Não conte as margaridas
1 O que dói?
Notas iniciais
Tem a classificação de drama, mas o drama só vai estar no último capítulo, haha, terão muitos, portanto acompanhem, pois vai ser intrigante e até um pouco...Revoltante
Conheçam Milena, os problemas dela, os amigos, a família e bom...Seu enfermeiro. Espero que gostem, boa leitura :)
- Ok, pode deitar ali.
O médico disse me ajudando a levantar e me direcionando para a caminha.
O consultório era pequeno, era uma sala, com aquela caminha, um pequeno armário e a mesa dele com o computador.
Minha avó e minha mãe estavam sentadas em frente a mesa do doutor, nas duas cadeiras azuis.
- Se eu apertar aqui dói?
Ele pressionou a parte de baixo da minha barriga.
A dor foi tanta que quase chorei.
- Muito.
- Ok, e aqui?
E ele foi pressionando várias partes da minha barriga, e todas estavam doendo.
- Vou parar de mexer para não te incomodar mais.
- Ok.
Fui tentando sentar.
- Como tem um quadro familiar, eu prefiro a internação, quero investigar isso.
Minha mãe fez uma cara de culpa, sabia que ia chorar.
- Ok.
Eu disse.
- Vou começar a pedir os exames desde já para ela subir para o quarto rápido — Ele veio até mim e puxou meu olho — Vai tomar um soro também, está desidratada, vou mandar darem os remédios para dor.
Ao pensar em agulhas fiquei desesperada, tive vontade de chorar.
Ele abriu a porta de trás do consultório.
Minha mãe e minha avó me ajudaram a andar até os bancos de espera.
As duas foram pedir à alguém que me ajudasse logo, porquê minha barriga doía de mais.
Até uma das enfermeiras me mandar sentar numa das poltronas de soro.
Ao ver as três agulhas comecei a chorar.
A mulher parou de arrumar as agulhas.
- Espera! Ela tem que fazer o exame de sangue primeiro!
Puxou minha mãe e foi falar com ela um pouco mais distante de mim.
Depois de uns dois minutos, minha avó veio até mim.
- Ela foi pedir para fazerem os exames aqui.
Quinze minutos passaram e aquela dor paralisante continuava.
Se tratava de uma infeção intestinal aguda, não tem como descrever a dor, eram pontadas, e pressão juntas, pior do que uma simples cólica, era algo que me fazia querer ficar abraçada com a minha própria barriga, imóvel, sem mais nenhuma reação, mas aí que estava a ironia da infeção, a dor passava, do nada, sem precisar de remédios ou médicos, ela só vinha na hora que queria e ia na hora que queria.
Segundo o médico que me atendeu pela terceira vez, a dor se tratava de um impulso natural do meu intestino, era ele tentando se ajustar dentro do espaço dele, mas ele estava inchado.
Vinte minutos se passaram e minha mãe chegou me levantando.
- Você vai ter que ir até lá.
E nós duas fomos, minha avó ficou.
Todas as crianças passavam na minha frente, me faziam esperar mesmo com dor.
Minha avó chegou dizendo que a mulher dos remédios estava me procurando.
- Milena Vasconcellos.
O senhor que tiraria meu sangue me chamou.
Entrei com a minha avó, eu tinha um terrível medo de agulhas.
E "ele é um senhor, deve ter uma mão boa, vai ser rápido" disse ela, porém, o velhinho me furou três vezes até conseguir achar uma veia.
Saímos da sala. Meu braço doía. Corremos para o lugar do soro e dos remédios.
Sentei para me furarem de novo. Eu tinha medo, muito medo, chorei como uma condenada, doía de mais.
- Estão chamando ela pra fazer o outro exame.
Um garoto, ou homem com voz de garoto falou mais ao fundo.
A mulher ajeitou o soro e colocou os outros remédios que tiveram que ser autorizados por mim e ou pela minha mãe para injetarem em mim.
- Se ela não conseguir andar, vamos na cadeira de rodas.
- Não, ela consegue andar.
Disse minha mãe me ajudando a levantar.
Dei dois passos e disse que estava tonta, então o rapaz veio agilmente me colocar na cadeira de rodas.
