Não Quero Voltar Sozinho

1 Hoje Eu Quero Andar de Bicicleta


Notas iniciais
Primeiro capítulo da fic. Pretendo fazer ela o mais simples possível, assim como no filme.

No final da aula, todos estavam indo embora. No pátio da escola, dando para o portão de saída, Léo segura no braço do Gabriel e Gi acompanha os dois. Enquanto caminhavam, Fábio e Guilherme passam pelos três amigos. Gi troca um olhar sério com o Fábio, porém, continuam caminhando até a saída da escola.

Quando eles estavam chegando no portão Fábio grita para Léo e Gabriel:

[Fábio] — Olha só. O namoro ta firme mesmo hein Leonardo? — Ele e os amigos começam a rir.

Léo para de andar, e para o Gabriel, Gih fica parada mais a frente.

Os meninos continuam rindo, então, Léo solta do braço de Gabriel, e vai descendo a mão de encontro com a do amigo. Os dois ficam de mãos dadas e saem da escola. Guilherme fala:

[Guilherme] — Ei cara, se fodeu. — e soltou uma gargalhada.

Gih, Léo e Gabriel estavam na rua da casa deles. Gih, então, começou a falar:

[Gih] — Nossa, eu ainda não acredito que vocês... hmmm... estão juntos.

Gabriel e Léo começam a rir.

[Léo] — Eu também, nunca imaginaria eu, logo eu, junto de alguém.

[Gabriel] — Por que você acha isso Léo? — nesse momento, Giovana pega o celular e vê que chegou uma mensagem. Léo se prepara pra responder:

[Léo] — Ah, eu sempre... — Léo foi interrompido pela Gih.

[Gih] — Ai gente, desculpa, mas vou ter que ir correndo pra casa, minha mãe acabou de me mandar uma mensagem, falando que minha tia está na minha casa. Aaai, amanhã a gente se vê, beijos.

Giovana sai correndo e deixa Léo e Gabriel sozinhos. Os dois continuam a caminhada até chegar a casa do Léo. No caminho Léo fala:

[Léo] — Nossa, essa tia da Giovana parece ser muito chata. — ele da uma risadinha — Uma vez, a Gih me deixou sozinho na escola, por causa dessa tia. Acho que ela tinha vindo pra comemorar o aniversário da mãe da Gih. Tive que ir embora sozinho.

Gabriel solta o braço da mão do Léo, e pergunta:

[Gabriel] — Léo, cade a sua chave, a gente já está chegando na sua casa. — Léo parou de andar e começou a procurar a chave no bolso, ele achou ela, e deu para o Gabriel.

Chegando na casa do Léo, Gabriel pegou a chave e abriu o portão, então devolveu a chave para o Léo. Tudo ficou em silêncio. Léo levantou a mão, esperando Gabriel devolver a chave.

[Léo] — Gabriel? Você ta ai? — nenhuma resposta — Gabrieeel? Responde! — Léo começou a passar a mão ao redor dele, para ver se Gabriel estava lá ainda. Léo bateu a mão no braço dele. — Gabriel? Por que você ta quieto ai? O que foi?

[Gabriel] — Ah, desculpa Léo, eu estava distraído. — Gabriel deu um sorriso — Léo?

[Léo] — Que foi?

[Gabriel] — Você quer andar de bicicleta hoje a tarde?

[Léo] — Mas eu não sei andar Gabriel.

[Gabriel] — Ah, eu te ensino. Pode ser?

[Léo] — É, acho que pode, isso se minha mãe deixar eu sair.

[Gabriel] — Ok, vou passar aqui na sua casa umas 16:30, tudo bem?

[Léo] — Ta bom. Enfim, vou entrar agora, tchau Gabriel! — Léo, um pouco tímido, levantou a mão para cumprimentar Gabriel. Ele ficou esperando. Então, Gabriel deu a mão para o Léo. Os dois se despediram.

Léo entra em casa e fala:

[Léo] — Mãe! Cheguei! — Léo foi indo para o quarto

[Laura] — Filho? Troca de roupa logo e vem almoçar.

