Estava esparramado no sofá assistindo meu programa favorito quando ouço o barulho irritante da campainha, abro a porta rapidamente me deparando com um certo individuo de cabelos esbranquiçados. Não imagina minha surpresa ao sentir o bafo horrendo de álcool saindo por aquela boca tão fina e delicada, um abraço atrapalhado foi o que recebi, a surpresa ainda estava estampada em meu rosto, as palavras desconexas que ele soltava no ar me surpreendia cada vez mais, meu rosto se tornava por inteiro carmesim. Sempre desconfiei dos verdadeiros motivos dele sair comigo, mas achava que era pela amizade, afinal sempre fomos amigos, desde os meus três anos, porém parece que para ele a amizade já não era o suficiente.

Mais alguns tropeções, seus braços agarrando fortemente os meus, seu suor e seu peso me faziam tombar em meio à confusão. Um sofá, droga, eu cai, ele caiu, móvel maldito, preciso o fazer tomar banho antes que ele faça algo que se arrependa depois, não que eu não queira, muito pelo contrario sempre gostei dele, mas ele estava bêbado e convenhamos isso seria vergonhoso no dia seguinte. Levanta logo seu estúpido! Esta me sufocando. Mais palavras vergonhosas, consigo o empurrar e o levar até a escada, ok agora só chegar ao topo. Vamos! Primeiro degrau, segundo, respira e se acalma, finja que ele é como uma pena, você aguenta, mentira esse cara é pesado pra caramba! Finalmente o topo, o banheiro se aproxima e sinto sua boca se movendo em meu pescoço. Pare com isso! Ligo o chuveiro e o empurro para debaixo da água. Ele sai rapidamente dela e vem em minha direção, me puxa, sinto a água escorrer por minha camisa, agora já molhada, a tiro tentando não molhar minhas calças também.

Por favor, colabore comigo! Suplico uma ultima vez ao meu suposto amigo apaixonado, ele como todo bom bêbado ignora minhas palavras me levando, novamente, para debaixo da água escaldante do chuveiro. Sua boca finalmente encontra a minha e por um milionésimo de segundo, ou talvez um pouco mais, me deixo apreciar aquele momento, o cheiro de bebida parecia ter repentinamente sumido, até seu gosto mostrava-se ser doce e refrescante.

No dia seguinte acordei com um barulho irritante vindo do meu lado, uma mala sendo aberta, um objeto sendo tirado. Pera, para que ele precisa de um revolver? Droga a bebida não fazia bem a ninguém. O que você esta fazendo com isso Sebastian? Gritei sentindo o ar sair como uma bomba de meus pulmões, maldita hora que fui dormir com ele. Ah! Isso? É apenas para satisfazer os meus próprios desejos, que no caso são de te ver em um caixão. Isso realmente não era o que eu esperava, nunca pensei que meu colega de infância, meu vizinho, meu nunca possível futuro namorado fosse falar uma coisa dessas. O pânico, obviamente se fez presente em meu ser, em um verdadeiro estado de choque se encontrava minha mente, seu olhar permanecia em meu rosto, mas não em meus olhos parecia evitar o contato direto. Acordo, levantando depressa esquecendo que estava sem minhas roupas e corro em direção à porta evitando esbarrar na maldita quina da cama. Passos atrás de mim, uma risada. O que? Uma risada. Me viro ao mesmo sem parar de correr em direção as escadas. Sirenes, a policia apareceu, graças a deus. Droga mas porque ele fez isso, ele disse tantas coisas boas ontem de noite, maldito garoto ingênuo que sou, sempre acredito nas pessoas. Ele ainda ri e aponta em minha direção, dispara. Sinto minha vida se tornado o nada, minha visão fica escura. Um segundo se passa, abro o olho e ele continua a sorrir. Foi uma brincadeira, seu idiota! Você tinha que ver sua cara enquanto gritava: NÃO ME MATE! EU ACHEI QUE VOCÊ GOSTASSE DE MIM! Relaxe meu amor, eu nunca faria isso com você.

Alivio, meu corpo começa a se acostumar com a ideia de que aquilo fora somente uma brincadeira, ele se aproxima seus olhos azuis se focam nos meus, a arma de brinquedo permanece em suas mãos, seu rosto tão perto, seu cheiro tão extasiante e seus lábios tão macios. Um barulho ensurdecedor, abro meus olhos, nem me lembrava de fecha-los, sinto o cheiro de ferro no ar e tudo em vermelho. O corpo ainda nu do meu melhor amigo, amante e possível futuro namorado, se encontra caído aos meus pés, seu peito manchado de vermelho. Desespero, meu peito parece se sufocar com chamas inexistentes, invisíveis. Uma raiva corroendo minha carne, olho através da janela para o culpado. As sirenes continuavam a invadir meu ouvido de forma violenta e quase enlouquecedora, o ódio ainda encontrava-se presente, alguns passos, gritos.

Acalme-se senhor, ele não te fará mais nada de ruim. Meu sangue parecia queimar sobe minha pele, raiva, raiva, raiva e somente raiva me movia, por instinto avanço para o primeiro policial. O derrubo escada abaixo levando mais dois. Fácil demais. Abaixo-me apenas para pegar um revolver, confiro sua veracidade, atiro, acerto o quarto policial. É me parece ser um verdadeiro. Caminho para a porta da frente, não a mais policiais, interessante, abro aporta e nada. Continuo a andar em direção do assassino de Sebastian. Um garoto de cabelos castanhos interrompe meus passos. Ei senhor! Você esta melhor? Aquele cara de cabelo branco com o revolver não te fez nada, né? O ódio volta. Como aquela criança se atreve a culpar Sebastian de algo? Aponto, mirando entre os olhos castanhos daquele menino. Calor, olhos verdes, braços fortes. Sebastian! Sinto ele do meu lado, suas mãos acolhedoras empurrando de maneira branda meu braço armado, deixo-me levar por seu toque gentil, por seu sorriso bobo, mas logo isso desaparece, ele desaparece, me lembro do seu corpo sem vida no chão, do culpado, culpado, tenho que mata-lo. Desvio do menino ignorando sua cara de terror. Maldito seja esse policial! Ele aparece e não poderia ser melhor, desarmado, como é estúpido, levanto minhas mãos mirando em seu coração, sentindo todas as minhas emoções se acumularem em meu peito. Atiro, mas não antes dele sussurrar: Fogo!

Uma ultima frase se forma em meus lábios: Não te-teve graça, Sebas..tian!


Notas finais
Minha segunda história e por incrível que pareça estou melhorando! Espero que tenham gostado, se alguém por acaso ler, comente e me deixe feliz. Até mesmo críticas me deixam feliz!
Kisu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!