Notas iniciais
Boa leitura!

Radamanthys e Aiacos concordam em chamar um dos escravos que durante sua vida havia sido médico. Foi parar no submundo após abusar sexualmente de mulheres em coma. O médico afirma que Minos foi envenenado.

—Olhe esses aparelhos! Eles falham o tempo todo. Esse monitor já de pau duas vezes. Se depender dele vamos acabar enterrando Minos ainda vivo.

—Radamanthys, esquece os aparelhos por agora. Estava embaixo no nosso nariz todo o tempo. Cali pode ter envenenado sua comida.

—Pensei o mesmo, aqui no submundo existem muitas ervas capazes de envenenar, muitos escravos possuem manchas e chagas na pele devido a ingestão dessas plantas. Mas Minos não possui nada disso.

—Ela pode ter neutralizado os efeitos da planta com alguma outra coisa.

—Aiacos, não acha que está exagerando?

— Radamanthys, ela tinha motivos, todos os fatos levam a ela.

—Não vamos fazer nada por enquanto, vamos apenas observar.

Sylphid

Minos está em coma e a garota continua a visita-lo. Ela cuida de sua higiene e limpeza do quarto. Sua alimentação; agora feita por sondas improvisadas e “montadas” na medida do possível no próprio inferno, faz com que o quarto pareça o cenário de um filme de horror. Isso significa que o ambiente estava do meu agrado. Tudo ali era improvisado e funcionava mal, mas permitia que os queridinhos de Hades se recuperassem. Eu a vigiava o tempo todo sem ser notado. A preocupação dela com ele me causava raiva e ciúmes. Ele foi privilegiado em tudo; um belo cargo, uma poderosa sapuri e uma bela mulher babando por ele. O rosto abatido e cansado não tirava a beleza dela. A pele dela devia ser macia e quente, pensar naqueles lábios molhados e rubros me deixavam de pau duro. Esperei que ela retornasse para sua “casa” e fui até o quarto onde Minos está sendo cuidado. Pensei em sufocá-lo mas as mãos de Cali não são tão grandes quanto as minhas. Olhei em volta e optei por sufoca-lo com o próprio travesseiro e assim o fiz.

Pressionei o travesseiro em seu rosto e coloquei uma pequena pressão. Quando o velho monitor que marcava seus batimentos cardíacos parou de oscilar tornando-se apenas uma linha reta, coloquei o travesseiro de volta no lugar e um fio de cabelo deixado por Cali facilitou ainda mais a situação.

No dia seguinte, quando a garota foi cumprir sua rotina para com Minos, ela o encontra já sem vida. Os gritos que saiam do quarto eram música para os meus ouvidos. Não demorou muito para Radamanthys chegar no local e em seguida Aiacos. Para não levantar suspeita esperei que Aiacos me chamasse antes de dar as caras no local.

—Sim senhor Aiacos. – Falei com uma breve reverência. Aiacos olhou para o corpo de Minos e encontrou um fio de cabelo da mesma cor do de Cali na cama. Isso foi o suficiente para ele e Radamanthys concordou.

—Leve-a daqui!

—O que faço com ela senhor?

—O que quiser!

Sorri internamente, enquanto ela permanecia abraçada ao corpo de Minos, me aproximei e a arranquei daquela cama. Ela só gritava o nome dele o tempo todo, eu teria que calar sua boca mais cedo ou mais tarde.

—Não sou disso, mas vou respeitar o seu luto e falar com educação; ou você para de gritar ou eu arranco sua língua, e ai o que vai ser? – Cheguei bem perto de seu rosto e adorei ver a expressão me medo que ela tinha. – Ótimo, assim é bem melhor. – Dei uma volta nela admirando cada curva escondida embaixo daqueles trapos. — Mostre pra mim! – Ela ficou me encarando sem entender o que eu queria. – EU DISSE MOSTRE PARA MIM! VOCÊ É SURDA POR ACASO? – Ela continuou sem entender. Tranquei a pesada porta de madeira de sua cela e me aproximei novamente, a levantei e joguei-a contra a parede. – Mostre pra mim o que ele viu. – Sussurrei em seu ouvido. – Quero ver o que ele viu e sentir o que ele sentiu. – Apertei seu rosto para que ela me encarasse. – Pra ele você não se importava não é?! Não se fazia de desentendida, era só ele pedir e pronto. Acho bom você começar a fazer a mesma coisa pra mim, pois eu não vou ser paciente como ele foi.