Leonardo entrou no quarto, tirou a camiseta e foi pegar uma que estava em cima da cama, depois de vestir ela, ele tirou as calças, e colocou um short que estava pendurado na cadeira.

Na cozinha, Laura, estava arrumando os pratos. Léo chega e se senta. Carlos, o pai de Léo, sentado do outro lado da mesa. Enquanto Laura colocava comida para Léo, Carlos perguntava:

[Carlos] — E ai filhão? Como foi a aula hoje? — Laura terminou de colocar a comida no prato e entregou para Léo.

[Léo] — A pai, foi a mesma coisa de sempre. — Léo pegou comida com o garfo e começou a comer.

[Laura] — E ninguém ficou pegando no seu pé? — Laura sentou na cadeira e começou a olhar Léo comendo. Carlos começou a comer também.

[Léo] — Não mãe. — Léo deu outra garfada, mastigou e engoliu — Mãe...

[Laura] — Que foi Léo?

[Léo] — O Gabriel me chamou pra andar de bicicleta hoje, eu posso... — Laura interrompeu a fala do filho.

[Laura] — Andar de bicicleta? Mas como assim Léo? Você não consegue! — Laura foi alterando o tom da voz.

[Carlos] — Calma Laura. Deixa o menino ir.

[Léo] — Mas mãe... o Gabriel vai me ensinar!

[Laura] — Filho, você sabe que não consegue, você... bem... como eu posso explicar isso pra você? — Laura ficou quieta por alguns segundos — Filho, você não está em condições de andar de bicicleta. Entende?

[Carlos] — Laura, não fala assim, o Léo tem perfeitas condições pra andar de bicicleta.

[Léo] — Condições mãe? Só por que eu sou cego eu não posso fazer nada?

[Laura] — Léo, não é isso que eu quis dizer filho.

[Léo] — É o que então mãe? Qual o problema? O Gabriel vai estar lá, ele vai me ensinar, ele vai tomar cuidado comigo.

[Laura] — Mas filho... — Laura falou num tom calmo.

[Carlos] — Deixa ele ir querida. O Gabriel vai estar lá, vai ajudar ele. O que de ruim pode acontecer?

[Léo] — Mããe!! Deixa eu ir, vai ficar tudo bem. Por favor.

[Laura] — Hmm... — Laura suspirou — ta bom Léo, pode ir, mas pelo amor de Deus, tomem cuidado.

Léo deu um sorriso e voltou a comer.

Após o almoço, Léo foi para o quarto dele. Pegou seu I-Pod e colocou Moonlight Sonata de Beethoven. Deitou na cama e fechou os olhos. De repente, ele apaga.
Tudo escuro. Então, Léo começa a escutar vozes. Parecia a voz do Gabriel. A voz da mãe dele também.

[Laura] — Léo, acorda! O Gabriel está aqui em casa! — Léo levantou rápido da cama. Estava descabelado, ele tinha dormido. De repente, a porta do quarto abre — Filho, o Gabriel ta ai. Quer que eu peça pra ele vir aqui?

[Léo] — Pode chamar.

Laura foi para a cozinha. Léo ficou escutando.

[Laura] — Pode entrar lá, o Léo ta esperando.

Leonardo arrumou seu cabelo e sentou na cama. A porta abriu. Gabriel entrou.
Léo escutou os passos de Gabriel e levantou a cabeça.

[Gabriel] — Léo? Vamos? Já trouxe minha bicicleta. Ah, e trouxe também capacete, joelheiras e cotoveleiras. — Gabriel deu uma risada baixa enquanto falava.

[Léo] — Que foi? Por que você ta rindo?

[Gabriel] — É que vai ser engraçado. — Gabriel riu mais um pouco — Vamos então?

[Léo] — Vamos.

Léo e Gabriel saíram do quarto e foram indo a caminho da saída de casa. A mãe de Léo olha os dois e fala:

[Laura] — Tomem cuidado. E Léo, eu vou no mercado daqui a pouco e depois vou passar na casa da sua vó, vou deixar a chave de casa lá na Giovana, se na hora que você voltar eu não estiver aqui, pega a chave lá. Ta bom?

