Não Me Deixe Ir

11 Eu naturalmente pareço má, mas isso afasta as pessoas fracas.


Notas iniciais
SURPRESA! Hello, it’s me. Antes de lerem um capitulo fresquinho da fic (finalmente, eu sei), vou dar uma breve explicação do por quê da minha ausência. Sempre compartilhei tudo com vocês, e dessa vez não será diferente. Bem, em menos de 1 mês eu vi tudo desabar. Não aguentava mais dividir apartamento, quase fui assaltada na porta de casa, eu voltava sozinha de noite, meus colegas de facul não queriam saber de aula, o curso estava me frustrando, e eu simplesmente não sabia o que fazer. Sabe quando você consegue o que sempre quis e se sente perdida? Foi o que aconteceu. Eu percebi que criei um mundo na minha cabeça onde as coisas são maravilhosas, mas a vida real é fria, seca. Acabei brigando com meus pais, que me abandonaram por uns tempos, e me vi sozinha, tendo que lidar com um baita problema. Quando digo sozinha, é sozinha mesmo, sem nenhum amigo, sem minha Helena. Caso algum de vocês tenha lido essa oneshot que escrevi, well, nós não nos falamos mais. É engraçado como as pessoas mudam de uma hora pra outra, né? Ou será que eu demorei para perceber? Pode ser, o que sei é que devemos cortar o que nos faz mal, e foi isso o que fiz. Não que ela me fizesse algum mal diretamente, mas eu estou magoada, me sinto traída. Quando eu mais precisei ela simplesmente não estava lá, e isso me destruiu. Foram dias difíceis, chorando a noite escutando músicas tristes, mas eu sabia que precisava arrumar um jeito de sair do mundinho em que estava vivendo, e o fiz. Hoje está tudo bem, melhorando cada dia mais, e me sinto preparada para voltar a escrever. Na verdade, pela primeira vez percebi que a Claire não é inspirada em alguém, a Claire sou eu, só que não tinha me dado conta disso. Gostaria de agradecer muito o apoio de todos vocês que de alguma forma me ajudaram a passar por isso. A fic está atrasada, sim, beleza, mas ninguém me cobrou, acusou, xingou.. vocês entenderam e respeitaram o meu tempo, e isso prova o quão sortuda sou por ter leitores como vocês, que shippam loucamente, mandam MPs carinhosas, conversam pelo face, é surreal. Eu precisava desse carinho, de verdade. Mais uma vez, perdoem a demora. Não foi de propósito, eu só não conseguia escrever uma linha. Sobre o capitulo de hoje, bem, nos últimos dias li a fic inteira de novo, e corrigi alguns errinhos e acentos (viu, Gi! Prometi, não prometi?), sobre os acentos, é o seguinte, meu computador é em inglês e alguns acentos ele não aceita. Quando escrevo pelo google docs, dá certo, mas pelo word, minha nossa, é uma desgraça hahah Tive muitas ideias, fiquem preparados para uma baita reviravolta.. Updates sobre a facul: sei que ninguém pediu, mas tá muito legal. Caso alguém pretenda seguir o jornalismo, acredite, existem tantas possibilidades para trabalhar, cada área legal, gente! Eu tenho aulas de: Introdução ao Jornalismo, Tratamento da Informação, História da Mídia, Língua Portuguesa e Fotografia. Como não amar? Para terminar, uma citação que usei na última aula de L.P e que a professora amou hahah “A gente escreve o que ouve, nunca o que houve”, Oswald de Andrade (falo isso sobre a escrita, jornalismo é sério e os fatos devem ser apurados kk) Uma boa leitura! Beijão~ ps: Nos vemos nos comentários :* ps2: Stone Cold, minha oneshot nova, que tem menos de 1 mês, tem uma recomendação e Hello nenhuma. To confusa kkk Caso você não tenha lido, ela é baseada na música da Demi, e é Stydia. Sim! ps3: Vou responder todos os comentários, é só uma questão de tempo! T-O-D-O-S. ps4: A música do capitulo é mais minha do que da Claire, faz sentido? É como me senti, e o quanto ela significou no momento. Escutem a versão do link, é muito boa. Eu amo Coldplay, sou suspeita para falar...

One minute I held the key

Next the walls were closed on me

And I discovered that my castles stand

Upon pillars of salt and pillars of sand

Viva la Vida — Coldplay

(...)