Ela então, tirou aquele trapo cinza e se apresentou nua na minha frente. Toquei seus seios e a beijei. Ela não tinha expressão, não demonstrava nada. Aquilo me irritou. Desferi um tapa em seu rosto que a derrubou no chão. Me coloquei por cima dela apertei seu pescoço.

—Seria um desperdício desfigurar seu lindo rosto, mas eu o farei se for preciso. Você vai ser uma boa menina para mim para seu próprio bem. Continuei a beijando e tocando seu corpo até chegar em sua região íntima. Eu ansiava por isso. Um movimento do lado de fora me fez parar e me recompor.

— Você deu sorte hoje. Talvez amanhã quem tenha sorte seja eu! – Dei uma lambida em seu pescoço como despedida e tranquei a porta ao sair.

Cali

“Minos, o que aconteceu com você? Onde está o seu Deus agora? Aliás onde está o meu? Não sei se é certo orar, tão pouco sei pra quem orar....é tudo confuso, triste e apavorante. Minos meu amor. Não me deixaram dar um abraço em você. Não vou nem ficar sabendo onde vão colocar o seu corpo. Vai virar mais um “zumbi” por aqui? Ou vai encontrar a paz no paraíso? (Se é que existe algum). Estou nua em um chão sujo e gelado, fui violentada e molestada; mas não sinto vontade nenhuma de me levantar ou de me reerguer. O único motivo que eu tinha para sorrir e ter forças nesse lugar está agora sendo colocado em um caixão. Chega de lutar. Não tenho forças nem pra chorar. Agora sim está tudo acabado. Não vai demorar até que os outros dois juízes terminem o serviço. Vou ser um brinquedo nas mãos deles e não há nada nem ninguém, que possa me tirar dessa situação. Junto o resto de minhas forças para me ajoelhar e pedir que Deus me ouça pela última vez e receba Minos, para que sua alma não venha parar nesse lugar. Vou me escorando na porta de minha cela e observo através de uma pequena abertura, a escuridão do lado de fora, na esperança de ouvir qualquer boato sobre o funeral de Minos. Conforme transfiro o peso de meu corpo na porta sinto a pesada madeira ceder diante do meu corpo. A pequena fresta que consigo entre porta e a parede, permitem que eu alcance a chave do cadeado que tranca a minha cela. Eu poderia me encrencar muito por isso, mas na situação que eu estava, não tinha nada a perder. Coloquei o trapo cinza que virou o meu “uniforme oficial” há alguns dias e voltei ao castelo onde o corpo de Minos provavelmente estaria. Me aproximo do local e todos estão discutindo sobre o ocorrido. Alguns soldados estão rindo da situação, outros não conseguem acreditar no que aconteceu nem como aconteceu. Vou para os fundos do castelo e escalo a grossa parede de pedras até chegar na primeira janela. Quando finalmente consigo entrar subo mais alguns lances de escada até chegar no quarto de Minos. Para a minha sorte ele ainda está lá. Sereno e lindo. Até sem vida ele consegue ser maravilhoso. Estranho que sua pele não está totalmente pálida. Para quem está sem pulso há pelo menos uma hora, sua pele permanece corda. Os aparelhos já desligados indicam que simplesmente desistiram de sua vida. Me aproximo dele para beijá-lo pela última vez e quando meus lábios tocam os dele meu coração quase para de bater. Uma mão pesada agarra meu braço e com uma voz fraca e sofrida ouço seu pedido de socorro. Fique paralisada por segundos que pareceram horas. Era impossível processar qualquer informação. Entre em choque e voltar ao normal foi dolorido. Minos.....estava vivo!

