Notas iniciais
É eu sei :( Eu demorei uns três ou quatro dias, perdão por isso. Mas volto a ressaltar que sou três Marinas em uma: A que trabalha, a que estuda e a que escreve '-' Está ficando cada dia mais tenso. Então, mais um capítulo para vocês. Os próximos dois capítulos serão bem emocionantes. (Embora eu ainda esteja terminando de escrever eles...), então aproveitem enquanto as coisas ainda estão fáceis (: E desculpa de novo pela demora.

*

Estava dentro do carro. Minha timidez era nítida diante do meu pai, embora talvez o motivo fosse idiota. Fazia tanto tempo que não era bem tratada por ele, que nem sabia ao menos como reagir.

Tentei não pensar muito nisso. Olhei para a janela na lateral direita do carro e encostei a testa no vidro. O dia estava frio. Sabe quando algo de ruim acontece e o sol se esconde durante o dia inteiro? Então, o dia estava daquela forma. Mas dessa vez, eu tinha certeza que nada daria de errado. O sol se escondia apenas por uma coincidência habitual.

Minha respiração embaçava o vidro lentamente. Levei um dos dedos ao vidro e rabisquei uma palavra, quando senti uma mão quente pousar sobre a minha que estava livre no banco.

– Manu, eu sinto que tudo isso logo vai passar. Eu te garanto que vamos voltar a ser uma família ok? Pode demorar um tempinho, mas é em breve. — Ele ainda encarava o trânsito quando olhei pra ele. Ele parecia mudado desde o último dia que parei para analisá-lo. Ele parecia ainda mais intenso e transparecia certa aura de paz. Quando seus olhos se encontraram no meu, sorri levemente e assenti com a cabeça. Não precisei dizer nada, ele sabia tudo o que eu sentia diante daquela situação.

Chegamos ao hospital em poucos minutos. Desci do carro e olhei a entrada do hospital. Respirei fundo, coloquei as mãos no bolso do macacão e caminhei juntamente com meu pai até a entrada.

Assim que entrei, a recepcionista gorda me encarou com aversão. Sorri de lado, sabendo que nem aquele mal olhado ia acabar com meu dia. Preenchi alguns papéis e ela me mandou aguardar em uma cadeira.

– Vou dar uma olhada na sua mãe e na sua irmã ok? – Meu pai disse pra mim. – Você espera aqui que logo vão te chamar. –

– Tudo bem, vou me sentar ali. Se puder, traz notícias da Maria pra mim? – Ele concordou com a cabeça.

Acomodei-me a cadeira e comecei a brincar com meus dedos nervosamente.

O tempo parecia se arrastar. Cada vez que eu olhava o relógio na parede do hospital, eu me assustava ao perceber que apenas mais um minuto havia se passado.

Passei parte do tempo observando tudo o que acontecia ao hospital. Muitas emergências chegavam com pessoas em estados deploráveis. Famílias desconsoladas ao descobrir a morte de um parente, dor que jamais conseguiria imaginar. Olhei para a porta do hospital com o coração vazio e amargurado. Tantas pessoas passando por situações horrendas. Antes que eu pudesse desviar os olhos para outro lugar, vi alguém abrindo a porta. Era uma garotinha branca e loirinha, devia ter uns seis ou sete anos. Em seus braços, havia um porquinho em forma de cofre. Ela mancava e eu percebi o porquê quando observei suas pernas. A perna da esquerda era totalmente normal, mas a da direita era fora do comum. A coxa era atrofiada e fazia com que toda a extensão da perna da menina fosse torta.

Ao ver aquilo, meus olhos arderam e contive uma lágrima. Analisei o rosto dela. Uma menina linda e que apesar daquela situação, sua boca sorria largamente. Ela se aproximava cada vez mais de mim e eu não sabia exatamente o que fazer. Não sabia se desviava o olhar, ou permanecia firmemente nela. Ela chegou perto o suficiente de mim para começar a falar.

– Olá moça bonita! – Seus pequenos olhos brilhavam. Sua voz infantil despertou ainda mais minha intenção. –

– Olá menininha linda! – Consegui dizer sem engasgar. – O que está precisando? –

– Sabe, eu sei que é muito feio eu pedir... Mas, eu tenho uma doença que nem mesmo sei dizer o nome, que fez minha perna ficar assim. – Ela levantou a perna enferma. – Os médicos disseram que para melhorar eu preciso de uma cirurgia, mas ninguém da minha família tem condição e não temos plano de saúde. Então, estou arrecadando moedinhas para fazer a cirurgia. – Ela sacudiu o cofrinho com as pequenas mãozinhas. – A senhora teria alguma pra me dar? – Engoli em seco quando seus olhos caramelos pediram.