- Da próxima vez que quiser paquerar alguém, certifique-se que ele não está furando o meu braço, viu dona Jamile?
Falei para a minha avó.
Eu, ela, minha mãe e o enfermeiro riram.
Andamos até a ala de raio-x, lá mandaram eu colocar uma camisola.
- Ah, ótimo!
Bufei tentando me levantar e ir para o trocador.
E o trocador era enormemente grande...Para uma formiga, mal eu entrava lá, e precisava de ajuda para trocar de roupas.
Minha mãe ficou na frente da porta, mas não cobria a visão de todos.
Tiramos minha roupa.
Vi o enfermeiro dando uma espiadinha, depois disfarçando. Ele tinha o que? Não mais que vinte e dois anos, estava bem na minha faixa de idade.
Colocamos a camisola de hospital e fui levada para a sala de exames.
Lá a moça me deitou, explicou como seria e me injetou a substância.
Ardia, dava um amargo na garganta e me fazia ter a sensação de que eu estava fazendo xixi, mas não era nada, segundo ela era normal.
O exame era um saco, eu tinha que respirar fundo, depois soltar, depois respirar fundo, e depois soltar, repetidamente, e isso doía.
Lembro de me levantar e conferir se a cama onde eu estava deitada, estava seca antes de sair da sala.
Depois saí, fui vestir minhas roupas.
O enfermeiro me levou para o lugar de soros e remédios de novo.
Me colocou num cantinho.
- Vou te deixar aqui, porque as poltronas estão todas ocupadas, ta?
- Ta, obrigada.
Ele ficou parado do meu lado olhando pro nada.
Soltei uma risadinha.
- O que foi?
- Nada...É chato ficar empurrando as pessoas de lá pra cá?
Ele riu.
- Não, vale mais pra faculdade, então é bom.
- Ah, está em qual?
- UnB.
Era a mesma que a minha.
- Eu também, que ano?
- Quinto ano de medicina, e você?
Ele sorriu.
- Segundo ano de história.
- Uhh, humanas...
- Uhh, saúde.
Rimos.
- Sou João Pedro.
Ele deu a mão para eu cumprimentar.
- Sou Milena.
Cumprimentei, mesmo que com a mão errada.
- Vai internar Milena?
- Provavelmente sim.
- Vamos continuar noa vendo por um tempo então.
- Parece que vamos.
Ficamos conversando por duas horas, isso é...Com pequenos intervalos de quando ele ia e vinha cuidando de outras pessoas.
Até darem três horas da manhã e chegarem os resultados dos exames.
Fui internada. O quarto era pequeno, ao lado da minha cama só tinha um sofá, que era onde meu acompanhante ficaria.
Minha avó passou aquela noite comigo enquanto minha mãe foi para casa me fazer uma mala.
No dia seguinte acordei para tomar o café, não tinha ninguém no quarto.
Meu celular estava tomando bateria ao lado da minha cama.
Peguei ele, todo mundo me mandando mensagem.
Passei o horário de visitas pra todo mundo.
Chamei a enfermeira, ela me trouxe uma gosma verde que era uma mistura de tubérculos, que era uma das únicas coisas que eu podia comer.
- Eca...
- Estava esperando um Big Mac?
Minha mãe disse entrando no quarto.
- Não...Mãe, meu pai sabe que estou aqui?
- Não, ele não me atendeu.
Peguei meu celular e mandei algumas mensagens pra ele.
- Não vai comer nada?
- Não.
Ela revirou os olhos e sentou no sofazinho dela tomando um milk shake.
Meu pai só me respondeu duas horas depois, quando eu estava vendo Harry Potter e a Câmara Secreta, disse que viria no dia seguinte.
Ele morava em outra cidade, meu pai era coronel do exército brasileiro, o que fazia minha paixão pelo militarismo crescer ainda mais.
Eu estudava história, mas só para conseguir fazer o concurso dos bombeiros, era meu sonho desde o fundamental.
Mais um tempo e me chamaram pro exame, adivinhem quem foi me buscar?
- Você não tem casa?
Perguntei para o tal João Pedro.
Rimos.
- Gosto do hospital, acho que dormi uma hora quando as coisas acalmaram.
