Não era uma Lenda.

3 Por que sempre góticos?


Notas iniciais
OLÁ! Uma semana é muito tempo para esperar um capítulo novo? É que pra mim essa semana passou correndo igual ao The Flash :v Perdi noção do tempo. MAS, PORÉM, CONTUDO, TODAVIA Aqui está o capítulo três, yee ♥ Boa leitura e até lá embaixo e-e

Está frio hoje, então decidi sentar no sofá da sala assistir um programa de culinária enrolada num edredom felpudo enquanto meus amigos não chegam. Estou ansiosa para saber o que aqueles dois escondem de mim. Digo, até meus pais vão ter que estar presentes. Estou mais ansiosa do que o normal. O que é tão importante? E por que contar só agora?

Ouço uma batida na porta que entrou no ritmo da música de entrada do programa de tv que estou assistindo. Não preciso nem perguntar quem é, está óbvio.

Vou em direção à porta com o edredom como se fosse uma manta de rei e olho no olho mágico só por precaução.

É ele sim. Quem mais bateria na porta nesse ritmo?

Abro a porta lentamente só pra irritar.

— Abre logo isso, eu estou morrendo de frio! – é muito fácil irritar ele.

— Eu disse para pegar um casaco. – dá para ouvir a voz do James do lado do Sebastian.

— Entrem logo antes que o vento frio entre – digo escondendo metade do meu corpo atrás da porta.

— Não se preocupe com isso, eu virei o frio em pessoa depois desse vento – Sebastian está todo encolhido, esfregando seus braços na tentativa de se aquecer. Está usando apenas uma blusa de manga curta e uma calça, diferente do James, que está agasalhado com um moletom verde escuro.

— Quer um edredom também? Você está tremendo. – pergunto, fechando a porta.

— Eu quero muito. Por favor.

— Fica com o meu por enquanto, que eu vou pro meu quarto pegar outro.

Eles se acomodam no sofá da sala enquanto eu subo para pegar outro edredom e avisar aos meus pais que tem gente em casa.

—*-*-*-*-*-

Meus pais já estão sentados em duas poltronas. O James disse que seria melhor o Adam ouvir também.

Mas meu Deus, o que eles querem tanto dizer? E o que tem a ver com a Giulia? A única coisa que eu pensei foi que eles estão criando uma águia sem permissão do governo. Por aqui eles são bem rígidos na questão de animais. Para adotar um cachorro é uma enorme burocracia.

— Harriet? Está prestando atenção? – James está me encarando como se fosse meu pai.

— Oi? Desculpa, estava viajando na lua.

Meus pais já estão sentados em uma poltrona cada um, Sebastian e Adam no sofá, e o James numa cadeira de madeira da cozinha que agora está bem no meio da sala.

— O James já vai começar a contar, querida. – minha mãe diz. Ela está com uma cara estranha... Parece preocupada, mas ao mesmo tempo ela não quer passar isso. Ela não sabe esconder sentimentos.

O meu pai também não parece muito bem.

— Ah sim, claro. Vou... Pegar uma cadeira. – procuro pela cadeira mais próxima.

— Tem espaço no sofá. Senta logo aqui e vamos ouvir o que o James tem a dizer antes que eu fique nervoso. – Adam não para de esfregar as mãos.

Sento entre o Adam e o Sebastian, enrolada num edredom vermelho.

— Bem, Harriet, para começar, eu quero que você saiba que você tem segredos que nem mesmo você sabe que tem. A história que eu vou contar pode parecer coisa de filme, eu entendo se não acreditar de primeira, mas depois tudo vai ficar explicado.

Eu não estou entendendo muito bem, mas a única coisa que sai da minha boca é:

— Tá.

— Eu não quero que ninguém me interrompa. Se tiver alguma dúvida é só perguntar no final. Todos entenderam?

— Sim, sim... Vai logo! – Adam está impaciente demais.

