Neblinas cobrem toda a região como todo inverno. Ninguém sabe explicar as belezas da natureza, mas existem casos que essa natureza só piora as coisas, principalmente quando se trata da cidade de Fagenold.

Noite de terça feira a chuva e a neblina dominaram o horizonte da cidade, um belo clima para ficar em casa aproveitando o calor da fogueira ouvindo o silêncio da noite acompanhada pelos barulhos de pingos de chuva na Janela. Mas nem todos podem aproveitar deste solene momento.

Um relâmpago iluminou o rosto de Paul que corria desesperadamente pelas trilhas da floresta ao lado de Fagenold. O seu rosto molhado aparentava uma forte preocupação e um medo intenso. Paul tropeça em vários galhos e a cada segundo ficava ainda mais cansado e machucado.

A cada minuto Paul olhava para trás em procura de algum movimento. Ele parecia de alguma forma estar fugindo de algum animal, ou até mesmo humano. Incapaz de se concentrar totalmente no que estava fazendo, sempre que olhava para trás e não via nenhum movimento, Paul diminuía o passo e andava mais devagar na crença de que o suposto perigo tivesse passado.

Paul vê uma árvore com uma abertura larga em seu troco, pensou que ali seria um abrigo considerável até a chuva passar. Grandes árvores escondiam a luz do luar, o local era escuro, talvez ali pudesse ser um esconderijo para desviar a atenção de qualquer ser vivo ali presente. O barulho de chuva e trovões era forte, mas Paul ainda era capaz de perceber o pequeno silencio que ainda permanecia ao seu redor. Paul começa a se soltar aos poucos, no indesejado momento eis que escuta:

— Não olhe para trás.

A voz não pertencia a Paul, e não havia ninguém visível ali. Voz trêmula demais para ser a sua própria consciência. No pavor do momento Paul novamente se levanta e corre mais fraco e mais cansado, mas tenta persistir. Desta vez, não se preocupou em olhar para trás.

Alguma coisa encapuzada o persegue lentamente com o foco no seu alvo. A criatura parecia conhecer cada centímetro de onde pisava. Para ele parecia fácil andar por ali. A cada tropeço que Paul dava, mesmo que fosse irrelevante, mais próximo a criatura estava de Paul.

Paul tropeça em uma pedra, mas agora pela última vez. Deitado na lama se contorce para tentar levantar, mas já era tarde. Uma faca colocada em seu pescoço faz com que ele fique paralisado de vez. Paul olhou para os profundos olhos azuis e apenas com o seu rosto de desespero implora pela vida sem dizer uma palavra.

Mais um relâmpago, mas ao invés de iluminar o rosto inocente de Paul, agora iluminava o sangue escorrendo de seu corpo e misturando com as poças provocadas pela chuva. Sem delongar o momento, o ser encapuzado desaparece nas neblinas no horizonte da floresta.

Era dia, ainda nublado, mas a chuva já havia passado. Cidadãos de Fagenold retomaram suas atividades normais, porém ninguém se quer percebeu a ausência de alguém em seu meio.

Pouco tempo após o começo do dia, Scott Taylor, chefe do departamento de investigações da polícia local, recebe uma ligação anônima em seu escritório. Por falhar e cortar o tempo inteiro, ligação parecia ser de um lugar fechado ou sem sinal, talvez das montanhas ou da floresta. A ligação cai e Taylor não se preocupa e retonar a ligação, se fosse caso urgente, o informante o ligaria novamente.

Assim aconteceu, em poucos segundos o telefone toca. Taylor atende e percebe ser a mesma pessoa pelo tom de voz. O informante está claramente desesperado e grita através do telefone:

— Polícia, na floresta tem uma coisa aqui que vocês precisam ver.

Antes de perguntar mais informações, Taylor perde o sinal com o informante e mais uma vez a ligação cai. Agora preocupado, Taylor encosta na cadeira e aguarda mais uma ligação. Ele olha fixamente para o telefone, que por um tempo agora permanecia em silencio.

