(Não) Me deixe sozinha.

2 Cap. 2 - Daqui em diante...


Ainda no mesmo dia, após as aulas. O Itamura veio falar comigo.

– Yo! Tachibana!

Diz ele sorridente.

– Você não deveria dizer " tchau "?

– Ah, mas... pensei que poderiamos ir para casa juntos, já que temos um caminho parecido.

– Não, obrigada.

Coloco meus sapatos e dou as costas. Qual é o problema dele? Será que não sabe como sou conhecida? Do jeito negativo. Pego meu cachecol e o coloco. Mesmo o pedindo para que me deixe sozinha, ele ainda ensiste em vir.

– Por que está aqui?

Pergunto um pouco nervosa.

– Eh? Ah, eu acho que deve ser ruim ir para a casa sozinho.

– Você tem seus amigos.

– Resolvi ir com você. — Vejo ele sorrir um pouco envergonhado. — Você ainda não respondeu minha pergunta.

– Se você pensa que irei responder sobre o meu machucado, pode começar a dar meia volta.

– Acho que isso é um não...

Chego em frente de casa e digo:

– Eu fico por aqui.

Entro em casa, vou para o meu quarto e abro a minha janela. De repente...

– Quem diria! Somos vizinhos!

Ele disse que sempre me notou, mas nem sequer sabia que somos vizinhos?! Bem, eu também não sabia, até agora... As coisas não tem como ficar piores.

– Meow.

– Eh? Eu ouvi um miado?

Perguntou ele espantado.

– Se eu disser que " sim ", irá me deixar em paz?

Peguei Jake no colo e o mostrei.

– Eh, que gato lindo! Parece um leão em miniatura. Qual é o nome?

– Jake. Ele apareceu aqui de repente e...

POR QUE ESTOU CONTANDO ISSO A ELE?!

– Que legal — então ele começa a me fitar e diz: -, não sabia que você podia se irritar além de ser séria.

– Cale a boca! Você não me conhece!

E fecho as cortinas. É a primeira vez que sou assim... depois de tanto tempo. Sou uma idiota, uma tremenda idiota. Se ele contar a alguém que sou assim, com certeza irei matá-lo. Isso não é bom, desde que Yuuto se foi, disse a eu mesma que a minha vida social seria algo só meu, que eu não precise de ninguém além de eu mesma.

– DROGA!

Jogo-me na cama, Jake vem lamber minha mão, uma tentativa de me consolar. Me pergunto se ele sabe o que aconteceu, se ele consegue sentir o que sinto. Bem, ele é um ser vivo, acho que ele consegue perceber isso.

– Jake, estou triste... você é meu único amigo, além da minha existência. Gostaria de saber, se você me acha uma idiota.

Jake começa a esfregar a patinha sobre a cabeça, acho que isso é um " sim ". Até ele concorda. Bem, acho que vou descançar.

***

Meu dia anterior não foi nada bom, passei a tarde dormindo, enquanto Nana, arrumava a casa e fazia a comida. Ela tentou conversar comigo, mas como já perceberam, não sou de falar sobre minha vida ou de como estou me sentindo em relação aos acontecimentos a minha volta.

– Bom-dia Tachibana!

– Agora quer ir a escola comigo também?

– Eh? Não posso?

– Vamos raciocinar um pouco... seu amigo, aquele que estava com você no telhado.

– Ah! Está falando do Izumi?

Que nome meio... afeminado.

– É, sei lá o nome dele. Enfim, você sabe como sou conhecida na escola?

– Er... não?

Diz ele com uma expressão de desentendido. Como eu esperava de um garoto lerdo e inocênte, por sinal.

– Garota sem sentimentos, lobo solitário, garota de pedra, etc. É assim que as pessoas me vêem, e eu estou muito bem com isso.

– Mesmo? Se falassem isso de mim, iria bater em todos.

– Isso só faz piorar a situação. Briga nunca resolve nada. Isso me lembra o que aconteceu ontem...

Dou de ombros.

– O que aconteceu ontem?

– Nada que te interesse.

Digo e vou para a escola... acompanhada. Ao chegar na lanchonete-coffe, entro e pego meu café e para minha surpresa, ele continuava lá.

– Não irá desistir?

– Para a falar a verdade, não. Sou persistente.

– Acho que isso eu já percebi.

Percebi também, que é a primeira vez que... converso com alguém naturalmente.

– Ei, posso te chamar pelo primeiro nome?

– Tanto faz.

– Hum, tá bom então... Mio.

Não aguentei, lhe dei um soco.

– EI, EI, EI! POR QUE FEZ ISSO?!

– ... Não sei.

Virei o rosto e continuei a caminhar. Boa pergunta, por que eu o acertei? Hum... isso é confuso. Que seja.

***

Na escola não foi diferente, o Itamura veio falar comigo. Eu tentei manter a personalidade atual, mas... ele realmente me estressa. Agora, o assunto da escola é outro.

" Tachibana Mio, tem sentimentos."

O que eu fiz?! Tanta coisa para se acontecer... eu ainda vou me enfiar em um buraco, pode ter certeza! Meu ódio pelo Itamura só aumenta! Urgh!

– Vamos para casa, Mio?

– Acho que prefiro, Tachibana.

Acho que falei demais por hoje.

–Sério?! Mas chama-la assim é tão... fofinho.

Seu rosto se ilumina, qual é a dele? Isso é intrigante. Nessas hora preferia ver meu pai. Mentira, acho que a companhia dele é melhor do que a dele.

***

Já em casa, abro a janela e as cortinas. E advinha quem estava lá? É, pois é... o Itamura.

– O que faz aí?

Pergunto.

– Ué, aqui é o meu quarto.

Faço um muxoxo e me jogo na cama, até que ele grita:

– Sabe, acho que você é uma boa pessoa!

Meu coração começou a palpitar. Corro para a janela, percebendo que seria a pior escolha de toda a minha vida e digo:

– V-Você também não é tão intrometido e irritante como pensei...

– Eh? Ah, valeu, é a primeira vez que ouço alguém dizer isso a não ser " Podemos ir na sua casa? " ou... " Me ajuda Itamura! ". Ser uma pessoa popular, é ruim sabia?

Acho que... isso não vai dar certo.

– Mas obrigado.

Ele sorri. De novo, essa dor no peito. Viro o rosto e fecho a cortina, qual é o problema dele? Tanto faz. Só queria ser a garota solitária.

Continua.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.