Notas iniciais
Aviso: Violência

Não demorou cinco minutos para que todos os soldados estivessem trabalhando. Quatro caminhões transportadores de soldados estavam parados em frente à delegacia, todos os soldados o carregavam com armas e munições.

— Porra Richard – Thomas se espanta — de onde você tirou esses caminhões?

— Digamos que eu tenha o contato das grandes cidades mais próximas.

— A cidade grande povoada mais próxima daqui está a mais de 200km – Thomas retrucou – Não é possível que essa merda tenha chegado aqui em cinco minutos.

— Conheço Scott Taylor – Richard respondeu com um sorriso sarcástico – Assim que ele disse suas primeiras palavras para a cidade inteira, já sabia que isso ia acontecer.

— Você é um gênio – Disse Thomas enquanto Richard virava as costas e voltava ao seu trabalho.

Um dos soldados que foi nomeado líder de uma das unidades foi até a sala do chefe, onde Scott Taylor sempre ficava sozinho antes de realizar qualquer missão para esfriar a cabeça.

— Senhor Scott? – Diz o soldado abrindo a porta lentamente.

— O que você quer Drake? – Taylor vira para a porta – Espero que seja importante.

— O Senhor Richard está solicitando sua presença no laboratório.

Drake é um dos policiais mais jovens da região, porém um dos mais fortes e competentes, foi expulso do exército da capital por enfrentar o próprio general, e se mudou para Fagenold junto com a família. Assim que chegou à cidade fez sua inscrição para ser um militar e foi aprovado na primeira etapa. A escolha de Drake como líder de uma unidade, foi pela experiência que ele teve em forças armadas pesadas contra rebeliões e ataques violentos na capital.

— Obrigado – Taylor responde e Drake assente e sai da sala.

Thomas aguardava o chefe na escada que descia para o laboratório experimental, acompanhou os passos de Taylor assim que ele passou e sem dizer nada desceram as escadas até o encontro de Richard.

— Temos apenas dez minutos Dr. Richard Mekin, então seja rápido – Taylor dá uma pausa na fala e admira o que vê na sala – Que porra é essa?

— Não estamos enfrentando pessoas qualquer, nem sequer um exército qualquer. Isso é uma guerra contra demônios – Richard se aproxima de Taylor o conduz pela sala o empurrando pelas costas – Então eu pensei, armas comuns não serão suficientes para obter um bom sucesso.

— O que isso faz – Thomas é interrompido por Richard antes que ele detonasse a sala inteira.

— Não toque nisso Thom, vai derrubar esse prédio inteiro – Richard diz e Thomas concorda – Aproveitando o “quase suicídio” de Thomas, aquilo que quase nos matou é uma granada de moléculas de enxofre e fósforo, capaz de queimar até mesmo uma molécula de água em estado gasoso.

— Quando vai distribuir para os soldados? – Taylor questiona.

— Já está distribuído, eu substituí as granadas comuns por essa em todas as caixas. Tudo que os soldados estão carregando já passou por este laboratório – Taylor não diz nada – Todas as armas possuem um alcance três vezes maior, e sua munição não é feita com balas comuns, e sim com lazer recarregável capaz de perfurar uma parede de concreto em 8 segundos.

Antes de qualquer comentário de Taylor, o sinal que dava início a missão tocou. Todos os soldados correram para a praça em frente à delegacia e formaram um grande pelotão. Taylor deu as últimas orientações e Thomas apresentou a estratégia.

— Nosso alvo maior é Coatboard, mas tudo pode acontecer antes de chegarmos lá. Não tenham medo de atirar em nada, porém cuidado em que vocês acertam.

— Não desperdicem as granadas – Richard interrompeu.

Todos os soldados entraram nos caminhões e cada um saiu em direção à estrada formando uma grande fila. Os cidadãos olhavam intimidados através de suas janelas, alguns imaginavam que seria o fim do mundo, outros achavam que morreriam antes mesmo da volta dos soldados.

Assim que o ultimo caminhão saiu, uma fumaça preta sai de dentro da delegacia e cobre todo o céu deixando a região totalmente sob trevas. Uma chuva forte acompanhada de relâmpagos enche a estrada de lama dificultando os soldados na estrada e os soldados que estavam nas ruas da cidade.

Algumas famílias viram a chuva como uma oportunidade de fuga da cidade, prepararam as malas em menos de cinco minutos e saíam de casa até a estrada mais próxima.

— Olhem – Um dos soldados gritou apontando para a família que corria nas ruas – Atirem!

Mais ou menos oito soldados metralharam a família de uma vez matando a mãe, e os três filhos. Os corpos foram deixados ali mesmo, e os suprimentos levados à um lugar seguro.

Devido à grande quantidade de lama na estrada, os soldados tiveram grande dificuldade de transporte, mas Taylor insistiu que a missão não tivesse volta. Três caminhões foram totalmente submersos, e os soldados andavam a pé ao lado dos outros caminhões pela estrada.

Pouco tempo depois já era possível ver a cidade de longe, mas ainda tinha muito caminho pela frente. Mas os soldados estavam firmes no objetivo e não desistiram, fizeram todo o esforço para conseguir seguir o caminho em meio a tantos obstáculos.