[Léo] — Ta bom mãe. A gente já está indo. Tchau.

[Gabriel] — Dona Laura, não precisa se preocupar, eu trouxe uns equipamentos.

[Laura] — Bem, me sinto melhor assim então. Cuidado meninos.

Os dois saíram. Na frente de casa, Gabriel arrumava a bicicleta. Ele subiu nela.

[Gabriel] — Léo, sobe ai atrás. Vou levar você num lugar bom pra andar de bicicleta.

Léo subiu atras da bicicleta. Ficou de pé e se segurou nas costas do Gabriel. Então, os dois foram embora.

Gabriel estava descendo uma rua na bicicleta, ela estava completamente vazia, ótima para ensinar Léo a andar de bicicleta.

Gabriel desceu mais um pouco a bicicleta e parou. Léo desceu dela, enquanto o Gabriel tirava a mochila das costas.

Depois que os dois desceram da bicicleta, Gabriel abriu a mochila e tirou os equipamentos de lá:

[Gabriel] — Léo, eu trouxe capacete, joelheiras e cotoveleiras pra você não se machucar.

[Léo] — Nossa, até parece minha mãe. — Léo começou a rir — Eu não quero colocar isso tudo.

[Gabriel] — Mas Léo, você tem que colocar, sua mãe pediu.

[Léo] — Mas minha mãe não está aqui. Eu não quero colocar e eu não vou cair. Você vai ta aqui do meu lado, não vai?

Gabriel ficou olhando Léo. Ele estava pensando no que dizer. Então, ele guardou as joelheiras e cotoveleiras na mochila.

[Gabriel] — Ta bom Léo, mas, você promete usar só o capacete?

[Léo] — Mas Gabriel...

[Gabriel] — Léo, por favor, só o capacete.

[Léo] — Ta bom — Léo deu um sorriso.

[Gabriel] — Que bom que você concordou, agora espera ai que eu vou colocar o capacete em você. Não se mexe.

Gabriel pegou o capacete, abriu a trava dele e foi colocando na cabeça do Léo. Depois de colocado, Gabriel começou a rir.

[Léo] — Do que você ta rindo?

[Gabriel] — É que ficou um pouco estranho você de capacete — Gabriel deu uma risada.

[Léo] — Se for assim eu tiro ele.

[Gabriel] — Não! Ta eu paro de rir. Parei de rir. — Gabriel se continha para não rir — Deixa eu te ajudar a subir na bicicleta.

Gabriel segurou a bicicleta com uma mão, e com a outra ele guiou Léo até o banco. Leonardo começou a passar a mão na bicicleta, procurando pelo banco dela. Quando ele achou o banco, Gabriel apoiou a bicicleta nas pernas, enquanto ajudava Léo a subir.

[Gabriel] — Léo, agora sobe aqui na bicicleta, eu vou te ajudar.

Léo colocou um dos braços no ombro de Gabriel, e com a outra mão, segurou no guidão da bicicleta. No primeiro impulso, Léo conseguiu subir na bicicleta. Ele se sentou e ficou com os pés no chão. Gabriel continuou segurando a bicicleta.

[Gabriel] — Muito bom Léo. Logo de primeira você conseguiu subir — Léo deu um sorriso — Agora coloca os seus pés nos pedais. Eu vou continuar segurando a bicicleta e depois vou empurrar ela.

[Léo] — Como assim? Vai empurrar ela? Você vai me soltar? — Léo fez um olhar de preocupação.

[Gabriel] — Calma Léo. Eu vou ficar segurando a bicicleta pra você não cair.

[Léo] — Ah entendi. Então calma, deixa eu colocar o pé no pedal.

Léo colocou os pés nos pedais. Então, Gabriel começou a empurrar a bicicleta bem devagar.

[Gabriel] — Vamos lá Léo, vou empurrar bem devagar, você continua com os pés nos pedais e vai acompanhando eles.

