Notas iniciais
Fanfic BASEADA na música Not Enough do Van Halen. Não é uma songfic como vocês estão acostumadas, onde a tem um pedação da letra no meio da fic, mas sim alguns trechos transcritos nos parágrafos com adaptações à gramática usada. Seria interessante lerem a letra e escutarem a música durante a leitura da fanfic. Posto o link abaixo com a tradução em respeito às leitoras que não sabem inglês ;) https://letras.mus.br/van-halen/69248/traducao.html Fanfic presente para Vanessa e Madalena, por não desistirem da Poi. =P

Não era suficiente

Após a discussão no apartamento de Beckett, Castle acabou vagando pelas ruas. Achou melhor voltar a pé para sua casa, precisava desse pouco tempo para colocar sua mente em ordem, pois sua filha o aguardava, era o grande dia dela e ele não poderia atrapalhá-la. Entretanto não conseguia fazer sua mente parar de lembrar tudo que acabara de ocorrer. Mesmo com todo seu esforço, iria perder o amor de sua vida e não poderia fazer mais nada quanto a isso.

Amar alguém secretamente, cada vez mais, durante quatro longos anos, apesar de nunca poder tocá-la. Ele sabia o que era isso. Um ano tentando protegê-la, mas tudo iria em vão se ela continuasse a seguir com aquela busca suicida. Depois de muito pensar, Castle teve que tomar a decisão final. Foi ao apartamento dela, teria que fazê-la realmente parar de investigar.

“Castle, já conversamos sobre isso. Eu estou bem, estou no controle.”, olhando esperançosamente para os olhos de seu parceiro, tentou fazê-lo ver que ainda conseguiria seguir por aquele caminho.

“Não, você não está. Eles estão...” , o escritor respirou fundo e continuou, tentando segurar todo aquele sentimento que o estava matando por dentro “Se você não parar, eles a matarão, Kate.”

“Do que você está falando?” a detetive perguntou sem entender.

Posteriormente ao que se sucedeu durante aquele caso, todas as reviravoltas, Castle não teve outra alternativa a não ser contar tudo desde um pouco antes do fatídico dia em que sua musa foi açoitada em pleno cemitério, no velório de seu superior. Por fim, explicando a razão pela qual ela ainda estar viva, porque ela parou de investigar.

Entretanto, mesmo pelo motivo de mantê-la a salvo, ela não entendeu. Não era suficiente.

“Como devo confiar em algo que diz?”, Kate estava irritada e frustrada após saber tudo que acontecera sem que ela soubesse.

“Como?”, Castle ficou perplexo com a pergunta proferida por sua musa.

“Por causa de tudo que passamos juntos! Por quatro anos estive bem aqui. Quatro anos esperando que abrisse os olhos para ver que estou aqui e que sou mais que um parceiro. Toda manhã, eu trazia um copo de café só para ver um sorriso seu. Porque eu acho que você é a mais extraordinária, irritante e desafiadora pessoa frustrante que já conheci.”

“Eu te amo, Kate, e se isso significa alguma coisa para você. Se importa-se comigo, então não faça isso.” Não importava mais, ele iria implorar se isso significaria mantê-la viva, pois isso significaria mantê-lo vivo também e ela não percebia isso.

“Se eu me importo com você? Castle, você fez um acordo por mim, como se eu fosse uma criança!”, Beckett vociferou visivelmente chateada, pois ele mexeu com algo de extrema importância para ela e resultou em palavras vindas de um lado escuro dentro dela, que machucavam quem estivesse à sua frente, independente de quem fosse. Assim ela escondia-se em sua dor, afastava quem amava para ficar sozinha em seu calvário.

Cada palavra proferida em seguida pela detetive naquela sala o atingiu como pequenas lâminas de gelo, que foram infiltrando-se pelo seu corpo, ferindo seu coração pela frieza daquela mulher, dilacerando-o a cada golpe.

Não conseguia fazê-la voltar atrás. A vida era dela, poderia jogar no lixo se quisesse. Mas ele não poderia estar ali para ver isso. Então, engolindo todo seu sentimento, preferiu retirar-se dali. Estava farto de tenta-la fazê-la ver o que não queria, pois estava óbvio demais. O amor às vezes machucava, mas amar alguém sem esperança, machucava muito mais.