- Hum...
- Mas vou hoje, depois do almoço e volto amanhã de tarde depois da aula.
- Quando isso acaba?
- Ser enfermeiro? Mês que vem.
- Ah...
Ele me levou pra perto da cozinha do hospital.
- Me espera aqui.
E travou a cadeira. Como caralhos eu sairia dali? Não sabia nem como tinha chegado lá.
Ele voltou.
- Toma.
Me deu biscoitos de água e sal.
- Obrigada?
- Você não pode fazer esse exame de barriga vazia.
Riu.
- Certo.
- Passei um pouco de manteiga nos biscoitos pra você comer com mais gosto.
Então fui comendo a caminho do exame.
E enquanto fazia o exame, fomos conversando.
- Mas e bichos? Você tem?
- Tenho um dálmata, o Pingo.
- Uh, por que Pingo?
- Acho que...Não sei porquê, por causa das pintas? Não sei.
Ele riu.
- Pingo é um bom nome.
Ele disse.
- E você?
Perguntei.
- Tenho um coelho, o nome dele é Joaquim...Não sou muito criativo.
Rimos, na verdade ele riu da minha risada, que foi muito alta, mas eu achei a ideia de morar com um coelho chamado Joaquim engraçada demais paraser verdade
- Ele é de que cor?
- Preto, bem grande.
Fez o tamanho com as mãos.
Peguei meu celular para mostrar Pingo á ele.
- Ele tem um olho azul bonito.
Ri.
- É, só um, o outro é castanho.
- Heterocromia!
- Sim!
Eu ri.
- Bonita falha.
- Igual a covinhas.
- E olhos verdes.
Sorriu.
O exame acabou depois disso.
- Horário de visitas, vamos voltar pro seu quarto e te vejo amanhã de tarde.
Chegamos no quarto, três dos meus melhores amigos me esperavam.
- Até amanhã.
Ele cochichou no meu ouvido me colocando na cama.
- Até.
Nemo sentou na minha cama.
- Ele é gatinho, vai pegar?
Ele estava na porta quando ela disse aquilo, eu o ouvi dar uma risadinha antes de sair.
- Nemo! — Chamei sua atenção — Cadê minha mãe?
- Foi comer, nos deixou aqui.
Riu se se esticou pra perto de mim.
- Vai ou não?
- É só um enfermeiro Nemo.
Guilherme deu um passo pra frente.
- Aquele é o João Pedro da 85° turma de medicina.
- Wow!
Bolacha disse.
- Pega!
Nemo reafirmou.
Esses são quase que meus amigos principais.
Esther, que ganhou o apelido de Nemo porque some toda hora e todos ficam a procurando, que estava fazendo Psicologia.
Guilherme, ou Gui, que tinha uma cara de moça, porém era um homem que tinha noiva e tudo, que estava fazendo biomedicina.
E Bolacha, ou Luisa, que ganhou o apelido por discutir pra ver se era bolacha ou biscoito com meu ex namorado, que fazia Letras.
Claro, não podemos deixar de lado o imbecil do meu ex namorado. Rafael ou babaca, como quiserem chamar, não passou na UnB, foi para uma faculdade particular, cursar psicologia, no turno noturno. Rafael fez a minha vida ficar linda e cheia de mimimi, e porpurina e unicórnios, até terminar comigo por causa da "distância", como se ele fosse pobre pra pagar três reais num ônibus para ir me ver, e nem isso, eu sempre ia, eu tinha carro. Quem me apresentou Rafael foi minha melhor amiga, desde o fim do ensino fundamental, Isabelly, ele era meio que parte do nosso convívio social.
- A Isa mandou flores.
Bolacha apontou pras flores.
- Não veio hoje porque estava estudando.
Nemo completou.
- Como se ADM fosse difícil.
Gui riu.
- Menos Guilherme.
Empurrei a cabeça dele.
- Mas e o João Pedro?
Nemo perguntou.
- Você me conhece de mais, preciso de amigos novos.
- Aqui no hospital só vai arrumar peguetes, por enquanto você só tem a nós, fale tudo.
Riu.