– E quanto é sua cirurgia? – Perguntei.

– É dez mil reais, sem a tal da fisio... Fisio... – Ela não conseguia soletrar aquela palavra.

– Fisioterapia? – Terminei.

– Uhum! Nunca consegui dizer essa palavra direito. – Ela soltou um riso bobo. Eram dez mil reais que ela precisaria, e lá estava ela com um porquinho meio cheio de moedas. Enfiei as mãos nos bolsos, procurando algo. Achei uma nota de dez reais e me odiei por não ter mais dinheiro. Coloquei a nota dentro do cofrinho e os pequenos olhinhos dela brilharam.

– Dez reais? – Ele levantou a cabeça e me encarou. – Não vai te fazer falta? –

– Não, não vai não! Pode despreocupar! –

– Muito obrigada moça! – Esperei uns segundos.

– Vêm todos os dias aqui? –

– Venho sim, todos os dias nesse horário. –

– E cadê sua mãe? – Ela fez uma careta.

– Ela tem que trabalhar, para ver se consegue o dinheiro para a cirurgia... Mas ela disse que com o trabalho dela, nunca vamos conseguir. Por isso, resolvi começar a pedir pela rua. -

– E seu pai? – Me arrependi de perguntar.

– Papai morreu, há muito tempo! – Ela abaixou a cabeça.

– Eu sinto muito... – Comprimi os lábios formando uma linha.

– Tudo bem, ela está com o Papai do céu agora. Ele é um anjo e está me protegendo todos os dias. – A garotinha suavizou a expressão.

– Uma última pergunta, qual o seu nome mocinha? –

– Eduarda Lopes, prazer. – Ela apoiou o porquinho em um dos braços, e estendeu o outro para apertar minha mão.

– Manuela Rodrigues. – Meu nome foi dito em uníssono. Uma médica ou enfermeira havia me chamado e arqueei os olhos para encará-la. – Estamos te esperando para a cirurgia. – Voltei os olhos para a Eduarda.

– O prazer é todo meu viu? – Apertei seus dedinhos pequenos. – Prometo que sempre quando te encontrar, vou te ajudar com a cirurgia ok? – Baguncei seus cabelos e ela sorriu agradecida. Levantei-me e segui a tal mulher pelo corredor em direção à sala de cirurgia.

*

Abri os olhos e minha visão ficou turva. Tudo o que eu vi foi a cor branca. Pressionei os olhos com força e levei um dos braços para minha testa, enquanto tentava me lembrar do que havia acontecido. Estar naquele lugar me dava um pouco de pânico.

Girei a cabeça e meu corpo todo respondeu com um gemido. Uma dor atravessava meu corpo todo me fazendo soltar o ar com um resmungo. Olhei o aparelho que apresentava meus batimentos cardíacos, observei uma agulha injetada em minha veia me enchendo de soro. Foi assim que recordei da cirurgia.

– Você não está fazendo esforço, está? – Virei à cabeça com dificuldade para a porta do quarto. O sorriso mais lindo do mundo estava lá.

– Não estou... Estava tentando apenas descobrir onde eu estava! – Soltei um sorriso fraco. Ele se aproximou e deu um beijo na minha testa.

– Trouxe essa margarida pra você, iria te dar, mas acho que o beijinho na testa te fez mais feliz! – Ele ironizou o poder de sedução dele enquanto colocava a flor em cima da mesinha. Ele era mais lindo ainda quando fazia essas gracinhas. E mais sexy ainda naquela roupa. Uma camiseta branca e um casaco escuro por cima. Calça Levi’s escura. Eu achei que tinham feito algo com meu cérebro também, o meu príncipe encantado estava ali no meu quarto e eu estava admirada pelo o que ele vestia, sendo que bastava ele sorrir e pra mim ele estava lindo. Nem precisava estar vestido e nem nada... Bastava sorrir. É... Ele não precisava estar vestido... Soltei uma risada maliciosa.

– Você até que tem razão! Só bastou você chegar pra me fazer feliz. –

– Oxi, o que fizeram contigo? Você está concordando comigo e até aceitou eu jogar charme... – Ele me notou confuso se divertindo com a situação.

– Não se acostume, logo eu volto ao normal. – Mostrei a língua. E ele me imitou num gesto bem mal feito.

– E então, — Ele se sentou na cama e apoiou uma das mãos em minhas pernas – Como está minha princesa preferida? –

– Tem mais de uma? – Deixei a boca entreaberta.