Apesar do sol ainda estar alto, uma brisa fresca da mudança de tempo percorria a cidade, fazendo com que aquele homem se encolhesse ainda mais em sua dor. Lágrimas insistiam em percorrer pelo seu rosto. Não, Castle não poderia mais sofrer por ela. Kate nunca sentiu nada e, em meio aquela discussão, teve a definitiva certeza disso. Sim, a vida era dela. Entretanto, o fato do seu amor não ter significância alguma a ponto dela não perceber que ao jogar fora sua vida, como fez questão de enfatizar, estaria jogando a vida dele também, porém isso o escritor não estaria disposto a testemunhar. O amor às vezes pode lhe machucar, mas Castle nunca pensou que a dor poderia ser tão dilacerante. Não era suficiente.

Quem diria, uma noite que teria tudo para acabar bem, ele finalmente iria conseguir fazê-la confessar que também o amava, doce ilusão. Como foi tolo! Pensava que poderia ter um futuro com ela. O amor podia levar algum tempo, mas esperaria o que fosse preciso, esperaria por Beckett, seu grande amor. Mas para ela tudo não passou de uma piada. Sempre soube, há um ano, e não disse uma única palavra. Beckett percebeu, mas nunca ligou que ele sempre esteve lá. Amar alguém sem esperança pode machucar muito, mas perceber que a pessoa sabia todo o tempo, podia ferir muito mais. Não era suficiente, nunca foi.

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Dizem que quando se está à beira da morte, toda sua vida se passa por um segundo pela sua mente. Os arrependimentos, lembranças boas e ruins, infância, saudade, absolutamente tudo aparece em algumas frações daquele mísero segundo.

O amor pode machucar, e ela não queria mais isso em sua vida, eis o motivo de ter se escondido por detrás de seus muros. Para quê tanto esforço? Bastaria soltar seus dedos da parede fria daquele prédio e tudo terminaria. Toda aquela dor e sofrimento, tudo teria fim, seria simples e rápido. Terminaria para ela, mas não para Castle, não para eles. Após tudo que Beckett fez ao escritor, não seria justo dar-lhe mais essa dor. O amor não é fácil de encontrar, mesmo procurando em todos os lugares, mas o dela sempre esteve lá, esperando, fielmente e ela deveria se agarrar a isso.

Após perceber a diferença entre ela e a força com a qual lutava, Beckett aceitou o inevitável e, lá no alto daquele prédio, lamentou o que não havia feito, a miséria em que havia transformado sua vida. O amor é difícil de encontrar, mas percebeu que ela sempre o teve ali, diante dela e foi avassalador o sentimento que a acometeu naquele momento, seu grande e verdadeiro amor por Richard Castle.

O amor às vezes pode machucar. Após a saída do escritor de seu apartamento, Beckett ficou sem reação, pensativa por longos minutos, que mais pareciam horas. Ela não podia acreditar no que sucedera. Seu parceiro escondeu tudo aquilo dela! Como ele teve a audácia? Mas agora podia entendê-lo claramente, o mais puro sentimento o fez seguir por esse caminho, para protegê-la. Rick sabia da força de seu inimigo, que era maior do que ela poderia imaginar, não apenas um atirador contratado.

Castle a amava secretamente, mesmo ela sabendo de tudo e não contando a ele. O escritor não saiu de seu lado, mesmo ela ferindo-o com a distância de meses sem notícias, mesmo ela negando suas lembranças, mesmo ele tendo descoberto sua grande mentira. Ele a amava honestamente. Mas agora ela percebeu que isso nunca foi o suficiente para fazê-la acordar de seu calvário, para derrubar completamente suas paredes.

Não podia ficar ali remoendo o ocorrido. Sua função era levar justiça aos mortos e, naquele momento seria levar justiça à sua mãe, mesmo sem seu parceiro ao seu lado. Tudo o que buscou em toda sua vida estava ali, diante de seus olhos e não poderia perder essa oportunidade. Se havia um palheiro e uma mísera agulha, ela iria atrás. Por isso estava ali, à beira da morte, chamando pelo seu amor, embora sabendo que ele não iria escutá-la mais.

“Beckett!” ela só poderia estar delirando à beira da morte, começou a escutar seu nome a ser chamado por ele, pois agora sabia, seu grande amor.

Ela não poderia ficar ressentida com seu amigo por ter salvo a sua vida, ainda mais agora que tantas coisas ficaram claras em sua mente. Após você passar próximo à morte suas prioridades mudam e você passa a valorizar o que é mais significativo e isso foi o que Beckett passou. Não que a justiça pela sua mãe não seria cumprida, mas sua vida era mais importante agora e Kate sabia que isso que Johanna Beckett iria querer.

