Não Me Esqueci De Dizer Que Te Amo
2 A bebida, novamente...
Notas iniciais
Passou a noite praticamente em claro. As palavras de Itachi ainda percorriam suas memórias. “Como poderia existir um relacionamento entre mim e aquele... pervertido?!” Este pensamento ainda vagava pela cabecinha da morena. Após seu relógio despertar, ela começou a se arrumar para ir ao trabalho de uma maneira tão rápida que não notou que deixou de abotoar três botões de sua camisete branca. Usava uma saia de bandagem azul marinho e uma sandália preta, com o cabelo preso num coque frouxo, em que algumas mechas caíam na face pálida. Quando chegou ao escritório, deixou um copo de café na mesa do chefe e foi arrumar a papelada, notando um envelope branco em cima de sua mesa.
– Ai meu Deus... Será que serei demitida? – Pensava consigo mesma, vasculhando o embrulho. Fora interrompida por passos firmes, que ficavam num tom mais alto cada vez mais, enfatizando a aproximação. Olhou para a porta, reconhecendo a silhueta que logo acabava de entrar: era Itachi, dessa vez com roupa social e cabelo penteado, algo muito raro de se ver.
— Ahn... Hinata, pode vir à minha sala, por favor? – Falou com a voz um pouco rouca. Parecia não ter dormido muito noite passada.
— Tudo bem! – Respondeu, preocupada. Arrumava alguns papéis na mesa, rapidamente, e caminhou até o interior do cômodo. O salto da sandália provocava barulhos irritantes, mas que soavam de maneira rítmica. – O que o senhor deseja?
— Érm, primeiramente quero me desculpar pela cena ontem... Eu exagerei um pouco, hehe... – Deu uma risadinha sem-graça e retornou a falar – E em segundo... Gostaria de pedir para que você viajasse comigo, para a casa de meus pais. — A morena ficou sem entender muito bem a segunda parte; já abrindo a boca para falar, fora interrompida: — Como sabe, nós, os Uchihas, somos milionários e donos de algumas empresas, fazendas, entre outros. Parte das propriedades serão entregues a mim, só que meus pais estabeleceram uma condição: eu teria que ter pelo menos o planejamento de uma família...
— E aí eu entro na história, certo?! – Interrompeu a morena, com uma cara pensativa.
— Ahn... É.
— Você acha que pode me usar assim? Está totalmente enganado!
— Por favor, Hina... Você é a única pessoa que eu confio extremamente, e que eu suportaria passar alguns dias. – Disse, com certo brilho no olhar. A morena não resistira a tanto charme. Com as bochechas coradas, respondeu:
— Tudo bem, mas quero aumento no salário!
— Tudo por você, minha linda! – A Hyuuga corou mais ainda. – Ah, as passagens estão em cima da sua mesa, ok?
Entendeu o que continha no envelope. Voltou a trabalhar, o encarando às vezes. Estava ansiosa, porém preocupada.
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O dia da tal viagem chegara, e a morena estava ansiosa. Não sabia exatamente o porquê, mas estava. Um táxi parou em frente o prédio onde morava, e o celular da pequena tocou. Era Itachi, avisando que já havia chegado. Após uma breve conversa, Hinata desceu com uma mala média, que foi deixada no porta-malas do veículo. Direcionaram ao aeroporto, trocando poucas palavras. Na sala de embarque, Itachi arriscou um diálogo:
— Está com fome? A lanchonete daqui é muito boa... Podemos comer algo, sei lá.
— Ahn, estou satisfeita senhor Uchiha... – Encarava o chão ao responder.
— De que me chamou? – Indagou, arqueando a sobrancelha.
— Senhor Uchiha, ué...
— Você é minha noiva, não pode me chamar de “senhor Uchiha”... Por mais que seja de mentirinha, tem que fingir bem...
— Ahn... Desculpe senh... Itachi! – Corrigiu o que iria falar, após um olhar desafiante do moreno. – Vou me acostumar...
