Notas iniciais
Pois é, chegamos ao final da história! É uma historinha curtinha, mas espero que tenham gostado! Muito obrigada a todos que leram me acompanharam até aqui! Se puderem deixar um comentário dizendo o que acharam, eu agradeceria muito, pois é muito importante saber o quanto meu conto foi aprovado. Isso ajuda o escritor a não morrer. Sem mais delongas, o último capítulo de Não Pense no Pior!

Porque o amor tem que ser tão complicado? Eu sinceramente não entendo isso, ainda bem que até hoje não me envolvi com ninguem (ta bom, com um ou dois meninos, mas não foi nada sério).

Eu, Margot e Diego tinhamos combinado de ir ao boliche à tarde, então eu arrumei minhas coisas e fui até lá. Comecei a procurar pelos dois, mas não os encontrava em nenhum lugar. Então olhei para a lanchonete e vi uma menina de longos cabelos loiros. Fui até ela, tinha certeza de que era a Margot, e eu estava certa:

–Oii!!

–Oi... — Ela respondeu meio tristinha.

–O que foi? ta com uma cara de quem comeu e não gostou...

A chefe da cozinha da lanchonete olhou com uma cara feia pra mim, provavelmente não gostou do comentario, ja que tinha um prato cheio de migalhas perto de Margot.

–Não é nada...

–Sério? Tem certeza disso?

–Assim como o dia é dia e a noite é noite.

–Hum... Então ta... Cadê o Diego?

Os olhos dela se encheram de raiva, eu pude sentir isso. Ela apontou para uma das pistas do boliche:

–Ele ta lá... — Ela disse com amargura. Algo não estava certo.

Fui andando calmamente em direção ao Digo, um apelido fofo que demos pra ele...

–Oi — Eu disse, enquanto o cumprimentava com beijinhos.

–Oi

–Escuta, o que houve? Porque você e a Margot não estão juntos? Pensei que vocês...

–Olha Heina, não foi você que me disse que só devemos ficar com alguem quando sabemos que a amamos?

–Sim. — Eu disse com (MUITO) medo.

–Pois é. Aquilo que eu sentia pela Margot acabou faz algum tempo.

–Você... V- você terminou com ela?

Ele me olhou com a cara que um cachorrinho faz quando apronta algo. Fiquei com pena...

–Eu cheguei pra ela e pedi pra que ela não ficasse brava comigo. Ela disse que sim, então eu falei.

–Ela esta muito brava. Ou triste. Ou os dois.

–Eu sinto muito. Eu não a amo mais.

Fui andando até Margot. Como alguem ama e desama uma pessoa assim? Fiquei confusa.

O tempo dessa pequena conversa com Diego foi o tempo necessário pra que ela tivesse três taças imensas de sorvete vazias do seu lado.

–Escuta Margot, eu sinto muito pelo o que aconteceu...

–Ele te contou

–Sim.

–Porque ele não me ama mais? o que foi que eu fiz?

–Você não fez nada, ele só não... — fiz uma pequena pausa.

–Ele não...?

–Eu tambem não sei. Sinto muito.

Ela encostou a cabeça no meu ombro e começou a chorar. Fiquei com muita pena. Ver a minha melhor amiga chorando no meu ombro não foi o que eu tinha planejado pra essa tarde. Mas eu não podia deixa-la na mão. Não numa hora dessas.

–Eu quero ir embora.

–Não pode ir agora. Você não vai jogar? Tenta esquecer que ele ta aqui só por alguns minutos...

–Não dá. Eu tenho que ir embora antes que eu imagine a morte pra esse infeliz.

Eu olhei para o pescoço dela e vi o colar. MEU DEUS, SE ELA IMAGINAR QUALQUER COISA PARA O DIEGO... DANOU-SE.

–Tira esse colar, Margot. quem sabe o que você pode imaginar.

–Não tiro

–Tira

–Não tiro

–TIRA!

Numa atitude impensada, tentei arrancar o colar do seu pescoço, mas ela segurou minha mão com muita força. Depois de muito tentar arranca-lo, uma bola de boliche me acertou e eu cai no chão. Margot olhou para mim assustada

–MINHA NOSSA, ME DESCULPA, EU NÃO TINHA A INTENÇÃO DE TE MACHUCAR HEINA, POR FAVOR ME DESCULPA, EU JURO QUE EU...