Vagou sem rumo pelas ruas, pensando em tudo que se passou. Não tinha para onde ir, nem mesmo para seu apartamento, que lembraria-se de tudo que disse ao seu amado, deixaria sua dor mais à flor da pele. O amor não é fácil de encontrar, mas o seu sempre esteve lá, esperando-a, e ela estragou tudo, afastando-o e destruindo como tudo que é bom em sua vida, essa é sua punição. Não foi suficiente.

Gotas de chuva começaram a cair fazendo-a virar seu rosto para o céu nebuloso, dessa forma não dava para distinguir a chuva das lágrimas em seus olhos. A tempestade que começara, retratava sua alma atormentada. Sem perceber, acabou parando no parque dos balanços. Sentou-se ali e olhou o outro lugar que se movimentava devido ao vento e a chuva. Percebeu o quanto o machucou, jamais poderia perdoá-la.

A ex-detetive fugiu do escritor por três meses para se recuperar do tiro que foi infligida. Tentar colocar a mente em ordem, muito mais pela declaração que fez a ela. Naqueles dias percebeu que também o amava, mas não teve coragem de admiti-lo, porém, não conseguiu mais ficar com Josh, não podia mais. Entretanto pensava que a declaração fosse apenas pelo fato dela estar morrendo em seus braços. Mas após voltar ao seu trabalho e com a vinda dele para seu lado novamente, percebeu que não era assim. Ele mudou, mudou por amor a ela. As paredes que criara para se proteger de toda a dor e sofrimento pelo qual passara em sua vida, ainda existiam resquícios, mas não sabe como, Castle estava lá dentro, em seu coração, em sua alma. Sorriu para si mesma ao constatar isso, todo esse sentimento por aquele homem irritante, criança, mas incrivelmente paciente, admirável e amável. Precisava fazê-lo saber disso, mesmo que não a queira mais. Ele e tudo o que descobriu que sentia foram os motivos de fazê-la querer viver, de segurar-se ao prédio, de perceber o que estava perdendo em sua vida. Não mais! Foi mais que o suficiente.

Levantou-se rapidamente e correu o quanto pode pelas calçadas, embaixo daquele temporal. Ao avistar uma senhora saindo de um taxi para adentrar um prédio, não hesitou em pegá-lo, pois não havia encontrado outro veículo e ainda estava longe do loft de Castle. De acordo com o combinado, ele estaria lá e sozinho. Durante o percurso tentou ligar para ele inúmeras vezes, sem sucesso. Realmente, ele não queria falar com ela e com razão. O medo e a angústia começavam a tomar conta de todo seu ser. Mas ela deveria confiar no amor que Castle sentia por ela, pois é um sentimento que não poderia ir embora tão facilmente e ela iria fazer de tudo para consertar as coisas.

Chegando ao loft, Kate pagou o taxi e adentrou o edifício, não ligando para seu aspecto encharcado. O porteiro, por conhecê-la, permitiu sua entrada sem perguntas. No elevador, novamente tentou telefonar, sem sucesso, mas, mesmo assim, resolveu bater à sua porta.

“Beckett, o que você quer?” pega de surpresa pela frieza dele não teve outra alternativa a não ser responder com a verdade.

“Você!” e ela o beijou demonstrando todo o sentimento que tinha. “Sinto muito, Castle. Sinto muito.” Disse repetidamente, procurava fazê-lo entender que agora ela sabia tudo que ele tentava dizer em seu apartamento durante a discussão.

“O que aconteceu?” o escritor afastou-se dela, precisava observar os olhos de sua musa para compreender o que ela dizia.

“Ele escapou e eu nem me importei. Eu quase morri, mas só pensava em você.” Kate tentou beijá-lo, respirando seu cheiro tão desejado. “Eu só quero você”.

Como se a tempestade soubesse tudo que estava se passando naqueles corações, raios e trovões começaram a propagar-se com mais intensidade, enquanto eles se entregaram aos seus sentimentos mais profundos.

O amor não é fácil de achar. Às vezes ele machuca e muito. Pode levar algum tempo para conseguir, então você se vira e jura, ele sempre esteve lá, te esperando para ser seu, honestamente seu. Agora é muito mais que o suficiente.

Notas finais
Comentários são bem vindos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!