Notas iniciais
Aqui está mais um capítulo depois de muito tempo. Espero que gostem ♥

Parte 1. –???

A mulher acordava após uma noite agitada. Ela abriu os olhos sonolentos e se espreguiçou preguiçosamente. Conseguia ver sua companheira sentada em uma poltrona e um rapaz deitado ao seu lado. Ao se sentar na cama, pôde perceber que estava coberto de sangue.

–Tenho pena dele. –A companheira falou, enquanto se sentava nos pés da cama. –Pelo menos teve um beijo antes de partir.

–O que você fez com ele? –A mulher indagou com uma voz um pouco chorosa.

–Eu não. Nós.

–Eu não quero mais participar disso. –Uma lágrima escorreu. –Por que me obriga a fazer tamanha imundice?

–Ah, querida. –A outra mulher passou a mão em seu cabelo. –Você sabe quem está no comando.

–Eu não vou continuar seguindo as suas ordens! –Ela deu um tapa na mão da companheira. –Eu vou arranjar um jeito de...

–Você não vai fazer nada.

–Como tem tanta certeza? Eu posso pedir ajuda.

–Ajuda a quem? –A outra riu. –Você também está metida nisso!

–Prefiro ser presa a continuar fazendo tudo que manda. Pelo menos na cadeia, você terá limites.

–Mesmo que conte, nunca trará ninguém de volta a vida. –A mulher se arrastou pela cama, ficando ao lado do rapaz morto. –Eles sempre caem na armadilha.

–Não vou continuar vendo você matar mais inocentes.

–Lá vem o “você” de novo...

–Olha, quer saber, aguarde o momento em que será presa.

–Seremos. –A outra corrigiu e deu um beijo demorado nos lábios do rapaz despido e sem vida.

–Você é doente. –A moça se levantou da cama.

–Cale a boca e vá para o seu emprego medíocre. –A mulher riu e continuou fazendo carinho no corpo do homem.

A mulher tinha vontade de gritar, mas apenas se dirigiu ao banheiro.

Este segredo era cruel. Será que precisava guardá-lo?

Parte 2. –Uma semana depois do encontro do bar.

Jones andava rapidamente pela calçada do centro da cidade. Estava procurando o seu parceiro Harris, que dizia estar o esperando para que conversassem com um rapaz que havia encontrado outro corpo.

Ele avistou o seu companheiro numa esquina, acenando para ele. Jones acelerou o passo e foi até o seu amigo, que vestia uma camisa social branca, uma gravata amarela bebê e uma calça preta. Harris tinha olhos azuis escuros e cabelo castanho penteado para trás. Também tinha uma barba aparada.

–Onde ele está? –Jones perguntou, já que seu amigo não tinha nenhuma companhia.

–Ele está dentro deste restaurante. –Harris apontou para o estabelecimento da esquina. Jones não havia reparado que era um restaurante. –Marcou um almoço para falar sobre o acontecimento.

–Almoço? Mas para que? Só queremos falar sobre o caso.

–Também não entendi, mas vai que é coisa de família.

–Vamos levá-lo para a delegacia e...

–Jones. –Harris colocou a mão sobre o ombro do amigo. –É comida de graça. Vamos logo.

Jones concordou em prosseguir de acordo com o que o amigo queria. Harris foi à frente e abriu a porta de vidro, com Jones logo atrás o seguindo. Passaram por várias mesas e pararam em uma mesa com um homem que aparentava cinquenta e dois anos. Tinha vários fios brancos entre o cabelo castanho claro. O mesmo acontecia com o bigode grande bem abaixo do seu nariz.

O homem se levantou e cumprimentou Jones.

–Este aqui é o meu companheiro. –Harris falou.

–Prazer, Jones Golan. –O policial apertou a mão do homem.

–Prazer também. Orlando Rodik. –O senhor retribuiu o gesto.

Todos os três se sentaram novamente. Pediram um almoço simples e começaram a conversar sobre o assunto que interessava aos dois policiais. Harris retirou um pequeno bloco de notas do seu bolso e retirou a tampa da sua caneta, já se preparando para escrever algo. Jones ligou o gravador.

–Onde você encontrou o corpo? –Harris perguntou.

–Eu estava fazendo minha caminhada matinal. Vou sempre até aquele local onde ficam os pescadores, sabe?

–No oeste da cidade? –Jones franziu o cenho.

–Sim, aonde tem aqueles píeres de madeira. –O homem tomou um gole do seu suco. –Aquele lugar é cheio de lixeiras gigantes e entulho, mas naquele dia tinha um fedor pior do que todos os outros. Eu pretendia ignorar, mas a curiosidade foi maior.

–O corpo estava despido? –Jones questionou.

–Sim, totalmente nu.

–E era um...

–Homem. –Orlando complementou.

–O assassino continua atacando o mesmo padrão de pessoas. –Harris parecia pensativo.

–O senhor mora por aqueles lados da cidade? –Jones perguntou.

–Não, eu moro na avenida principal, mas vou lá pela manhã já que é mais calmo.

–Durante alguma das caminhadas você percebeu alguma coisa estranha?

–Não, nunca percebi nada fora do comum. Só as mesmas coisas de sempre.

–Conhece alguém que mora daqueles lados da cidade?

–Também não. Boa parte da minha família mora no exterior por...