Gabriel continuou empurrando a bicicleta e Léo foi acompanhando.

E os dois ficaram assim a tarde toda.

Léo estava se saindo bem. Porém já estava ficando um pouco tarde, então os dois decidiram irem embora.

Gabriel se ajeitou para ajudar Léo a descer da bicicleta.

[Gabriel] — Léo, desce da bicicleta pra irmos embora.

[Léo] — Me ajuda aqui. — Léo parou bicicleta e colocou os pés no chão. Então, tirou o capacete e entregou para Gabriel — Pega aqui o capacete.

[Gabriel] — Você consegue descer sozinho da bicicleta?

[Léo] — Eu acho que consigo — Léo se mexeu um pouco, levantou o pé esquerdo, enquanto se apoiava com o direito. — É, acho que eu consigo mesmo.

[Gabriel] — Léo, você não quer que eu ajude? — Gabriel estava com o capacete numa mão e a outra levantada para segura Léo.

[Léo] Não! Eu consigo sozinho. — Léo levantou a perna esquerda completamente, na hora que ele pegou impulso para sair da bicicleta, ele prendeu o pé nela, perdeu o equilíbrio e caiu no chão.

Gabriel se assustou, soltou o capacete no chão e rapidamente foi em direção ao Léo para ajudá-lo.

[Gabriel] — Léo! Meu Deus, cuidado, você ta bem?

Gabriel se agachou no chão, e colocou um braço do Léo, em volta da sua nuca, pegou impulso e levantou ele.

[Gabriel] — Léo, você deveria ter deixado eu te ajudar, ta vendo? Você se machucou!

[Léo] — Aaaaiii — Léo estava gemendo de dor — Meu joelho ta doendo.

Gabriel olhou para o joelho do Léo, e viu que estava ralado e sangrando.

[Gabriel] — Léo, você ralou o joelho, está sangrando um pouco. Vamos lá pra minha casa lavar isso e colocar um curativo.

[Léo] — Mas minha mãe pediu pra voltar pra minha casa. — Léo deu mais um gemido de dor e colocou a mão no joelho.

[Gabriel] — É rápido Léo. Só vou colocar um curativo ai.

Léo ficou com seu braço apoiado no Gabriel, enquanto ele levava a bicicleta. Eles estavam voltando a pé.

Os dois já estavam chegando, Gabriel então pegou a chave dele. Na frente do portão, Gabriel destrancou ele.

[Gabriel] — Léo encosta aqui na parede, vou levar a bicicleta lá dentro.

[Léo] — Ok — Léo encostou na parede, com a mão no joelho.

Gabriel entrou dentro da casa dele, ele demorou um pouco. Léo ainda estava com o joelho doendo.

[Léo] — Ai Gabriel, por que você ta demorando? — Passou mais uns dois minutos e Gabriel saiu da casa.

[Gabriel] — Desculpa a demora, eu guardei a bicicleta e entrei dentro da minha casa, fui ver se meu pai estava lá. Acho que ele saiu. Vem Léo, entra aqui. — Gabriel ajudou Léo a entrar — Vamos, vou te levar ali no meu quarto.

Os dois chegaram no quarto, Gabriel ajudou Léo a se sentar na cama.

[Gabriel] — Vou ali no banheiro pegar o curativo e alguma coisa pra passar no machucado.

Gabriel saiu do quarto e foi ao banheiro, lá ele pegou um remédio para espirrar no joelho do Léo, um pano para limpar o machucado e alguns curativos e esparadrapos. Gabriel, então, ficou parado no banheiro, olhou para o espelho por algum tempo. Olhou para a porta do banheiro e foi virando a cabeça até olhar para o quarto onde Léo estava. Ele ficou encarando. Gabriel estava pensando sobre ele e Léo estarem sozinhos em casa.

[Léo] — Gabriel? Você ta ai? — não respondeu — Gabriel? — Léo se levantou da cama. Ele inclinou os braços pra frente e começou a passar a mão pelas paredes do quarto. Léo estava procurando a porta.

