Não Há Quem Possa Ocupar Seu Lugar
11 Capítulo 11
Capítulo 11
Mundo real, horas atrás.
Ishida custou a acreditar que ela estivesse mesmo ali, a surpresa foi tanta que paralisou no lugar, aparvalhado.
– Eu posso entrar? — perguntou Orihime, timidamente.
– Claro! Por favor... — retrucou de pronto.
A moça adentrou no modesto apartamento e enquanto o rapaz encostava a porta, viu-se em pânico, a ponto de desejar desaparecer dali. Durante o caminho estava tão decidida, mas agora sua coragem desaparecera por completo.
– Inoue-san... o que há? — perguntou notando o estado tenso dela.
– É que... — começou, de costas para ele, mas não concluiu.
Uryuu aguardou pacientemente, tentando deduzir a razão de sua vinda. Queria falar alguma coisa, qualquer coisa, mas o receio de se precipitar de novo o manteve calado.
– Eu só queria aquele seu livro de ponto cruz emprestado... — ela falou baixo, depois de um tempo, e voltou a ficar quieta, na mesma posição. Odiou-se por dizer aquilo, mas não teve ânimo de desmentir.
– Claro... eu vou buscar... — disse ele, notavelmente desanimado.
Ela o olhou passando ao seu lado e o caminhar dele pareceu-lhe acontecer em câmera lenta. As palavras presas na garganta brigavam para sair, mas ela insistia em manter os lábios cerrados. Lágrimas começaram a marejar seus olhos.
– ...não... — balbuciou ela fracamente.
O garoto se deteve onde estava, alguns passos à frente, e voltou o rosto para trás.
– Como?
– ...não é isso... não foi por isso que vim... — falou cabisbaixa.
– Inoue-san, não precisa disso... — retrucou no mesmo lugar – ...é pior pra mim vê-la desse jeito, apenas esqueça o que aconteceu naquele dia.
Ao ouvir aquilo, Orihime levantou rosto a ele.
– Mas isso não tá certo... você me ajudou quando eu estava... arrasada...
– Claro, é isso que os amigos fazem, ajudam uns aos outros... — anunciou gentil – e não significa que você seja obrigada a me retribuir.
– Mas é que...
Ele fez um gesto com a mão pedindo que ela não falasse mais nada.
– Não se preocupe comigo... está tudo bem — disse brando.
– Mas eu sei exatamente o que você está sentindo e o quanto isso é horrível...
Ele riu levemente.
– Só que prefiro vê-la sorrindo do que nesse estado... chorando.
– Não! — exclamou afoita – ...eu não estou chorando!
– Orihime, ouça... não se sinta culpada por não poder me corresponder... mesmo por que até que ponto eu não me aproveitei daquela situação?
– Não, Ishida-kun. Eu sei que você não é esse tipo... eu sei... você é um bom amigo... me apoiou muito.
– E que continuemos assim... bons amigos.
– Mas e se a gente... — começou, mas ficou muito vermelha e não conseguiu dizer mais nada.
“A gente?” pensou ele consigo e piscou desconcertado quando a ideia de que ela pudesse estar disposta a correspondê-lo cruzou sua mente num lampejo.
– Onde está querendo chegar? — indagou abismado.
– Eu... — gaguejou ela, com o coração disparado – ...eu não estou certa... eu só...
Uryuu se atentou mais a amiga, que voltara a se calar, reparando na vermelhidão do rosto dela, inclusive o tremor de seu corpo também era notório. Então, um raio de esperança iluminou seu olhar.
“Tem um jeito de saber...” pensou ele, e deixando de lado todo e qualquer receio, veio até onde a moça estava, e, novamente, numa atitude ousada, pousou uma mão no rosto dela.
Orihime levantou os olhos a ele na mesma hora, acuada, certa de que devia ter perdido o controle do próprio corpo, pois não conseguia mover um só dedo. Uryuu ficou um pouco trêmulo, contudo, a encarou nos olhos com uma expressão séria. Sem tirar a mão esquerda da bochecha dela, meneou a cabeça e com a mão direita tirou os óculos, segurando-os consigo.
Petrificada, a moça viu o rosto do amigo vindo em direção ao seu. Pensou que devia se esquivar, mas, por um instante, se indagou se realmente queria isso e, antes que tivesse tempo de saber a resposta a boca dele colou-se a sua.
