Notas iniciais
MIL DESCULPAS PELA DEMORA! Enfim, está aqui o capítulo. Confesso que ele está um pouco chato rsrsrs... Eu estou odiando a Laura. Sério. Enfim, tem recado MUITO IMPORTANTE nas notas finais!

“Tudo está acabado”

“Não existe mais Gabriel”

“Meus pais me odeiam”

“O que eu faço?”

Milhares de pensamentos e dúvidas surgiam na mente de Léo. O que ele faria dali em diante? Seus pais o impediram de ver Gabriel. Parecia que haviam arrancado parte de Leonardo. Haviam destruído algo que vivia em Léo.

“Não posso mais ver o meu...”

Léo parou de pensar. Começou a chorar baixinho mais uma vez.

Tinha ficado trancado no quarto o resto do dia inteiro. Saía só para ir ao banheiro e comer. Mas evitava os pais.

Anoiteceu. Léo deitou-se na cama e tentou dormir. Demorou, mas conseguiu.

No outro dia, Carlos bateu na porta do quarto de seu filho. O chamou para ir a escola.

[Carlos] – Vai Léo. Você vai se atrasar.

Léo acordou, os olhos pesavam. Queria dormir mais.

[Carlos] – Filho!

[Léo] – Eu não vou na escola – disse baixinho.

[Carlos] – O que? – perguntava por de trás da porta.

[Léo] – Eu não vou na escola! – falou num tom claramente alto.

[Carlos] – Por que Leonardo?

[Léo] – Eu não quero ir. Não vou. Quero ficar aqui no meu quarto.

De repente, Léo escuta passos. Laura se juntara à Carlos. Bateu na porta.

[Laura] – Leonardo abre essa porta! – nada – Abre essa porta agora!

[Carlos] – Laura, calma.

[Laura] – Calma nada, Carlos. Leonardo abre essa porta agora! – deu uma batida de mão violenta.

De repente, a porta abre. Léo havia destrancado.

[Léo] – Eu Já falei que não vou pra escola.

[Laura] – Ah, senhor Leonardo, por que não?

[Léo] – Eu não quero ir.

Laura respirou fundo e bem alto. Parecia que ia explodir.

[Laura] – Está bem Leonardo. Faça o que bem entender. Mas... – levantou o dedo indicador para o filho – Você não vai sair dessa casa pra nada! E não vai ver aquele moleque indecente do Gabriel!

Léo sentiu um calafrio. Ouvira de novo a proibição da mãe de ver Gabriel. Seu rosto começou a esquentar e ficar vermelho. Estava prestes a chorar.

[Laura] – Chore o tanto que quiser!

Laura virou-se e saiu do quarto.

[Carlos] – Filho... Eu...

[Léo] – Você também vai me proibir de ver o Gabriel? – questionou num tom choroso.

Carlos não respondeu. Saiu do quarto e fechou a porta.

Leonardo sentou na cama novamente. Chorou.

Gabriel estava acordado. Mal conseguira dormir, lembrou que não iria na escola hoje, pois estava suspenso. Levantou e foi até a cozinha. Antônio estava lá.

[Antônio] – Bom dia.

[Gabriel] – Hmm. Oi.

[Antônio] – Como você não vai hoje na escola, o senhor vai tratar de arrumar a casa. Ok?

[Gabriel] – Ah não pai.

[Antônio] – Gabriel, você esqueceu do que houve ontem na escola? Você foi suspenso. E se você acha que vai ficar parado aqui em casa sem fazer nada, engano seu, filho.

[Gabriel] – Tá bom – disse num tom chato. Foi indo direto para a geladeira, pegou uma garrafa com água e bebeu.

[Antônio] – Ah. Mais uma coisa...

[Gabriel] – O que?

[Antônio] – Você não pode ir na casa do Léo. Entendeu?

[Gabriel] – Hã? Até você vai me proibir de ver o Leonardo?