- Ah gente, ele é um fofo — Ri — Conversamos um tempão ontem e hoje e ele me deu bolachas, graças Deus, porquê a comida é uma merda, mas eu não estou afim de namorar nem ficar com ninguém, sério.
- Uh...Aqui no face tem umas paradas que ele escreve.
Bolacha disse olhando para o celular.
- Vocês não perdem tempo.
- Não.
Os três disseram rindo.
Ficamos conversando e rindo até meu pai chegar.
Ele realmente fez uma viagem para me ver, fiquei feliz.
Ele me trouxe flores e conversou comigo até minha mãe voltar.
Almocei, fiz mais uns exames, recebi uns remédios, recebi resultados, andei um pouco.
Daí já era quase noite. Minha mãe me ajudou a tomar banho.
Depois disso uma enfermeira veio trocar meu soro.
Fiquei mexendo no celular.
Gui: Mas e aí? Ele falou com você depois do horário de visitas?
Nemo: É! Fala!
Eu: Não, ele disse que volta amanhã...
Nemo: Hm...
Isa: Olhei o facebook dele todinho!!
Bolacha: Furinho no queixo ♥
Nemo: Ele tem um corpinho bacana e.e
Gui: Meu Deus...Parem de atacar o garoto, nunca viram um macho não?
Bolacha: Kkkkk, eu tô de boa, só falei que ele tem furinho no queixo!
Eu: Blablabla...Vocês vem amanhã?
Bolacha: O Diego me chamou pra ir no cinema, desculpa <\3
Diego era o novo ficante da Bolacha.
Gui: Vou estudar a tarde toda, depois vou provar alguns doces do casamento com a Amanda.
Amanda era a noiva de Guilherme.
Nemo: Eu vou com a Isa...
Nemo não estava namorando nem ficando com ninguém.
Nemo: Né Isa??
Isabelly estava namorando, mas o namorado nunca ficava na frente dos amigos.
Isa: Sim!! Desculpa não ter ido hoje, da aula nós vamos pra aí *-*
Eu: Tuuudo bem, dá pra vocês trazerem uns filmes e uns livros? Minha mãe me trouxe revistinhas da turma da Mônica :c
Nemo: KKKK, DÁ PRA PASSAR O TEMPO KKKK
Isa: Kkkk, levo Miles, pode deixar...
- Mi, quer ver um filme?
- Sim mãe, quais tem?
- Tem outro Harry Potter, tem aquele da menina das flechas, um de LEGO que eu peguei do seu irmão e outro chamado Cartas para Julieta.
- Jogos Vorazes...Mãe, porquê não foi na minha casa buscar minhas coisas?
- Porque era longe, e queria vir logo pra cá.
Funguei. Ela foi colocar o filme.
Eu morava num apartamento um pouco mais perto da faculdade, dividia o lugar e o aluguel com Nemo e Isa, era divertido e mais fácil.
Minha mãe morava mais longe, mais pra área rural da cidade.
Assisti metade do filme e caí no sono, me acordaram cedo para o último exame, comi e fui para a sala de exames, já andando.
Depois disso, pedi para andar um pouco pelo hospital, e falaram para eu esperar, pois alguém me acompanharia.
Fui para o meu quarto, fiquei lá lendo as revistinhas de turma da Mônica.
Alguém deu duas batidinhas na porta, mas nem eu nem minha mãe tivemos o incômodo de olhar pois estava aberta.
- Almoço.
- Já?
Olhei para o enfermeiro, que por acaso era o João Pedro.
- Sim.
Ele sorriu.
- Oi João!
Ri.
- Oi Milena!
Riu de volta.
- Tudo bom João?
- Tudo bom Milena, e com você?
- Tudo bom.
- Então bom.
- Bom...
Minha mãe levantou e caminhou para a porta.
- Adolescente é um bicho estranho.
E saiu.
João riu e olhou pra mim.
- Tem quantos anos Milena?
Ele perguntou enquanto arrumava minha comida.
- Dezoito.
- Tenho vinte e quatro.
- Mentira.
- É sério!
Riu.
- Te dou no máximo dezenove.
Rimos.
- Quer ver minha carteira?
Quase respondi que sim, ele tinha uma expressão muito jovem.
- Não, vou acreditar em você.