— Bem, existe uma lenda que conta a história de um homem que traiu o seu próprio irmão e o seu pai. É mais ou menos assim:

Gavenberg era o preferido do papai. Era o caçula da família, aprendeu muita coisa observando o irmão mais velho Starval. Falar, brincar, contar, lutar e até um pouco de magia. Bem, o pai dos garotos queria que o irmão mais novo conseguisse governar o império, e não o irmão mais velho que era frio e calculista. Isso porque o pai dos garotos temia que ele fosse um mau imperador, diferente do irmão mais novo, que era mais doce que açúcar. O pai ficou muito pensativo durante várias noites, pensando em como poderia burlar a lei para que o filho mais novo pudesse assumir o trono e não o mais velho. Ele leu e releu todas as leis sagradas que havia, mas não encontrou nada. A única coisa que tinha era a morte ou doença grave do irmão mais velho, então o velhote desistiu e simplesmente aceitou com muita tristeza o destino do império, e mesmo se conversasse com Starval, ele nunca iria rejeitar o trono.

Gavenberg, percebendo a melancolia, perguntou o motivo da tristeza. O pai contou o motivo. Gavenberg ficou muito pensativo. Se ele virasse rei, teria de deixar o seu único irmão morrer. Se não o fizesse, o seu adorado pai morreria infeliz.

Um dia o rei, ou seja, o pai entrou em depressão profunda por causa da morte de sua esposa e acabou se matando. Starval se tornou o novo rei e casou-se com Tália, uma nobreza por quem se apaixonou. Gavenberg falou para Starval que o último pedido do pai era que Gaven se tornasse rei, e não seu irmão. Starval ficou furioso, pensando que era papo furado para mexer com os seus únicos sentimentos de amor familiar que lhe restavam para dar um golpe e o expulsou do império.

Gavenberg apenas pensou em como vingar o irmão em nome do seu pai. Ele sabia que o seu pai não queria a sua morte de um filho, pois é um crime que jamais deve ser perdoado matar outro da sua mesma espécie. Então ele pensou que quanto mais poderoso na magia, mais intimidador ficaria, então apenas ameaçaria o seu irmão para que ele desse o seu trono para ele.

A ambição por mais poderes mágicos o corrompeu. Acabou entrando numa facção de demônios, onde o acordo era que os demônios davam mais poderes mágicos para ele e em troca faziam eles um tipo de senadores, saindo de uma monarquia para uma oligarquia.

Aos poucos, a doçura do Gavenberg foi sumindo e por causa da presença dos demônios e ele foi se tornando uma pessoa cada vez mais sombria. Agora ele não queria apenas tirar o irmão do trono com as suas próprias mãos, ele queria o trono não importa quem estivesse na frente do seu sonho e do sonho de seu pai. Mas ainda existia, lá no fundo, um pouco de gentileza e compaixão.

Passaram-se alguns anos e ele voltou para o império de onde foi chutado. Ameaçou o irmão, como foi feito o plano desde o início, mas ele não contava com uma coisa: sobrinhos.

— Mesmo se você me matar, não vai poder assumir o trono. – tinha dito Starven.

— Espera, você...?

— Sim, eu tenho um sucessor.

— Mostre-me a prova.

— Tália, meu amor! Temos visita!

— Sim? – ela tinha chegado alguns segundos depois, espantada com a aparência do cunhado. – Oh, oi... Gavenberg.

— Querida, mostre a ele o seu sinal de mãe.

Tália, assim como todas as mães de Svalbard, ganhava um sinal na nuca quando virava mãe. Caso o filho morresse antes da mãe, o sinal desapareceria.

Gavenberg finalmente acreditou nas palavras de Starval e logo ficou agitado pensando em como iria eliminar o próprio sobrinho (a).

— E não adianta procurar. Você nunca vai achar. – Starval disse determinado. – Achou mesmo que eu não iria prever essa sua ambição? Só não pensei que você iria decepcionar o nosso pai dessa forma... Indo em direção à magia negra.

— É a única magia que realmente funciona.

— Que seja. Mas saiba que o nosso pai...

Nesse momento, Gavenberg fez um gesto com mão, fazendo com que uma pequena nuvem negra arrodeasse a sua mão e fosse em direção ao irmão, deixando-o sufocado.