[Antônio] – Não foi isso que falei. Você viu ontem, como a dona Laura tratou você. Não é pra você ir lá.

Gabriel acenou com a cabeça e voltou para o quarto.

Era hora do almoço. Léo continuava no quarto. Na cozinha, Laura terminou de arrumar a mesa.

[Laura] – Chama o Leonardo, Carlos.

Carlos levantou-se do sofá e foi até o quarto de Léo. Bateu na porta.

[Carlos] – Léo? Filho? Vem almoçar.

Léo ouviu o pai chamar por ele. Estava deitado na cama, mas não deu atenção para Carlos.

[Carlos] – Léo? Por favor, vem almoçar – nada – Leonardo. Vem almo...

De repente, a porta do quarto abre, Léo estava com os olhos e o nariz avermelhados. Passou pelo pai sem dizer nada, foi até a cozinha, sentou na cadeira e colocou os braços em cima da mesa.

Laura havia colocado comida para Léo. Levou o prato para o filho. Depois voltou para colocar comida para ela. Carlos chegou em seguida e fez o mesmo. Os três estavam sentados a mesa. Comeram num silêncio imenso. Só ouvia o tintilar dos talheres e carros passando na rua.

Todos acabaram de comer. Léo arrastou a cadeira para trás, preparando-se para levantar. Laura, que estava do lado do filho, segurou no braço dele e o fez sentar novamente.

[Laura] – Léo – chamava enquanto o fazia sentar.

[Léo] – Eu não quero conversar.

[Laura] – Você vai conversar sim!

[Léo] – Mas não tem o que falar. Ainda mais com você.

Léo ficou sentado. Laura e Carlos o encaravam.

[Carlos] – Por que você não contou pra nós, Léo?

[Léo] – Contar o que?

[Laura] – Dessa coisa de você estar junto... – Laura parou e respirou – Estar junto com aquele moleque.

[Léo] – Acho que já tá bem claro o porquê. Não é? Vocês são preconceituosos!

[Laura] – Preconceituosos, Leonardo? – Laura riu – Preconceito nada! O certo não é um menino ficar com menino. Você sabe disso!

[Léo] – Mas quem falou que um menino ficar com menino é errado?

Carlos só olhava, não sabia o que falar. Sentia um frio na barriga. Não sabia se achava certo ou errado o que estava acontecendo.

[Laura] – Carlos! Você não vai falar nada?

Ele olhou para Laura, depois para Léo.

[Carlos] – É... Léozinho. Vo-você sabe... O cer...

[Léo] – Quer dizer que você também acha que é errado eu estar com o Gabriel? – Léo, num súbito movimento, levantou-se da cadeira, batendo com o joelho na mesa – É por isso que eu não falo nada pra vocês. Olha como vocês me tratam!

[Laura] – Como te tratamos, Leonardo?

[Léo] – Você principalmente, mãe. Acha ruim eu ser cego e agora acha ruim eu estar com o Gabriel.

[Laura] – Eu nunca falei que achava ruim você ser cego!

[Léo] – FALOU SIM! – disse gritando – Falou que “além de cego, é gay”. Você se preocupa demais com o que os outros irão falar, não é? Pouco se preocupa com o que eu me importo? Pra você tudo, TUDO, tem que ser do seu jeito. É esse um dos motivos de eu querer fazer intercâmbio.

[Laura] – E o que o intercâmbio tem a ver com isso?

[Léo] – Tudo! Me mudar daqui, parar de brigar com vocês... E... E...

[Laura] – E o que, Leonardo?

Léo saiu da cozinha, foi para o quarto. Laura levantou e foi atrás, acompanhada de Carlos.

[Laura] – Leonardo!

Léo pegou o celular que estava na cama e depois, foi até a mochila que estava pendurada na cadeira da mesa do computador e pegou sua bengala dobrável. Passou na porta, tombou com os pais.

[Carlos] – Filho, onde é que você vai?

