Notas iniciais
Hey, como vão? Espero que gostem desse história, obrigada deste de já pela leitura ❤. Recomendo que leiam ouvindo a musica, Ikanaide (Don´t Go), não obrigatório. Obs: Peguei uma tradução errada da música, peço desculpas por isso amiga secreta, mas espero que goste ❤. Obs²: Tem o link da música no começo, só clicar. Boa leitura ❤. História editada com algumas partes reescritas ❤.

Ikanaide -Don´t go

Nandemonai to kuchi o tsugunda
Honto wa chotto ashi o tometakute
Dake domo kimi wa hayaa shidesu tto mae o ikukara
Boku wa sore o mitsumeteru
Saishuu bin kimi wa noru boku o oite tte
Hashiridasu yukkuri to jimen ga zureteiku
Naicha dame naicha dame demo honto wa iitai yo
Ikanaide

O mundo é como um enorme vale de escolhas: com sombras e mortes, luzes e vidas, fazendo-nos termos escolhas e pedidos, que as vezes soam dolorosos, temos que escolher caminhos, pessoas, temos que pedir para dar certo, para não irem embora, para entenderem, compreenderem, para não desistirem. E temos que acreditar nisso fielmente, pois apesar de não parecer a vida talvez tenha um lado bom, não é? Mesmo quando tudo estiver perdido, estraçalhado, acabado, findado.

Os pingos de chuva foram se intensificando ao longo dos minutos harmonizando o ambiente com trovões ao longes e relâmpagos que de vez em quando rasgavam o céu escuro pela noite sem o brilho das estrelas e da lua, parecia que estava chorando comigo neste dia. Deitado naquela cama, embolado no cobertor em uma posição quase fetal, as luzes desligadas do cômodo assim como a casa toda estava mergulhada no escuro, pretendo meus olhos inquietos na janela, como se pudesse ver o mundo lá fora através da cortina e das paredes, perguntava-me no meu intimo o porquê de algumas coisas, fecho os olhos e me encolho um pouco mais pelo barulho de um trovão mais perto, logo as lembranças me invadem sem pedir nenhuma autorização para tal ato.

“- Crianças, vamos – Ouve-se passos apressados e risos, portas sendo abertas e fechadas, abraços apertados e pedidos de cuidado, logo duas crianças, irmãos com a diferença de idade pequena, o mais novo com 9 e o mais velho com 13 anos, cabelos castanhos com alguns cachinhos não tão definidos, olhos também eram em tonalidades de castanhos, se encontravam no banco de trás de um carro familiar, seguros com o sinto de segurança, na frente, os pais iam com sorrisos e olhares apaixonados, conversando coisas banais, falando em como é bom passar o dia em família, embalados por uma música que soava da rádio sintonizada. Logo as férias acabariam, então estavam finalizando as visitas familiares frequentes a serem feitas nas férias por eles.

—Animados para voltarem a aula em duas semanas? – Perguntou de um jeito divertido Helena, a mãe da família, sabendo de cor qual seria a resposta das crianças, Bernardo o caçula, e Max o mais velho.

—Não – Um sonoro não veio como previsto pelos pais das crianças. O fato é que as férias estavam boas demais para acabar segundo as crianças.

—Com o fim das férias, vem coisas boas também. Escola é uma delas. –Heitor, o pai da família, falou sem desviar o olhar da estrada já que dirigia, era notório que sorria, as crianças fizeram uma careta, a mãe gargalhou. Eles estavam na fase de não curtirem muito o ambiente escolar por mais que fossem bons alunos e pequenos.

O clima festivo e leve, regado a músicas, conversas e risos acabou de uma maneira súbita, tudo aconteceu muito rápido, rápido demais para a mente e olhos humanos entender o que deveria fazer, vinha um caminhão contrário ao sentido do carro, um cervo atravessou na frente, obrigando o carro da família e o caminhão desviarem, o susto regrado a preocupação com a segurança fizeram os motoristas entrarem em alerta, mas ainda sim perderam o controle dos veículos, ocasionando um grave acidente, o veículo de passeio rodou na pista, saindo da parte extrema de sua mão o acostamento, e invadindo até o outro extremo, do outro lado da rodovia, onde o caminhão se recuperava do desvio feito no cervo de forma rápida, o carro que protegia uma família feliz há alguns instantes, se fixou na parte traseira do caminhão que era ocupado somente por seu dirigente.