Jones olhou aleatoriamente ao redor de si. Ficou em um pequeno transe enquanto observava os outros clientes que estavam no restaurante. Surpreendeu-se ao perceber uma moça de cabelo castanho sentada em uma das mesas. Ela estava de costas, não conseguia ver Jones.

–Com licença, eu preciso falar com uma pessoa.

O rapaz tinha um sorriso estampado no rosto. Mal ouviu as reclamações de Harris.

Ele caminhou até a moça e então a cutucou no ombro. Uma felicidade instalou no seu corpo quando viu os olhos verdes curiosos.

–Andy. –Ele tentou conter a alegria.

A mulher continuou o observando. Estava com óculos e cabelo preso num coque bagunçado, parecia uma pessoa totalmente diferente. Usava o mesmo casaco azul felpudo, mas agora vestia uma saia reta azul e uma camisa de botão com listras pretas e brancas.

–Não se lembra de mim?

–Lembro sim. –Jones ficou mais feliz ao ouvir esta frase. –James...?

–Jones. –Ele consertou. –Faz tanto tempo que te vejo. Quase achei que era uma ilusão.

A garota sorriu e indicou o lugar na frente para que ele sentasse.

–Está sozinha? –Ele arrastou a cadeira e se sentou.

–Sim. Como sempre.

–O que fez durante esse tempo todo que ficamos sem nos ver?

–O de sempre. –Ela brincou com o saleiro. –Foi uma semana de negócios bem agitada.

–Deve ter tido um grande trabalho como secretária.

–Foram várias reuniões e encontros entre empresas. –A mulher respirou fundo. –E você?

–Estamos avançando no caso. –Ele acenou para o seu parceiro. –Aquele ali é o Harris.

Andy se virou e olhou para trás e viu o homem de gravata amarela bebê. Soltou um aceno e voltou a olhar para Jones.

–Ele parece bravo. –Andy comentou.

–Eu tenho que voltar para...

–Tudo bem. –Ela sorriu. –Sem problemas.

–Que tal um jantar hoje? –Ele se levantou, mas não tirou os olhos da moça. –Eu vou te buscar no seu trabalho. Que horas você sai?

–H-Hoje?

–Sim, hoje. Pode ser?

–Claro... –Ela retirou uma caneta da sua bolsa e escreveu o local no guardanapo. –18 horas.

Jones observou as letras cursivas e bem desenhadas. Torre Loirney. Sala 178.

–Estarei lá. –Ele sorriu.

–Até mais tarde. –Ela estava com as bochechas coradas.

Parte 3. –Rua Ernis em frente à Torre Loirney. 18 horas.

Jones estacionou seu carro em frente a um grande prédio com portas giratórias de vidro. Dava para ver que a construção era cheio de janelas de vidro, ou seja, tinha várias salas. Ele deu uma última olhada no espelho retrovisor e saiu do carro.

Atravessou as portas giratórias e entrou em um grande salão com piso liso e bem limpo. Havia algumas pilastras bonitas, dois elevadores de cada lado e um balcão de mármore. Jones caminhou até as duas atendentes que estavam no balcão. Uma atendia uma senhora.

–Olá, boa noite. –Ele cumprimentou a mulher que estava desocupada. –Eu gostaria de... Moça?

A mulher estava digitando no telefone e mal olhava o policial.

–Com licença. –Ele continuou.

Ela ergueu os olhos sonolentos para Jones.

–Sim?

–Pode me dizer em que sala Andy trabalha?

Andy de quê?

–Eu não sei o sobrenome dela. Tem alguma pessoa com esse nome na lista de funcionários?

–Não. –Ela cerrou os olhos. –Mas tem uma Andrya Turner.

–Deve ser ela.

–Quinto andar.

–Obrigado.

O policial seguiu até o elevador, que não demorou muito para abrir. Outra mulher estava sentada em um banco ao lado do painel do elevador.

–Qual andar, senhor?

–Quinto.

Ambos ficaram em silencio enquanto o elevador subia de andar em andar. Um barulho soou quando finalmente chegaram ao destino. Jones saiu do elevador e encontrou um corredor com várias salas com portas de vidro.

Puxou novamente o guardanapo do bolso. Sala 178. Estava bem no final do corredor.

Quando chegou até a porta de Andy, deu três batidas.

Esperou um tempo até que um senhor abriu a porta. Deveria ser o chefe da moça.

–Boa tarde. –O homem falou.

–É aqui que trabalha Andrya Turner? Uma mulher com cabelos castanhos e olhos verdes?

–Sim, mas ela já se foi há um bom tempo.

–Deixou algum recado?

–Não, nenhum. Sinto muito.

–Obrigado mesmo assim.

–É o namorado dela? –O homem perguntou para Jones.

–Não, eu só queria chamá-la para jantar. Ela falou sobre algum namorado?

–Não. Na verdade, eu ficaria surpreso se Andrya estivesse com algum homem.

–Por quê?

–Já apareceram vários aqui, mas ela nunca fica com nenhum deles. Parece ter algum tipo de segredo.

Jones ficou calado. Não sabia por que o homem havia contado aquilo para ele, mas fazia sentido.

–Obrigado. –Jones repetiu.

Desta vez, o elevador que pegou estava cheio. Jones ficou em silencio, pensando em Andy.

Decidiu seguir sua vida, pensar mais no trabalho.

Se Andy tivesse algo haver com os assassinatos, ele iria descobrir. Mais cedo ou mais tarde.

Notas finais
Até o próximo ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.