Não Me Deixe Ir

19 Você sabe quem é? Sabe o que aconteceu com você?


Notas iniciais
Hello, it's me! Primeiramente, fora Temer. Podem me bater, eu deixo hahah Perdoem a minha demora ♥ Em especial ao 62 leitores que acompanham a fic, I see u all! Postei seguidamente nas primeiras semanas de férias e depois quis curtir minha família um pouco. Moro longe deles e quando tenho oportunidade quero ficar junto 24 horas por dia. Aproveitei também para assistir filmes com eles, Stranger Things (eles amaram ♥) e colocar Grey's Anatomy em dia. Gente, recomendo demais! Em 1 mês assisti 9 temporadas hahah agora assisti mais uma, to quase acabando, mas não quero isso hahah Já aviso de antemão que teremos muitas referências no quesito nomes ♥ E vocês, como estão? As férias foram legais? Vamos conversar! Querem um spoiler? Próximo capítulo teremos novos personagens e um deles vai se tornar regular, então, como boa autora que sou, vou fazer uma votação para escolher o nome :) O Delegado Avery vai ser MUITO importante! Lembrem disso! 1. Caleb Avery 2. Benjamin Avery (Ben) 3. Alex Avery É com vocês! Tenho meu prefiro, mas não vou contar. O mais votado será o nome dele ♥ Então votem no seu nome preferido. E GENTE, PELAMOR DE DEUS. É ÓBVIO QUE EU NUNCA MATARIA A CLAIRE, NÉ. ELA É A PROTAGONISTA! HAHAHAH além do mais, já tenho 2 fics em que a PP morre, essa não é uma delas ♥ Volto em breve com mais um capítulo, fiquem tranquilos. Demoro, mais volto! Até breve, Não esqueçam de ouvir a música! É uma das minhas preferidas!! Beijão~

All that I know is I'm breathing.

All I can do is keep breathing.

All we can do is keep breathing now

Keep Breathing— Ingrid Michaelson

(...)

Assim que me mudei para São Francisco, minha única companhia foi a televisão. Toda noite eu voltava para minha quitinete depois do trabalho — antes de conseguir um estágio no escritório, trabalhei como garçonete em um bar perto da universidade — e sintonizava no canal 9. Religiosamente, todos os dias, eu passava a madrugada assistindo Grey’s Anatomy.

Depois de perder minha mãe e meu pai, eu queria passar longe de médicos e hospitais na vida real, mas por algum motivo a série me fascinava.

Mesmo depois de 12 temporadas eu não estava preparada para passar por isso.

— A pulsação dela está caindo! — com dificuldade abri meus olhos. Luzes brancas me cegavam — Ela está consciente. — tentei identificar de onde vinha a voz, mas algo impediu que meu pescoço virasse. Um colar cervical, eu estava imobilizada.

— Está tudo bem, estamos quase chegando ao hospital. — identifiquei a paramédica pela roupa. Ela tinha olhos castanhos profundos. Pude notar que bombeava oxigênio através de um balão. Senti o ar entrando em meus pulmões com dificuldade.

O que tinha acontecido?

Mike.

Uma faca.

Sangue.

Comecei a me desesperar, os aparelhos apitando cada vez mais alto.

— Você não pode respirar nesse ritmo, vai aumentar sua perda de sangue e nós não queremos isso. — dessa vez era uma voz masculina — Se acalme.

O corte ardia em minha barriga.

Não.

— Ela está perdendo a consciência de novo! — eu não conseguia respirar e senti meus dedos das mãos formigando. Isso não era bom.

O barulho foi ficando cada vez mais alto.

— Não estou conseguindo controlar a hemorragia! — os olhos dela eram muito bonitos.

— Chegamos! — senti o impacto da freada e segundos depois o vento através da porta da ambulância.

— O que temos aqui?

— Claire Walsh, 28 anos, ferimento de faca na região abdominal. Pressão instável e perda de consciência. Tentamos controlar o máximo possível, mas a hemorragia é grava. Estado crítico.

Não. Não.

— A pressão está caindo!

— Claire, fique conosco! — a paramédica dos olhos bonitos me fitou — Continue respirando.

— Claire!

Abri os olhos assustada.

Devido a tamanha rapidez, me senti tonta.

Pisquei devagar me acostumando com a luz ao mesmo tempo em que tentava identificar onde estava.

— Está tudo bem. — senti uma pressão em minha mão esquerda e virei para encarar a voz — Sou enfermeira, meu nome é Emily e estou cuidando de você. — franzi o cenho, eu não conseguia formular meus pensamentos — Você sabe quem é?

Claire Walsh.

Assenti.

— Tudo bem. — sorriu — Você sabe o que aconteceu com você?