Demorou, mas novamente o telefone toca. Taylor atende rapidamente e não diz uma palavra, apenas aguarda as informações chegarem, mas agora não era a mesma voz.

— Na floresta, na região sul próximo à trilha existe algo suspeito. Sem muitos detalhes, seria bom se alguém investigasse o local.

A voz agora era mais grave e mais estridente, mas Taylor não se preocupou com a voz, apenas prestou atenção nos detalhes da denuncia. Taylor dirigiu-se até a sala de armamentos policiais, e solicitou ajuda de dois amigos na sua investigação. Os seus colegas de trabalho, Thomas Blake e Richard Mekin não tinham opção de escolha, de bom gosto, dirigiram-se junto com Taylor até o local informado.

A cena era bastante perturbadora, o corpo do jovem morto ao lado da trilha da floresta não apresentava sinais de agressão suficientes para um sangramento intenso igual ao do corpo. Os únicos sinais eram pequenos cortes no braço e arranhões, mas nenhum profundo capaz de acabar com todo o sangue do corpo.

— Como que diabos isso aconteceu? – Thomas se questiona pelo fato.

— Existe um corte no pescoço – Richard levanta a cabeça do falecido e mostra aos outros – Talvez isso tenha o matado.

— Mas não explica os sangramentos excessivos – Thomas rebate.

Taylor cruza os braços e confirma consigo mesmo que não dava para descobrir nada ali. Antes de dar sua opinião sobre o caso, dá a primeira ordem:

— Thomas, chame a perícia e isole o local. De o apoio aos peritos nessa região, e avise que quero o corpo no laboratório da delegacia ainda hoje – Thomas concordou e Taylor continuou – Richard, temos que pesquisar quem é esse cara.

Richard tirou algumas fotos do corpo no chão e junto à Taylor aguarda a chegada da perícia para coleta das digitais e em seguida a chegada do transporte para o corpo. Após isso chegaram à delegacia em pouco tempo.

Richard era técnico de tecnologia da policia e auxiliava no departamento de registro de cidadãos da cidade. Usando as tecnologias que ele conseguia trazer de fora, Richard usou as digitais do falecido para a identificação do corpo. Enquanto isso, Taylor junto com outros pesquisadores investigaram as marcas do corpo que já estava na delegacia.

Taylor e Richard passaram quase o dia inteiro trabalhando nisso.

O programa que Richard usava dava resultados precisos, mas dessa vez o programa não correspondia com o pedido de Richard. A identificação era dupla, ou seja, existiam duas pessoas com a mesma digital, sendo que uma delas já estava falecida há anos.

— Tay, olha isso daqui – Richard mostra o resultado para Taylor, que não entende tudo de primeira e segue explicando – Essa digital pertence à Paul Shadow. Já esta daqui pertence ao falecido Larry Leroy.

— São iguais – Taylor se impressiona com a coincidência.

— Pior ainda, você se lembra de como que Leroy faleceu? – Richard dá uma pausa e Taylor arregala os olhos com uma cara de espanto – Ele morreu em uma floresta, com hemorragia.

— Igual Paul – Taylor confirma – Mas isso é impossível.

Antes da conversa se estender, Thomas interrompe, ele estava de volta à delegacia e com novas informações. A investigação do ambiente ainda não estava concluída, mas algo curioso chamou a atenção.

— Não existe marcas de sapatos no local a não ser as marcas do sapato do corpo – Thomas mostra fotos do seu próprio celular – A perícia está afirmando que ele estava correndo, mas sozinho, não tinha ninguém lá.

— Pelo visto esse caso vai se estender por um tempo – Richard pede Thomas para enviar a foto e continua a falar com Taylor – Não vamos terminar hoje, já está ficando tarde. Tem certeza que quer continuar aqui?

— Que seja – Taylor soltou os braços e se dirigiu a saída – Me liguem se descobrirem qualquer informação.

Taylor pegou seu casaco, entrou no seu carro e foi para casa. Thomas também não estava a fim de trabalhar a noite inteira, saiu da delegacia logo após Taylor. Richard se comprometeu consigo mesmo em ficar até mais tarde trabalhando em pesquisas. Richard morava só na cidade, e não se importava em dormir no sofá da delegacia por uma noite.

