Não me deixe só

1 Brasilia, 02 de Dezembro de 2015


Notas iniciais
Essa história vai ir e voltar um pouco no tempo, então se não entenderem direito, é porque eu ainda vou voltar para o passado e vocês vão entender tudinho.
Espero que gostem :)

"Fique mais, que eu gostei de ter você

Não vou mais querer ninguém

Agora que sei quem me faz bem"

Vanessa da Mata — Não me deixe só

Eu já tinha ligado para as minhas amigas duzentas vezes perguntando quando elas chegavam na minha casa, e ninguém me respondia. Como elas tiveram a coragem de se esquecer do dia de hoje? Depois de dias combinando que elas iriam comigo para o aeroporto, para passarmos mais algum tempo juntas , eu não conseguia acreditar que elas não se lembravam, nem me ligavam de volta.

Pensando na hipótese de elas terem se esquecido, derramei algumas lágrimas. Lágrimas pesadas e quentes que caiam queimando o meu rosto. Logo uma lágrima se transformou em duas, que se transformaram em quatro, e quando vi estava deitada na minha cama, chorando como um bebé que se perdeu da mãe.

Pensei em como elas tinham se esquecido de mim, em como seria difícil para mim estar longe delas, e chorei mais. Já estava com dor de cabeça, e todo o rimel e lápis que eu cuidadosamente havia usado nos meus olhos estavam derretendo no meu rosto.

"Boa, Alice" pensei " isso é o que dá não gastar dinheiro com maquiagem boa para poder comprar comida"

A minha mãe deve ter me ouvido, pois entrou um pouco assustada no meu quarto.

- Está tudo bem, minha filha? — perguntou. Depois disso se sentou e do meu lado e colocou gentilmente a minha cabeça no seu colo fazendo cafuné. — ô meu amor, eu também estou triste porque a gente está indo embora... Pensa que a gente está voltando para casa... Você vai voltar a ver os seus amigos...

Quando a minha mãe disse isso é comecei a chorar mais, e a soluçar.

- Portugal não é mais a minha casa! O Brasil é a minha casa! E eu quero ficar aqui! Com os meus amigos daqui, com o meu namorado daqui!

Me deitei de barriga para baixo, soluçando. Fiquei um tempo assim, até que a minha mãe tirou a sua mão da minha cabeça e disse para eu olhar para ela.

- Filha, você já chorou o suficiente. Eu sei que está triste e que quer chorar mais, mas precisamos ir para o aeroporto... As meninas não te disseram nada ainda?

Fungando fiz sinal dizendo que não. Eu não queria ir para o aeroporto. Eu odiava aeroportos. Sempre havia lágrimas neles.

A minha mãe afastou o meu cabelo volumoso dos meus olhos e me deu um beijo na testa. Me levantei e fui para o banheiro lavar o meu rosto e tirar aquela quantidade de reboco que estava escorrendo pelas minhas bochechas.

Tudo aconteceu de uma maneira muito rápida. De um momento para o outro eu já estava arrumada. Olhei a minha volta e vi a minha casa desfeita. O meu quarto sem as minhas coisas. A única coisa que dizia que aquele quarto ainda era meu era uma das paredes que tinha vários desenhos pintados por mim e pelas minhas amigas. Naquele dia estávamos tão felizes, nem pensávamos no dia em que eu poderia voltar para Portugal, longe de tudo o que eu amava.

Entrei no carro da minha mãe e observei a minha felicidade se desfazer e a minha casa ficar cada vez menor atrás de mim.

Chegando no aeroporto fui fazer o check- In. A cada minuto que passava eu dava uma olhada no meu celular para ver se ninguém tinha me mandado alguma mensagem. Nada.

Estava tudo certo com o meu voo. Como eu queria que alguém viesse me dizer: "desculpe moça, mas o seu voo foi cancelado devido a problemas técnicos, eu só tenho disponível um voo com destino ao inferno daqui a um ano. Desculpe o incomodo.". Infelizmente a vida real não é como nos livros ou nos filmes.

A minha bagagem tinha sido despachado e logo logo eu seria despachada também para Portugal. Eu e a minha mãe fomos em direção a zona de embarque. Estávamos chegando quando eu fui interrompida por uma menina mais ou menos da minha altura

- Desculpe Alice, mas você não tem autorização para partir sem se despedir

Quando prestei mais atenção reparei que se tratava de Lorane. Todas as minhas outras amigas estavam ali também. Logo toda vieram para cima de mim me abraçando.

- Pamonhas! — Sim. Pamonhas. É assim que eu chamo as minhas amigas. Algum problema? — eu sabia que vocês não iam me deixar sozinha!

Nós nos abraçamos todas juntas, com lágrimas tristes caindo nos rostos de todas. A minha mãe, emocionada, começou a tirar fotos nossas.

Elas uma por uma cumprimentaram a minha mãe e foram logo ter comigo de novo

-A gente não podia deixar você ir sem uma despedida decente — choramingou Mari

Lorane me abraçou com força e não me soltou.