Senti uma sensação ruim. O rosto de Mike me encarando enquanto sangue escorria no chão. Pousei a mão em minha barriga, sentindo o curativo por debaixo da camisola azul do hospital.

— Sim. — disse com dificuldade, minha boca seca.

— Você está falando, isso é muito bom!

— Eu gostaria de um pouco de água, por favor.

— Claro, vou providenciar para você. — sorriu — Volto logo.

Não queria que ela tivesse me deixado sozinha, não gosto de hospitais. Olhei para os lados percebendo que não estava em um quarto, como minha mãe esteve, mas em outro lugar. Havia fios por toda parte, em minhas mãos e braços, e eletrodos em meu peito. Senti os pontos na barriga toda vez que soltava o ar.

— Claire? — um homem se aproximou, médico, seguido de Emily e outra médica, essa por sua vez não usava jaleco, e sim um uniforme azul.

— Aqui está, mas beba devagar. — ela me entregou o copo. Tentei fazer o que ela me disse, mas estava com muita sede.

— Isso é bom. — o médico falou. Ele era jovem, não devia ter mais do que 35 anos.

— É a segunda vez em menos de 10 minutos que escuto isso. — devolvi o copo a ela, ambos rindo do que eu disse.

— Olá, Claire. Eu sou George Altmann, cirurgião geral do Hospital Ford-Robbins e essa é Dra.Gabrielle Kepner, residente do 5º ano. A enfermeira Emily você já conhece. — não consegui prestar atenção no que ele falava, encarando Gabrielle, que sorria ao seu lado.

A noiva de James estava ali.

Era ela mesma, a neta de Carola e irmã de Dex.

— Oi. — sussurrou.

— Oi. — respondi confusa.

— Pelo visto você já conhece a Dra.Kepner. — assenti — Então receio que essa conversa será mais fácil. — encarei-o — Você chegou em um estado muito crítico ao hospital, Claire. Por conta de uma hemorragia severa seu corpo perdeu muito sangue. A falta de oxigênio te levou a perder a consciência por diversas vezes e seu coração não aguentou, o que causou uma parada cardíaca.

— Como? — disse chocada, sentindo um desconforto no peito.

— Você deve se manter calma, Claire. — disse devagar — Está tudo bem agora, você está estável.

Soltei o ar.

Os pontos em minha barriga ardiam, mas nada comparado a sensação da faca sendo tirada de dentro de mim.

Meus pelos se eriçaram com a lembrança.

— Claire, você está me ouvindo? — voltei minha atenção a ele. Eu quase morri, o que ele espera? Que eu esteja rindo aos quatro ventos?

— Desculpe.. — me limitei a responder brevemente.

— Por sua sorte ontem a noite a Dra.Kepner estava de plantão e inteligentemente utilizou manobras de ressuscitação, correndo para o centro cirúrgico. — meus olhos foram de encontro aos dela, que sorria — Srta.Walsh, residentes do 5º ano não são autorizados a operar sem um staff, mas o caso era urgente e se ela não tivesse lhe operado.. — ele balançou a cabeça — a Dra.Kepner salvou a sua vida.

Gabrielle se aproximou, apertando minha mão.

— Eu… — senti minha cabeça latejando.

— Claire? Está tudo bem? — Emily segurou meu pulso — A pulsação está acelerada.

— Aplique 25mm de Captopril. — Dr.Altmann receitou.

— Fique tranquila, Claire. Você está segura agora. — Gabrielle disse, ainda apertando minha mão. Assenti nervosa, sentindo minhas pálpebras se fechando.

Sabia que estava sonhando assim que vi minha mãe.

Pude notar seus cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo balançando de um lado para o outro. Enquanto ela costurava a barra do meu vestido — o qual eu pretendia usar no natal — seus pés balançavam ao ritmo de alguma música dos anos 80 ao mesmo tempo em que sua boca dublava a letra. Não consegui ouvir qual era, estava do lado de fora da casa, observando-a pela janela da cozinha.

De repente sua testa se enrugou e seus pés pararam de dançar. Ela ficou em silêncio, não sabendo o que estava acontecendo. Tentou levantar, mas quando ficou de pé caiu ao chão.

Assim, de uma hora para outra.

Eu costumava ter esse sonho todas as noites depois que ela morreu, mas de uns anos para cá tinha parado. Talvez os remédios para TEI me acalmassem (ou anestesiassem), fazendo com que eu dormisse tranquilamente.

Não sei se foi assim que aconteceu, mas gosto de imaginar que ela estava feliz antes de desmaiar. Quem a encontrou na cozinha foi meu pai, que correu para o hospital desesperado porque a mulher não acordava. Eu tinha dez anos e estava na escola nesse horário. Soube que alguma coisa estava errada quando meu pai não apareceu para me buscar, e sim Gemma Hampton.