Comecei a comer.
- Vou descer pra ajudar lá em baixo, depois volto pra pegar os pratos sujos e conversamos direito.
Sorri, mas não respondi porque estava com comida na boca.
Peguei meu celular.
Eu: acho que ele só quer amizade gente...
Bolacha: :c
Bolacha: Pq?
Eu: Porque sei lá, só...Acho isso.
Gui: Não Miles, as vezes ele só quer te comer (Kkkkkk), para de se preocupar tanto, só sente a vibe e vive o momento e.e
Eu: ;-; ta
- Come tudo Milena, você precisa melhorar, está perdendo muita aula esses dias.
Minha mãe disse voltando pro quarto.
- Ok.
Continuei a comer.
Terminei e fui escovar meus dentes, quando estava voltando pra cama, dei de cara com João.
- Oi!
- Olá.
Ele estava com o prato nas mãos.
- Hey, você pode me fazer companhia para andar?
- Posso, assim que eu deixar os pratos no lugar, me espera aqui.
Esperei por dois minutos e ele voltou, saímos do quarto e começamos a andar pelo hospital.
- Qual seu sonho?
- Meio aleatória a pergunta, não?
- Um pouco, mas comum...E qual é a resposta?
Perguntei vendo ele olhar para os médicos que passavam.
- É esse.
Os apontou com os olhos.
- Por que?
- Sabe... Ajudar a curar as coisas, ajudar as pessoas a se sentirem melhores, não tem uma coisa melhor que essa, tem?
- Não sei...
- Eu sonho alto de mais as vezes.
Riu e olhou pra mim.
- Você vai realizar esse sonho.
Sorri o animando.
- E o seu?
- Quero seguir minha profissão e ter minha família, ter minha casa e meus filhos, sabe?
- Mas quer casar?
- Quero, você não?
- Não sei — Riu — Ainda não parei pra pensar nisso.
- Eu sempre quis engravidar e ter meus filhos e mimimi...
- Mas isso a gente pode resolver — Riu e piscou — Brincadeira!
Empurrei o ombro dele.
- É sério!
Ri.
- Sonho bonito...Que profissão?
- Quero ser bombeira.
- Uau, está aí uma coisa que não vemos todo dia! Mas porquê está cursando história?
- Sempre foi minha matéria preferida, amo historia.
- Mas não tem nada a ver com os bombeiros.
- Não mesmo, mas preciso de faculdade pra entrar na força.
- Ah...Saquei, caraca...Legal.
Conversamos até o horário de visitas chegar, aí ele me levou para o quarto.
Depois de um tempinho, Nemo e Isabelly chegaram, em seguida, três pessoas da família.
As meninas ficaram até o fim da visita, o pessoal da família me deu um abraço, desejou melhoras e foi embora.
Até o jantar, fiquei lendo o livro que Isabelly me trouxe, "Precisamos Falar Sobre Kevin", ótimo livro.
- Hora de comer de novo.
Olhei para o vulto alaranjado no prato e cubri meu rosto com o livro.
João riu e colocou a mesinha na cama para eu comer.
- Vamos fazer assim, eu pego esse livro e você pega essa comida.
- Não!
Ele pegou o livro.
- Como você olha pra essa capa? Dá medo. O que é isso? Um rato?
Ele virou o livro de lado.
- Um lobo...Ou cachorro, não sei.
Riu.
- Continua dando medo.
Ele deixou o livro na ponta da cama e ficou me esperando comer.
- Fala sobre um psicopata, sobre a mãe dele, é bem legal.
- Legal?
- É.
- Ótimo, estou cuidando de uma psicopata...
Minha mãe bufou.
- Pode ter certeza, cuidado se não ela te mata durante a noite.
Ele soltou uma risada nervosa e olhou pra mim.
- É...
- É brincadeira garoto, credo!
Minha mãe riu dele e continuou lendo sua revista de moda.
- Ok...
Comi, enquanto conversava com João, depois terminei e ele teve de ir ajudar no pronto socorro pelo resto da noite.
Naquela noite só encostei minha cabeça no travesseiro e dormi.
Acordei de manhã, bem cedo, porque a dor voltou. Chorei até o remédio que colocaram na minha veia fazer efeito, dormi pois era muito forte.