“Ou vai, ou racha.” pensou Uryuu, tratando de aproveitar o beijo que poderia muito bem ser o primeiro e último entre eles.
Durou quase nada, pois diante da imobilidade dela, resolveu dar fim ao singelo enlace. Deslizou os lábios para baixo, buscando registrar bem na memória o gosto e a maciez daquela boca delicada. Muito próximo ainda, abriu os olhos para deparar-se com a imagem desfocada da amiga.
– Ishida-kun! — exclamou ela, e num ímpeto escorou-se contra o corpo do adolescente, apoiando uma mão no peito dele.
Embasbacado, Uryuu reagiu por reflexo e a acolheu, pousando uma mão nas costas dela. Ficaram assim uns instantes, mas então Orihime começou a chorar, sentida, tal qual um animalzinho indefeso. Diante daquilo, o quincy se sentiu péssimo, e até sentiu uma fisgada no peito.
– ...agi mal de novo, não é? ...me desculpe... — balbuciou fracamente, desencostando sua mão dela, deixando-a livre para afastar-se.
Mas isso não aconteceu...
– ...me abrace... — foi o que saiu dos lábios da adolescente.
Uryuu vidrou os olhos fracos e seu coração deu um sobressalto. Estaria sonhando? Custou a se convencer que não e, como a moça permanecesse junto a si, atendeu-lhe o pedido, fechando os braços em torno da cintura dela, delicadamente.
Entre os braços dele, Orihime sentiu-se protegida e, aliviada como se o peso de uma montanha fosse removido de seus ombros, fechou os olhos. Parte de si, mesmo num momento daquele, ainda ansiou por Kurosaki, mas seu coração começava a se dobrar a gentileza de Ishida.
Depois de afagar um pouco os cabelos sedosos, Uryuu ergueu o queixo dela, gentilmente. As lágrimas tinham cessado, mas a alegria ainda não se achava naquele belo rosto.
– Se me deixar ficar do seu lado dessa forma, juro que... cuidarei bem de você.
Ela piscou os olhos, comovida com aquelas palavras e, assentiu só com a cabeça, pois o nó na garganta ainda a impedia de falar. Ficaram se encarando uns instantes até que o adolescente a afastou de si, bem devagar.
– Que tal um copo d’água?
– ...seria bom... — ela conseguiu dizer enfim.
– Espere aqui um instante, eu já volto... — disse indicando o sofá onde pouco antes ele estivera.
Concordando, Orihime assentou-se, pousando as mãos sobre os joelhos.
Um casto sorriso brotou nos lábios de Uryuu, e era pouco para demonstrar sua satisfação e contentamento. Mesmo imaginando que a amiga não estivesse totalmente apaixonada por ele, esperançoso, achou-se capaz de mudar aquela realidade.
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– Chefe, é da Soul Society... — anunciou Jinta, segurando o gancho de um antigo aparelho telefônico.
– Ah, sim... avise que vou atender no monitor.
Uns instantes depois, o ex-shinigami estava diante de um aparelho semelhante a um notebook.
“Oe, Urahara! Há quanto tempo... como tem passado?”
– Boa tarde, capitão Ukitake. Eu estou muito bem, obrigado por perguntar. Em que posso ajudá-lo?
“Primeiramente, quero saber como vai nosso casalzinho.”
O loiro riu levemente.
– Ah, muito bem! Felizes da vida, dá gosto de ver... — relatou num tom cantado.
“Que bom que conseguiram se entender.”
– É... e para sorte deles, só agora aqueles hollows estranhos deram as caras.
“Sem dúvidas a sorte está do lado deles, porque graças ao aparecimento desses hollows, nem precisamos inventar pretextos para manter a Kuchiki aí.”
– É verdade, mas nem tudo é festa... Houve um contratempo ontem. Abarai veio dar uma ajuda, mas me parece que já voltou, estou certo?
“Está sim... foi por acaso que vi um dos oficiais do esquadrão doze prestes a adentrar um portal. Perguntei do que se tratava e quando soube que o destino era Karakura achei melhor avisá-lo, tinha prometido isso a ele... Seria bom que ele e Kurosaki se entendessem.”
