Sem precisar abrir os olhos, sinto a dor lancinante que cobre meu corpo. Sinto costelas, braços e pernas completamente quebrados, sinto uma brisa leve tocando meu rosto, sinto tudo, escuto tudo ao meu redor. Estou conectada ao universo ao meu redor, em silêncio, incapaz de me mexer. Faço uma tentativa em vão de abrir os olhos, tento mais uma vez, abro devagar os olhos com dificuldades. A primeira vista vejo tudo embaçado, não conseguindo distinguir formas, vejo verde e mais verde. Aos poucos a visão turva vai se normalizando, possibilitando eu ver arvores, mato e um pouco de lama, percebo que estou em uma floresta. Mas a pergunta é, como vim parar aqui? Tento me lembrar de como vim parar aqui e onde eu estava antes, mas nada me vem à cabeça, nenhuma imagem, nenhuma lembrança e pior de tudo, não tenho a mínima ideia de quem sou. Só sei que preciso sair daqui o quanto antes, não sei como, apensas sinto. A algo estranho no ambiente, algo frio e… Maligno. Sinto que minhas pernas estão já um pouco melhores e meus braços já não doem tanto. Reúno o máximo de forças que tenho e tento me mover, uma corrente de dor parece me prender, mas sei que devo continuar. O que quer que esteja escondido na mata não parece ser nenhum pouco amigável. Puxo uma perna enquanto apoio a outra, e com as mãos busco apoio nas arvores, ao poucos vou ficando em pé. Não tenho ideia de para onde estou indo, minhas pernas simplesmente vão se arrastando. Logo começo a sentir que a algo de errado. A temperatura cai muito desde que me levanto, observo que as plantas se encolhem e os animais fogem à medida que esfria. Sobre as plantas uma fina camada branca começa a formar forma e recobri-la. Preciso encontrar um local seguro e aquecido, caminho mais por um longo tempo, está tremendamente frio, mas sei que devo continuar. Mais uns metros adiante encontro uma vala, um pouco grande e não muito funda, sei que não é o que eu queria, mas sei que não tenho outra escolha. Desço devagar para dentro dela, me aconchego num dos cantos e sem muito esforço acabo adormecendo. Acordo de manhã e logo percebo que ossos fraturados estão de volta ao seu lugar, não sinto mais dor, nenhuma cicatriz sequer que prove que ontem mesmo mal pude andar. Escalo a vala e volto à mata, recomeço a minha caminhada. Passo horas e mais horas andando, tentando achar uma saída, depois de muito andar, ouço barulho de água. Corro na direção do barulho e acabo achando um riacho. Não penso duas vezes antes de entrar e me limpar. A água estava fresquinha e até boa para se beber. Saio do rio já completamente limpa e molhada, mas feliz por estar limpa. Mas logo essa felicidade se esvai, percebendo que o clima mais uma vez muda bruscamente. Começo a correr em busca de algo que não sei se irei encontrar. Quanto mais corro, mas sinto o frio invadir meu corpo. A água em minhas roupas estão ao ponto de congelar, meus cabelos formam-se pequenos cristais congelados ricocheteando em minhas costas. Corro o mais rápido que posso, mas aos poucos meu corpo começa a fraquejar, minhas pernas já não me obedecem, estão exaustas. Minha cabeça já lateja pelo frio, minhas forças se esvai, aos poucos minha visão fica turva. Já estou arrastando os pés quando caio de joelhos, batendo a cabeça numa pedra, perdendo totalmente a consciência. — Tem certeza que não a conhece? — Tenho. Tenho sim. Eu a encontrei desmaiada coberta por sujeiras. — Não é do campo, tampouco da cidade. Deve estar perdida. Escuto vozes. Parece ser duas pessoas, devem estar discutindo. Uma é melódica, uma