Notas iniciais
Olá meninas, como vão? O que acharam do final da Copa? Eu sinceramente queria que o Brasil tivesse ganhado, mas infelizmente este não foi o caso e tbm a Argentina tbm não ganhou, tomara que na próxima Copa tenhamos mais sorte do que esta. Pois bem gostaria de agradecer pelos comentários deixados e tbm gostaria de desejar as boas vindas a Fraan Goran por acompanhar a fic, agora chega de lero lero e vamos a fic.

[RECAPITULANDO]

Várias vezes, enquanto tentava alimentar-se, enquanto amamentava o bebê e a acomodava em seu cesto, examinou as sofríveis opções. E em cada vez, chegava à conclusão de que não tinha escolha. Ofereceria todas as explicações à mãe de Fitzwilliam Bingley e rezaria pelo melhor.

O que poderia acontecer de pior?

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— Netherfield, Meryton

Mary Bingley, vestida de negro e com os olhos inchados, recebeu Jane com os braços abertos. Ao levantar-se e apoiar o peso do corpo sobre a perna saudável para se deixar abraçar, Jane sou­be que aquilo era o pior que podia ter acontecido.

A mulher baixa e delicada cheirava a violetas e cânfora. Os seios fartos tremiam contra o peito de Jane enquanto ela soluçava sem pudor. Para sua surpresa, lágrimas brotaram de seus olhos e ela aceitou o lenço perfumado oferecido por uma criada.

Mary afastou-se, limpou os olhos e deixou-a sen­tar-se novamente, mas reteve sua mão.

— Você é tão bela quanto Fitzwilliam descreveu em suas cartas — disse com voz embargada. O rosto redondo contorceu-se numa careta de dor e Charles tomou-a nos braços. Quando ergueu o rosto dos cabelos grisalhos da mãe, havia lágrimas em seus olhos escuros.

Jane sentiu-se triste pelos dois. A culpa era como uma espada cravada em seu peito. Não con­seguia encarar Charles. Como diria as palavras? Se ao menos ele as deixasse sozinhas.

Finalmente Jane afastou-se do filho e olhou para a porta. O motorista esperava em silêncio, segurando o cesto com a bebê.

— Traga-a aqui, Gruver — ela disse, chaman­do-o com um aceno.

A expressão traía curiosidade e antecipação. Ao ver a criança, Mary cobriu os lábios trêmulos com as mãos e guardou silêncio por alguns instantes. Jane sabia como ela gostaria de ver o filho na­quele rosto adormecido e sereno, e mais uma vez foi tomada pela culpa e pela tristeza.

— Linda... — A sra. Bingley sussurrou depois de algum tempo com tom emocionado. — Como ela se chama?

Embaraçada, Jane fez questão de manter os olhos bem longe dos de Charles, concentrando-se apenas em Leda.

— Ainda não escolhi um nome — disse, certa de que sua atitude pareceria estranha.

Mas a sra. Bingley sorriu como se houvesse recebido uma bênção.

— Podemos escolher juntas.

Charles estreitou os olhos, atento, mas Jane não o encarou.

— Seus aposentos já estão prontos — anunciou a dona da casa. — Creio que encontrará tudo de que necessita, mas se precisar de alguma coisa, não hesite em pedir.

Depois de olhar para a escada de mármore que levava ao segundo andar, Jane foi forçada a bus­car os olhos de Charles.

— Todos os quartos ficam lá em cima — Leda anunciou pesarosa. — Não havia me dado conta de que...

— Não se preocupe, mamãe. Anne e eu temos uma solução para o problema de transporte. Gruver, por favor, leve o bebê para cima. Depois tire o resto do dia de folga. E amanhã também. Deve estar com saudade de sua família.

— Obrigado, senhor.

Charles inclinou-se e esperou que Jane pas­sasse um braço em torno de seu pescoço. Depois tomou-a nos braços e virou-se para a mãe.

— Está vendo? Todas aquelas cenouras e ervi­lhas acabaram surtindo efeito.

— Eu disse que seria um homem forte. — Ela riu e os acompanhou pela escada, segurando a saia longa com as duas mãos. O riso fácil ame­nizou parte do desconforto de Jane, que sentiu uma profunda gratidão por Charles ter sido capaz de arrancar um sorriso da mãe.

Dessa vez não lutou contra as sensações pro­vocadas pela proximidade. O relacionamento com a mãe a maneira cortês com que tratara o moto­rista eram mais eloqüentes que um milhão de pa­lavras. Era um bom homem. Um indivíduo sin­cero. Um homem respeitado e decente.

E ainda estava tirando vantagem de todas essas qualidades.

Descansou na segurança daqueles braços por alguns poucos minutos. Desfrutou de sua força, do aroma másculo dos cabelos e da pele, do cheiro fresco das roupas. E imaginou quanto tempo teria antes de alcançar o ponto de onde não poderia mais recuar.

Mary contratara uma enfermeira para cuidar da bebê. A mulher, uma viúva muito alta de ca­belos grisalhos e expressão serena que dizia cha­mar-se sra. Gardiner, segurou-a enquanto Charles e Mary a ajudavam a se acomodar. Jane suspirou aliviada quando Charles finalmente desculpou-se e deixou o quarto.

— Sra. Bingley... — começou.

— Mary, querida. Por favor. — Ajeitou a coberta sobre a perna saudável da hóspede e certificou-se de que a outra repousava sobre um travesseiro.

— Mary. Estava esperando por uma chance para lhe falar.

— Eu sei, meu bem. Teremos muito tempo juntas. Você será a filha que eu nunca tive. E quanto a esta garotinha... — Tomou a bebê dos braços da sra.Gradiner e segurou-o junto ao seio. — Esta me­nina vai me impedir de morrer de tristeza.

Ao testemunhar a angústia daquela pobre mãe desolada, Jane sentiu-se tomada pelo peso da culpa.

— Não sou quem está pensando... — disparou.

— Não quero saber quem você é — Mary res­pondeu, lutando contra um soluço. — Se não es­tivesse esperando por você e pelo bebê nos últimos dias, não teria suportado a dor. Nenhuma mulher devia ter de enterrar o próprio filho. Nunca! Vocês são tudo de que preciso para continuar vivendo. Você e ela. — Afagou a cabeça da bebê, e Jane engoliu a confissão que pretendia fazer.

Não tinha coragem de dizer as palavras que destruiriam uma mulher que já perdera um filho. Todas as boas intenções desapareceram como fo­lhas secas levadas por um vento forte, e o segredo buscou abrigo em um canto escuro de seu coração.

Agora não. Depois...

Podia esperar. Pelo menos até Mary recuperar-se da dolorosa perda. Até lá sua perna estaria melhor, e poderia partir sem depender de nin­guém. Até lá...

Que mal poderia causar deixando-a acreditar que eram uma família?

Jane rezou para jamais descobrir a resposta.