– Isso é só uma questão de tempo.
“Espero que esteja certo. Outro infortúnio está sendo driblar o Byakuya...”
– Por quê? Ele desconfia que estamos ajudando os dois?
“Claro, e anda me pressionando.”
– Entendo, mas estou certo que a inquietação dele é por Kuchiki-san estar aqui sem um motivo realmente sério, ele é rígido com esses assuntos de normas.
“Ah com certeza, mas Byakuya é complicado, ao mesmo tempo em que se mantém distante, está sempre interferindo na vida dela.”
– Talvez Isshin-san pudesse dar uns conselhos a ele... — satirizou.
“Ah, claro daí que tudo iria pro brejo duma vez... Muito bem, eu tenho uns assuntos a resolver, e preciso saber mais notícias do caso dos hollows e checar o relatório do Abarai. Continue as investigações por aí.”
– Sim, todas as medidas estão sendo tomadas.
“Ah... e qualquer novidade sobre os dois, não deixe de me contar.” — falou com uma expressão matreira.
– Esteja tranqüilo.
“Muito bem, até breve.”
– Até...
Urahara fechou o aparelho e, em seguida, um gatinho preto pulou na mesa.
– Ukitake é tão caridoso... — comentou o gato.
– É sim, Rukia tem sorte de estar no esquadrão dele.
– ...e de você também adorar burlar as regras.
– Óh, Yoruichi-san... que maldade sua falar assim.
Ficaram quietos uns instantes.
– O caso deles é bem mais simples... — pontuou o loiro – não tem nada dar uma ajudinha.
Captando o que ficara implícito no comentário, os olhinhos dourados do gato se estreitaram.
– Também quero checar esse relatório de perto... — desconversou, saltando da mesa.
– Imaginei que fosse querer — retrucou Kisuke com certo pesar na voz.
– ...não sei quando volto... — disse e saiu depressa.
– Até breve...
Depois de alguns instantes, o ex-shinigami veio até a varanda, onde ficou pensativo, olhando a lua cheia no céu.
– ...quanto a nós, a história já é outra... — murmurou consigo.
As idas freqüentes de Yoruichi à Soul Society vinham deixando-o amuado. Seria tão bom poder passar mais tempo com ela, mas como ele próprio afirmara, entre eles a situação era bem mais complicada.
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Isshin se regozijava com o que via logo à frente, na cozinha. Escondido no corredor, ele espionava o mais lindo casalzinho de Karakura. Era bem cedo ainda.
Entre risos, beijinhos e... amassos, Rukia e Ichigo, estavam empenhados e entretidos no preparo de um belo dum lanche para Yuzu e Karin, que há uma semana falavam sem parar de uma excursão que fariam com a escola naquele dia. Havia panelas, tigelas e utensílios por todo lado, além de um cheirinho delicioso no ar.
– Elas vão adorar isso — comentou Ichigo, animado.
– Eu espero que sim!
– Claro que vão. Mas estou impressionado, Rukia... não sabia que você cozinhava tão bem. Pensei que por você ser nobre só fosse servida.
– Quando estou na casa do ni-sama até que sim, mas quase não ficou lá. Além disso, fui adotada depois de grande... tive que aprender a me virar antes, e no meu esquadrão também é cada um por si.
– Entendi... — disse e limpou as mãos num pano. – Vem cá... — chamou, erguendo Rukia pelas axilas e deixando-a sentada no balcão da pia.
– Que é? — indagou toda charmosa, fingindo não ter notado o olhar de lobo faminto dele.
– Tem farinha no seu rosto... — disse ele, e, delicadamente, passou o pano na bochecha dela.
Encararam-se uns instantes, aproximaram os rostos e, é claro que se beijaram. Demoradamente e despreocupados, pois todos estavam dormindo ainda, ou ao menos, assim pensavam. Não podiam imaginar que estivessem sendo observados.
Não, o fogão não estava mais ligado, é muito perigoso se distrair com panelas no fogo.
– A vida não pode ser melhor que isso... — falou Ichigo depois de um longo inspirar.
“Olha só... e eu que pensava que aquele franzido na testa do meu filho fosse perpétuo.” — pensou Isshin com um risinho.
– Vai, me deixa montar essas marmitas... — mandou Rukia, empurrando o peito de Ichigo.
