Notas iniciais
Pronto mais um!
Vamos ter que usar mais uma vez nossa imaginação. Vamos imaginar que aquele campo de flores era próximo ao portão de minos, que ele a deixava lá e depois voltava para seu "escritório" e que nos dias que ela não ia junto era por que ele não estaria lá e sim resolvendo algo em outro lugar ;)
Espero que gostem, boa leitura.

Enquanto Cali se banhava Minos saiu a procura de Radamanthys o que deixou os espectros curiosos.

-O que aconteceu, por que ele saiu novamente? – Pergunta Faraó.

-Algo aconteceu, ouvi vozes vindas do corredor do portão de Minos, soando num volume mais alto do que o normal. Pareciam discutir! – Afirma Queen.

-Será que ele vai expulsá-la? Se o fizer ela estará de bandeja para nós! – Comemora Rock.

-Acho que não, quando ele saiu estava com uma cara boa, não parecia zangado nem abalado e a garota permaneceu em seus aposentos. – Fala Queen novamente.

-Só nos resta continuar esperando, vamos ter paciência para não colocarmos o plano por água baixo! Queen, você e Rock continuem rondando a entrada do portão de Minos e fiquem atentos, ta na hora de começarmos a agir! – Finaliza Lune.

Minos encontra Radamanthys e o chama para uma conversa sigilosa. Estava sem graça, não sabia como entrar no assunto, mas havia ido até ali para pedir ajuda e não voltaria enquanto não conseguisse.

-Rada, preciso falar com você!

-O que houve?

-Quando você irá encontrar Pandora novamente?

-Em dois ou três dias. Por quê?

-Preciso de um favor.

-O que pode lhe ser útil do mundo dos humanos para você Minos? – Pergunta Rada desconfiado.

-Não é para mim, é para Cali, ela está sangrando!

Radamanthys se preocupa.

-Por Hades Minos o que os espetros fizeram agora? A machucaram?

-Não! Não é esse tipo de sangramento........é outro!

Radamanthys levanta uma sobrancelha e o encara incentivando-o a continuar.

-Ela esta naquele ciclo mensal. Entendeu agora?

Radamanthys solta uma leve risada da confusão do amigo.

-Hahaha, já entendi amigo, não precisa dizer mais nada! Mas ouça, sabe que não podemos fornecer esse tipo de coisa para os seres daqui!? Apesar de não ser uma escrava, ela não passa de um ser condenado aqui embaixo, não pode receber nada além de alimento. – Radamantyhs o olha sério.

-Eu sei. Isso tudo é novo pra mim, e com certeza inesperado. Mas não posso deixá-la assim. Prometi para mim mesmo que cuidaria dela. Não consigo vê-la com um problema e não fazer nada.

-Certo posso providenciar isso para você mas, creio que será para a próxima pois até eu voltar, acredito que não será mais útil.

Minos bufa descontente por não poder ajudá-la.

-Tudo bem, até lá damos um jeito. Obrigado amigo.

-De nada.

E assim, Minos retorna para o seu portão.

No caminho de volta Minos sente algo de diferente no ar. Os espectros estão mais reunidos e não espalhados como costumavam ficar. O barqueiro que antes navegava em águas altas e só era visto quando vinha entregar alguma alma, agora estava navegando nas margens.

Continuou andando e quando se aproximou de seu portão viu Queen e Rock caminhando juntos nos arredores. Achou aquilo estranho, não precisava que montassem guarda na frente de sua morada.

-O que fazem aqui? – Pergunta sério.

Rock ficou tenso mas Queen mais esperto, tomou a palavra.

-Estamos aqui para falar com o Senhor. Já faz um tempo que o senhor não nos entrega o livro com o registro das almas recém chegadas para que nós possamos fazer a contagem.

Minos pensa por alguns segundos e percebe que Queen tem razão. Além de proteger os domínios de Hades, os espectros também eram responsáveis por contar o número de almas que o inferno comportava, afinal, o objetivo ali era fazer com que os humanos pecassem durante toda a sua vida. Dessa forma, o Deus do submundo iria possuir o maior número de almas e assim provar para os outros deuses que a humanidade estava perdida e que não valia lutar por ela. Para isso, os juízes entregavam para os espectros os livros com os nomes das almas que ali caiam para manterem o controle.

-Está certo1 – Responde ríspido. – Esperem aqui que já retorno.

Minos foi a passos largos para a sua mesa. Lá em uma das gavetas estava seu livro. Entregou-o para Queen que assim que recebeu o objeto em mãos se retirou rapidamente com Rock.

-Cara essa foi por pouco! – fala Rock aliviado.

-Não dê uma chorão seu inútil. Por pouco seu medo não estraga tudo.

-Vai me dizer que também não se preocupou?

- Claro que me preocupei, mas não deixei na cara, seja mais cuidadoso.

NO QUARTO

Minos entra no dormitório e encontra Cali sentada em uma das cadeiras. Ele vai até ela mas não esta muito animado pois não conseguiu o que Cali precisava.