mulher… É, é uma mulher! A outra é rouca e me parece cansada, como se falar lhe exigisse esforço. — Como ela esta? – pergunta a mulher com sinos na garganta. — Igual quando chegou aqui… Espere, espere… Parece estar acordando, vi abrir um dos olhos. E de fato mesmo, eu estava acordando. — Ela acordou? – Aproxima-se a mulher, parece ser bem jovem. Ruiva de cabelos avermelhados, pele branquinha, olhos verdes, com pequenas tonalidades cor de mel. Mas algo naquele olhar, faz com que perceba-se a preocupação estampada neles. — Sim. Ela me parece bem acordada — Viro minha cabeça devagar e encontro um velho senhor sentado em uma cadeira de rodas. De olhos azuis, cabelo e barba branca. Seu rosto me pareceu sincero e paterno. A ruiva vem e se senta perto do velho. Olha apreensiva para mim e para ele, como se tivesse pedindo permissão para falar. Em seguida olha para mim novamente e diz: — Han… Han… Eu sou Gina e esse é meu pai Leonard… — Mas pode me chamar de Sr. Brigs – Diz o senhor com um sorriso amigável e acolhedor, fazendo com que eu relaxe. — Mas antes que diga seu nome, pode-me dizer como é que foi que você sobreviveu à floresta a noite sem morrer congelada? Fico confusa com sua pergunta. O que ela quis dizer com aquilo? E como se se lê meus pensamentos, logo completa: — Você sabe… À noite… O frio… Digamos que é impossível sobreviver lá. Ninguém, nunca, jamais sobreviveu. — Han… É bem… – Gaguejo ao falar. Porque não sei bem, nem o que vou dizer. – É… Na verdade eu não sei. Não sei de nada. — Como assim de nada?! – Indaga a mulher. — De nada. De nada mesmo. – Respondo. — Como veio parar aqui? — Não sei. — Quem te trouxe? — Não sei. — Tem família? — É… Não sei. — Não pode ser assim. Alguma coisa você deve saber! — A mulher olha para mim, com um olhar replicante em saber algo sobre mim. Que até mesmo eu gostaria de saber. – Então, quem é você? O seu nome? Isso você deve saber não é? — Meu nome é Selênia – Respondo, sabendo que é a única coisa de que sei – E é tudo que sei – Completo dando vida aos pensamentos. — Selênia do que..? — Já chega Gina! Olha para ela, está cansada. Acaba de acordar e só Deus sabe como está viva — Diz o senhor, pondo fim ao interrogatório. — Meu pai está certo. Desculpa, eu não quis te pressionar ou te cansar ainda mais, eu só… Bem, eu só fiquei curiosa. – Diz ela com um sorriso sincero de desculpas. — Não. Tudo bem, eu intendo. Gostaria muito também de responder suas perguntas, mas, elas são um mistério pra você, tanto quanto são para mim. — Então… Ham… Eu emprestei umas roupas minhas pra você. Porque as suas estão muito sujas e completamente rasgadas – Ela ponta para uma pilha de roupas caídas perto da porta – Amanhã mesmo eu vou para a cidade e trago um guarda roupa novinho. Gina diz com tamanho entusiasmo e brilho de olhos, que me recuso a dizer não. — Muito obrigada Gina. — Mas enquanto Gina não traz roupa nenhuma, eu até lhe ofereceria canja. Mas do jeito que você dormia, achei que você fosse acordar amanhã, então joguei o resto fora. O que acha de todos irmos dormir, você precisa descansar minha cara. Encontrei você a poucos metros do moinho, foi difícil traze-la ate aqui, mas enfim, fico feliz que esteja bem. — Nós ficamos – Completa a ruiva — Também fiquei preocupada. Mas como meu pai disse, você precisa descansar. Amanhã teremos um dia longo. — Sim, claro. E onde eu posso…? — Ali – Aponta o velho para uma porta marrom – pode dormir ali. Já deixamos tudo pronto – Diz ele sorrindo. — Obrigada por tudo — Digo-me levantando e indo para o “meu” quarto. — Descanse