Um cervo que fugia de um incêndio em seu próprio habitat não longe dali; uma perda de controle da direção de dois veículos, freios que não responderam, preocupações frustações notáveis. Todos ficaram marcados, além dos veículos, pois os arranhões e partes quebradas estavam por toda parte, um caminhoneiro tentava entender e se culpava de forma quase que inconscientemente, um cervo que perdeu seu lar e talvez sua família agora vagava ali perto, duas crianças órfãos que por mais que os anos passassem as imagens não sumiriam. As marcas, imagens e sentimentos não sumiriam de nenhum deles que se envolveram de forma trágica e caótica naquele fim de tarde. ”

Voltar a vida depois do acidente não foi fácil, saímos da escola em férias, como uma família completam e retornamos órfãos, é ninguém entende muito bem a dor de perder alguém que amamos, a dor de perder ainda com idades pequenas pessoas que deveriam nós ver formar na escola e faculdade, vibrar com as conquistas por mais pequenas que fossem dar conselhos e colo para chorar quando necessário, nosso lar, segurança e ponto fixo de felicidade. Era tudo confuso, complicado, e de repente, tudo também era frio demais, sem sentido demais, de repente não tínhamos pais e nada fazia sentido, a saudade sufocava, tínhamos por algumas semanas, que eles voltariam para nós, a vida passou a ser muito mais parada então quando a fase de negação chegava ao seu fim, não possuímos os risos nos almoços ou nos jantares que costumava ser regados a conversas e comidas gostosas, não tínhamos mais vontade de falar, qual sentido de falar se não tínhamos os ouvidos que mais apreciavam nossas vozes? Quando o trágico acidente aconteceu, ficamos muito mais amigos da solidão, próximos demais da escuridão, tornemos tímidos e subjugados, crises de choros e raiva, questionamentos íntimos que não foram respondidos, a vida realmente perdeu a cor para nós, antes tão alegre e cheia de tons, agora variava somente no preto e cinza, acho que isso contribuiu para que uma parte morresse em meu irmão, porque morreu em mim também. Aparentemente a sociedade não se importam muito com os órfãos, ou em como ficam emocionalmente e psicologicamente após traumas severos, quem sabe realmente uma grande parte da sociedade seja muito mais fria que aparenta ser em relação a outros humanos.

Tooku e to kieteiku boku o oite tte
Mou zuibun mienai yo yoru ga kuzureteiku
Naicha dame naicha dame demo honto wa iitai yo
Ikanaide

Matsuri mo owareba itsumo tomo onaji
Kawaranu yoru ga kurunda to shitta
Dakedomo kimi wa itsumo yori zutto iroppoku miete
Boku wa sore o mitsumeteru

A várias formas de libertar-se da dor, depende somente de como vai aplicar suas formas, muitos conseguem com apoio e amor alheios sair dessa zona dolorosa, outros ficam eternos em sua amargura, muitos simplesmente desistem. Tudo depende de uma escolha, o que diz, o que fazer, como dizer, como fazer, por que dizer, por que fazer, por que ir, por que ficar? Indaga-nos, muitas questões, porém, é as respostas? Cada qual precisa saber o que é melhor por si mesmo, é o amor alheio que vai de fazer bem? Então, porque não se aventurar nele? E sua eterna amargura que lhe satisfaz? Ótimo, mas até quando ela vai lhe satisfazer? A dor da perda é alucinante, mas desistir é uma boa opção? Depende do ponto de vista de cada qual e de como quer reagir ou se querem realmente reagir a isso. Pessoas que sofrem sabem a dor que carregam, o fardo de cada uma delas, elas sabem que as cicatrizes ainda doem, elas sabem que talvez isso nunca vá realmente passar, porque de fato não passa, tudo ali fica latejando, você só aceita e se conforta porque sabe que não pode voltar no tempo e mudar as coisas.

