-A-Alemanha...

-Aguente firme, Itália... por favor...

O loiro alto e musculoso carregava um ser em seus braços, um ser pequeno e magro, que gemia e escorria sangue. Poucos conseguiriam adivinhar que aquele era o alegre e espontâneo Itália.

-Apenas se mantenha acordado Itália, por favor... – loiro corria cada vez mais dentre o bosque, os secos galhos das árvores arranhavam seus braços e seu rosto, faziam cortes, mas isso não importava para Ludwig.

A maldita mina implantada por Arthur machucara Veneziano que tentou desarmá-la. Alemanha estava por perto e, ao ver o que o menor fazia, rapidamente o agarrou pela gola da camisa e tentou correr. Mas o mal estava feito, estilhaços da mina rasgaram pele morena do italiano e este não sabia fazer outra coisa a não ser chorar, gemer e gritar pelo alemão.

-Mein Gott...– dizia Ludwig entre os dentes. Avistou sua casa a poucos metros. – Italia, já estamos chegando!

Abriu a porta com um pontapé, já que seus braços seguravam o menor, que agora ficava mais gelado. Levou Veneziano para o seu quarto e depositou seu frívolo corpo nos lençóis brancos que foram tingidos por manchas vermelhas de sangue italiano.

-Eu-eu vou cuidar de você Itália! – gritou descalçando as negras luvas de couro e retirando seu casaco verde, ficando com apenas uma regata preta colada ao corpo, calça da mesma cor que o casaco e pesadas botas pretas.

Na verdade ele nem sabia por onde começar, talvez Vash [1] conseguisse livrar o pobre italiano dos ferimentos e das dores, mas ele tomava uma postura neutra durante a guerra. Não queria arranjar confusão para ele e sua frágil irmã.

-Vou buscar um kit de primeiros socorros! – gritou novamente se afastando do ferido, porém este estendeu seu braço e agarrou com as mãos pálidas e trêmulas o pulso branco de Ludwig.

-Não...vá...fique... – disse com os olhos sem brilho, arfando, gemendo, quase um sussurro.

-I-Italia... – Ludwig sentiu um aperto entre os dois pulmões. Seus olhos estavam úmidos. Sempre que o italiano vinha feliz lhe contar ou mostrar algo, tratava-o severamente às vezes até grosseiramente. Nunca vira o menor sofrendo como agora. – Verei o que posso fazer...

O alemão rasgou delicadamente (ao seu ponto de vista) a farda azul, ensanguentada e suja do italiano, deixou-o apenas com a cueca branca de coraçõezinhos vermelhos.

Antes que Veneziano protestasse, correu rapidamente até o banheiro e veio de lá trazendo consigo uma caixinha de primeiros-socorros. Sentia-se ridículo, estava acostumado a acabar com vidas e não salvá-las. Sentiu mais um aperto entre os pulmões quando viu seu companheiro gemer mais alto e gritar pelo seu nome.

-Alemanha.... Alemanha... não... me deixe... Alemanha – gritava Veneziano se contorcendo nos lençóis manchados de sangue.

-Calma, já voltei... vou... vou cuidar de você, Italia... esta bem?! – disse sério, tentando parecer seguro. Falhou miseravelmente, já que sua voz rouca e trêmula denunciavam o nervosismo.

Retirou uma gaze da maleta e a embebedou com um líquido transparente proveniente de um frasco de vidro marrom.

-Isso pode doer, Italia... – disse, já esperando os gritos do menor.

Passou o líquido pelas cicatrizes do italiano e este deu um berro. Mas o menor não impediu que parasse, talvez soubesse que seria pior se não aceitasse o ardente líquido. Ainda restava um corte, o mais profundo de todos, era diagonal, ia do quadril de Veneziano e se estendia até o meio do tórax.

-Italia... isso vai doer mais...

-A-Alemanha... – o menor abriu os olhos e encarou com seus olhos castanhos os olhos azuis do maior.

-Sim, Italia...

-Di-dizem que quando estamos prestes a partir...

-VOCÊ NÃO VAI MORRER, ITALIANO IMPRESTÁVEL! –gritou o alemão, com raiva se aproximando do rosto de Veneziano.

-... vemos um filme...um filme da nossa vida. – Italia gemeu, seus lábios estavam perdendo a cor.-... eu vi, Doitsu, eu vi...

-I-Italia...

-... eu vi você me espionando...pelos cantos da casa...

-Hã?

-...era você...lutava pelo Austria-san.... alimentava-me quando estava de castigo....eu lembro...

-Eu...

-Alemanha... você ainda... é apaixonado por mim.... desde os anos... novecentos...?! – o italiano tocava o rosto do maior, que agora estava molhado pelas lágrimas quentes.

Ludwig engoliu em seco. O que diria ao Italia? Se negasse, suas lágrimas denunciariam que estava mentido, se assumisse...

-Italia... deixe-me cuidar de você... depois conversamos...

-Não haverá depois...Doitsu... apenas responda... eu preciso saber... você me ama ainda...?! Você sempre me repreendeu...