minha jovem. Nos vemos amanhã– Diz o senhor ao entrar ao seu quarto e fechar a porta. Jogo-me sobre a cama macia e fecho os olhos, nem um pouco cansada, mas deixo-me adormecer. Mais por luxo do que por necessidade. Acordo com um fecho de luz em meu rosto, feliz por já ser de manhã. Levanto-me, sentindo-me mais forte do que os dois dias atrás que passei na floresta. Abro a porta e vou para a cozinha, sendo guiada pelo cheiro bom que de lá vem. — Bom dia querida! Como passou a noite? – Diz o senhor, sempre bem receptivo. — Muito bem, obrigada. — Tem ovos pro café, queijo, pão e um pouco de leite – Diz Gina. — Hmmmm… Parece ser ótimo. — Digo-me sentando a mesa com eles. — Daqui a 20 minutos estou indo ao centro e você – Ela aponta para mim – Vai comigo. — Sim, mas no que posso ajudar? — Nada bobinha. Vou para o centro comprar roupas para você. Não espera usar essas roupas pelo resto da vida, não? – Diz Gina rindo. — Não, claro que não – Digo rindo e retribuindo o olhar. — Ah, então você se esqueceu? — Também não. Eu só não esperava que fosse agora. — Mas vai, pois de tarde tenho alguns compromissos. Então trate de comer ligeiro, pois sairemos em 15 minutos. — Pensei que tinha dito 20. — Isso foi cinco minutos atrás – Diz Gina com um sorriso travesso nos lábios. – Te espero lá fora. Como o mais rápido que posso e vou ao encontro de Gina que me esperava com um Porsche Cayman vermelho em frente à casa. Ela anota que eu olho o carro e diz: — Que foi? Esperava uma carruagem e cavalos? – Diz rindo. — Não — Digo rindo ainda mais — quer dizer, talvez. Entramos e fomos para a cidade. Compramos diversas roupas e calçados para mim. Roupas que talvez eu nunca irei usar. Voltamos para a casa com o carro repleto de roupas e cabides. Abro a porta e vejo o Sr. Brigs em pé, tentando alcançar uma panela muito alta. Quando Gina entreclique aquie o vê, sai disparada ao seu encontro. — Pai, o que.. O que foi que eu lhe disse, não tem que fazer nada disso enquanto eu estiver aqui, você pode cair e se machucar — Gina diz com uma voz assustada, mas ao mesmo tempo como se estivesse dando uma bronca. — Minha filha, acalme-se. Eu estou bem, apenas quis cozinhar alguma coisa para quando vocês chegasse – Diz voltando a se sentar na cadeira e viu que não estou entendo nada, diz — Ah, eu não tenho deficiência minha cara. — É que eu pensei que… — Não, não. – Diz ele rindo – Não estou preso nesta cadeira, apenas a uso porque meus pés já não suportam o meu corpo. Estou velho de mais para ficar em pé. — Por isto eu estou aqui – Diz Gina – Para poupar o senhor. Mas pena que irei voltar hoje mesmo para a cidade. — Como assim? – Pergunto. — É que eu trabalho num departamento na cidade e para vir aqui no campo só posso de duas em duas semanas. É o tempo que meu chefe me libera — Diz com olhar triste. – não gosto de deixar ele sozinho. É perigoso para ele, e se um dia ele cair? Ou não conseguir levantar? Nem quero pensar! – Fala sacudindo a cabeça – Não suporto vê-lo sozinho. Posso sentir o medo e a preocupação nas palavras de Gina. Então querendo reconforta-la e reconhecendo tudo o que fizeram por mim. Afinal, recolheram uma completa estranha sem se importar quem ou de onde veio. Deram-lhe coisas sem saber se ela iria retribuir. Concederam-lhe teto e comida na barriga, sem pedir nada em troca. O mínimo que podia fazer era aquilo: — Ei, eu posso ficar e tomar conta dele – Digo me oferecendo. — Não à necessidade, vou ficar bem! — Não. A necessidade sim- Depois se vira para mim e diz – Você faria isso? — Mas é claro. É