— Temos que sair daqui! – Minos repetia inúmeras vezes me alertando.

— Meu amor....você....Como isso?

— Os aparelhos não funcionam direito. Parou de marcar meus batimentos cardíacos por mal funcionamento e não por que eu estava sem pulso, foi a sorte, agora temos que sair daqui! – Ele insistia em repetir.

— Minos acalme-se! O que realmente aconteceu?

— Tentaram me sufocar com o travesseiro.

Fiquei em choque de novo.

— Você viu quem fez isso?

— Não...

— Vou pedir ajuda!

— você não entende?! Armaram para mim e para você.

As coisas ainda não faziam sentido para mim, e apesar de achar que ele estava delirando optei por ouvi-lo. Cobri seu corpo com o lençol e comecei a empurrar sua cama para fora do quarto. Cobri o meu rosto com o capuz da minha roupa e fui passando pelos servos e escravos que trombava no caminho. Para minha sorte, nenhum deles estava nem um pouco preocupados e tão pouco mostravam o menor sinal de respeito pelo Juiz morto que passava por eles. A popularidade de Minos não estava das melhores. “Com tantos inimigos, como puderam suspeitar logo de mim? Pelo visto eu sou a única que realmente gosta dele”.

Alguns me perguntavam para onde eu levava o corpo e eu dizia que estava levando para banhá-lo e vesti-lo. Por sorte acreditavam. Empurrei seu leito até a entrada do castelo. A pequena massa de soldados que antes estavam na porta havia se dispersado. Continuei a empurrar o leito até o imenso rio onde o ajudei a se levantar e empurrei a cama para o fundo do rio para sumir com qualquer vestígio. Minos vestiu um dos trapos dos escravos e na velocidade que suas pernas permitiam, voltamos para minha cela para não levantar suspeitas. Deixei Minos deitado no chão, e me levantei. Ele novamente agarrou meu punho para impedir meus movimentos.

— Aonde você vai?

— Preciso ir para sua casa buscar alguma coisa para você comer, você está fraco, precisa se alimentar.

— Não vá! Está se arriscando.

— Não vamos discutir isso. Fique aqui, eu prometo que vou voltar.

Dou um rápido beijo nele e saio novamente. Dessa vez, o caminho é mais curto. Volto rápido com algumas frutas, pães, água e uma fina coberta que serviu como bolsa para levar o alimento. De volta a cela, eu a tranco, e com o pequeno vão que permanece entra a porta e a parede e penduro a chave no lugar onde ela estava. Esse “malabarismo” me deixou com arranhões no braço mas era fácil esconde-los com as roupas. Consegui fazer Minos comer e beber um pouco de água. Depois guardo o que sobrou em uma das paredes que tinha uma das pedras soltas servindo de um “esconderijo”, que foi muito útil.

— Cali me escute. Armaram para mim, fui envenenado.

— Você desconfia de alguém?

— tenho suspeitas de Lune e Sylphid.

— Sylphid. Foi ele que me prendeu aqui a mando de Aiacos e Radamanthys.

— Preciso descobrir mais. E aposto que foi ele que deixou essa marca em seu rosto?! — Levantei o braço e toque o lugar de seu rosto atingido.

— Esquece isso, não dói mais e por hora você vai ficar quietinho para se recuperar.

— Eu vou pegar quem fez isso com você e comigo!

— Eu sei que vai, mas agora você vai descansar.

— Eu amo você Cali. Você é tudo pra mim.

— VOCÊ é tudo pra mim, e eu te amo muito. Você vai ficar bom logo prometo.

Eu o beijo e o cubro com a coberta que eu trouxe e me deito ao seu lado. No dia seguinte precisávamos ficar esperto e escondê-lo caso alguém resolvesse fazer uma visita.

Notas finais
Boa Noite!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.