Quando acordei, assim que abri meus olhos dei de cara com Pedro ajeitando meu soro.
- Boa tarde.
Ele sorriu.
Me sentei na cama, estava meio tonta.
- Que horas são?
- Duas da tarde, vou pegar seu almoço.
Ele se virou, mas peguei em seu braço.
- Espera. — Ele me olhou estranho — Fica aqui. Por favor?
- Eu já volto, você tem que comer.
E depois de dois minutos ele voltou, me fez comer tudo e ficou comigo até meu remédio me fazer dormir de novo.
Acordei durante a noite, minha mãe estava dormindo no sofá.
Fiquei acordada até amanhecer, uma enfermeira me trouxe comida.
- Cadê o garoto?
Minha mãe perguntou a ela.
- O Pedrinho? Foi pra faculdade, só volta amanhã.
Respondeu sorrindo.
- Estou com fome.
Eu disse.
- Vou pegar sua comida.
Então ela trouxe e eu comi.
Minha tarde foi passando devagar, capítulo após capítulo do meu conteúdo, estudei muito.
No final da tarde, meu médico entrou no quarto.
- Tenho boas noticias Milena, você vai ser liberada amanhã de noite.
Eu sorri.
- Estou melhor?
Então ele tirou várias receitas e vários papeis de sua pastinha, revelando uma dieta rigorosa e muitas coisas chatas que eu faria quando saísse do hospital.
Me explicou tudo e me deixou na cama.
Depois fui andar um pouco mais pelo hospital.
Não dormi muito naquela noite, estava animada para voltar pra casa.
Minha mãe saiu, disse que voltaria ás quatro, na hora de me liberarem.
Fiquei no quarto estudando, João apareceu com o meu almoço.
Ele ficou enrolando lá, conversando comigo, até o chamarem em outro lugar.
Algum tempo passou e minha mãe voltou, arrumando as minhas coisas numa mala e ajeitando o quarto.
- Está na hora de ir.
Pedro disse empurrando uma cadeira de rodas para o quarto.
- A cadeira não é necessária.
Eu ri.
- Ok.
Ele disse e me ajudou a levantar da cama.
Eu estava com uma calça de moletom e uma blusa grande que era do Guilherme.
- Que roupa bonita.
Ele riu.
- Estou como uma princesa.
Fiz uma cara de "diva".
- Claro.
Rimos.
Ele foi andando comigo, me segurando, para eu não cair no meio do caminho.
- Vou buscar o carro, esperem aqui os dois.
Minha mãe disse.
Ele sorriu para ela e ficou me olhando depois.
- O que foi?
- Nada.
Riu.
- Fala João!
Ri.
- Você vai pra casa.
- E você está triste?
Rimos.
- Claro que não, mas você...Podia me dar seu telefone, né?Pra a gente sair qualquer dia?
- Anota aí.
Ele pegou o celular e pediu para que eu anotasse.
- Ok.
Sorriu.
- Podemos sair pra almoçar, depois da faculdade.
- Sua última aula acaba que horas na segunda?
- Uma e meia.
- Vou estar na biblioteca, quando a sua aula acabar, vai pra lá, depois a gente vai almoçar, ok?
- Ok.
Sorri.
Minha mãe chegou com o carro, beijei a bochecha de João, o agradeci e entrei no carro.
- Estou de olho.
Minha mãe disse avançando.
- Me deixa em casa?
- Não,se você for pra sua casa só vai comer besteira.
- Mas é a minha casa.
- Milena...
- É sério mãe, preciso estudar.
- Ok.
E ela foi me levando para casa.
O caminho era longo,liguei o 3g do celular.
desconhecido: Só conferindo se você não me deu o número errado e.e
Eu ri, minha mãe achou estranho.
Eu: Bom, eu não te enganei, kk
Anotei o número dele.
Pedro: Acho bom, kk

Notas finais
E a resposta para a pergunta que provavelmente não fizeram, é sim, vou colocar uma imagem ou GIF todo final de capítulo, porque eu sou muito meiga ♥
Sou toda ouvidos para qualquer opinião, obrigada por sua leitura ♥
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