Jikan dake ga sugiteiku boku o tsurete tte
Kaeri michi kurai keredo hitori de daijoubu kana
Gaitou ni terasarete kage ga dekiteiru
Hitoribotchi sa

Tooku e to kieteiku boku o oite tte
Kanzen ni matakondo yoru ga nijindeiku
Naicha dame naicha dame demo honto wa iitai yo

O que escolhemos naquela época, foi tentar o amor, o amor da família que restava e estavam dispostos a nós dar essa ponta de amor, e de poucos amigos próximos que resistiram a todos os processos do luto, mais éramos inocentes demais para entender que talvez o tempo realmente cicatrizasse as feridas deixadas abertas, meu irmão mais velho arranjou seu meio de escape, música e desenhos, eu ainda buscava a minha rota de fuga que me ajudasse de forma mais efetiva, porque eu tenho a sensação de que ainda era aquele garotinho assustado de 9 anos.

Acabamos adquirindo demônios e fantasmas do passado, uns mais amistosos que outros. Quando Max foi fazer os testes para sua carta de direção, ele obteve problemas para dirigir, assim como eu tive a duas semanas para a carta de direção. O medo de perder pessoas próximas, neste caso, nossa tia por parte materna, tia Lauren, pois foi ela que teve primeiro a audácia de querer eu e Max após o acidente, ela também sofria com a perda da sua irmã mais nova e de seu cunhado, porém ela foi a rocha que nós apegamos deste aquele dia, então o medo de perde-la é algo que arde e queima na alma, acho que eu e Max também somos uma rocha para ela.

A chuva não diminuía em nada, pelo contrário, aumentou consideravelmente, ainda embolado na posição quase fetal, lagrimas e memorias me trazendo o passado alegre e festivo, doloroso pois não o tenho mais, me questiono um pouco mais sobre algumas coisas como por que algumas coisas acontecem de uma forma tão intensas assim? Será que pode ser uma forma de castigo? Mas castigo por quais motivos? Ou seria somente situações aleatórias sem quaisquer pretensões e somos um acaso do destino? Não saberei as respostas e não tenho uma certeza absoluta se realmente quero saber.

Sinto corpos se remexerem ao meu lado, Tia Lauren está do meu lado direito e Max do lado esquerdo, cada qual embolado em um cobertor, eles se movem tentando ficar mais confortáveis na cama de casal ocupada por três pessoas. Deslizo minhas mãos pelos cobertores, sentido o calor de cada um além do meu próprio, busco pelas mãos deles, quando as acho, entrelaço os dedos, me movimento ficando de barriga para cima e com as pernas esticadas, Max e Lauren também se movem, se esticando ao meu lado, eles agora estavam deitados de lado, Max tinha a cabeça em meu ombro, e o ombro de Lauren apoiava a minha cabeça, as pernas de nós três era uma mistura agora que estavam juntas assim como os cobertores. Lauren encostou a cabeça na minha, um aperto suave passou pelas mãos dadas.

Dez anos do acidente, agora com dezesseis anos, Max com os seus dezoito e Lauren beirando aos trinta, renovamos a promessa de forma silenciosa: Não importa o tempo que passar, se a dor diminuir ou simplesmente nos acostumarmos com ela, estaremos juntos, como um conjunto de rochas em um arquipélago, se protegendo e dando forças um ou outro. Pois há dez anos, Max e eu ganhamos uma nova figura materna/paterna quando perdemos nossos pais, Lauren perdeu Helena e Heitor ganhando duas crianças, nas quais ela lutou para salvar da escuridão enquanto lutava contra sua própria escuridão. Uma família estranha foi formada, quebrada, crises surgiram e foram superadas, demônios ainda vagavam por ali, mas estava tudo okay agora. Estávamos juntos e não iríamos a lugar algum sem o outro. É esse era um dos pedidos que fazíamos ali no nosso jeito de arquipélago de rochas de ser, não vá!

Meus pais estão e estarão eternizados em memorias e fotografias isso faz as coisas ficarem um pouquinho mais confortável, por fim a chuva caiu durante toda a madrugada, o silencio reinou por altas horas até que o sono foi vencendo cada um, no outro dia a vida, a dor e o amor estava ali.

Tooku e to kieteiku boku o oite tte
Kanzen ni matakondo yoru ga nijindeiku
Naicha dame naicha dame demo honto wa iitai yo
Ikanaide

Notas finais
Espero que tenham gostado, obrigada por lerem até aqui ❤. Comentários são bem vindos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!