Notas iniciais
Ahhhh '-' Eu demorei uns cinco dias dessas vez. Desculpem-me?
Então, está aí um capítulo para vocês. Tecnicamente, gostei de escrevê-lo, mostra um pouco mais da relação entre a Samantha e a Manu... E além disso, tem nosso querido casal 'Maré' tendo uma briguinha de ciúmes.
Ah, a minha querida Gabs (Revisora perfeita *-*), começou seu ótimo trabalho nesse capítulo. Então, ele está bem escrito graças à ela :D Aproveitem.

– Mãe, eu acho que dei muito motivo para tudo isso acontecer, mas eu pretendo não dar mais. A única coisa que eu precisava era que a senhora me desse a chance de provar isso, agora eu não vou mais dar para trás. Eu desculpo a senhora por tudo porque você está me desculpando por tudo. – falei aquilo incoerentemente. Meu cérebro latejava tentando entender como aquilo tudo estava acontecendo e meu coração parecia morrer a cada batimento. Minha mãe deu um sorriso fraco e meio involuntário. Ela fez menção de levantar da cama e respirei fundo. – Como está a Maria?

– Ela está bem. – disse ela levantando os olhos pra mim. Não sabia exatamente como a nossa relação ficaria depois do ocorrido, mas com certeza iria melhorar. Ela caminhou até a porta e, antes que pudesse desaparecer por ela, diminuiu os passos até parar por completo. – Obrigada, Manu! – E ela se foi.

Voltei o olhar para o teto e deixei uma lágrima descer pelo meu rosto. Uma agradável sensação de alívio estava defronte a mim, me atingindo em cheio. Parecia que uma parte de mim, finalmente, tivesse alcançado a paz.

– Está tudo bem, moça? – A voz de André me fez abrir um sorriso travesso.

– Está tudo ótimo! – enfatizei. – Minha mãe resolveu mudar. Nós resolvemos mudar. André, vai tudo ficar bem agora. – respirei aliviada. Ele voltou a se sentar na cama e sorria pra mim mostrando que realmente estava alegre pela situação. – E a minha irmã está bem. E eu estou bem. Todos estão bem!

– Você está bem eufórica! – disse ele, como se me analisasse.

– É verdade... – soltei uma gargalhada.

Ok, eu parecia uma louca.

Ele deitou o corpo e chegou até minha boca, dando um selinho demorado. Um arrepio ou dois, passearam pelo meu corpo. Jamais ia acostumar com aquela boca maravilhosa. Esqueci toda a dor do meu corpo e levantei minha mão até seu rosto. Ele terminou o beijo com uma mordida leve no meu lábio.

– Princesinha, — outra coisa que nunca ia me acostumar, é com ele me chamando desse apelido. – Eu vou ter que ir! – ele fez uma cara de desapontamento. – Já passei do meu horário aqui. Eles me deixaram visitar você apenas por uma hora.

– Você contou pra eles sobre a gente? – Abri a boca incrédula. Jamais permitiriam um relacionamento entre aluno/funcionário no colégio.

– Não... Só disse que ia visitar minha namorada que havia acabado de passar por uma cirurgia. – Quando ele falou ‘namorada’, desviei o olhar tentando não mostrar que estava surpresa.

– Não que eu seja oficialmente sua namorada... – sussurrei o mais baixo que conseguia.

– Oi? – Ele coçou a cabeça como se não tivesse entendido meu cochicho.

– Nada! – fingi desinteresse. – Bom, então vai lá. Bom trabalho pra você. – sorri amarelo. Ele se aproximou mais uma vez de mim e meu deu outro selinho. Dessa vez, um mais rápido. Enquanto ele caminhava para fora do quarto, percebi que ficaria sozinha ali durante algum tempo.

*

Era uma manhã ensolarada e eu sequer tinha noção que dia era aquele exatamente, mas sabia que ele estava lindo. Senti que meu corpo lentamente se recuperava da cirurgia e isso se confirmava cada vez mais com o vai e vem de enfermeiras do dia anterior.

Minha mãe veio me ver mais uma vez, mas não conversamos sobre nada além de como estava a pequena Maria. Já meu pai veio me visitar umas duas vezes, ambas à noite. Ao contrário dos momentos que passei com a minha mãe, meu pai e eu conversamos sobre coisas aleatórias e chegamos até a sorrir um pouco.

Talvez o dia nem estivesse tão bonito para outras pessoas, mas estava mais que perfeito para mim.

Ouvi meu celular vibrar três vezes seguidamente, o que deixava claro que as mensagens haviam chegado ao mesmo tempo. Geralmente isso acontecia quando o sinal da operadora caia durante um longo tempo e, quando voltava, eu recebia as mensagens. Coincidentemente, esse “probleminha” acontecia muito naquele hospital.

