Notas iniciais
Oi pessoal, desculpe por deixar vocês curiosos, nem demorei muito para postar o próximo capítulo então espero que vocês gostem.

– Angelina querida! – Jenn me olha com um misto de raiva, vergonha, choque e tenta esconder tudo isso com um sorriso forçado. – Querida olha a educação.

– O que você está fazendo aqui? – Praticamente ignoro minha madrinha e continuo parada na porta da sala encarando a garota de cabelos loiros que sorri para mim.

– Angelina! – Jenn finalmente perde as paciências e se levanta da mesa, não sem antes pedir licença e me puxa pelo braço para fora do cômodo.

– O que você pensa que está fazendo garota? – Seus olhos azuis estão tão arregalados que eu tenho a impressão que eles vão pular para fora a qualquer momento. – Você quer me envergonhar na frente de meu amigo e seus filhos e isso?

– Não me desculpe! – Digo saindo do choque. – E que eu conheci aquela garota no avião, eu só fiquei surpresa.

– As pessoas não gritam com as outras quando estão surpresas! – Jenn solta meu braço e ajeita seu vestido preto justíssimo. – Não aqui, então por favor, se comporte. Você vai entrar e se desculpar com a pobre Lizandra por gritar desse jeito.

Apenas assinto, Jenn coloca a mão atrás de minhas costas e começa a me empurrar para dentro da sala novamente. Ela pigarreia e olha ansiosa para mim.

– Me desculpem pelo meu comportamento. – Digo de cabeça baixo, me sinto como uma criancinha se desculpando por ser malcriada. – E fiquei surpresa por te ver novamente...

– E um prazer. – Lizandra sorri de canto de boca.

– Liz querida, porque não me disse que já havia conhecido a sobrinha da Jennifer. – Olho pela primeira vez os convidados que estão sentados à mesa, o homem tem cabelos loiros como a filha e olhos verdes, veste uma blusa branca de mangas longas que estão dobradas até os cotovelos, e ao lado de Lizandra há um garoto de cabelos cacheados e de olhos verdes que sorri animado, pelo menos tem alguém se divertindo com tudo isso.

– Eu não sabia que ela era sobrinha da Jenn pai. – Lizandra me olha se divertindo as minhas custas. – Estou feliz por te ver novamente, você me fez rir tanto no avião.

– A que ótimo que vocês já são amigas. – Jenn teve que me puxar para que pudesse sair do lugar. – Por que você não se senta ao lado da Liz? Assim vocês podem conversar.

Vou para o assento praticamente arrastando os pés, e me sento contra minha vontade. A garota sorri ao meu lado. Jenn balança um sininho e a comida e trazida e servida em nossos pratos, minha madrinha começa a conversar com o homem que descobri chamar Antony e com seus filhos, Lizandra e James. Toda vez que Jenn tentava me colocar na conversa eu enchia a boca de comida e apenas balançava a cabeça e sorria, isso pareceu a irritar um pouco.

– Então já descobriu onde o Chris mora para poder ir correr atrás dele de novo? – Lizandra sussurra ao meu lado. A ignoro e continuo a comer em silêncio. – Não sei o que deu em você, no avião você não parava de falar e agora está parecendo um peixe morto.

– O que eu fiz para você? – Pergunto um pouquinho alto demais, pois minha madrinha me olha de cara feia.

– Se ela está te enchendo o saco apenas a ignore, e o que eu geralmente faço, na verdade e o que todo mundo geralmente faz. – O garoto ao lado de Lizandra fala pela primeira vez. – Ah, e eu sou James.

Fico alguns segundos olhando para o sorriso até perceber sua mão está estendida, o comprimento com um aperto de mão. Lizandra bufa pelas nossas mãos praticamente em sua cara.

– Nem tente nada Romeu. – Lizandra fala para James. – A plebeia está apaixonada pelo Christopher Adam.

James me olha com uma sobrancelha erguida e suspira, minhas bochechas coram e para disfarçar enfio uma garfada cheia de comida na boca.

– A cara! – James me olha decepcionado. – Aí nem tem como eu competir, o Chris até me faz questionar minha sexualidade.

Assim que James termina sua frase eu começo a tossir feito louca, levei um susto e acabei me engasgando. Jenn me olha chateada novamente como se aquilo fosse proposital, Lizandra começa a rir em sua cadeira e o único que me ajuda e James que se levanta e começa a dar tapinhas em minha costa.

– Eu disse questionar. – James diz tentando não rir. – Sou cem por cento heterossexual! Não se preocupe, não vou ser seu concorrente, mas cai entre nós se eu fosse você não teria chance...

– Obrigado! – Digo assim que volto ao normal. – Eu só engasguei, me desculpem.

James volta para seu assento e todos na mesa estão me encarando, me levanto sem jeito e peço licença. Assim que saio e fecha a porta atrás de mim, começo a correr para fora da casa, confesso que levou mais tempo que eu imaginei, mas finalmente achei a saída para o quintal dos fundos. Deixo minha sapatilha ao lado da porta e saio descalça, a grama está gelada e o ar que sopra está fresco, consigo ouvir o mar e isso já me acalma, ainda consigo sentir meu rosto quente de vergonha.

O quintal e enorme, possui um caminho de pedras até um portãozinho onde deve ser o acesso para a praia e não muito longe de onde eu estou tem um daqueles balanços de dois lugares feito de madeira, caminho até lá e me sento. Começo a balançar e olhar para o céu, “Não sei o que vim fazer aqui! Eu queria um lugar para descansar, não para ser envergonhada e me sentir desconfortável a cada minuto. ” Suspiro desanimada e já estou com o celular na mão digitando os números do celular do meu pai, havia decidido que iria voltar para casa no próximo avião quando escuto a porta ser aberta.

– Você perdeu a sobremesa. – James começa a andar na minha direção com um pratinho na mão. – E petit gateau, e você sabe que é contra lei privar mulher de comer chocolate...

– Obrigado. – Começo a rir e pego o prato de suas mãos, James se senta ao meu lado e fica me olhando quando parto o pedacinho de bolo e como. Arregalo os olhos surpresa com o gosto maravilhoso, James começa a rir.

– Viu só o que você estava perdendo. – James pega a colher de minha mão e pega um pedaço do sorvete de creme. – Aí eu pensei: Que pena que a Angelina não está aqui, ela teria adorado a sobremesa já que ela quase morreu pelo filé à parmegiana.

– E que essas comidas são tão gostosas que me fazem chorar. – James começa a rir.

Ficamos sentados por um tempo sem falar nada, eu comia o bolo de chocolate e James comia o sorvete de creme.

– Acho melhor eu entrar. – James pega o prato vazio em minhas mãos. – Minha querida irmã não gosta que eu a deixe sozinha em ocasiões como essa.

– Ata. – Digo decepcionada. – Muito obrigado pelo petit gateau.

– De nada, apenas sendo o cavalheiro que mamãe me ensinou a ser. – James se levanta e pega minha mão direita e a beija. – Foi um prazer conhece-la senhorita Angelina, nós vemos em breve, espero...

James caminha de volta a casa e antes de fechar a porta o garoto pisca para mim, começo a rir e sinto minhas bochechas corarem de novo, mas desta vez eu não me importo. Pego meu celular e fico um tempo olhando para o número de meu pai na tela, suspiro e volto a guardar o celular no bolso e começo a me balançar.