o mínimo que eu podia fazer. — Ah, muito obrigada, seria muito gentil da sua parte. — Sem problemas. Afinal, não sei nem para onde ir – Digo rindo, mas um pouco melancólica. — Olhe, prometo mandar dinheiro para todas as suas necessidades. Comida, limpeza, roupa, qualquer coisa. – Depois olha para o relógio e diz — Tenho que ir ao supermercado, passo aqui para deixar as compras, mas logo em seguida, irei voltar a Los Angeles. Agora tenho que ir, volto logo. Depois de Gina se vai, passo à tarde com o Sr. Brigs. Tratando dos animais, arrumando a calha e a antena da televisão que Gina não o fez por medo de subir no telhado. Estranho. Para mim pareceu muito fácil. Gina volta e deixa as compras e se vai, agora por um longo tempo. Passo varias semanas com o Leonard. Até nos acostumamos um com o outro. Ele não me dá muito serviço, só o suficiente para manter a casa em pé. Alimentos os animais, limpo a casa, ajudo com os seus remédios, faço compras. Depois à noite nos sentamos e assistimos TV. Leonard desde que me acolheu sempre amável comigo, nunca me xingou ou olhou com maus olhos, ou questionou quem eu sou. Muito pelo ao contrario. Esteve disposto a me ouvir e tentar ao menos ajudar-me a recordar. Atencioso e toda vez com aquele velho sorriso doce no rosto. Nunca tive um pai que eu saiba, ou não faço ideia de como é ter um. Mas posso imaginar que ele é um modelo perfeito. Numa tranquila manhã de sábado, eu acordei e fui preparar o café como todos os dias. O Sr. Brigs levantou em seguida e sentou-se na cadeira. — Bom dia Selênia. – Diz ele com aquele velho sorriso amado. — Bom dia Sr.Brigs! – Respondo. — Hoje não precisa você ir comprar leite, mandei entregar em casa – Diz ele alegremente. — Eu estava indo comprar agora mesmo, mas tudo bem – Não canso de ir buscar leite, mas já é uma tarefa a menos. Sirvo o pão com manteiga, espalhando bem nas laterais, como ele gosta. E por cima coloco um pouco de geleia, espalhando-a também como fiz com a manteiga. Estou prestes a pegar as xícaras quando alguém bate na porta. — Ah, deve ser o leite – Diz o velho senhor por meio de tosses. — Quer que eu pegue? — Não, não. Pode pegar as xícaras que eu atendo a porta. Vou para a cozinha pegar as xícaras enquanto o Sr. Brigs pega o leite. Os minutos a seguir, nunca saíram de minha memoria. Enquanto eu pegava as xícaras, o silêncio que vinha da porta começou a me perturbar. — Sr. Brigs, quer a grande ou a pequena..? Mal termino a pergunta, quando vejo Leonard sendo arremessado contra sua prateleira de louça, quebrando toda a sua louça, armário e sendo gravemente ferido. — LEONARD..! – Grito, largando tudo no chão e saio ao seu encontro, mas paro na metade do caminho. Fico paralisada ao ver a sinistra criatura que está na porta. Uma criança com aparência diabólica. Cabelos longos e negros emaranhados cobre o rosto, olhos completamente negros, a pele possuía uma aparência branca, quase translucida sobre ela, artérias roxas pareciam brotar de seus olhos. Mas o que mais me fez com que me deixasse em pânico, era seu sorriso doentio que ali estava. Ela me olhava fixamente, até se lançar para cima de mim. Só não me derrubou porque saí em disparada pela janela, mas ela logo me bloqueou, fazendo com que eu saísse correndo pela porta, batendo-a com toda a força que pude. Olho para trás, segundo depois a casa explode em milhares de pedaços. — Não! Corri em direção a casa, mas dessa vez a criatura foi mais rápida, me pegando pelo pescoço e me lançando contra a árvore. No momento que seus dedos tocaram minha pele, um