Não me esqueça !
4 Segundo Primeiro Beijo
Notas iniciais
Jack primeiramente me levou para passear, fomos a pé mesmo. Saindo do condomínio havia uma praça com vários restaurantes ao redor e bem movimentada. Deslumbrei cada detalhe achando tudo lindo, paramos em um restaurante muito aconchegante, com uma decoração meio rustica, todo de madeira, mas bem organizado, familiar. Na entrada, a recepcionista nos reconheceu, porém eu não fazia a mínima ideia de quem ela era, fiquei alheia olhando uma mesa que adoraria sentar, bem no canto, na parte descoberta do restaurante, reservada e distante de barulhos. Fomos guiados até a mesa e adivinha qual era!
Meu marido me contou que aquele era o primeiro restaurante que fomos logo depois de nos mudar, e que havíamos escolhido aquele condomínio justamente por estar perto de um lugar tão acolhedor como aquela praça.
– Admito, nunca entendi o porquê de você sempre achar isso, mas gostei do local e não tive como recusar. – disse ele.
Dei uma risada e completei: — Pode me dizer por que me sinto tão a vontade nesta mesa? – batendo as unhas em movimentos sincronizados.
– Porque essa é a NOSSA mesa, sempre sentamos nela. Na primeira vez – deu uma risadinha – você não gostou, disse que era muito afastada, mas logo que sentou mudou de opinião, disse que era perfeita, pois tinha uma visão da praça inteira e não precisava ouvir a conversa de outras pessoas do restaurante.
Comecei a rir, e concordei, eu queria inibir todas as minhas duvidas, mas naquele momento me senti em casa, e nada poderia estragar aquilo. Me virei para encarar Jack quando ele pegou minha mão e colocou entre as suas, chamando minha atenção para o garçom, que estava parado ao nosso lado perguntando se iriamos querer os pratos de sempre, pelo visto outro conhecido. Ele me cumprimentou, retribui com um sorriso tímido, era estranha a sensação de uma pessoa te conhecer, mas a mesma ser totalmente estranha para você. Olhei o loiro, meio confusa, o vi virar para o garçom, e falar os pratos e as bebidas.
Me peguei reparando cada movimento que ele fazia, tudo em perfeita sincronia, os cabelos rebeldes que estranhamente combinavam consigo. “Porra, que homem é esse”.
– Elsa – não respondi – Elsa, meu amor.
– Oi – falei meio boba
– Ta escorrendo a baba – fazendo sinal no canto da boa
Assustei com o que ele disse e passei a mão na boca não sentindo nada. Olhei-o com uma cara furiosa enquanto o mesmo dava risadas, cruzei os braços e virei para olhar a rua.
– Ei – ouvi me chamando – relaxa que isso tudo aqui já é seu. — Jack falou pegando minha mão esquerda e colocando ao lado da dele fazendo com que eu reparasse pela primeira vez nossas alianças. Passei o dedo nelas capturando cada detalhe senti a outra mão do engraçadinho a minha frente levantando meu queixo para olhá-lo.
– Eu te amo minha loira, e sei que você voltará a me amar também. – ele disse.
Fechei os olhos pensando que não duvidaria disso. Senti o carinho da mão gelada de Jack e perguntei o porquê de serem assim.
– Não sei, sempre foram assim, desde pequeno e o pior é que eu não sinto. – ele disse. – Você nunca reclamou, sabe, pelo menos não quando as uso fazendo o que nasceram para fazer – completou fazendo cara de safado.
Fiquei corada, tenho certeza, dei um leve chute por baixo da mesa e comecei a rir.
– E o que elas nasceram para fazer senhor Frost? – perguntei entrando na sua brincadeira
Fez sinal para que eu chegasse mais perto, o fiz, então falou no meu ouvido: — Te dar prazer, loira.
