 anos é encontrada morta em casa por sua irmã mais velha, que contatou imediatamente a polícia. Assassinato de condições misteriosas. A polícia já começou a investigar o caso e transmitirá mais informações em breve. Enquanto isso, dão um conselho a todos: cuidado."
Mako congelou na frente da TV, sem conseguir esboçar uma reação.
–A... Ami-chan? — Near se aproximou, a voz confusa — Mas...
Mako sentia sua mente processando a informação lentamente, como um computador antigo. Ao mesmo tempo, algo se acendeu em seu cérebro, uma determinação em resolver aquele caso sozinha. Afinal, ela sempre se interessara por mistérios. Mas esse era um caso diferente das histórias de seus livros. Era real. E isso o tornava, de certa forma, mais interessante ainda.
Ela terminou de um gole só sua xícara de café e deixou-a sobre a mesa. Pegou sua mochila e acenou para o pai, abrindo a porta.
A garota seguiu andando determinada, como se jamais tivesse acordado morrendo de sono. Mas ela não estava no caminho para a escola. Ela seguia para a casa de Ami e Kai Katashi.
~*~
Chegou na frente da casa, onde estava parado um carro de polícia. Na porta, de pé, estava Kai, e de longe era possível notar seu rosto vermelho, possivelmente de tanto chorar. Mako andou devagar até ela.
–Kai..? — ela chamou, em voz baixa.
–Mako? — Kai respondeu, a voz embargada — Mako! — ela abraçou a garota, que pode sentir lágrimas caírem em seu ombro quando Kai abraçou-a.
–Kai, eu acabei de ver o noticiário... — Mako começou.
–É, esses jornalistas são rápidos, não é mesmo? — Kai tentou sorrir, mas seu olhar triste e as lágrimas escorrendo por suas bochechas quebravam qualquer imagem feliz que ela tentasse transmitir.
–Se não se importar... Poderia me contar o que aconteceu? Eu pretendo ajudar. Afinal, Ami é minha amiga. — Mako pediu, segurando uma mão da amiga, como que para oferecer consolo.
–Sim, tudo bem... — Kia respirou fundo, secando as lágrimas com as costas da outra mão. — Eu cheguei em casa no horário de costume. Até então, Ami estava sozinha em casa, mas não por um longo período. Quando cheguei, estranhei o silêncio. Ami não era muito de ficar quietinha. Subi as escadas em direção aos quartos, e no fim da escadaria encontrei seu corpo sem vida — sua voz soava trêmula, como se ela segurasse o choro — Ela sangrava muito... Tinha um corte fino, mas longo, por sua barriga. Parecia profundo. Ela parecia encarar algo atrás dela... Seu celular estava em sua mão... E tinha uma mensagem, número desconhecido.
– O que dizia? — Mako ouvia atentamente, parte de seu cérebro gravando cada detalhe e outra parte ficando espantada com toda aquela situação.
–Só uma frase... "Não olhe para trás".
–Obrigada, Kai. Vou fazer o possível para ajudar no caso. Vou encontrar uma explicação... Custe o que custar.
–Obrigada, Mako... — Kai abraçou-a novamente — Conte comigo se precisar de mais ajuda.
–E te manterei informada do que descobrir. — Mako respondeu, com um tom determinado. — Aliás, tenho outra perguntinha... Você saberia onde está o corpo da Ami..?
–Oh... Ainda está no mesmo lugar, a polícia deve estar terminando de examinar... Coletando provas e pistas, para a investigação. Posso pedir para que te deixem dar uma olhada, já que você era próxima dela...
–Sim, eu agradeceria — Mako assentiu, e as duas entraram na casa.
–Espere aqui. Vou falar com um policial. — Kai pediu, e Mako concordou, parando na sala de visitas.
Poucos minutos se passaram, e Kai apareceu para chamá-la.
Mako respirou fundo, e enquanto seguia Kai escadaria acima, rezava para ter sangue-frio o suficiente para conseguir encarar o corpo inerte de Ami Katashi.
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