– Tá bom.
“Estão aproveitando mesmo... mas é uma pena, porque algo me diz que toda essa calmaria não demora a ter fim.”
E Isshin estava certo, pois muito em breve, a bonança daria lugar a uma nova tempestade.
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Inoue terminava de ajeitar suas preciosas presilhas nos cabelos. Diante do espelho, deu uma inspecionada na pele e lembrou-se de um perfume novo que tinha ganhado de presente de Tatsuki. Cantarolando, veio pegá-lo.
Estava ansiosa por contar as novas a melhor amiga. Recordou-se então do quanto Uryuu tinha sido gentil em trazê-la em casa no dia anterior, inclusive ele lhe comprara um doce delicioso para que ela comesse depois do jantar.
– Cheguei a odiá-lo por ele achar que podia ser como o Kurosaki-kun pra mim... como fui boba... desde que fomos à Soul Society, ele tem sido atencioso comigo... — falou sozinha e ficou corada.
Já tinha pensado bastante na decisão, sentia-se mais confiante a cada instante, mesmo não tendo visto Kurosaki ainda, sem conseguir imaginar como iria reagir diante dele naquela nova situação.
– Ah, assim vou me atrasar!
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Uryuu tentava ficar calmo, mas a expectativa pela chegada de Orihime o inquietava. Para agravar a situação, chegara mais cedo que de costume e ela parecia que iria se atrasar.
Ichigo olhava a janela da sala, com uma expressão pensativa. Rukia já se acomodara e tinha um livro de exercícios aberto a frente.
Sado olhou o casal e depois o amigo quincy. Assim como Tatsuki, vinha acompanhando de longe as interações dos amigos. Aproximando-se de Ichigo, ele perguntou na típica discrição:
– Algum problema?
– Ainda não sei, só mais à noite iremos saber...
– Certo.
Orihime finalmente chegou então, para satisfação de Uryuu, aos de quem ela pareceu exuberante.
– Bom dia! — saudou ela, com um braço erguido e um sorriso enorme nos lábios.
– Como está linda hoje, Himeee!! — gritou Chizuru, e corria desembestada para agarrar a colega, mas discretíssimo Ishida botou um pé na frente dela, sem piedade, provocando uma queda catastrófica.
– Quem foi?! — berrou a assanhada, mas ninguém tinha percebido o ágil Uryuu.
– Seja mais atenciosa, Chizuru-chan... — falou Orihime, coçando a cabeça e deu uma risadinha sem graça diante da estatelada a seus pés.
– Bom dia, Inoue — cumprimentou amável Rukia, alheia a algazarra.
– Bom dia, Kuchiki-san! — retrucou contente e voltou-se ao amigo shinigami. – Kurosaki-kun... — o coração deu um sobressalto quando ele virou-se a ela –bom dia... — falou, menos empolgada.
– Oe, Inoue... — respondeu ele e logo voltou a olhar o pátio.
Ela ainda encarava o ruivo, quando Uryuu se aproximou para cumprimentá-la.
– Bom dia, Inoue-san... — falou, ganhando a atenção dela, que lhe sorriu meiga antes de responder.
– Bom dia, Ishida-kun... Tudo bem?
– Melhor agora.
Sorriram um ao outro, mas não conversaram mais que isso porque a professora chegou à sala.
Uryuu e Orihime decidiram que continuariam agindo como amigos apenas, até que o sentimento que compartilhavam criasse raízes mais profundas. Assim, naquele momento, até os amigos mais chegados não notaram nada diferente entre eles.
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Na hora do intervalo, Orihime e Tatsuki conversavam no terraço.
– ...então aconteceu... foi meu primeiro beijo, Tatsuki-chan!
– Como é que é?! — vociferou Arisawa com os olhos arregalados. – Mas com ele?
A ruiva balançou a cabeça que sim, sorrindo.
– E desde quando você gosta dele, Orihime? — indagou com estranheza.
– ...ah, não sei ao certo... não foi como com o Kurosaki-kun, mas o Ishida-kun tem sido muito atencioso comigo e demonstrou gostar de mim.
– E isto basta?
– Por mim sim e ele aceitou isso também. Ainda é tudo muito recente... não é bem um namoro, ele quer que eu pense bem nas coisas.