— Senhorita, nós já aterrissamos em São Francisco. — senti uma mão tocando meu ombro. Levantei assustada. Eu havia dormido a viagem inteira?

Ainda piscando, olhei para os lados. Uma mulher impaciente me encarava, seu batom estava borrado, mas achei melhor guardar essa informação só pra mim, ela parecia estressada demais.

— Desculpe. — falei sincera, saindo da poltrona. A aeromoça sorriu simpática, mas a outra nem piscou.

— Com licença. — me empurrou para o lado, saindo pelo corredor.

Respirei fundo.

Não me irritei por ter sido acordada dessa maneira ou pela mulher ter me olhado com cara feia, na verdade, eu estava sorrindo. Dias atrás pensei que a companhia de Adam era insuportável, mas pelo contrário, ele se mostrou um dos homens bacanas que já conheci.

Bacana. Quem ainda fala bacana?

A aeromoça me olhou confusa, eu deveria estar parecendo uma louca.

— Obrigada por me acordar. — peguei minha bolsa no bagageiro.

— Tenha uma boa estadia em São Francisco. — meus pelos da nuca se eriçaram.

Eu finalmente estava em casa.

*****

Enquanto o táxi continuava parado no cruzamento — estávamos ali há 15 minutos — aproveitei para checar meus emails, ligações, e programar meu dia.

1. Falar com Lucious Lyon.

2. Organizar os casos importantes para trabalhar em Madison.

3. Designar outros profissionais para casos simples.

4. Mandar flores para Eric agradecendo pelo apartamento.

5. Fazer novamente as malas (incluir roupas de inverno).

— Cada vez essa cidade fica pior, preciso de férias. — o taxista falou sobre o trânsito.

— Já eu estava com saudades. — abri a janela.

Prestei atenção nos barulhos externos. Construções, buzinas, propagandas, pessoas falando alto.. tudo tão diferente de Madison.

Era outra vida.

Logo em seguida ele parou em frente ao meu prédio, o porteiro correndo em minha direção para ajudar com as malas.

— Obrigada. — agradeci, pagando a corrida.

— Srta.Walsh, seja bem vinda de volta. — Juan abriu a porta — Sentimos sua falta nos últimos dias. — fiz uma careta.

— Menos, Juan. — ele riu — Ambos sabemos que não sou a melhor vizinha do mundo. — Nunca compareci a nenhuma reunião do condomínio, não tinha partido para a eleição de síndico e não participava das festas comemorativas do prédio, me limitava apenas a cumprimenta-los no corredor. — Tudo certo com os papéis da imigração?

— Sim, senhorita. — assentiu — Muito obrigado de novo pela ajuda, já resolvi minha situação. — ergueu as mãos.

A falta de um documento não devolvido pelo antigo patrão poderia causar sua deportação, foi então que ele me procurou, acuado, achando que eu não iria ajuda-lo. Não sou como a maioria dos moradores, cumprimento todas as pessoas que passam por mim, não só aquelas que podem me ajudar com algum interesse em comum, como uma troca de favores.

Sou uma advogada trabalhista, era minha área.

Ele me entregou algumas correspondências que haviam ficado na portaria.

— Fico feliz ao ouvir isso, qualquer coisa é só me interfonar. — sorri. Ele colocou as malas no elevador. — Pode deixar que eu continuo sozinha, obrigada.

— Até breve, Srta.Walsh.

Apertei o botão do 13º andar, já tirando os saltos no elevador. Como eu ansiava por um banho de banheira agora, mas estava atrasada demais. No máximo uma ducha rápida.

Abri a porta do apartamento, o cheiro de baunilha chegando até o corredor. Os aromatizantes realmente funcionam, e valeram com toda certeza os 69 dólares pagos. Fitei meu sofá preto, as almofadas amarelas jogadas no chão, que saudade de deixar ali e assistir clássicos do cinema. Parecia que eu tinha ficado fora por 5 anos, e não 5 dias.

Corri para o quarto, eram quase 6:30 da manhã.

Tomei um banho curto, lavei os cabelos, e passei uma maquiagem leve para disfarçar as olheiras. Coloquei meu terninho, salto baixo e peguei minha maleta. Liguei a cafeteira, e enquanto fechava a fivela do sapato, o expresso ficou pronto. Ao chegar na garagem, procurei as chaves da BMW preta na bolsa.

Acrescentei também outro item na lista: alugar um carro.