Léo não respondeu. Passou pelos pais e foi caminhando até a sala.

[Laura] – Léo! Volta aqui. – os pais foram indo atrás.

Léo andava o mais rápido que puderá. Abriu a porta da sala, foi até o portão de casa. Abriu ele tão rápido quanto seus pais estavam atrás dele. Fechou o portão e saiu correndo, com a bengala na mão direita, subindo a rua.

Aos passos e tropeços, Léo escutou Laura e Carlos vindo atrás dele.

[Laura] – LEONARDO! – gritava – VOLTA AQUI!

[Carlos] – Filho! Pra onde você vai?

Léo parou de andar. Virou para trás.

[Léo] – EU... NÃO QUERO... EU... EU NÃO QUERO FICAR AQUI COM VOCÊS!

[Laura] – Leonardo! Para de graça e volta pra casa agora!

Leonardo não deu bola para a mãe. Voltou a subir a rua, mas desta vez, andando.

Laura foi indo atrás, mas Carlos segurou no braço dele.

[Carlos] – Laura. Calma! É capaz de ele não ir longe, nem nada. Ele vai voltar.

[Laura] – E se ele se encontrar com aquele moleque?

[Carlos] – Ele não vai, Laura – um silêncio veio a seguir. Os dois se encararam – Quer saber? Vai você pra casa e eu vou atrás do Léo. Tá?

Laura respirou fundo.

[Laura] – Então vai atrás dele agora. AGORA! – Laura virou-se e foi pra casa. Carlos começou a subir a rua, atrás de Léo.

Léo já estava um tanto quanto distante do pai. Já tinha passado pela casa de Gih. Mais uns três quarteirões e chegava na rua da escola.

Léo continuou andando, eis que ele escuta alguém chamar-lhe. Era seu pai.

[Carlos] – Léo, espera!

Leonardo não dava atenção. Continuava a andar.

Carlos correu até Léo, segurou no braço dele.

[Carlos] – Leonardo! Onde é que você vai?

[Léo] – Solta o meu braço! – Léo começou a mexer o braço até soltar-se de seu pai.

[Carlos] – Leonardo, onde é que você vai? – Léo não falava nada. Estava de cabeça baixa – RESPONDE!

[Léo] – Eu vou pra minha vó. Eu não quero ficar lá com vocês – Carlos continuou segurando o braço de Léo – Quer soltar meu braço?

Carlos soltou.

[Carlos] – Filho... Me descu...

[Léo] – Eu não quero saber, pai. Não quero! – falava num tom e choro.

Léo saiu. Foi subindo a rua. Carlos ficou parado, encarando o filho ir. Seus olhos começaram a ficar vermelhos e lacrimejados. Virou-se e voltou pra casa.

Maria, avó de Léo e mãe de Laura, estava na cozinha. Terminou de lavar um prato que estava na pia. De repente, escutou alguém chamar.

“Vóóóóó!”, escutava.

Maria saiu da cozinha, passou pela sala. Abriu a porta e viu Léo.

[Maria] – Léo! – Ela chegou mais perto. Viu que o neto estava chorando – Meu Deus, Leonardo. O que aconteceu? – perguntava enquanto abria o portão – Hein? O que foi? – quando ela abriu o portão, Léo entrou logo em seguida. Abraçou a vó e começou a chorar mais.

[Léo] – Mi-minha mãe – falava entre choro e soluços – Ela...

[Maria] – O que aconteceu Leonardo? – perguntava num tom de desespero.

[Léo] – Ela sabe do Gabriel, vó. Ela me proibiu de ver ele. Ela... – Léo chorou mais ainda.

[Maria] – Nossa. Querido, entra e senta. Vou pegar uma água pra você.

Maria e Leonardo entraram. Léo sentou no sofá, ainda chorando, enquanto a avó pegava um copo e colocava água pra ele.

[Maria] – Aqui – disse entregando o copo na mão de Léo – Isso, toma e se acalma.