Juro que arrepiei cada fio de cabelo do meu corpo, aquela voz, aquela frase, aquele “loira”, puta que pariu! Não se fala isso para uma garota de dezesseis anos, não mesmo, mas talvez, pra uma mulher de trinta sim. Corei muito imaginando o que provavelmente já havíamos feito. Ouvi a risada de Jack e só ai percebi que estava parada com os olhos arregalados e a boca meio aberta, comecei a rir de mim também. Fomos interrompidos por Hans, nosso metre, aquele de quando chegamos. Trouxe nossos pratos e as bebidas.
– Frutos do mar, com os acompanhamentos de sempre – disse o moreno com um sorriso. – no festival desse ano, teremos uma receita daqui no cardápio principal. – completou nos servindo.
– Obrigada Hans, e assim vocês vão engordar as pessoas mais ainda – disse Jack, rindo.
– É nosso dever senhor Frost. Apreciem a comida – disse rindo e se retirando.
Jack me contou que no mês de julho todo ano acontecia um festival culinário e que eu sempre o arrastava, " É comida Amor !" ele falou me imitando, ou melhor, o que eu sempre falava.
Começamos a comer, quando coloquei a primeira garfada na boca, sentindo o maravilhoso sabor, lembrei-me que aquele era nosso prato preferido, e que na primeira vez que viemos aqui, eu havia reclamado que nunca comera um prato de frutos do mar bem preparado, estava sempre salgado demais ou sem sal, mas que daquela vez estava esperançosa, a lembrança terminou assim que acabei de mastigar.
Jack com um sorriso começou a falar o que eu havia lembrado então eu completei a sua fala e vi seus olhos brilharem com mais uma lembrança minha.
Terminamos de comer, pagamos e saimos a caminhar pela praça. Sentamos num dos banquinhos, falando sobre coisas alheias, meu marido me contava como eu era indecisa sobre a decoração da casa, sempre mudando coisas de lugar e eu me imaginava fazendo aquilo já que era assim com dezesseis também. Percebi que minha vida de antes da perda de memória estava ficando no passado e que a cada momento estava voltando e me acostumando a minha vida normal, de novo.
– Vamos tomar sorvete – Jack disse se levantando.
– Uai – comecei a rir – decide assim, de repente, então tá.
Voltamos para casa com os sorvetes e sentamos no deque para observar a noite e alguns patos que brincavam na água. O celular de Jack toca e vejo no visor a foto de minha irmã com a identificação de “Cunhadinha”. Olhei para ele meio receosa em atender, mas ele achou melhor, para que ela não ficasse preocupada.
Ligação >
– Alô – Jack atendeu.
– Oi Jack, sabe onde Elsa está, tento ligar para ela, mas ela não me atende, o que será que aconteceu? Ela está brava comigo? Mas eu não fiz nada!
– Rapunzel! – ela continuou a falar – Ei , RAPUNZEL – ele chamou atenção, normal minha irmã sempre é apressada – Bobeira nossa , aliás dela – deu uma risadinha – saímos e ela esqueceu o celular em casa.
– tudo bem então, fala pra ela me ligar, preciso dar uma notícia. Até mais. < Ligação
– Tchau, e ela desligou. – falou encarando o telefone rindo.
– Normal Rapunzel sempre foi assim – falei rindo.
A desculpa foi necessária, por enquanto, eu lembrava de minha irmã e queria contá-la tudo que estava acontecendo.
– Elsa, estou contente por ter se lembrado se uma das coisas mais importantes para nós hoje.
– Não foi só isso Jack, hoje mais cedo, antes de sairmos de casa, quando te vi sentado vendo o jogo, lembrei de quando me ensinou a gostar daquilo, e de uma vez que meu time estava perdendo de 35 a 3 e gritei tanto que fiquei sem voz por três dias e te culpava por você ter me viciado naquilo. – tirei uma longa risada de Jack naquele momento.
– Eu disse meu amor, vamos voltar a nossa vida normal. – disse isso se aproximando mais de mim e me beijando calmamente. Tive a emoção de sentir aquele beijo de novo e fechei minha noite com o sabor de um segundo primeiro beijo.
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