Não me deixe acordar
4 Viver no Sonho
Comecei a arrumar pela minha escrivaninha, terminei na minha cama.
Quando trocava os lençóis e fronhas, notei uma pena branca grande entre o colchão e a cabeceira. A imagem do anjo que vi nos meus sonhos, me veio a mente. Sorri com a esperança de que o sonho fosse real.
Guardei a pena embaixo do meu travesseiro.
A noite havia chegado. Pedi pizza, tomei um banho. Desliguei o som e fui assistir um filme de terror estilo ficção cientifica. A pizza chegou e fui atender a porta. Quando voltei para o sofá havia uma rosa vermelha no sofá aonde eu estava sentada antes.
Me assustei olhando ao redor. Verifiquei toadas as portas e janelas da casa. Tudo fechado. O Shane devia ter checado cada uma delas antes de sair. Voltei a fitar a rosa sobre o sofá. Peguei-a nas mãos me lembrando da pena que encontrei escondida em minha cabeceira sorri depois de sentir o seu perfume.
Coloquei na mesa de centro ao lado da caixa de pizza. Comi durante o filme sempre olhando para a rosa e pensando no anjo banido que me chamava em meus sonhos. Antes que o filme acabasse, desliguei a TV e fui escovar os dentes para dormir.
Coloquei a rosa ao lado da cama, no criado mudo. Apaguei o abajur e fui dormir.
Logo que me dei conta estava naquele oásis. Era noite. Era sempre noite naqueles sonhos com o anjo que eu queria salvar. Por que será?
Avistei o anjo vir para mim à partir do lago. Sorria como se eu fosse alguém muito importante para ele. Era tão alto. Eu sumi dentro do seu abraço. Me disse o seu nome. Nos sentamos á beira da água e me envolveu em seu abraço apoiando as minhas costas no seu peito.
Conversamos muito, sobre tantas coisas. E a cada palavra trocada em me sentia mais sintonizada com ele. Me disse que era o meu anjo desde sempre, que tem acompanhado a minha evolução, mas algo aconteceu. Algo que o fez ser banido para o oásis, aonde ele vivia separado. Longe de tudo o que conheceu e sem a benção dos anjos.
— O que foi isso o que aconteceu?
— Eu não posso te dizer. Sempre que eu tento, você vai embora.
— Tudo bem. E-eu não preciso saber.
— Sofia _ segurou o meu rosto em suas mãos _ Eu estou aqui por você _ o seu olhar estava sobre o meu ao dizer.
O meu coração acelerou e eu entreabri os lábios. Ele se inclinou para mim e me beijou.
Acordei com as bochechas quentes e com a sensação do beijo. Estava atordoada e não queria nada mais que voltar a sonhar, mas o meu som ligou tocando Never say goodbye do Bon Jovi e eu precisava viver além dos sonhos.
Me arrumei de qualquer jeito. Ora! O que importa o que vou vestir para ir a escola?
Encontrei o meu vizinho de armário.
— Bom dia, Alef _ falei simplesmente.
— Bom dia, Sofia _ sorriu surpreso, mas feliz _ Você parece de bom humor, hoje.
— Tanto faz, Alef _ dei de ombros com um meio sorriso e fui para a sala de aula.
Estranhamente o seu nome me fugira da memória. Ou até mesmo o seu rosto. Ficou a sensação, e o que fizemos a mais.
Na aula o professor pediu para formarmos duplas. Eu ia acabar com a pessoa que ninguém mais queria como dupla. Era sempre assim. Mas o Alef se pôs ao meu lado de carteira e tudo.
— Oi parceira _ brincou.
— Não _ protestei _ Todos te querem como dupla, vai com um deles.
— Mas eu quero você _ soou irredutível.
— Mas eu não te quero.
— Parece que você não tem escolha.
Olhei ao redor vendo que todas as duplas já estavam formadas. Bufei de cara feia para ele.
Ele era inteligente. Muito diferente da pessoa com quem eu faria dupla normalmente. Terminamos rápido o trabalho e ficamos jogando conversa fora.
— Por que você não tem amigos?
— As pessoas me acham metida, talvez.
— Não é o mesmo que você pensa de mim?
Olhei para o Alef ponderando. _ É.
Sorriu _ Por que pensaria isso, Sofia? Eu sou tão sociável.
— Algo em você não se encaixa.
— Quem sabe é o lugar? Talvez eu não devesse estar aqui. Então, onde será que eu deveria estar? Você sabe.
Desfaça as duplas e entreguem o trabalho. A voz do Sr Grun interrompeu a conversa e o Alef voltou para o seu lugar. Me encarava, pois que eu não parava de olha-lo.
Fiquei pensativa sobre o que ele falou. Tentava juntar todos os episódios que tive com ele e desisti. Ele devia estar tirando uma com a minha cara.
Na hora do almoço.Fui sentar na mesa de sempre, afastada de todos. Tinha uma ria vermelha no banco. Peguei e senti o seu perfume. Me sentia protegida pelo anjo que pôs essa rosa ali. Me veio à mente a frase que ele me disse antes do beijo. Sofia, eu estou aqui por você.
Vi o Alef atento sobre mim. Pareceu contente com algo. Fiquei surpresa. E me sentei desconcertada. Sorri para a rosa enquanto almoçava.
Dormi à tarde, Quando cheguei da escola. Me senti cansada, ou só queria um sonho?
Joguei a mochila no chão e coloquei a rosa sobre a mesa de centro. Deitei no sofá e adormeci.
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