[Gabriel] — Léo, desculpa, eu não estava achando os curativos, senta ali na cama, vou fazer o curativo em você.
Léo foi até a cama e se sentou, foi esticando a perna, enquanto Gabriel sentava do lado dele.

Gabriel pegou o pano e passou no joelho do Léo, então depois, pegou o remédio, abriu ele e disse:

[Gabriel] — Léo, vou jogar um remédio no seu machucado, vai arder um pouco.

Gabriel espirrou o remédio bem em cima do machucado. Léo deu um pulo na cama.

[Léo] — Aaaai, ta ardendo. — Léo se contorcia na cama.

[Gabriel] — Calma Léo, para de se mexer, eu vou colocar o curativo agora.

Léo ficou parado, seu joelho estava ardendo. Gabriel pegou o esparadrapo e foi colocando no joelho do Léo. Com o tempo, o joelho parou de arder. Léo ficou mais calmo. Quando acabou de fazer o curativo, ele pegou o pano e passou ao redor do machucado, para limpar o excesso de remédio.

Gabriel ficou sentado do lado de Léo, ficou passando o pano no joelho dele. Em certo momento, Gabriel parou de passar o pano, começou a olhar o rosto do Léo. Ficou encarando ele por alguns segundos.

[Léo] — Ah, parou de arder, meu joelho já está um pouco melhor. Valeu Gabriel. — Léo esperava alguma resposta, porém Gabriel não disse nada — Gabriel? O que foi? — Léo então começou a apalpar a cama, procurando pelo braço de Gabriel. Ele conseguiu encontrar. Segurou firme nele — Gabriel, você ta bem?

De repente, Gabriel puxa o braço de Léo, o deixando assustado.

[Léo] — Gabriel? O que você ta fazendo, você... — Léo foi interrompido, Gabriel deu um beijo nele. Ele afastou o rosto do Léo, que deu um sorriso. Então, Léo levantou o braço e bem devagar começou a passar a mão no rosto do Gabriel e os dois voltaram a se beijar.

Gabriel e Léo estavam se beijando, quando de repente, um barulho vem da sala. Era a porta abrindo. Os dois pararam de se beijarem. Segundos depois, o pai de Gabriel, Antônio, aparece na porta.

[Antônio] — Oi filho. O que está acontecendo?

[Gabriel] — Oi pai. — Gabriel arregalou os olhos e se levantou da cama — Pai, esse é o Leonardo.

[Antônio] — Ah, olá Leonardo, é um prazer conhecê-lo. Gabriel me falou muito de você — O pai de Gabriel começou a olhar Léo e reparou no joelho dele e nas coisas que estavam jogadas na cama. — O que aconteceu com ele?

[Léo] — Eu cai de bicicleta e ralei o joelho. O Gabriel pediu pra eu vir aqui, pra fazer um curativo. — Léo se levantou da cama. Ergueu os braços para frente e começou a procurar a porta.

[Gabriel] — Calma Léo, espera ai. — Gabriel segurou Léo, e foi guiando ele até o pai. Chegando nele, Léo e Antônio se cumprimentaram.

Léo, Gabriel e o pai dele ficaram conversando por alguns minutos. Porém, Léo tinha que ir embora.

[Gabriel] — Pai, vou levar o Léo pra casa dele. Já está começando a ficar muito tarde. A mãe dele deve ter chegado do mercado.

[Antônio] — Ah tudo bem, enfim, foi um prazer falar com você Leonardo. Volte sempre que quiser.

[Léo] — O prazer foi meu, senhor Antônio. — Léo e o pai de Gabriel trocaram sorrisos e se despediram.

Na rua, Léo estava segurando o braço de Gabriel, eles já estavam chegando.

[Léo] — Gabriel, o que foi aquele beijo? — Gabriel demorou um pouco pra responder.

[Gabriel] — Hmmm, eu não sei. Só senti vontade de te beijar. — Gabriel começou a rir.

Os dois tinham chegado, pararam na frente do portão. Gabriel abriu ele.

[Gabriel] — Chegamos Léo. O portão da sua casa está destrancado, sua mãe já chegou então, hmm — Gabriel encarou ele — Tchau, até amanhã.