-Sinto muito, não consegui o que você precisava. Pedi para um amigo, mas ele disse que só conseguirá para a próxima.

Cali bufa chateada.

-Eu não sei como te ajudar......

Cali estava ficando nervosa novamente mas vendo a cara de decepção de Minos se sensibilizou. Apreciou a atitude do Juiz em se empenhar em ajudá-la e por fim se acalmou.

-Tudo bem eu acabei dando um jeitinho. Tive rasgar uma de suas toalhas espero que não se importe.

-Não claro que não. Se é para você se sentir melhor, faça o que precisar.

Cali deu um delicado sorriso como resposta para a preocupação e gentileza do juiz. Ele se aproximou cravando seu olhar no dela e acariciou seu rosto. Sempre que fazia isso, Cali enrubescia, ato este que sempre o deixava satisfeito.

-Achei que não veria este sorriso tão cedo. Pensei que nunca veria uma expressão de raiva em você. Foi......diferente.

-Achei que estivesse acostumado com este tipo de expressão?!

-Não em você. A raiva não lhe cai bem, não combina com você.

Cali da uma leve gargalhada.

-Certas coisas não conseguimos controlar Minos. Também não gosto de ter raiva tão pouco de ficar brava, mas isso faz parte das nossas emoções, qualquer pessoas sente raiva as vezes por mais inocente que seja. È normal dos seres humanos.

-O que eu tenho que fazer para a raiva não roubar o lugar desse sorriso de novo?

Cali respira fundo e então responde.

-Ser paciente comigo, não gritar e.......

-E....... – Minos a incentiva a continuar.

-Não me deixe enlouquecer aqui!

Minos permanece calado, e ela então continua.

-Confesso que minha decisão; o que me trouxe até aqui, não foi das mais inteligentes mas se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo. Quando te conheci as coisas mudaram, minha vida apesar de maravilhosa, era incompleta. Acho que o destino me trouxe até aqui, me trouxe até você. Eu fico confusa as vezes, principalmente quando a saudades aperta, desejo sumir, é nessas horas que você precisa compreender.

-Queria que você não precisasse ter passado por tudo isso para nos conhecermos. Você é muito forte.

-Nem tanto Minos. O desespero maior vêm a noite. Comecei a ter pesadelos. Os sonhos começam agradáveis, me imagino na minha antiga vida, na minha casa, com minha família, mas a parte boa logo acaba, meu peito começa a apertar, como se um pedaço de mim fosse arrancado. Fico olhando para os lados procurando algo e quando percebo eu estou procurando você. Mas você não está lá. Tem ideia de como isso meche com minha cabeça Minos? Eu devia estar feliz nesse sonho. Antes eu tinha certeza de uma coisa e agora nem sei mais onde é meu lugar. Se é com minha família ou aqui com você!

Minos segura seu rosto entre as mãos e a beija com intensidade, um beijo amoroso e reconfortante, mandando embora todas as dúvidas e sensações ruins que invadiam a mente dela. Apesar de não admitir, ele tinha medo. Medo de Cali se cansar dele, ou de estar com ele apenas para gozar de conforto e proteção. Tinha medo de amar e não ser amado. Mas seu medo em fim se dissipou. Cali acabara de dizer tudo aquilo que Minos mais desejava escutar. Ele agora não tinha mais dúvidas, ela pertencia a ele, e ele a ela.

Ele termina o beijo delicadamente e encosta sua testa na dela quebrando por alguns instantes os contato visual mas sem perder o toque.

-Eu sou louco por você anjo! Meu pesadelo é um dia perder você. Prefiro encarar outra Guerra Santa do que te ver indo embora.Você é meu ponto fraco Cali, minha maior fraqueza. Por isso me preocupo tanto com você. È insuportável imaginar alguém lhe usando só para me atingir. Você é um anjo que caiu no inferno Cali. Um anjo que caiu pra mim, pra eu cuidar, pra eu amar.........Meu anjo.

Cali respira fundo e solta o ar com força. – Minos.....você e eu somos dois loucos!

O Juiz levanta a puxa consigo ficando ambos em pé um de frente para o outro.

-Louco eu seria se não amasse você!

Ela da um discreto e simpático sorriso e Minos a conduz para cama onde se deitaram um de frente para o outro com uma distância mínima entre eles. Quando ele apagou a luz foi a vez de Cali falar com a voz bem baixa, já em tons de surruros......

-Aqui......

-O quê?

-É aqui!

-Não entendi.

-Meu lugar........

Minos sorriu e se não fosse pela escuridão que predominava no quarto, Cali poderia jurar que viu uma lágrima brotar nos olhos dele.

- Meu lugar é aqui com você Minos, Quero ficar do lado de quem eu amo.

Minos a puxou e lhe deu um beijo forte, coberto de paixão, como se quisesse cravar o seu desejo nos lábios de Cali e roubar todo seu sabor para si. Ele nunca havia beijado-a dessa forma.

