As pessoas julgam sem me conhecer. Elas não sabem nada sobre mim, sobre minha vida, o que eu gosto e o que não gosto, não sabem absolutamente nada!

Então, não importa o quanto isso siginifique para nós, é falso. Coisas importantes precisam ser verdadeiras.

Coisas emprestadas eu não quero.

Isso que eu sempre pensei, uma letra que em partes me define. Sua melodia me faz querer chorar, mas eu não consigo, não mais... tudo se partiu em pedaços, quando meu irmão faleceu e logo em seguida, o divórcio dos meus pais. Isso foi, quando tinha cinco anos.

Tachibana Yuuto

" Tudo que encontrei foi real, ter te encontrado foi real — Setas, Bump of Chiken "

( 1991 — 2003 )

Coloco as túlipas em seu túmulo.

- Ei, nii-san... as coisas não mudaram desde a minha última visita. Continuo sendo a garota de pedra da escola, fico em primeiro lugar nos resultados das provas e... hoje, é meu aniversário. Pois é, já tenho 15 anos, quem diria. Não se preocupe, agora que o papai foi para o Canadá resolver os negócios do trabalho, posso ter a casa só pra mim...

Eu prometi a ele, que não iria mais chorar.

- N-Nii-san... p-por que você s-s-se foi?!

Esbravejo, meu coração dói. Em todos os meu aniversários, ele cantava pra mim e me fazia rir, vestia-se de animais diferentes. Mas se passaram 10 anos... e aqueles tempos nunca mais irão voltar.

- D-Desculpe n-n-nii-san...

Enxugo as lágrimas e suspiro. Aquele vazio, a solidão, de que algo ainda me faz falta. Esses sentimentos vem a tona no dia do meu aniversário, também é uma data... que eu mais odeio.

- Nos vemos amanhã. Tchau.

Saio do cemitério e vou para a escola. Sempre acordo mais cedo para visita-lo, já que meu pai não faz isso e ele também nem sabe que o visito. Primeiro passo na lanchonete-coffe que já é caminho para a escola, compro o meu delicioso café e continuo o caminho.

***

Entro na minha sala e está vazio, ainda com o copo quente de café em minhas mãos, vou para o telhado da escola. Chegando lá, me deparo com o céu nublado, um vento forte passa e eu seguro bem o meu cachecol e a saia. Sento-me no chão recostada na grade.

- O inverno...

Murmuro, começo a fitar o céu e seguro-me para não começar a chorar. Se meu irmão ainda estivesse vivo, ele com certeza iria vir aqui e me contar uma bela história para me fazer sorrir.

- Haha, vamos logo! Você é... fraco.

Viro-me para a porta, um garoto de cabelos negros e olhos amarelos, aparece todo sorridente, logo atrás vem seu amigo, que arfava de cansaço Ele me olhou, e assim fez um olhar de desprezo.

- Vamos logo cara, é a Tachibana Mio.

Disse o garoto de cabelo castanhos. Já não aguento mais, pego minha bolsa e volto para a sala, empurrando os dois que estavam em meu caminho.

- Tchê, além de ser fria é mal-educada.

Resmungou o mesmo. Dane-se, não preciso de compaixão de nenhum deles, sei que posso me virar sozinha. Chego na minha sala e já há algumas pessoas. Sento-me no meu lugar e termino meu café.

- Senhorita Tachibana?

Chamou-me a Vice-Diretora.

- O que foi?

- Seu pai quer vê-la.

Meu pai? Faço um muxoxo e começo a segui-la. Por que ele está aqui? Justamente hoje?! Vou até o portão da escola e lá estava ele, com seu terno e com o sorriso falso estampado no rosto.

- Bom-dia minha filha!

- Já disse que não sou sua filha.

- Er... bem, vim aqui entregar um presente que sua mãe lhe comprou.

- Pode jogar no lixo.

- Não diga isso! — Ele começou a me repreender. — Sua mãe não pode vir aqui. Sabe disso!

- Eu sei muito bem, mas vocês só começaram a lembrar de mim depois que o Yuuto morreu!

- NÃO META SEU IRMÃO NESSA HISTÓRIA!

- SEMPRE O DEIXARAM SOZINHO! CUIDANDO DE MIM!

- CALE A BOCA!