Léo bebeu toda a água. Entregou o copo para a avó e soltou um longo suspiro.

Logo em seguida, Maria pediu para Léo explicar tudo o que aconteceu. Léo respirou fundo e contou tudo. Desde a festa de Larissa, o beijo de Guilherme, até a briga na escola e a diretora contando aos pais. Léo contou tudo.

[Maria] – Meu Deus, Léo. Mas por que você saiu de casa?

[Léo] – Porque eu não quero ficar lá, vó. Não quero ficar com meus pais.

[Maria] – E o que você quer fazer?

[Léo] – Não sei – disse num tom baixo.

Maria levantou.

[Maria] – Quer comer alguma coisa? Um lanche?

[Léo] – Quero.

Maria foi preparar o lanche. Léo continuou sentado. Na hora que a avó estava voltando, Léo ouve seu celular tocar e sente ele vibrando. Rapidamente tira ele do bolso. Apertou um botão e uma voz robótica seguiu-se: “Você tem uma nova mensagem”. Léo apertou outro botão e a mesma voz começou a falar: “Léo... Sou eu, Gabriel” – a voz falava entre pequeninas pausas – “Você está bem?”

Maria parou e ficou ouvindo.

“Queria te encontrar, mas estou ocupado aqui em casa.”

[Léo] – Gabriel – disse bem baixinho. Lágrimas começaram a se formarem no canto dos olhos de Léo.

“Assim que eu acabar, vou mandar outra mensagem.”

A mensagem havia terminado. Léo continuava a segurar o celular no alto.

[Maria] – Querido? Tudo bem?

[Léo] – Eu... Eu... Eu quero ligar para o Gabriel.

[Maria] – Mas você não pode Léo. Se sua mãe aparece aqui e vê o Gabriel aqui. Sabe-se Deus o que ela vai fazer.

Léo ficou quieto. Abaixou a cabeça. De repente, o telefone da casa toca e Maria corre para atendê-lo.

[Maria] – Alô?

“Oi mãe. Sou eu” – era a voz de Laura.

[Maria] – Oi filha. Tudo bom?

[Laura] – Mãe, o Leonardo tá ai? Eu vou ai buscar ele. Esse menino me...

[Maria] – Filha. Calma. Ele tá aqui sim. Mas deixa ele descansar. Deixa tudo se acalmar. Está bem?

[Laura] – Não, mãe, não está nada bem. Eu vou ai agora.

[Maria] – Laura – mudou o tom da voz para algo mais severo – Ficar ai! Calma. Leonardo ta nervoso aqui e a última coisa que ele quer, provavelmente, é falar com você. Mais tarde você liga de novo.

[Laura] – Ok. Tá certo. Eu ligo depois.

Laura desligou o telefone. Maria também.

[Léo] – Era minha mãe, né?

[Maria] – Sim.

[Léo] – Ela vai vir pra cá?

[Maria] – Não não. Falei pra ela esperar, mais tarde ela vai ligar de novo aqui.

[Léo] – Hmm – Léo segurou o celular mais alto de novo – Vou chamar o Gabriel.

[Maria] – Você tem certeza?

[Léo] – Tenho vó.

[Maria] – Está bem. Chame ele – Maria deixou o lanche de Léo do lado dele. Depois, saiu da sala com um sorriso marcado no canto da boca.

Gabriel estava com Léo. Maria havia feito mais lanches para ambos. Os dois estavam felizes e conversavam bastante. Léo deixava escapar algumas lágrimas as vezes. Além de ter explicado a Gabriel sobre a briga com os pais.

[Gabriel] – Mas Léo – Leonardo estava deitado no ombro de Gabriel, que o abraçava com um dos braços – Você vai ter que voltar uma hora pra casa.

[Léo] – Eu sei. Mas... E-eu não quero voltar.

Gabriel olhou para Leonardo. Maria chegou e sentou-se no sofá à frente de Léo e Gabriel.