Apesar de não poderem se amar, ficaram trocando carícias até adormecerem. Eles sabiam que ao acordar tudo seria diferente. As coisas agora mudaram, iriam acordar não mais como companheiros e sim como um casal. O primeiro passo era assumir o relacionamento para eles mesmos, e se aceitarem sem receios. Se conhecer e apreender a conviver como duas pessoas que buscam o mesmo objetivo.

Noites e dias se passaram e os dois se descobriam cada vez mais, toda manhã era um conhecer novo para cada um deles. Se sentiam cada vez mais próximos. Essa união começou a provocar inveja nos demais habitantes do submundo.

ESPECTROS

Rock andava de uma lado para o outro esperando por seus companheiros. Estava nervoso e sua expressão não escondia isso. Quando o restante se aproximou ele brada.

-Por que demoraram tanto estúpidos?

-Ei, pode ir baixando a bola seu animal! Por quê a raiva? – Retruca Faraó.

-Já tem seis dias que ela não sai do quarto, ou melhor, não sai sozinha daquele quarto. Os dois tem saídos juntos quase todas as vezes!

-E qual o problema? – Faraó pergunta.

-Como “qual o problema”? E se ele desconfia que estamos tramando contra a garota? Ele questionou a mim e ao Queen por estarmos de tocaia nos arredores do portão dele.

-Mas eu o despistei com aquela desculpa seu idiota, não se lembra? Ele não desconfia de nada, na há motivos para esse medo, seu covarde! – Fala Queen.

Quando ouve a palavra covarde Rock parte para cima de Queen e lhe desfere um soco que atinge seu estômago fazendo Queen cair de joelhos no chão ofegante.

Faraó começa a rir enquanto Lune vai até Queen para ajudá-lo a levantar.

-Ficou louco? Quer chamar atenção, seu imbencil?

-NA VERDADE EU QUERO ENTENDER ESSA CALMA DE VOCÊS! O plano pode estar indo para o buraco e vocês estão ai como se tudo estivesse dando certo! – Brada Rock com tanta raiva que soca o chão abrindo um buraco no mesmo.

-È melhor ir com calma se não quiser ir dar um mergulho no rio da morte. Se quer bancar o histérico faça isso longe da gente e chame toda a atenção somente para si seu incompetente! – Fala Lune agora também com raiva apertando a garganta de Rock levantando-o a ponto de seus pés não tocarem mais o chão. – Não há com o que se preocupar, esses dias estão servindo como um pequeno intervalo para nós. Já sabemos como agir, apenas mantenha as aparências e siga com o combinado.

-O que pretendem fazer se ela não sai mais sozinha? – Rock volta a falar com a Vox falha devido a falta de ar.

-Nós vamos sequestra-la! Estamos apenas esperando o momento certo. – Explica Queen. – Agora mais do que nunca precisamos manter as aparências para não estragar tudo. O fato de ambos estarem saindo juntos no fim foi perfeito para nós. Significa que Minos confia nela a ponto de deixa-la livre, sendo assim, se não encontra-la no quarto quando retornar de seus afazeres, não sairá para procurá-la de imediato, primeiro ele irá esperar que volte por conta própria.

-Sim mas ela não voltará. O que faremos quando ele der por falta? – Pergunta Rock.

-Até Minos sair para procurá-la o barqueiro já estará longe! – Termina Queen com um sorriso maléfico.

-Há outro porém, como iremos nos dividir? Afinal não podemos embarcar todos juntos no barco. Levantaria suspeitas se todos nós sumirmos de uma vez. – Continua Rock perguntando.

-Não iremos juntos! – Agora é Lune que tem a palavra. – Iremos dois por vez. Vamos decidir isso agora.

Os quatro então começaram a decidir e depois de alguns longos minutos e discussões devido ao resultado final, concluíram que os primeiros a embarcar seriam Queen e Lune.

-Certo, o barqueiro já esta sabendo, depois decidiremos o dia e o avisaremos, até lá mantenham o plano. – Faraó finalizou aquela pequena reunião e os quatro se afastaram.

Decidiram andar afastados uns dos outros justamente para não levantarem suspeitas.

Enquanto os espectros finalizavam seu plano, Minos e Cali estavam se curtindo. Quando saiam juntos, Cali ficava no pequeno jardim que existia em um pequeno pedaço do submundo. Enquanto Minos cumpria com seus deveres, Cali permanecia ali. Hora fazendo seus desenhos ou as vezes apenas permanecia deitada na grama curtindo o perfume das flores a maciez de suas pétalas. Quando possível, Minos aparecia por lá para contemplá-la.

Nos dias que Cali não ia junto era quando o assunto era mais delicado e poderia demorar mais do que o normal, e para que ela não retornasse sozinha, ela permanecia no quarto, mas agora não mais presa. Podia sair livremente para explorar o portão e os arredores onde moravam. A pedido de Minos, ela apenas não se afastava, o que significa, que ela passou a não ir mais até as margens do rio da morte como costumava fazer.

Tudo estava bem para eles. Seria um infortúnio acabarem com essa paz que ambos haviam encontrado.

Notas finais
Valeu, seus lindos! Até breve assim espero kiss kiss.