Taylor saía do trabalho, mas o trabalho não saía de si. Taylor no caminho para casa estava pensando em possibilidades e mais possibilidades do caso. A noite caiu diferente da noite anterior, desta vez estava limpo, e a lua cheia dominava o céu.

Taylor estaciona o carro e fica parado por mais um tempo até perder a preguiça para sair do carro. As luzes da sua casa estavam todas acesas, mas nenhum barulho estava vindo de lá. Então Taylor estranhou e saiu do carro batendo a porta do veículo.

Ouvindo o barulho do carro alguma coisa se mexeu dentro da casa e foi até a porta, abriu-a lentamente, e ao ver Taylor gritou:

— Papai! – Alice, a filha de Taylor pulou em seus braços.

Não demorou muito para aparecer também Tom, o seu filho mais velho, já adolescente e sua esposa Wendy. Taylor cumprimentou todos, bem feliz, mas estava exausto do dia de hoje.

Taylor para aguardar a janta, sentou-se a uma poltrona que ficava em frente uma Janela grande na sala de estar, e ficou observando a luz da Lua invadir os espaços escuros ao redor da sua casa.

Taylor desviou o olhar a poucos centímetros e viu alguém encapuzado obervando a Janela. Sua face não estava totalmente exposta, mas era possível perceber a profundeza dos seus olhos. Taylor se levanta da poltrona e vai até a janela tentar encontrar características no corpo para descobrir quem era.

Ao perceber que Taylor estava o encarando, o ser encapuzado deu uma risada fraca se virou e saiu andando pelas ruas até desaparecer em uma das ruas. Taylor percebeu que havia algo errado acontecendo, pegou o telefone e retornou para um dos amigos.

— Thomas, tem algo errado aqui em Fagenold – Taylor aguarda Thomas responder, mas nenhuma resposta vem do seu telefone – Thomas?

A ligação cai, e logo em seguida as luzes foram apagadas da rua inteira. A família de Taylor se junta perto dele.

— Thomas, filho da puta. Cadê você? – Taylor coloca a arma na cintura novamente mantendo a mão nela.

Taylor estava se concentrando em tudo que via pela Janela. Ele se aproximou ainda mais o rosto da janela. No mesmo instante os olhos profundos da criatura encapuzada aparecem na janela. Taylor toma um susto e atira quebrando o vidro da janela e acertando o ombro do encapuzado.

Taylor se aproxima da janela lentamente para ver o corpo caído no chão ainda com a arma levantada. Colocou a cabeça para fora e olhou para baixo. Assim que desceu os olhos, a criatura o assusta novamente, agora todo ensanguentado tenta acertar com uma faca o crânio de Taylor.

A porta da frente da casa abre e um disparo acerta a faca na mão do encapuzado derrubando também a arma de Taylor. Ao olhar para porta, ele vê Thomas armado e correndo até a sala.

— Porque não atendeu meu telefonema? – Taylor pergunta furioso.

— Eu ia saber que a ligação ia cair? – Thomas aponta a arma para janela e se assusta – Cadê a porra do encapuzado?

Taylor e Thomas saem pela porta da frente e dão uma volta ao redor da casa e percebem que o encapuzado desapareceu. Não demorou muito para os poucos vizinhos saírem na rua ao ouvir barulhos de tiro e gritarias. Taylor e Thomas tentaram acalmar a vizinhança.

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Richard não estava sozinho. Na delegacia havia dois guardas no turno da noite, um atendente estagiário, e um policial de plantão. Todos estavam cientes do caso novo de Scott Taylor. Richard aproveitou também o plantão a noite e foi coletar mais vestígios no corpo de Paul no laboratório para dar continuidade à pesquisa.

Richard paralisa ao chegar no laboratório, ficou imóvel e pálido por alguns minutos. Estava totalmente assustado e sem entender nada, custou a conseguir pegar o telefone no bolso para ligar para Taylor.

— Taylor... O corpo de Paul não está aqui!