Assim que sentei no banco de couro, respirei fundo. Como era contrastante minha vida. Passei um tempo sem ter nada, muito menos um carro, e agora eu podia comprar o modelo que quisesse, eu tinha dinheiro pra isso.

Um calafrio percorreu minha espinha.

Quando as coisas estão indo bem, uma delas vai desandar.

É o ciclo da vida, não posso fazer nada para impedi-lo.

O que me deixa apavorada.

****

— Graças a Deus, Claire. — me encarou nervosa.

Eu mal havia saído do elevador.

— Também senti sua falta, Helen. — sorri, pegando o tablet de suas mãos.

Entrei em minha sala, ela fazendo o mesmo em seguida.

— Sua reunião com Lucious começa em 15 minutos, pensei que não chegaria a tempo. — estava usando o cabelo preso, nunca tinha visto ele assim.

— Gostei do cabelo. — sorriu — Eu sei, Helen. — me acomodei na cadeira — Lucious não se importaria com meu atraso, ele sabe quem é a maior provedora do suado dinheirinho que ele ganha no final do mês. — balancei a cabeça — Sabia que ele passa 12 horas por dia jogando tênis? — me encarou confusa — Aposto um café que ele vai estar usando uma camisa polo e calça cáqui.

Fomos interrompidas por batidas na porta.

— Sim? — era a assistente dele, uma loira de nome Tifanny ou Britanny, não sei.

— Senhor Lyon está esperando você na sala dele. — sorriu amarelo.

— Obrigada. — assenti, ela fechando a porta — Venha comigo. — Helen arregalou os olhos — Ele não é o bicho papão como muitos dizem. Eu não sou a prova viva de que um boato pode muito bem ser uma tremenda mentira?

— Nunca disse que você era.. — a interrompi.

— Eu sei que antes mesmo de você ter entrado aqui já haviam te falado que sou mandona, uma bruxa sem coração, bla bla. — ela ficou séria.

— A senhorita não é nada disso.

— Mas é segredo. — sorri — Eu naturalmente pareço má, mas isso afasta as pessoas fracas.

Segui pelo corredor principal, chegando na última porta, a maior de todas, claro. Dei duas batidas leves.

— Com licença. — pude ve-lo observando a vista pela janela. Fitei Helen — Quero meu café na mesa assim que eu voltar. — ela riu.

— Que bom te ver, Claire. — limpou a mão na calça cáqui antes de estende-la a mim. Lucious era contra afeto entre funcionários, ele sabia muito bem que qualquer ato poderia ser interpretado como assédio, e não queria gastar dinheiro em indenizações.

— Digo o mesmo, como anda o golfe? — seu olhar se iluminou.

Ponto pra mim.

— Muito bem. — sorriu, seu bigode castanho subindo. — Saindo daqui vou treinar mais um pouco, tenho uma competição importante esse final de semana.

— Sei que vai se sair muito bem, como sempre. — ele levantou uma sobrancelha. Ambos continuávamos de pé, mas ele aproveitou e sentou-se na poltrona de couro que possuía na sala, fazendo sinal para que me sentasse ao seu lado.

Lucious me encarou por alguns segundos.

— O que você quer, Claire? Sabe que eu odeio rodeios, e você nunca marcou uma reunião comigo, eu sempre contatei você.

Ri baixinho.

Ambos somos advogados, temos o feeling da coisa.

— Quero tirar algumas semanas de folga, preciso descansar. — disse certeira.

— Por isso contratei massagistas, é só você passar no 3º andar que tudo estará resolvido. — riu fraco.

— Lucious, eu trabalho nessa empresa há 9 anos e nunca tirei férias. Você como bom advogado trabalhista sabe muito bem que isso é ilegal. — sua cara fechou — Preciso dessas semanas, mas isso não significa que vou abandonar completamente meu trabalho. Alguns casos vou conseguir atender pelo telefone, internet..

— Espero que isso não tenha sido uma chantagem, Srta. Walsh. — disse seco.

— Longe de mim, Sr. Lyon. Você sabe o quanto admiro a política da nossa empresa, só acho justo seguirmos o estatuto dos funcionários com afinco. — ele continuou em silêncio.

— Claire, você sabe o quanto tive que lutar para que você pudesse ser nossa vice-presidente. Veja bem, sei que o mundo de hoje não é tão sexista, mas nossos acionistas são homens maduros, conservadores.. — me encarou — Como voce acha que vão encarar suas férias sem uma justificativa plausível?

Respirei fundo.

Não, você não vai mandar seu discurso feminista agora. Calma.