Algo no horizonte chama atenção de Taylor, ele levanta a sua mão e todas as operações param de andar. Ele sozinho desce do caminhão e anda alguns passos a frente.

— Filho da Puta – Taylor diz consigo mesmo.

A Cidade Coatboard estava tomada pelas chamas e um grupo de criaturas caminhava na mesma direção do seu exército. Entre lobos, espíritos e seres com a face coberta estava o grande alvo. O Encapuzado com os braços abertos voava sobre todo o seu exército de criaturas.

Os cabelos de Scott Taylor voavam sobre o vento do clima sombrio. A chuva molhava sua face cicatrizada. Novamente o seus olhos encontraram-se com os olhos profundos azuis. Taylor então levanta sua arma e atira.

Todo o exercito atrás de si, correm em direção as criaturas, que também correu em direção aos soldados. De um lado da estrada muitas armas posicionadas, do outro lado, varias criaturas sem controle.

O encapuzado aponta sua mão em direção aos soldados e as criaturas se enfurecem o dobro. Em resposta os soldados com as armas de lazer atiravam nas criaturas.

Os lobos mordiam o pescoço e a perna de alguns soldados deixando-os gravemente feridos no chão sangrando até a morte. Outros soldados matavam os bichos com tiros no coração e na cabeça. A arma era tão forte que estourava o corpo do animal em questão de segundos. Porém lobos pela sua capacidade de reflexos, desviavam facilmente dos tiros.

Os espíritos, ou pessoas mortas acordadas atacam os soldados pela lateral. A solução foi utilizar as granadas de enxofre e fósforo que queimava o corpo não solido dessas criaturas. Algumas que desviavam do campo de gás, entravam no corpo dos soldados através de suas narinas e bocas, arrancavam órgão por órgão, matando o soldado por dentro aos poucos. Alguns espíritos inflavam mais que o espaço dentro do corpo fazendo a pele do soldado rasgar até o seu corpo se desfazer.

Os seres encapuzados, iguais o grande líder, apenas atacavam os soldados de longe, utilizando os poderes que saíam de suas mãos, como bolas de fogo e fortes ventos que derrubavam os soldados. Os soldados com bazuca atiravam de longe sobre esses seres, mas nem todos os tiros chegavam ao local.

— Avancem – Taylor gritou para os soldados que estavam atrás atirando de longe.

Os soldados junto com o Líder caminhavam entre os corpos dos amigos e criaturas mortas e desviavam daqueles que ainda brigavam com algumas criaturas. O encapuzado vendo o avanço de soldados em direção ao seu último grupo restante diz em voz alta:

— Você conseguiu uma forma de matar eles senhor Scott – A sua voz nunca pareceu tão forte como um trovão – Mas lembre-se de que eles não são como a mim.

Taylor gritou e atirou contra o encapuzado. Todos os raios de lazer ultrapassaram o corpo do encapuzado sem afetar nem um pouco. O demônio ri e ordena que o seu último exército acabe com a vida dos soldados. Enquanto os outros encapuzados seguiam em direção aos soldados, o encapuzado de olhos azuis sobrevoa de volta a cidade de Coatboard.

— Agora virou covarde é? – Taylor corre atrás do demônio em direção a Coatboard, onde as chamas estavam quase apagadas por completo devido a chuva.

— Taylor? – Thomas vê Taylor correndo até a pequena vila e vai atrás – Richard, o Taylor está indo atrás dele!

— Merda, eu não acredito – Richard responde correndo atrás de Taylor ao lado de Thomas.

No meio do caminho Taylor é alcançado pelos dois amigos:

— Onde caralhos você pensa que vai? – Thomas pela primeira vez tem atitudes de um soldado competente e diz com voz firme – No lugar onde todos nós vamos morrer?

— Não obriguei vocês virem comigo – Taylor responde gritando de volta – Esse trabalho eu tenho que fazer sozinho.

— E deixar você sozinho merda? – Thomas grita de volta – Que porra Scott, coloca na sua cabeça que esse desgraçado é um demônio e você não vai conseguir mata-lo sozinho.

Thomas e Taylor se entreolham com olhar de desafeto, e Richard permanecia calado ao lado dos dois. Antes de Taylor virar as costas e continuar seu caminho Thomas o interrompe novamente segurando o seu braço:

— Tay, tivemos muito trabalho pra chegar aqui – Thomas suaviza a voz novamente – Não deixe isso acabar da pior maneira. Somos amigos, nunca vamos abandonar um ao outro.

— Se for enfrenta-lo vamos com você – Richard se coloca entre os dois – Vamos acabar com isso logo.

Taylor dá um tapa amigável no pescoço de Richard e um cumprimento com a cabeça para Thomas.

— Como matamos o encapuzado? – Thomas pergunta – Os tiros de lazer não funcionaram.

— Se os tiros não funcionaram as granadas também não – Richard se preocupa – São feitas com a mesma substancia. Precisamos de algo novo.

Thomas e Richard olham para Taylor ao mesmo tempo. Ele olhava para as nuvens e pensava em silêncio. Até que o pequeno sorriso no canto da boca vai sumindo devagar.

— Os Olhos – Taylor se pronuncia – Temos que atingir os seus olhos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.