Sua maquiagem estava borrada, lembro bem que queria avisa-la do rímel em sua bochecha, mas ela parecia tão triste. Descobri o por quê assim que cheguei ao hospital, quando meu pai me abraçou chorando.

— Pai? — senti meus olhos marejando involuntariamente.

— Oi, vaqueira. — sorriu fraco.

— Por que você tá assim? — ele me apertou ainda mais.

— Você quer ver sua mãe? — balancei a cabeça sem conseguir falar nada. Era ela! Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa — Você vai precisar ser forte, Claire. Me promete?

— S-sim. — gaguejei. Ele beijou minha testa e segurou a minha mão enquanto me guiava até um dos quartos do terceiro andar.

Até hoje consigo visualizar os detalhes da parede, verde clara, na minha cabeça. Pequenas rosas brancas seguiam a diagonal até o teto, onde se tornavam verdes. No quarto, minha mãe estava deitada na cama, os cabelos loiros soltos caindo sobre o rosto. Havia um tubo em sua garganta e um barulho alto vindo de algum aparelho. Descobri mais tarde que era esse aparelho que a mantinha viva.

Arizona Walsh sofreu uma hemorragia cerebral e não resistiu.

Seu cérebro não resistiu, mas seu corpo continuou ali, funcionando. Lembro de apertar a mão dela e sentir o calor, mas ela não estava ali, não mais.

Aos dez anos ouvi pela primeira vez sobre doação de órgãos. Hoje admiro ainda mais meu pai pela decisão que tomou, salvando muitas vidas. Ele fez uma escolha difícil, mas era o que minha mãe queria. De alguma maneira ela continua viva.

Abri os olhos devagar, fitando o teto, agora branco com rosas verdes.

Ri fraca.

— Eu sei, querida. — Gemma estava ao meu lado, segurando minha mão. Assenti em silêncio — Quando o pai do Joshua morreu, eu não consegui mais dirigir. Por muito tempo tive medo, mas eu precisava do carro, tinha um filho pequeno.. — balançou a cabeça — Nunca vamos esquecer essas memórias, mas precisamos aceita-las como parte da nossa história.

Respirei fundo, os pontos ardendo de novo.

— Obrigada. — sorri.

— Eu não sabia que era seu contato de emergência no hospital. — franzi o cenho confusa — Você também não sabia, não é?

— Não..

— Arizona, Arizona.. — ela sorriu — Depois dos seus pais, eu sou a responsável legal pelas decisões referentes ao seu tratamento, caso aconteça alguma coisa. Como agora.

— Minha mãe te escolheu? — ela confirmou — Minha mãe.. — senti meus olhos marejando.

— Ela era minha melhor amiga, Claire. — afagou minha mão — Quando mais precisei ela me ajudou com Joshua, me deu forças para assumir o hotel e me incentivou a seguir em frente. Fiz o mesmo quando ela partiu e ajudei seu pai em tudo que pude. Agora vou ajudar você no que precisar.

— Obrigada. — disse sincera.

— Vou chamar o médico e avisar que você acordou, tudo bem? — assenti.

Durante muito tempo acreditei que pudesse viver sozinha, longe de Madison e de tudo que me faz mal. O que não sabia era que fugindo eu não estava só afastando as coisas ruins que vivi aqui, mas as boas também. Pessoas que de alguma forma contribuíram na formação do meu caráter e de quem sou hoje.

Minha mãe e Gemma se apoiaram até o último momento, e eu abandonei minha melhor amiga sem nenhuma explicação. A mesma que esteve ao meu lado no enterro da minha mãe e do meu pai. Se foi difícil pra mim, imagina pra ela que precisou somar forças para não me deixar ir junto.

Não fui uma boa amiga para Jenn.

— Claire? — Dr.Altmann bateu na bateu, entrando no quarto acompanhado por Gabrielle e Emily — Como você está?

— Viva. — disse irônica.

— Bom saber que você está progredindo. — sorriu — Emily vai dar uma olhada no curativo enquanto conversamos, tudo bem? — assenti — Dra.Kepner — virou para ela — Dê uma olhada nos exames dela, por favor.

— Claro. — ela andou até a direita da cama, mexendo no computador ao meu lado.

— Claire, você se lembra do que conversamos anteriormente?

— Que Gabrielle salvou minha vida? — falei incrédula, ela me fitando — Sim. — sorri — Obrigada. — disse sincera, ainda sem entender direito o valor de seus escolhas.

— É meu dever como médica salvar vidas. — sorriu — Mas confesso que fiquei muito feliz ao ver você acordando hoje de manhã.