[Léo] — Tchau Gabriel. — Léo ficou em silêncio por alguns segundos — Foi muito legal hoje, gostei de mais.

[Gabriel] — Eu também achei divertido hoje. Enfim, vou indo Léo. Até amanhã.

Gabriel foi embora, Léo entrou em casa. Ele foi indo direto para o quarto. Ele tirou o celular do bolso e colocou na mesa do computador. Tirou a camisa e o short e pegou outra roupa que estava no armário. Vestiu ela e foi para a cozinha. Chegando lá, Laura e Carlos estavam sentados na mesa.

[Laura] — Oi Léo. Como foi lá? — Laura começou a olhar Léo, de repente ela olhou para o joelho dele — O que é isso Leonardo? O que aconteceu?

[Léo] — A mãe, eu tropecei e cai da bicicleta. Mas eu to bem.

[Laura] — Como assim Léo? Você não ta bem, como você tropeçou? Olha o seu joelho.

[Carlos] — Léo, como você machucou o joelho?

[Léo] — Ah pai, eu fui descer da bicicleta sozinho, ai eu prendi o pé nela, perdi o equilíbrio e cai.

[Laura] — Desceu da bicicleta sozinho? Como assim? E o Gabriel? Ele não estava lá pra te ajudar?

[Léo] — Ele estava. Mas — Léo respirou fundo — eu pedi pra ele me deixar descer da bicicleta sozinho.

[Carlos] — Mas filho, o Gabriel falou pra nós que ele tinha levado alguns equipamentos, tipo joelheiras e cotoveleiras.

[Léo] — Eu não quis usar elas. Eu só usei o capacete.

[Laura] — Meu Deus, Léo! Você poderia ter se machucado mais seriamente.

[Léo] — Mas eu não me machuquei seriamente mãe. Só ralei o joelho. Todo mundo já ralou o joelho.

[Laura] — Está bem Léo. Pelo menos o Gabriel já fez o curativo. — Laura deu um sorriso rápido. Virou-se e foi para o fogão preparar a janta.

[Carlos] — E você gostou de andar de bicicleta Léo?

[Léo] — De mais pai. — Léo deu um sorriso. — Gostei muito.

Uma semana se passou. A rua em que Léo e Gabriel andavam de bicicleta estava vazia. De repente, algo passa rápido por ela. Era uma bicicleta. Léo estava sentado nela, enquanto Gabriel estava atrás, segurando nas costas dele. Quando eles estavam chegando numa rua, Gabriel olhou para os dois lados.

[Gabriel] — Pode ir Léo!

Léo continuou pedalando, as vezes ele soltava o pé do pedal, mas estava conseguindo andar normalmente, os dois estavam rápidos de mais. Léo estava com uma cara de espanto, mas então, ele começou a rir.

Léo começou a apertar o breque da bicicleta bem devagar. A bicicleta foi perdendo velocidade e começaram a ir mais lentamente. Gabriel começou a olhar Léo, então, ele segurou firme nas costas dele e deu um sorriso.

Léo parou a bicicleta, colocou os pés no chão e virou um pouco a cabeça.

[Léo] — É, acho que aprendi a andar de bicicleta.

Gabriel começou a olhar para o olhos de Léo, os dois trocaram sorrisos, então, Gabriel abraçou Léo.

Notas finais
Breve analise do 1º Capítulo: No começo do capítulo temos uma cena direta do filme. A mãe de Léo, Laura, é uma mãe "ultra protetora" e ela acaba impedindo o filho de fazer várias coisas. Porém, o pai, Carlos, ainda consegue convencer a mãe de deixar o filho fazer algumas atividades. Léo gosta de aprender coisas novas. Na cena da casa do Gabriel, percebemos que ele sente certa atração por Léo. Gabriel está se apaixonando cada vez mais por ele. Podemos perceber que os pais de Léo e Gabriel não desconfiam da sexualidade de seus filhos. No final, a cena da bicicleta, é uma cena direta do filme.