- Foi até complicado desmarcar a minha viagem, só para poder vir aqui te no aeroporto agora — disse Bia sorridente

-Mas valeu a pena — comentou Laura — Você vale a pena.

Nos estávamos mesmo tristes. Pelo menos eu estava muito. Tanto tempo querendo fazer amigos, e bem quando eu faço as melhores amizades da minha vida eu tenho que me separar deles... Quando eu iria voltar?

Fiquei um pouco com elas, nos abraçando, rindo e chorando. Mas teve uma hora que a felicidade teve que acabar. Isso foi quando a minha mãe me chamou para irmos. Antes de ir, a Mari me entregou uma caixinha

- É em nome de todas.

Eu comecei a chorar quando li na tampa da caixa " para aquela que mudou a nossa vida" . Você pode achar um pouco Braga, mas eu adoro esse tipo de coisa. Quando eu a abri encontrei um porta retrato com uma foto nossa, uma caneca personalizada com frases nossas e piadas internas, um pequeno álbum de fotos nossas e uma cartinha de cada. Quando peguei a caneca para a ver melhor a Laura me disse para eu ter cuidado com o que estava dentro. Achei uma pen drive

- O Quê é isso?

- Uma surpresa que é bom que você cuide bem — respondeu Mari.

A minha mãe tinha me chamado de novo. Desta vez eu tinha mesmo que ir. Me despedi de todas.

Nós estávamos entrando no portão de embarque quando eu ouvi uma voz se dirigindo a mim

- Você não acreditou que eu ia te deixar ir embora sem uma despedida, né?

Me virei procurando essa voz. E ali estava ele, Eduardo me olhando, me esperando. Ele estava com um pequeno buquê de rosas e um envelope na mão. Rosas cor de rosa, as minhas favoritas.

Por alguns segundos não consegui reagir, até ao momento em que comecei a andar na sua direção.

A Laura pegou o buquê da mão dele para ele me abraçar.

Eu estava a poucos centímetros dele, olhando para cima. Pensando na nossa despedida, lágrimas correram dos meus olhos. Comecei a chorar e apoiei a minha mão no meu rosto

Pousei o meu rosto no seu peito e o abracei. Ele abafou os sons do meu choro e me abraçou com força.

Os seus braços me seguravam de uma força que ele nunca tinha me abraçado antes. Era gentil mas firme ao mesmo tempo. Sentia que enquanto estivesse ali com ele nada de ruim poderia acontecer comigo.

Ainda estava chorando quandoele me afastou, pois a minha mãe estava me chamando. Olhei nos seus olhos e vi algumas lágrimas correndo.

- Eu não quero que você vá... Mas você precisa ir para casa

A minha mãe estava me pedindo para ir, pois íamos chegar atrasadas e perder o voo

"Era tudo o que eu mais queria, mãe..."

Ignorei a minha mãe é me aproximei de Eduardo. Levantei a minha mão direita e segurei o seu pescoço, encostando os meus dedos no seu cabelo. Me coloquei em pontas dos pés e ele me levantou , me segurando pela cintura. Me segurei nele, olhando para ele um pouco para baixo. Eduardo passou o dorso da sua mão no meu rosto. Estávamos chorando e tentando nos despedir.

Segurei o seu rosto com as minhas duas mãos e o beijei. Nos beijamos soluçando, até o que ele me abaixou.

- Você tem que ir... — disse chorando baixinho — por favor não me troque por um português — disse com um sorriso triste

Dei uma pequena risada sem graça e abaixei a minha cabeça.

Me pus em pontas dos pés e o beijei na bochecha.

Eu me virei e fui na direção da minha mãe. Eu já estava com a minha mochila nas costas quando Eduardo me virou e me beijou. Eu quase cai no chão, mas ele estava me segurando. Quando me levantou, pegou o buquê da mão da Laura e me deu.

Lágrimas estavam caindo. Ele as enxugou e me deu um beijo na testa.

- Eu vou embora daqui antes que você perca o avião

Dei um abraço em todas as minhas amigas, enxuguei as lágrimas e fui embora

Já dentro do avião abri o envelope. Na sua letra descuidada percebi uma carta de amor. No final dela encontrei a letra de uma música:

"Eu prometo que um dia estarei por perto

Te manterei a salvo

Te manterei segura

No momento, as coisas estão meio loucas

E eu não sei como parar ou diminuir o ritmo disso

(...)

Pegue um pedaço do meu coração e o faça seu

Então, quando estivermos separados,

Você nunca vai estar sozinha

(...)

Quando estiver sozinha feche os seus olhos

Eu posso estar longe, mas nunca fui embora

Quando você adormecer à noite

Lembre-se que nós nos deitamos sobre as mesmas estrelas"

Notas finais
Eu realmente chamo as minha melhores amigas de Pamonhas, não é um detalhe forçado
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.