fleche de luz surgiu em minha cabeça, me anestesiando por completo. Não posso parar ou explicar o que estava acontecendo comigo. Imagens começam a se formar em minha cabeça, como num filme, contando uma historia… A MINHA HISTORIA! São cenas de tirar o folego, lindas cenas, repletas de amor e luz. Vejo de onde vim, quem me criou e de repente uma dor começa vir de meu estomago, quando vejo como vim parar aqui, o porquê de ter sido expulsa de um lugar com tamanha beleza e exuberância. Agonia e uma raiva até então desconhecida, tomam conta de mim. O D’javu termina com minha queda na floresta. Abro os olhos, vejo que a garotinha ainda está com as mãos em mim prestes a me lançar contra a árvore, quando me afasto e acerto um soco bem embaixo de seu queixo, lançando-a vários metros adiante. Uma dor crescente começa a vir de minhas costas, ignoro-a partindo pra mais uma investida. Dessa vez, agarro-a por trás, prendendo bem firme, mas antes que eu possa segurar, ela sai como um raio em direção aos destroços da casa. Vejo-a parar ao lado de… de… Não consigo ver. Aproximo-me e vejo ela apontar a uma barra de ferro na direção de… “ele está vivo!” — Sr. Brigs! – Grito ao ver ela atravessar a barra em seu peito. Uma fúria cresce dentro de mim, fazendo com que a dor em minhas costas aumente, quando vejo que não irei aguentar mais, das minhas costas rompem duas grandes e gloriosas asas, sedosas e branquinhas, porém, cobertas de sangue. Com tamanha agilidade pulo em cima do demônio, coloco uma das mãos sobre a mandíbula e a outra acima da boca, puxando ambos os lados da boca para lados opostos, partindo-lhe a boca, matando-a de uma vez. Corro para ver como Leonard está. — Fico feliz que tenha vivido para ver um desses – Ele fala apontando para mim. — Não diga isso, você ainda irá viver, e muito. – Digo já não contendo as lagrimas, tomo seu corpo em meus braços – Você irá ficar bem. — Minha querida, a vida que havia em mim está pronta para partir – E olha para mim e diz – Você é tão bonita, posso tocar? – E volta a olhar para trás de mim, para minhas asas. — Pode, claro que pode – Digo me aproximando num abraço. — Agora posso partir em paz, obrigado por me conceder esse ultimo presente Senhor – Diz olhando para o céu – Um anjo. Eu conheci um anjo! – Diz com lágrimas nos olhos. Eu ainda posso cura-lo. Coloco minha mão sobre seu peito, uma luz pura surge delas, mas já é tarde demais, seus olhos se fecham lentamente com um sorriso nos lábios. — Não… Por favor, não. – Digo chorando sobre seu rosto – Volta, por favor, volta! Mas já é tarde, sua alma se fora. Fico ali com a cabeça sobre seu peito e envolvendo com minhas asas, até perceber que já de noite, sei que não posso mais continuar ali. Então vou e cavo um buraco bem fundo e coloco cuidadosamente seu corpo lá dentro e o enterro relutante. Depois de terminado, olho para a casa e sei que não posso deixa-la assim, Gina voltaria e iria querer saber o que aconteceu e eu não podia simplesmente contar a ela o que houve. Por isso, invoco uma forte tempestade e um furacão, acabo destruindo tudo de uma vez, pondo um fim a qualquer duvida sobre a casa, Leonard e até mesmo sobre mim. Eu Selênia estava morta a partir de agora… Morta! Agora sei que não posso me aproximar de ninguém, minha presença traz grande risco a vidas humanas. Sei que ele está me seguindo e se os outros nos encontrar juntos o mataram sem piedade, preciso mantê-lo longe. E por isso passo a vagar pelo mundo, mas agora eu já sei quem eu sou. Sou Selênia Bylgard e eu sou um anjo da morte.