O dialogo foi interrompido pela chegada do avião. Algumas horas depois, eles desembarcaram no Maine, no aeroporto de Portland. Hinata observava atentamente ao local, olhando três pessoas correndo na direção dela e de Itachi, sorrindo. Eram eles o senhor e a senhora Uchiha, e o irmão mais novo de Itachi, Sasuke. Após alguns minutos de abraços, apertos de mão e conversa, foram para o carro, trilhando o caminho para a casa dos Uchihas. Após chegarem, são informados que terão que comparecer a um baile para a divulgação do noivado, no mesmo dia. Ambos ficam preocupados com o que pode acontecer, mas concordam em continuar fingindo.
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Itachi estava esperando Hinata havia meia hora na porta de seu quarto, e nada dela aparecer. Estava irritado já, com a situação. Bateu na porta umas três vezes, quando de repente ela se abre, revelando para Itachi a Hinata que nunca vira. Estava linda, com um vestido preto longo, sem muitos detalhes. O cabelo cacheado, uma sombra clara e um batom vermelho na boca... Como ele estava com vontade de beijá-la, naquele momento... Aqueles lábios, aquele cabelo, aquela pele... Estava quase babando, quando Hinata o “acordou” de seus pensamentos:
— Ahn, vamos?!
— Vamos! – Ele respondeu, sorrindo. Deram as mãos e desceram para a garagem. Itachi caminhou até o porsche, com sua acompanhante. Eles entraram e tomaram rumo para o local onde estaria acontecendo o evento.
A ida foi silenciosa. Hinata olhava todo o tempo para fora do carro, se perguntando o que fazia ali. Ela apenas falou para agradecer Itachi por tê-la dado o vestido e as joias que estava usando, já que fora despreparada para eventos de grande porte. Ele nada disse, apenas riu, gentil. Ela nunca viu um sorriso parecido na face dele. Ao chegarem no baile, foram fotografados na entrada, e então caminharam em passos curtos até o salão. Estava tudo iluminado, com lustres e cristais espalhados... Hinata estava boquiaberta. Itachi apenas olhava e cumprimentava a todos com um aceno, ou sorriso. Seu braço direito envolvia a noiva de mentira, como alguma proteção... Ou estava apenas tentando fazer inveja nos presentes... Ela era a mais bonita da festa. Alguns garotos olhavam para Hinata com malícia, e isso provocava muito Itachi, principalmente porque certo ruivo chamado Gaara também a olhava: era seu inimigo de infância.
Certo tempo depois, quando foi liberada a pista de dança, o ruivo chamou Hinata para dançar, enquanto Itachi estava conversando com uns amigos. Inocente, ela aceitou, e foi para o centro da pista com ele. Conversaram por certo tempo, até que Gaara tentou agarrá-la a força, e ela o empurrava, na falha tentativa de escapar. Já embriagado, Itachi observou a cena, correndo até Hinata, super irritado com o que vira. Ele segurou a garota pelo braço muito forte, a machucando. Gritava:
— O que é isso, Hinata? Você é minha noiva e estrava se atracando com... com esse sujeitinho aí? – Parecia cuspir as falas, de tanto ódio – Você quer me irritar? Pois bem, conseguiu!
— Cala a boca! Você me abandonou pra conversar com seus amigos, então fui dançar com ele. Ele que me agarrou, eu tentei me livrar, mas foi impossível! Vamos embora, você está bêbado!
Arrastou ele para o carro, deixando todos da festa sem entender. Gaara tinha um sorriso malicioso no rosto, ao observar a discussão.
Quando chegaram na propriedade dos Uchihas, Itachi ainda gritava:
— Você vai se arrepender! Você me desmoralizou na frente de todos! – E a arrastava para dentro da casa, caminhando para o quarto. O braço magro da garota já estava com hematomas, pela brutalidade em que era segurado.
— Por favor, pare! – Gritava, chorando.
Itachi jogou Hinata na cama, já começando a se despir. Era visível o ódio em seu olhar...
Hinata sentia medo, e não saberia se suportaria aquilo mais.
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