[Maria] – Bem, Léo, uma hora vai ter que voltar sim. Você e seus pais tem que se resolverem. Inclusive com o Gabriel – dizia apontando a cabeça para Gabriel – Vocês não pode ficar assim pra sempre Leonardo. Uma hora... Tudo vai se resolver.

[Léo] – Não com minha mãe neurótica daquele jeito.

[Gabriel] – Não fala assim, Léo – Gabriel cutucou a cabeça do namorado.

[Léo] – Como não Gabriel? Você viu o que ela fez com a gente? Ela não quer ver mais você, ela não deixa mais eu te ver.

[Gabriel] – Mas você não pode me ver, Léo – Gabriel riu da situação.

Léo percebeu o que tinha dito e riu junto. Maria também.

A conversa persistiu até anoitecer. Maria já havia entupido Léo e Gabriel de lanche, os dois não aguentavam comer mais nada. Ela foi preparar a janta.

Alguns minutos depois, Cláudio, marido de Maria e avô de Léo, chegou. Quando Gabriel viu a porta abrir, fez Léo levantar-se e os dois ficaram sentados um ao lado do outro.

[Cláudio] – Olha quem está aqui! Léo. Tudo bem? – dizia surpreso, com sua voz pouco rouca e baixa.

[Léo] – Tudo vô – e largou um sorriso para o avô.

[Cláudio] – E você? – perguntava desviando o olhar para Gabriel – É amigo do Léo?

Gabriel arregalou os olhos. Léo sentiu um calafrio e escutou a avó, Maria, batendo a colher com força numa panela.

[Maria] – É sim, querido.

[Cláudio] – Ah sim. Olá! – cumprimentou Gabriel com um sorriso.

[Gabriel] – Oi. Ah, prazer, meu nome é Gabriel.

[Cláudio] – Aaaah, você é o Gabriel – falava entre risos – Maria me falou de você e como você e Léo são melhores amigos. Acho que você já percebeu que sou o avô de Léo, né? Meu nome é Cláudio. Aliás, passou a tarde aqui?

[Gabriel] – Sim – respondeu baixando a cabeça.

[Cláudio] – Ótimo – virou-se para a esposa – Meu bem, vou para o quarto, tomar um banho porque hoje estava muito calor naquele ônibus.

[Maria] – Eles bem que poderiam colocar um ventilador pra você.

[Cláudio] – Bem, enquanto não colocam, eu tomo banho.

Cláudio saiu, foi até o quarto. Léo ficou prestando atenção aos barulhos que o avô fazia. Escutou a porta do quarto bater.

[Léo] – Você falou de mim e do Gabriel, vó?

[Maria] – Não querido. Só falei que vocês são melhores amigos, e nossa, me arrependi. Escutei umas trocentas histórias dos antigos amigos dele.

Maria, Léo e Gabriel deram gargalhadas. Ambos passaram mais algum tempo conversando, inclusive com Cláudio que chegou uns minutos depois.

[Maria] – Gabriel, querido, você quer dormir aqui?

[Gabriel] – Ah não. Não, obrigado. Eu já tenho que voltar pra casa.

[Léo] – Você já vai?

[Gabriel] – Já Léo. Meu pai vai chegar em casa daqui a pouco.

[Maria] – Vem amanhã, Gabriel.

[Gabriel] – Posso tentar – Gabriel acenou para Maria e se despediu dela. Deu um salto do sofá e foi saindo. Léo levantou também e foi indo atrás. Maria ficou na cozinha.

No portão, os dois se despediram. Gabriel deu um abraço. Léo, então, sentiu que aquele era um momento único e especial, apesar de já ter abraçado Gabriel várias vezes, mas era um abraço diferente, era um abraço que mostrava um grande afeto, um amor. Mesmo depois de Laura ter proibido os dois de se encontrarem. Gabriel deu um rápido beijo em Léo e foi embora.