–Calma, calma, ta tudo bem... Ai... Eu acho.

Margot me ajudava a levantar, ainda com cara de preocupada.

–Você esta bem mesmo né? Eu não te machuquei? Era pra isso ter acontecido com o Diego...

–O QUE? VOCÊ IA FAZER ISSO COM ELE? COMO CABE TANTA MALDADE NESSE CORAÇÃO?

–Desculpa, eu vou tirar o colar.

Ela começou a tira-lo, mas ja era tarde demais. Uma bola acertou o Diego, ele caiu no chão e desmaiou. Juntou um povo em volta dele e eu fui ver como ele estava, enquanto Margot ligava para a ambulancia.

Fomos todo juntos até o hospital e a enfermeira nos deu a noticia:

–Seu amigo esta bem e ja acordou do desmaio, mas quebrou uma perna com o tombo. Ele vai se recuperar logo... O que foi que o acertou mesmo?

–Uma bola de boliche

Ela fez uma cara nada agradavel

–Puxa... Tem sorte dele não ter quebrado mais ossos!

Eu olhei para Margot com um pouco de raiva, e ela percebeu isso... Poxa vida, eu conheço ela desde que nascemos, e ela não é de fazer essas coisas! O pior era saber que, através dela, fui eu que tinha "colocado esse menino no mundo", pra que ele fosse maltratado assim.

–Desculpa Heina, mas eu estava com raiva, não deu pra segurar... Juro que estou imaginando no Diego tendo uma recuperação milagrosa e saindo daquele quarto andando normalmente...

Esperamos na recepção por uns 10 minutos e nada.

–Você não esta pensando.

–Eu estou sim!

–Não é isso... Você está pensando com a mente. Pense com o coração!

Ela fechou os olhos com força e começou a pensar... E nada.

–Vem comigo.

Puxei ela pelo braço e entramos no quarto onde o Diego estava. Ele ficou surpreso quando nós entramos.

–O que vocês estão fazendo aqui?

–A Margot quer te falar uma coisa.

–O que eu quero falar?

–Você sabe muito bem o que você tem que falar.

Ela abaixou a cabeça e olhou para Diego:

–Desculpa. Eu não queria te machucar, sério, mas a raiva tomou conta de mim.

–Tudo bem... Ei! Você esta usando o colar do olho! Aquele que realiza pensamentos!

–Como você sabe?

–Eu ja tive problemas com esse colar. Eu devolvi ele, mas me arrependi.

–Queria ficar com ele pra você?

–Não, queria ter quebrado ele. Aquele senhor que me vendeu o colar só queria passar a perna em mim e em mais um monte de gente. Todos que usam esse colar acabam tendo problemas com ele mais tarde. E todos devolvem, o que acaba fazendo com que o velinho o venda de novo para outras pessoas.

–Nossa, que mal... — eu fiquei surpresa com a esperteza do senhorzinho. — Mas, acho que esta na hora de usar esse colar pela ultima vez, não é Margot?

–Tambem acho Heina.

Ela pôs a mão no peito do Diego, e sua mão começou a brilhar. O gesso na perna de Diego quebrou e caiu, e ele se levantou. Ele sorriu para ela e a abraçou. Ela arrancou o colar de seu pescoço e o apertou com força dentro da mão, fazendo-o se quebrar. Quando ela abriu a mão, os restos daquele olho de vidro viraram cacos, que se transformaram num pó brilhante roxo, que desapareceu no ar. Diego olhou fundo nos olhos dela:

–Ainda podemos ser amigos?

–Bem, eu...

Eu olhei pra ela, e parece que ela entendeu a mensagem.

–Tudo bem — Ela respondeu sorridente, dando logo em seguida um abraço de grupo em nós.

Saimos do hospital felizes da vida, e hoje esse episódio do colar virou pagina virada para nós. Hoje, nós nos vemos todas as tardes, e passeamos a todos os tipos de lugares: Shoppings, parques, boliches, sorveterias, lanchonetes, feirinhas de artesanato... Mas feirinha cigana, só vamos pra olhar mesmo, vai que a gente da de cara com um outro senhor vendendo um certo colar de olho de vidro...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!