— O seu quadro é estável, Srta.Walsh. Sua cirurgia foi um sucesso, mas você deve permanecer no hospital por mais alguns dias, para sua própria segurança também. Aqui você vai receber escolta policial..

Mike.

Eu não havia pensado nele nas últimas horas.

— Ele conseguiu fugir?! — Não. Não.

Adam.

Sentei na cama atônita.

— E o Adam? Como ele está? Ele também foi ferido! E a Helen? Não, a Tory! Ela está viva? — falei angustiada — Como eles estão? — ambos me encaravam em silêncio — Falem alguma coisa! Ah! — senti meus pontos mais uma vez — Está ardendo..

— Claire, você vai arrebentar seu pontos internos e provocar outra hemorragia, por favor, se acalme. — Dr.Altamann tirou o curativo que Emily acabara de fazer, balançando a cabeça — Dra.Kepner, você pode sutura-la mais uma vez? Alguns pontos abriram.

— Sim, senhor. — ela pegou luvas na bancada.

— Vou tentar descobrir como eles estão. — se levantou — Você precisa se acalmar, Claire, ou vou precisar seda-la.

Assenti.

— Ah! — assim que ele saiu do quarto, gritei de dor.

— Não vai doer mais do que já está doendo. — ela riu, sentando em uma cadeira do lado esquerdo da cama.

— Eu não sabia que você era médica.

— Não tivemos a chance de conversar de verdade, nos encontramos três vezes desde que você chegou em Madison.

— Você está certa. — trinquei a mandíbula.

— Logo vou acabar, fique tranquila. — riu — Uma mulher tão forte e imponente com medo de alguns pontinhos. Claire! — não tinha parado para reparar quão nova ela parecia, como uma adolescente recém saída do ensino médio, mas agora ela estava ali, suturando minha barriga — Não é permitir divulgar informações sobre outros pacientes, mas Ted, meu colega, fez o primeiro atendimento a Adam. — fitei-a com atenção — Sei que você se importa com ele.

Assenti.

— Adam também estava lá quando Mike chegou e..

— Você não pode me contar o que aconteceu, Claire. — me interrompeu — Sua primeira versão deve ser ouvida pela polícia, não podemos ter esse contato, sou sua médica. — ela se aproximou — Como amiga, sinta-se a vontade para me contar, mas agora você não pode. Dr.Altmann conversou com o delegado e pediu um tempo para que você se estabilizasse. Eles não devem incomoda-la tão cedo.

— Ok.

— Tudo bem. — ficou de pé, levando a bandeja consigo — Descanse um pouco, volto para vê-la mais tarde.

— Obrigada. — ela assentiu — Não, de verdade. Obrigada.

— Eu sei. — sorriu — Como amiga, espero que não se importe, mas contei para minha avó sobre você e ela vai aparecer aqui para visita-la.

— Tudo bem, será um prazer.

— Espere para dizer isso depois que ela te interrogar de todas as formas. — riu, saindo de lá.

— Elle? — ela se virou.

— Sim. — notei surpresa em sua voz por eu ter chama-la assim.

— Como ele está?

— Bem. — sorriu — Ele queria te ver assim que você saiu da cirurgia, mas não pode. Vou dizer a Adam que você está bem. Ele vai gostar de saber.

Notas finais
E então? Gostaram? Não esqueçam de comentar, adoraria saber sua opinião sobre o capítulo ♥ Esse capítulo foi mais "tranquilo" comparado aos anteriores, mas era necessário explicar a situação da Claire. Foi importante também para conhecermos melhor o passado dela e sua mãe, Arizona Walsh. Não queria falar sobre câncer, e acho legal abordar um assunto como doação de órgãos. Um AVC hemorrágico a levou a morte, mas como a Claire disse, ela continua viva de alguma forma :) Poucas perguntinhas hoje, próximo capítulo vai ter muita coisa (inclusive novos personagens.. hum..) 1. Eu nunca tive nada contra a Gabrielle, sempre achei ela bacana, mas agora vai ser difícil a Claire ficar com o James. O que pensam sobre isso? Se vocês fossem a Claire e amassem o James (e estivessem dispostos a perdoar, claro) ficariam com ele mesmo sabendo que a atual salvou a sua vida? Não parece uma traição? 2. O último diálogo foi fofinho, né? Ela toda preocupada com o Adam ♥ Para vocês, a Claire gosta mesmo dele? 3. Gemma é mais importante na vida da Claire do que pensávamos! E vocês, caso aconteça alguma coisa com um hipotético filho, hoje, quem seria o contato de emergência? 4. Notaram as referências de Grey´s? 5. Podem fazer uma pergunta, prometo responder! PS: Curtiram a música? Quero saber! Comentem! Até o próximo capítulo, Beijão~ ♥