Léo deixou um sorriso estampar seu rosto e lágrimas caírem.

Maria apareceu logo em seguida atrás de Léo.

[Maria] – Sua mãe tá demorando pra ligar.

[Léo] – Tomara que ela não ligue.

[Maria] – Não fala assim Léo. Entra e vem jantar.

Léo entrou e fechou o portão.

No outro dia, bem de manhã, Maria acordou Léo.

[Maria] – Léo, acorda. Você não vai na escola?

[Léo] – Não vó.

[Maria] – Por que, querido?

[Léo] – Não to muito bem.

[Maria] – Nossa. Ta doente?

[Léo] – Acho que sim.

Léo sentou na cama. Maria olhou para ele.

[Maria] – Está bem.

Maria saiu do quarto e foi para a cozinha.

O tempo passou e a hora de aula chegou. Léo ficou pensando em Gabriel.

“Será que ele foi na escola?”

De repente, ele escuta alguém chamar no portão. Reconheceu a voz. Era Gabriel.

Leonardo saiu da cama rapidamente, mexeu no cabelo, colocou os chinelos e foi até a sala.

[Maria] – Léo. O Gabriel veio te ver – a situação pareceu um tanto cômica. Laura havia impedido os dois de se encontrarem, mas ali estavam os dois, na casa da mãe de Laura.

[Léo] – Gabriel? O que você veio fazer aqui? Você não vai pra escola?

[Gabriel] – Bom dia, Léo. Aliás, você também deveria ir na escola, não?

[Maria] – O Leonardo me falou que não estava bem.

[Gabriel] – Ah tá. Sei.

Léo e Gabriel sentaram no sofá. Ficaram conversando. Maria serviu o café da manhã para os dois, mas Gabriel recusou e só Léo comeu.

Os dois continuaram a conversar pelo resto da manhã. Eis que algo surpreendeu. Alguém chamou por Maria no portão. Era Laura.

[Léo] – Minha mãe?

Gabriel e Léo se desesperaram. Maria ficou olhando para os dois sem saber o que fazer. Pensou e pensou, então, foi até Gabriel.

[Maria] – Vou chamar ela pra entrar. Gabriel, você pode sair pelos fundos. OK?

[Gabriel] – Está bem. – Gabriel levantou – Tchau Léo – deu um selinho e foi correndo para os fundos.

Maria foi até o portão e abriu para Laura. Ela entrou tão rápido e foi direto para a sala. Encarou Leonardo.

[Laura] – Vamos pra casa, AGORA!

[Léo] – Eu não quero ir. Não quero voltar pra lá.

[Laura] – E você acha que pode ficar aqui?

Maria chegou na sala. Foi até ao lado da filha.

[Maria] – Laura, acalme-se pelo amor de Deus.

[Laura] – Me acalmar? Ah, por favor, mãe. Leonardo, VAMOS!

[Léo] – Eu não quero!

Gabriel havia saído pelos fundos. Passou bem devagar pelo redor da casa tentando não fazer barulho. Escutava a discussão entre Léo, Laura e Maria.

Continuou a andar devagar e a cada passo, a discussão dentro da casa aumentava.

Gabriel chegou até a porta da sala que estava fechada. Foi andando mais devagar ainda, evitando qualquer tipo de barulho e, se o fizesse, a discussão entre Léo e Laura iria piorar, caso ela visse ele. Foi direto para o portão, abriu ele bem devagar e saiu. Ficou um pouco longe da casa, esperando Léo sair.

[Laura] – Leonardo, eu vou chamar só mais uma vez! Vamos pra casa.

[Léo] – Eu não vou! Não quero voltar pra lá. Não com você e meu pai... Vocês dois... Seus... Seus...

[Laura] – Seus o que, Leonardo?

[Léo] – Seus preconceituosos!

[Laura] – Preconceituosos? Só porque a gente disse o que é o certo pra você, nós somos preconceituosos?