E ele me dá um tapa no rosto. Era tudo que eu precisava no meu dia de aniversário e o dia em que o Yuuto morreu.

- M-Me desculpe... eu não queria...

- Queria sim! Até porque já fez! Continue a sua vida que eu continuo a minha. Agora pode ir.

Digo e dou as costas, as pessoas começaram a me desprezar mais ainda, outros começaram a sentir pena.

- Minha bochecha arde e dói...

Entro na sala com a toalha sobre minha bochecha. Como sempre, todos começam a me olhar e a cochichar.

- O que será que aconteceu?

- Deve ter arranjado outra confusão...

- Parece que o pai dela esteve aqui...

Mais tarde, todos já estavam ali e todos já sabiam o que aconteceu. É meu aniversário, levei um tapa no rosto do meu " pai " e faz 10 anos que Yuuto faleceu. No intervalo, aconteceu algo inesperado.

- Tachibana...

As garotas vieram falar comigo.

- Nossos pêsames. Nos contaram o que aconteceu hoje cedo e...

- Não preciso disso, eu aguento isso faz tempo. E agora que sabem, vocês só vem falar comigo agora? Parabéns pelo avanço meninas.

Levanto-me e saio da sala, elas ficaram incrédulas.

- Ei! Espere! Nós só viemos dar nossos pêsames! Que tipo de gratidão é essa?!

- Cale a boca, não preciso que mais pessoas fiquem sabendo da minha vida.

Vou até a cantina comercial e compro um café. Vou para o telhado, mas no meio do caminho, esbarro em alguém.

- Ah, desculpe... há! Você é a garota do telhado!

Garota do telhado? Ah, é mesmo... esses olhos amarelos.

- Mil desculpas, acabei fazendo a derrubar o seu café.

- Não, tudo bem.

Ele oferece ajuda, mas eu a recuso e volto o meu caminho para o telhado.

- Ei! Espere, eu preciso me redimir corretamente! Quer que eu compre um novo café?!

- Pare de me seguir, já disse que está tudo bem.

- Não, eu... — ele me segura pelo pulso e me gira para olhar em seu olhos. — Eu preciso me desculpar.

Pude notar que seus olhos voltaram-se para o inchado de minha bochecha, coloco a mão imediatamente sobre ele e me solto de sua mão.

- O que aconteceu?

- Nada que te interesse.

Já notei que até no telhado não posso ficar sussegada. Tente se manter séria e calma, você não pode ficar irritada. Vamos lá, aceite a ajuda dele, mesmo que o garoto pareça um intrometido.

Dou um longo suspiro e digo:

- Muito bem, o que você quer fazer?

- Huh? Não, você tem que dizer.

- Hum... ok, se quiser pode comprar outro café pra mim, qualquer um, tanto que seja café.

- OK!

Disse ele animado.

- Ah, apropósito, meu nome é Itamura Yukio.

- Tachibana Mio.

Então ele sai correndo. Sento no chão recostada a parede. Dou outro longo suspiro e fecho os olhos.

-Nii-san! Nii-san! Onde você está?! Você prometeu que estaria aqui em casa!!

- Ei! Acorde!

Acordo em um sobressalto, aquele pesadelo novamente. Até quando Yuuto irá continuar em meus sonhos?

- Seu café.

- Está morno...

- Pois é, já perdemos uma aula.

- O que?

- Você dormia profundamente. Tão branda... mas logo que começou a ficar inquieta, percebi que já estava na hora de acorda-la. Desculpe se a fiz ficar, mas parecia que precisava muito dormir.

- Obrigada pelo café.

- E a consideração.

- Não preciso dela.

E me levanto e volto para a frente da sala, espero e espero a aula acabar, mas o tempo parece me contrariar.

- Olhe só, parece que somos da mesma turma.

Fiquei incrédula, como o nunca o vi?! Aluno transferido? Mas... não pode ser isso. Apesar de que, nunca reparei na turma, acho que não tenho direitos para reclamar.

- Sabe que sempre a notei? Tão quieta e solitária... aconteceu alguma coisa?

- Já disse, não é da sua conta.

E ficamos em silêncio. Esse garoto não consegue ler o momento? Um tipico garoto lerdo, mas que adora ajudar as pessoas. Em que ponto fui chegar...

Continua.