Estiquei o braço torcendo para alcança-lo antes que alguma dor voltasse ao meu corpo. Com sucesso, levei o celular aos olhos e li cada uma das mensagens. A primeira mensagem era do meu ‘querido e melhor amigo’ Daniel: “Como você está linda? Como está a sua irmã? Estou sentindo saudades suas”. Respondi secamente com um “Estou bem. Está bem. Beijos”. Acho que deveria ser um pouco mais compreensiva com ele, afinal, ainda existia uma pequena porcentagem de ele estar falando a verdade naquele jantar.

Bufei ao imaginar que poderia estar dando corda ao Daniel. Fui para a próxima mensagem. O número bloqueado, que me assombrava há dias, também enviou mais uma: “Fiquei sabendo da cirurgia... Você está bem? Quero noticias suas! Precisamos nos ver..”. E eu não respondi é claro. Não tinha como mandar alguma mensagem para aquele número bloqueado.

O fato de tal pessoa estar-me ‘convidando’ para vê-lo também não me tranquilizou. Dei de ombros. A última mensagem era simplesmente do cara que tinha a boca mais gostosa do mundo. Era meu querido André: “Hoje é sábado e como você sabe, eu saio do serviço mais cedo. Vou passar ai mais tarde para te ver ok? Espero que esteja bem, princesinha. Beijos”.Abri um sorrisinho infantil. Não precisei responder aquela mensagem, sabia que mais tarde nos veríamos e conversaríamos bastante besteira.

Alguns minutos depois minha mãe apareceu na porta do meu quarto.

– Sua irmã acordou, Manu. – comunicou ela, com um semblante aparentemente cansado. Era provável que ela talvez tivesse passado a noite acordada esperando alguma resposta de minha irmã.

– E ela está melhor?

– Os médicos estão cuidando dele nesse momento, fazendo exames e certificando que deu tudo certo. – ela deu uma pausa. – Me tiraram do quarto e me mandaram ir pra casa, descansar um pouco e aparecer por aqui à noite. Maria ainda está meio tonta com os efeitos da anestesia, que só vão passar à noite. Eu acho que na verdade vou esperar aqui...

– Não, mãe. Vai pra casa, toma um banho e dorme um pouco. E então mais tarde você volta. A senhora está com uma cara horrivelmente abatida.

– Mas como vou saber da Maria?

– Eu te aviso, prometo que aviso. – Ela balançou a cabeça concordando. Aquele estaria sendo o primeiro ato de confiança que ela havia me dado.

– E você como é que está?

– Eu estou bem, as dores estão melhorando. – Ela deu um sorriso sem vontade.

– Volto mais tarde, então... Mantenha-me informada ok? – Assenti com a cabeça.

*

Às três da tarde, eu estava consumida pelo tédio. Meu corpo, ainda dolorido, parecia irritado ao estar deitado por tanto tempo. A única coisa que podia me animar naquele dia, poderia estar chegando a qualquer momento.

Respirei fundo e contei a contar os segundos, literalmente. Não tinha muita coisa para fazer ali, então achei conveniente prestar atenção em como o tempo se arrastava pela tarde. Parte de mim queria dormir para passar mais rápido, mas a possibilidade de André chegar e me ver babando pelo travesseiro estava fora de cogitação.

– Demorei? – O ouvi na porta quando chegara à contagem de 652 segundos.

– Depende do ponto de vista. – Fiz uma piada interna sabendo que ele não entenderia.

– O quê? – indagou ele, confuso. Apenas dei de ombros como resposta.

– E então, trabalhou muito?

– Consideramos que sim. Acumulou alguns serviços pra mim enquanto estive fora, mas nada que não consiga resolver em uma semana. E você, como está? – Ele se aproximou da cama e me deu um selinho. Parecia que aquele ato poderia se tornar rotineiro ao nos cumprimentarmos.

– Estou ótima agora! – respondi, ainda entorpecida pelo seu perfume. O cheiro que emanava dele era incrível.

– Recebeu minha mensagem? – Ele se sentou na cama e pegou em minha mão. O calor dele rapidamente me animou.

– Recebi a sua, mais uma do Daniel e do número bloqueado. – Revirei os olhos. Senti uma leve apertada em mim mão.

– Daniel? O que esse cara queria? – Ele ficou apreensivo.

– Nada de mais, só perguntou se eu estava bem e como estava minha irmã. – Omiti a parte de que ele havia dito que estava com saudades. – Por quê? Ciúmes? – fiz um biquinho e André abriu a boca querendo protestar.

– Eu? Claro que não! – Ele forçou uma expressão fácil de desinteresse. Diminui os olhos na espera que ele revelasse a verdade, mas só serviu para reforçar a demonstração de ‘Tô nem aí’ dele. – Mas tem algo que você precisa saber... E que eu deveria ter contado. – Minha face se distorceu em preocupação.

– O que você fez? – Deixei a boca levemente aberta e arregalei os olhos.