[Léo] – Vocês são, sim! – Léo abaixou a cabeça e murmurou algo baixinho.

[Laura] – O que você falou?

[Léo] – QUE VOCÊ NÃO SABE O QUE É CERTO!

Léo pegou a bengala dobrável que estava no sofá e foi saindo da sala. Passou pela mãe e deu de ombro com ela, mas, continuou o caminho e saiu da casa da avó.

[Laura] – Leonardo! Volta aqui!

[Maria] – Meu Deus, Laura... Tá vendo?

[Laura] – Vendo o que mãe?

[Maria] – Se você tivesse paciência, não brigasse assim com ele.

[Laura] – Aaaah... Agora você quer falar como devo criar meu filho?

[Maria] – Não é isso, Laura. Você só tem que prestar atenção em como você trata o Léo.

As duas ficaram discutindo por alguns breves minutos, enquanto Léo ia embora.

Leonardo saiu correndo da casa da avó. Gabriel, que estava do outro lado da rua, viu Léo sair e foi logo atrás.

[Gabriel] – Léo! Espera! – mas Léo não havia escutado. Os dois apertaram o passo e chegaram numa praça que havia ali perto da casa de Maria.

A praça era grande. Havia um mirante bem no meio. Ele era cercado por uma estrutura de pedra, todo detalhado. O mirante era adornado com vários bancos dentro e fora dele. E uma escada de pedra que permitia entrar no mirante. Tinha algumas pessoas pela rua e na praça.

Leonardo foi até o mirante e sentou-se num dos bancos. Estava chorando. De repente, ele escutou alguém o chamar. Era Gabriel.

[Gabriel] – Léo! O que aconteceu? – perguntava enquanto sentava-se ao lado de Leonardo – Por que você saiu assim da casa da sua vó?

[Léo] – Minha... minha mãe!

[Gabriel] – Claro... Imaginei. Mas... Por que você veio pra cá, Léo?

[Léo] – Eu não quero ficar perto da minha mãe.

[Gabriel] – Ah Léo. Não fala assim... É sua mãe. Ela...

[Léo] – Ela nada, Gabriel. Ela não entende nada e não aceita nada!

[Gabriel] – Calma Léo.

Os dois continuaram a conversar, até que Giovana apareceu. Ela foi até os amigos.

[Gih] – Léo! Gabriel!

[Gabriel] – Oi Gih.

Giovana olhou pra Léo e viu que ele estava chorando.

[Gih] – Nossa. O que aconteceu? Léo, você tá bem? O que você tem Léo?

[Gabriel] – A mãe dele...

[Gih] – A tia Laura? O que foi?

[Léo] – Minha mãe, Gih! Ela... Brigou comigo... Só por causa do Gabriel e...

[Gih] – Ah... Sei. Seu namoro.

[Léo] – Ela me proibiu de me encontrar com o Gabriel!

[Gih] – Sério? E vocês dois estão aqui, encontrando-se escondidos?

[Gabriel] – Não... Não é bem assim...

Gabriel e Leonardo explicaram para Gih tudo o que aconteceu. Ela prestava atenção em tudo.

Na casa de Maria, Laura e sua mãe pararam de discutir. Ela tinha ligado para Carlos e pediu que fosse até lá.

Passou-se uns minutos e ele chegou. Laura explicou sobre toda a situação e os dois combinaram de sair para procurar Léo.

Os dois haviam se separado. Laura foi seguindo na direção em que Leonardo passou. Carlos foi voltando o caminho de casa com o carro.

Alguns minutos se passaram e Laura não encontrava Léo, então, ela pensou em ir até a praça, bem onde Léo estava com Gabriel.

Gabriel e Leonardo terminaram de contar tudo a Gih. Ela se afastou um pouco e suspirou.

[Gih] – Nossa. Que situação.

[Léo] – Pois é.

Os três continuaram a conversar, mas, um certo tempo depois, foram interrompidos por alguém que gritou o nome de Léo. Era a mãe dele, Laura.