— Do mesmo jeito que vão encarar meu pedido de subestabelecimento do caso Geoffrey Raymond.

— O que? — disse exaltado — Você não pode largar o maior caso do escritório nos últimos meses! — sorri fraca — Geoffrey especificou que quer você o representando, não vai aceitar outro advogado.

— Bom, então temos um acordo. — abri minha pasta pegando minha declaração de férias — Se puder assinar aqui, por favor. — apontei para a penúltima linha — Minha assistente vai passar o quanto antes no RH. — balançou a cabeça, os olhos vermelhos de raiva.

Se ele quer jogar, que assim seja.

Não é a toa que a peça mais importante do tabuleiro é a rainha.

— Você é muito corajosa, senhorita Walsh. — me entregou o papel — Espero que isso não lhe prejudique no futuro.

— Com isso você pode ficar tranquilo, Lucious. — levantei da poltrona — Se estou aqui hoje, significa que está dando certo, não é? — ri fraca.

Percebi que a conversa tinha sido encerrada, então me dirigi até a porta. Antes de sair, voltei a encara-lo.

— Tenha um ótimo treino. — ele assentiu a contragosto.

Ao voltar pelo corredor, notei que sua assistente me encarava de forma confusa, provavelmente deve ter escutado parte da conversa.

— Leve um calmante a ele, Lucious está precisando. — pisquei sarcástica.

Senti meu celular vibrando no bolso, mas não dei atenção, continuei andando até minha sala. Helen me esperava com o café em mãos.

— Do jeito que você gosta. — me estendeu o copo.

— Obrigada. — entreguei a ela o a declaração — Leve até o RH e peça para eles sua confirmação. Eu mandei por email hoje cedo, mas não recebi resposta.

— Sobre isso.. — fitei-a — Não é nada. — disfarçou. O que estava acontecendo?

— Eu fiz um check list especial e quero que você providencie tudo para hoje, tudo bem?

— Claro, recebi há uma hora e já liguei para uma empresa especializada em aluguel de veículos executivos, eles ficam a meia hora de Madison, mas o carro vai estar no estacionamento do aeroporto. Não sabia que modelo você queria, optei por uma S10 Colorado, visto que a cidade é mais interiorana..

— Perfeito. — disse estasiada. Ela não tinha só feito o trabalho dela corretamente, como também escolheu o carro preferido do meu pai.

— Sobre o buquê para Eric, bem — ela riu — Eu li uma vez que homens preferem ganhar flores com nomes masculinos, então mandei uma arranjo com narcisos, espero que não se importe.

— De maneira alguma, muito obrigada, Helen. — assenti — Se tiver qualquer outra pendência, é só bater. Preciso terminar de organizar uns processos, pode ir.

— Tudo bem. — pegou o capo vazio na mesa e levou até a lixeira antes de sair. Ela não precisava fazer isso.

Soltei o ar.

Era muito coisa para pouco tempo.

As vezes termino o expediente esgotada, sem energias para nada, a única coisa que desejo no final do dia é uma cama king size e meus lençóis egípcios. É isso o que acontece quando você quer fazer tudo sozinha. Você fica sobrecarregada. Está na hora dos outros advogados trabalharem também.

Apertei no ramal de Helen.

— Preciso que repasse para as outras secretárias que vamos viajar a trabalho por um tempo. Já designei qual caso cada um vai assumir, é só deixa-las a par da situação.

Farei isso agora mesmo.

— Obrigada.

Meu celular vibrou na mesa. Era Sebastian.

Claire?

— Pode falar. — peguei o celular nas mãos para cancelar a ligação, mas acabei atendendo. — Droga!

O que?

— Hallo, Sebastian. Wie geht’s? — segundo a mentira que Helen contou, eu estava na Alemanha. Por sorte falo alemão.

Finalmente estou tendo o privilégio de falar com Claire Walsh.

— Você sabe como é complicada essa questão de fuso horário. — disse seca.

Não precisa mentir, Claire. Deixe isso para os tribunais. — riu irônico.

— Do que você está falando? — Helen agora estava na porta.

Eu sei que você está em São Francisco. — fiquei em silêncio. Ele pode estar blefando, também é advogado.

— Jura? E o que te faz pensar assim?

Talvez sua BMW estacionada na garagem. — merda — Eu estou aqui, Claire. E estou subindo.

Desligou.

— Droga! — larguei o celular na mesa.