– Várias... Você sabe como eu tenho muitas fãs. – Franzi o cenho. Se eu não estivesse tão dolorida, teria metido aquele aparelho que media meus batimentos cardíacos na cabeça dele. – É brincadeira, não me mate? – Balancei a cabeça negativamente.

– Eu estou bem, seu idiota. Mas eu quero mesmo é saber da minha irmã... Como ela está? Ela já fez a cirurgia dela? – Alterei minha voz para um tom mais baixo.

– É difícil responder. Ela já fez a cirurgia sim, mas continua dormindo. O quadro dela é estável então, só vamos saber se ela está bem quando ela acordar e é só isso que eu sei. Além do mais, não me deram muitas notícias já que não sou parente de vocês... O que seus pais iriam pensar se soubessem que um cara que nunca viu na vida deles, estivesse vigiando as duas filhas deles? – Ele arqueou as sobrancelhas.

– É verdade, você até que tem razão algumas vezes. – Ele ignorou o que eu disse. – E você sabe onde meus pais estão? –

– No quarto da pequenina, imagino. – Mordi o lábio imaginando se meus pais tinham vindo me ver. – Moça, eles devem ter vindo aqui te ver ok? Eles estão mais preocupados com ela, porque afinal, é ela quem está por um fio. – Disse ele lendo meus pensamentos.

– Oh, é claro e eu não faria diferente deles. – Sorri. Ficamos silenciosos por uns minutos. André passeou a mão pelas minhas pernas, chegou a meus pés e brincou com meus dedos.

– Você é mesmo muito pequena! – Ele se divertiu. – Quanto você mede mesmo moça? –

– 1,65... – Bufei. Ele me olhou incrédulo. – Ok, ok... 1,60. – Ele comprimiu os lábios ainda sabendo que eu estava distorcendo a realidade. – 1,54. Pronto falei! Satisfeito? – Ele gargalhou.

– 1,54... Meus parabéns! – Queria levantar da cama e esganá-lo, mas antes que eu pudesse fazer isso vi um vulto na porta do quarto.

– Mãe? – Minha mãe estava encostada na porta e eu me questionei por quanto tempo ela realmente estava aqui.

– Quem é você? – Ela perguntou. Bela hora de apresentar meu – possível – futuro namorado, pensei.

– Mãe, esse é meu amigo André. André, essa é a minha mãe Samantha. – André se levantou da cama e estendeu a mão para minha mãe, que repetiu o gesto. Ela intercalou o olhar entre ele e eu. De alguma forma, ninguém acreditava quando eu o apresentava como amigo.

– Prazer senhora. Manu, eu vou buscar algo ali e já volto ok? – André disse saindo da sala enquanto deixava eu e minha mãe à sós. Eu sabia que era de proposito essa ação repentina dele.

Minha mãe aproximou da cama cabisbaixa e se sentou. Ela apertava as coxas nervosamente me deixando apreensiva.

– Manuela, eu quero te pedir desculpas. Eu errei com você... A culpa não é sua de a sua irmã estar assim, não é culpa de ninguém. – Ela levou sua mão de encontro a minha. – Eu estava enganada sobre você, você não é um monstro. Você salvou sua irmã, minha pequena e frágil Maria. Não sei suas razões de ter feito o que fez no passado, — Engoli seco — mas eu estou começando a considerar a esquecer daquilo. Nunca estive do seu lado, nunca conversei com você depois do ocorrido. Não sei o que passou pela sua cabeça... –

– Mãe... – Interrompi e ela me advertiu com o olhar.

– Mas também não quero saber mais. Você foi punida e já sofreu demais com isso. Está na hora de ter alguém em quem confiar de volta. – Lágrimas queriam rolar em minha face, mas as segurei. – Não estou dizendo que a partir de hoje, vamos ser as melhores ‘mãe e filha’ do mundo, mas estou dizendo que ainda temos chance de consertar tudo o que passou. – Se a dor não tivesse me impedido, eu a teria abraçado. Aquelas palavras saiam de forma tão singela de sua boca, que cheguei a duvidar que aquilo pudesse ser real. – Me desculpe por tudo? Por favor? –

Notas finais
Devo dizer que esse ainda deve ter erros '-' Mas a partir do próximo, minha cara leitora GabsLefebvre *-* vai corrigir meus erros. Eu agradeço de coração a ela :D Bem, até o próximo capítulo u.u sem garantia de que dia vou postar...
Ps: Bem vindos leitores nooooooooooovos *-*