[Laura] – EU NÃO ACREDITO, LEONARDO!

Gabriel e Gih se viraram para Laura. Ela vinha andando em direção aos três. Subiu as escadas do mirantes e chegou no banco.

Encarou Gabriel e Giovana.

[Laura] – O que você está fazendo aqui? – perguntava para Gabriel.

[Gabriel] – Eu esta...

[Léo] – Sai daqui!

[Laura] – Leonardo, não fala assim comigo!

[Léo] – Eu falo sim!

[Gih] – Léo – Gih cutucava Léo – calma. Por favor.

[Léo] – Não Gih. Não tenho que me acalmar. Não com ela aqui.

[Laura] — Leonardo! Você fala direito comigo! E quero saber o que você está fazendo com esse moleque – falava apontando para Gabriel – Hein?

[Gabriel] – Eu vi o Léo sair da vó dele e segui ele até aqui.

[Laura] – Eu já falei que não quero vocês dois juntos! Nunca mais!

[Léo] – PARA MÃE! – gritou.

[Laura] – Léo? Le... Leonardo!

Todos começaram a discutir. Laura falava alto com Léo e Gabriel, enquanto Gih, tentava apartar a briga e acalmar a todos.

Uns dois minutos depois, Carlos apareceu. Ele tinha rondado com o carro ao redor da praça e estacionou ele ali perto. Foi até o mirante da praça.

[Carlos] – Gente, calma. Vocês estão loucos? Estão discutindo em plena praça pública?

[Laura] – Você não está vendo, Carlos? – ela apontou de novo para Gabriel – Eu falei pra esses dois nunca mais se verem e olha agora! Estão aqui, juntos.

Carlos olhou para Léo e Gabriel. Depois, virou a cabeça e avistou Gih.

[Carlos] – Gih? Você...

[Laura] – E você, Giovana?

[Gih] – O que foi, tia Laura?

[Laura] – Você apoia os dois ai? Você acha certo os dois juntos?

[Léo] – Ah. Agora você vai envolver a Giovana também?

[Laura] – Não é isso Leonardo... E... E você Giovana? Acha certo?

[Gih] – Eu... Eu acho. Eles se gostam e...

[Laura] – Ai meu Deus – falava pasma, com as mãos na cabeça – Sério? Você acha certo os dois estarem juntos?

[Gih] – É. Não vejo nada de diferente nisso.

[Laura] – Chega. Cansei de vocês. E Leonardo! Você vai pra casa agora.

Laura virou-se para Carlos, segurou no braço dele.

[Laura] – Leva o Leonardo pra casa, leva ele no carro. AGORA.

[Léo] – Agora você vai me obrigar a ir pra casa, a força, ainda?

[Laura] – CALA A BOCA! LEONARDO!

[Carlos] – Laura, calma.

[Laura] – Calma nada. E vocês dois – falou para Gih e Gabriel – Você, Giovana, nunca pensei que ia aceitar isso! Eu... EU NÃO QUERO SABER DE VOCÊS VENDO O LEONARDO NUNCA MAIS! – Laura apontava para os dois e tremia – Vamos Leonardo – pegou no braço do filho, que acabou cedendo ao mandato da mãe. E foram indo para o carro.

Em casa, Léo chegou e foi direto para o quarto. Deitou na cama e começou a chorar.

[Laura] – Pode chorar o tanto que quiser! Você não vai sair desse quarto até eu deixar!

Laura bateu a porta do quarto, assustando Leonardo.

Léo chorou mais ainda.

Notas finais
Pois bem, aqui estamos nós... rsrsrs Enfim, venho anunciar que... FALTA APENAS 3 CAPÍTULOS PARA ACABAR. Sim. 3! TRÊS! E olha, tem muita coisa pra acontecer... rsrsrs Enfim... Obrigado por lerem e comentem, falem, mandem mensagem e digam o que achou. Até o próximo capítulo!