-PORQUE VOCÊ SÓ SABE COMER PASTA E FABRICAR BANDEIRAS BRANCAS, ORA BOLAS! – Ludwig abraçou Italia com força, mas afrouxou assim que escutou novos gemidos.

-Você ainda me ama... eu sei...eu sinto... senão... teria me deixado...morrer pela explosão...Doitsu...

-Você está com febre Itália...- Alemanha levantou-se e tirou um pequenino frasco de vidro do seu casaco verde, que estava no chão. Embebedou outra gaze com um líquido marrom e viscoso.

-Perdoe-me Italia...

-...Doitsu?!

Ludwig pressionou violentamente a gaze manchada de marrom no nariz e na boca do italiano, que apagou. Permitiu que mais algumas lágrimas caíssem no rosto do moreno. Agora podia cuidar dele, sem escutar seus gemidos e suas perguntas.

Se Gilbert o visse naquela situação, provavelmente debocharia do irmão mais novo. E se veneziano morresse? Podia escutar as risadas de Arthur em sua mente, gabando-se de acabar com um país do Eixo antes de Alfred. Sentiu raiva. Sentiu medo.

-Você não vai morrer, comedor de pasta! – bradou limpando o mais profundo dos cortes com gazes limpas. Era bem melhor de se fazer isso, agora que o italiano estava desacordado.

Constatou que a febre do companheiro piorava, molhou panos na água fria e os colocou na testa do ferido. Tentou acabar com os curativos.

-Gott... sou terrível com isso! – pensou enquanto tentava enfaixar desastrosamente o braço de Veneziano.

Ludwig encarou o rosto do menor. Era perturbador ver aquele rosto delicado tão machucado e abatido.

Aproximou seu rosto e roçou a ponta de seu nariz na do italiano, podia sentir o calor proveniente da febre. Aproximou seus lábios dos dele. Tocaram-se.

-A-alemanha...?! – murmurou Veneziano, surpreso com o toque dos lábios frios do alemão.

-ITÁLIA! – gritou o outro assustado, afastando abruptadamente do moreno. – DUMMKOPF! Você me assustou!

Com o pouco de força que tinha, o italiano levou seus dedos morenos à face branca de Ludwig. Começou a acariciá-lo e trazer mais uma vez os lábios dele junto aos seus.

O alemão não se conteve e penetrou com sua língua a boca de Veneziano, mordiscou seus lábios, sua língua e se afastou.

-Vee... você continua me amando, Alemanha! – respirava com dificuldade, ainda dolorido, mas lançou um sorriso radiante.

-Eu...eu pensei que fosse te perder... – balbuciou não encarando o italiano.

-Ah, nós italianos não morremos tão fácil assim... dá muito trabalho preencher certidão de óbito, contatar a funerária, organizar velório e... – antes que continuasse, sua voz foi abafada com um abraço apertado. – Vee... você realmente... ia sentir falta de mim?!

Ludwig afrouxou seus braços e permitiu que Veneziano o encarasse sorrindo.

-Você... você pode me beijar de novo? – perguntou o italiano já aproximando seu rosto ao do alemão.

Ludwig enrubesceu. Lançou outro beijo, desta vez mais demorado. Curvou seu corpo, ficando encima do italiano, mas sem depositar seu peso sobre ele. Invadia a boca quente do companheiro de guerra enquanto este segurava o rosto do alemão com suas delicadas mãos.

-Devemos parar... – murmurou Ludwig afastando-se. -... você ainda está machucado...

-...você será meu remédio, Alemanha.

Mais uma vez a face branca do alemão ficou rosada.

-Cuidarei de você e farei o Inglaterra pagar pelo que fez, eu juro, Itália.

-Olhe pelo lado bom. – com a ajuda de Ludwig, Veneziano sentou-se na cama, apoiando as costas na cabeceira. – Se não fosse aquela mina, nós não teríamos nos beijado... pelo menos não agora...

-... e você não estaria parecendo uma das múmias de Gupta.

-Vee... é mesmo, mas... você cuidará de mim , não é?! – lançou outro sorriso ao alemão. – Terá que trocar minhas roupas, meus curativos, tomará banho comigo e terá que cozinhar... oh, não! Você terá que aprender a fazer pasta!

-Como assim eu terei que tomar banho com você?! Isso você pode fazer... – Ludwig sentiu sua camisa preta sendo puxada, estava novamente com o rosto colado ao do italiano.

-Mas tenho certeza que você quer... – retrucou o menor, dando-lhe um selinho.-... afinal, você é ainda apaixonado por mim desde...

-Desde sempre, Itália...

Dito isso, Ludwig tomou Veneziano em seus braços. O Italiano precisava ter seus curativos trocados. E ambos precisavam de um banho.

Notas finais
*[1] Citei o Vash {Suiça) por causa da Casa da Cruz Vermelha (além de , que foi criada na Suiça e depois se espalhou pelo mundo. Mais informações:
*Mein Gott: Meu Deus (quem lembrou do Prussia-sama toca aê o/)
*Dummkopf: Tolo,idiota...
http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/datas/cruz_vermelha/comosurgiu.html
*Críticas, críticas, eu quero críticas 8D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!