— O que aconteceu? Está tudo bem? — Helen perguntou assustada.

— Sebastian está subindo. — coloquei os processos nas duas gavetas da mesa. — Nada de comentar para onde estamos viajando, ok? — ela assentiu — O voo está marcado para quando mesmo?

— Hoje a noite. — ótimo.

— Tudo bem, discutimos mais detalhes depois que ele for embora. — Sebastian vai me alugar por muito tempo — Helen, se eu te chamar e falar: deu tudo certo com o RH, você vai dizer que não, e que eles precisam conversar comigo. Pessoalmente. — ela entendeu — Pode ir.

Liguei a webcam do notebook para conferir minha cara de sono.

Eu estava um caco.

— Perfeito. — sorri.

Escutei batidas na porta.

— Srta. Walsh, Sebastian Stan está aqui.

— Pode mandar ele entrar.

— Senhor.. — Helen foi interrompida por ele, que avançou na sala.

— Você está linda, Claire. — sorriu galanteador. Assenti para que Helen nos deixasse sozinhos. Sebastian se sentou. — Nova assistente? — confirmei — Ela parece ser das boas, no bom sentido. — disse irônico — Se até mente por você..

— Existem alguns processos que necessitam de sigilo absoluto, você sabe bem disso. Não posso revelar aonde estive, mas me pergunto como sabe sobre meu carro.

— Eu tenho minhas fontes. — sorriu.

— Que eu saiba você não é jornalista, Sebastian. Isso é ilegal. — ele ficou em silêncio.

— Ambos temos consciência de que nem tudo que fazemos é legal. Poxa, Claire, qual seria a parte divertida do direito se não pudéssemos quebrar as regras? — ele aproximou a poltrona — Vou fingir que não estou magoado com sua falta de interesse.

— Você poderia, talvez, não sei, entender que não é não. — fitei-o.

— Me alertaram que você faria isso, me descartaria como uma carta fora do baralho. — “eles?” — Você não precisa ter medo de se entregar, Claire. Eu gosto de você, sei que temos uma conexão. Vamos provar pra todo mundo que você não é essa pessoa que tanto falam.

Respirei fundo.

— Sebastian, foi apenas sexo. Uma noite casual entre dois colegas de profissão que estavam excitados um com o outro. Pronto. — ele me encarou — Eu não busco nenhum relacionamento sério agora, sinto muito.

— Você não pode falar assim sobre aquela noite. Não fizemos sexo, foi amor. — revirei os olhos mentalmente. — Foi incrível, Claire. Eu não consigo parar de pensar em você.

— Fico feliz que você tenha gostado, — parecia mais uma pergunta do que uma afirmação — mas foi só isso, 1 noite. Uma. Você é um cara legal, vai encontrar uma garota bacana. — ele balançou a cabeça.

— Eu estou aqui me declarando pra você e tudo que me diz é um não?

— Não falei exatamente isso, mas pode ser também. Não. — sua cara fechou.

— Você não pode estar falando sério. — disse um pouco alterado.

Seu comportamento me lembrou Mike.

— Tudo bem, Sebastian. Nossa conversa acaba por aqui, pode ir embora. — me levantei, indicando a saída.

— Como você pode ser tão fria? — gritou.

Helen abriu a porta assutada, mas eu continuei encarando-o.

— Existe outro cara na parada, não é? Você está apaixonada. — fiquei em silêncio — Quem é ele? — bateu na mesa — É algum dos caras que você precisou dormir para conseguir ser promovida?

— O que? — agora eu estava alterada — Isso é ridículo, seu machista de merda! — apontei o dedo em sua cara — Saia daqui antes que eu te processe! — seguranças apareceram na porta, alguém provavelmente tinha mandado chama-los. Fiz sinal para que esperassem — Acho melhor você sair por bem, Sebastian, ou vai preferir amassar seu terno? — seu olhar me fuzilou.

Ele virou as costas e encarou os dois seguranças na porta.

— Saiam! — bufou, saindo de lá.

— Podem ir, obrigada. — Helen informou-os.

— Eu não consigo lidar com esse tipo de homem. Machista, mesquinho, não aceita que não é não.. — respirei fundo.

Um gole de uísque nesse momento seria ótimo.

Senti minha pulsação voltando ao normal aos poucos. Helen continuava parada ao meu lado, esperando para falar alguma coisa. Voltei a atenção para onde ela estava.

— O que Sebastian disse é verdade, não é? — fitei-a — Você está apaixonada.