— Não fale mais sobre ele. Você é a última pessoa que deve me dar lição de moral.

Starval tentou fazer um sinal positivo com as mãos enquanto tentava inutilmente respirar.

— Por favor, solte-o! – Tália implorou.

— Tá, que seja. – ele fechou o punho e Starval puxa o ar de forma desesperadora.

— Por favor... Esqueça essa... Vingança... Idiota...

— Eu vou encontrar o seu filho, Starval. Ou filha, pouco me importo. Com a magia negra ao meu lado, eu posso fazer qualquer coisa.

— Tente...

— Só isso tem a me dizer?

— ...e falhe.

— Idiota. – ele revirou os olhos, sorrindo.

Gavenberg fez um feitiço para abrir asas e sair do castelo, enquanto bagunçava tudo o que tinha na sala do trono com a força da batida das asas.

E foi assim que uma grande tragédia começou.

...

Um silêncio incômodo toma conta da casa.

Tá, James contou essa lenda... E daí? O que ela tem de mais?

— O nome da filha de Starval era... – James me encara no fundo dos olhos. –... Harriet.

...

Tá.

— Eu falei que toda esta história é uma lenda para não te assustar, no entanto ela é verídica.

—... E o que você e meus pais têm a ver com isso? – pergunto insegura.

De repente começo a sentir mais frio do que antes.

— É que quando Starven mandou a sua filha, digo, você para cá, mandou os dois guerreiros em que mais confiava para protegê-la, e te ensinar a se defender de Gavenberg. – Sebastian está me encarando de um jeito perturbador.

Olho para os meus pais para ver a reação deles. Eles... Entenderam?

Adam está encarando James boquiaberto.

— Querida, eu sei que é difícil de acreditar, mas... A sua família biológica não é o que chamamos de “normal”. – meu pai, como sempre, tenta quebrar o gelo.

Espera, então...

— Vocês já sabiam disso? Como? – estou mais surpresa do que qualquer outra coisa.

— Nos avisaram dois dias depois que te adotamos...

— Quem?

— Mandaram uma carta bem... Estranha. De primeira a gente pensou que fosse alguma brincadeira didática do governo para fazer com que as pessoas cuidem realmente bem das crianças adotadas. Mas depois de certos ocorridos... – minha mãe engoliu em seco –... Percebemos que não era brincadeira.

— E com certeza não é! – de repente ouvimos uma voz grave e rouca do nosso lado esquerdo.

Viro bruscamente para o lado, com o coração na boca. Um homem de aparência sombria está nos observando como se fôssemos cachorros fofinhos. Seus olhos são verdes, a pele tão branca que parece cinza. O cabelo encaracolado preto.

James e Sebastian levantam feito um raio, encarando o homem. Será esse o... Garven?

— Incrível como deixam o meu nome mal falado por aí. Parece até que sou um... – ele olha para baixo, rindo –... Criminoso. – ele volta a olhar para nós, com os olhos dourados.

TEM UM CARA GÓTICO NA MINHA CASA E O OLHO DELE ACABOU DE MUDAR DE COR DO NADA. MEUS AMIGOS ESTÃO DIZENDO QUE EU SOU UMA PRINCESA ESCONDIDA E QUE ELES SÃO MEUS GUARDAS REAIS.

EU NÃO ESTOU ENTENDENDO MAIS NADA.

— Todos vocês, fiquem atrás de mim. – James grita em autoridade.

Sebastian faz um gesto rápido com a mão e uma espada aparece em sua mão.

— Nós não sabemos o que vai acontecer aqui.

E o homem gótico apenas ri.

Notas finais
OLÁ DE NOVO! Olha, dessa vez eu não prometo nada viu. Já vi que não sou boa com promessas, entãããoo, vou na fé no próximo capítulo :v (É que eu tenho outra fic q tá com cap atrasado, pois é) E POR FAVOR NÃO ESQUECE DAQUELE REVIW GOSTOSO QUE A TIA PANDA AMA ♥ Enfim! Até o próximo cap (~*-*)~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.