– Mas então por que ele já foi logo te beijando!? — revidou meio zangada.
– Ah, porque... — ficou muito vermelha – Tatsuki-chan, eu não sei porque. Mas não precisa ficar tão brava assim... ele... ele não passou disso.
– Disso eu sei! — berrou, mas logo se conteve e, diante do rosto corado da outra, acabou rindo. – Tá certo, se é isso que você quer, tudo bem... — falou mais amena.
– É sim. Eu pensei muito e no fim cheguei à conclusão de que... não vale a pena viver de uma ilusão se posso experimentar algo verdadeiro.
O comentário impressionou Arisawa, que nem rebateu de imediato. Inoue continuou:
– Eu entendi isso quando ele me abraçou... me senti tão reconfortada e... especial... Ele diz gostar de mim e eu sei bem o que é gostar de alguém.
Tatsuki assentiu com os olhos.
– Até seu semblante está diferente — comentou ela. – Se é assim, muito bem, estarei torcendo por vocês!
– Obrigada, Tatsuki-chan.
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Naquela noite, na loja Urahara.
– Agradeço por terem vindo — disse o ex-capitão. – Finalmente temos um parecer sobre esses estranhos hollows.
A ansiedade ficou nítida nas expressões de cada um dos jovens.
– Bem, trata-se de hollows que se aperfeiçoaram para não serem dizimados pelos Arrancar, ou seja, sofreram uma espécie de mutação. Daí a reiatsu diferente e os ataques perigosos.
– Um tipo de defesa dos hollows contra os próprios hollows? — indagou Uryuu.
– Exatamente.
– E o que tem demais nisso? — perguntou Ichigo ao quincy.
– Ora, se até você e Kuchiki-san foram feridos por esses hollows, significa que o ataque deles também deve ser letal aos Arrancar.
– Bem observado, Ishida-kun... — retomou Urahara. – Por enquanto apenas hollows abaixo da classe Menos apareceram e não sabemos se os mais fortes também desenvolverão essa mutação. O que seria, sem dúvidas, um problema também para nosso inimigo Aizen.
– Como é? O aparecimento desses hollows é bom pra nós? — falou Ichigo, meio confuso.
– De certa forma... Contudo, é mais sensato exterminá-los e impedir que mais uma facção inimiga cresça e se desenvolva.
Sado ficou ligeiramente incomodado com o comentário, mas não soube ao certo porque. Uma vez que seu poder despertara em função do poder de Ichigo, e tendo este um lado hollow, pensou consigo que devia ter algo a ver.
– Mas como vamos fazer isso? — perguntou Rukia ao ex-shinigami.
– O ataque desses hollows consiste na liberação de um microorganismo semelhante a um vírus. A equipe de desenvolvimento está trabalhando na criação de uma vacina. Cabe a vocês apenas darem cabo daqueles que aparecerem por aqui.
– Entendo... — comentou ela.
– Pode ser que um ataque massivo seja ordenado, mas acho difícil conseguirmos invadir novamente o Hueco Mundo sem que Aizen perceba.
– Mas... Aizen não poderia recrutar esses hollows? — perguntou Orihime, bastante tímida, surprendendo a todos.
– Como esses hollows são conscientes e não formam bandos, é improvável que eles queiram se unir a Aizen.
– Então só nos resta exterminá-los, e seguir as ordens da Soul Society... — falou Ichigo.
– Exato. Estejam atentos e caso sejam feridos, venham para cá imediatamente.
Os jovens assentiram. Um tanto depois deixavam a loja.
Na caminhada de volta, Orihime disse que tomaria uma rota diferente e que faria companhia a Uryuu. Tanto Rukia como Ichigo imaginaram apenas que ela quis evitar seguir com eles dois e não se atentaram ao fato da moça preferir estar a sós com o quincy.
Assim, eles cinco se dividiram em três caminhos. Sado solitário, Rukia e Ichigo bem próximos, Orihime e Uryuu mais afastados e lado a lado, todos relativamente tranqüilos, sem terem como imaginar que no alto céu um vulto imenso estava à espreita.
CONTINUA...
Notas finais
Por favor, continuem comentando! A todos que vêm acompanhando meu muito obrigada!
Até o próximo! =^.^=
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