– Naquela noite que ele ligou... Eu meio que não gostei muito desse fato dele ligar pra você a cada dez minutos e juntando com outro fato de que quando eu atendi a ligação ele soltou um ‘Linda!’ – Ele imitou a voz de Daniel ao dizer essa última palavra. – Eu talvez devo ter dito pra ele parar de te perseguir porque você estava com outra pessoa...

– Ahhh, ent... – Suavizei meu rosto.

– Mas não foi só isso. – Ele me interrompeu me deixando preocupada de novo. – Eu também devo ter mencionado que bateria nele até ele sangrar se continuasse atrás de você. – Não aguentei e gargalhei quando ele terminou a frase. Quando finalmente o encarei, ele estava debochando de mim pela risada. – O que foi? Está rindo porque realmente parece que eu estou com ciúmes?

– Claro que não, disso eu já sabia. Eu estou rindo é do fato de você dizer que “bateria nele”. – fiz aspas com as mãos. – Você não machucaria uma mosca! – Ele se aproximou abruptamente de mim apoiando as duas mãos nas laterais da cama, aproximando tanto o rosto dele do meu que pude sentir seu hálito em meu nariz.

– Não se precipite com a minha gentileza contigo, moça. Eu trato você bem, porque é uma pessoa muito especial pra mim. Mas não se engane, porque não pensaria duas vezes em bater em alguém somente para proteger quem eu gosto. E no seu caso, alguém que eu gosto demais. – Corei ao o ouvir dizendo aquilo tão perto de mim. Se eu pudesse simplesmente levantar a corpo e acabar com aquela distância entre a gente, já estaria o beijando. Apenas olhei seus olhos e internamente implorei que ele fizesse aquilo por mim. Ele, continuando na mesma posição somente sorriu. – Não vou te beijar, se é isso que está pedindo com esses olhinhos brilhantes. – Ele conseguiu cortar o clima. Droga!

– E porque não? – me exaltei.

– Não está merecendo. – Ele continuava sorrindo.

– Não estou? – Ainda estava incrédula. Ele se afastou um pouco de mim.

– Duvida da minha força e riu da minha cara. Então não, não está merecendo! – Ele parecia se divertir da situação enquanto eu queria esfolá-lo. Ele se levantou da cama e virou o corpo em direção à porta. Segurei seu braço.

– Se sair por aquela porta sem me beijar, não precisa voltar. – O afrontei tentando virar o jogo pra mim.

– Ok. – Ele continuou rindo e foi caminhando em direção à porta. Fechei os olhos. Ele conseguia me irritar e me fazer querê-lo ao mesmo tempo. Levantei minhas mãos e esfreguei meu rosto e quando abri os olhos, dei de cara com André me encarando, ainda mais próximo do que a última vez. – Boba! – E ele me beijou.

Seus lábios eram tão macios e encaixavam tão perfeitamente aos meus, que não pude controlar meus arrepios. Levei minhas mãos para seu rosto, impedindo que ele se separasse de mim. Eu abri a boca lentamente e ele entendeu o recado. Nossos lábios dançavam de um lado para outro, em um beijo um pouco mais urgente do que o de costume. Ele deslizou uma das mãos na lateral do meu corpo até a minha cintura e apertou um pouco. Suspirei fundo e soltei da sua boca para puxar mais o ar. O aperto dele havia doído um pouco, mas tudo o que senti foi uma ótima sensação.

– Doeu? – Ele disse em tom preocupado. Ainda estava de olhos fechados. Balancei a cabeça negativamente, impedindo-o de afastar de mim. Minhas mãos em seu rosto nos aproximavam novamente para continuar aquele beijo que esquentava a cada minuto.

Já deviam ser umas sete da noite quando acordei deitada no braço de André usando seu ombro como travesseiro. Ele havia se deitado naquela cama comigo depois do nosso beijo, me incentivando a descansar.

– Já acordou? – Ele perguntou com a voz suavemente rouca, parecendo com um leve sussurro.

– Uhum! – me aconcheguei ainda mais em seus braços. – Aconteceu alguma coisa nesse tempo que dormi?

– Uma enfermeira veio com anestésicos e injetou ai, nessa sonda que está na sua mão. Ela disse algo como você quase não reclamar de dor, o que é um bom sinal e disse que você tinha muita sorte. – ele pausou e levou um dos dedos ao queixo. – Não sei se era sorte por não sentir dor, ou por me ter ao seu lado. – Ele me olhou e fiz uma careta. Ouvi sua risada e em seguida senti uma mordida em minha bochecha.

– Você é um idiota, sabia? – Soltei um riso finalmente. – Me faz um favor? Você pode checar a minha irmã? – Ele assentiu e se levantou da cama. Espreguicei-me na cama e senti somente uma leve dormência no quadril.

Estava curtindo a paz do hospital, esperando ansiosamente por André em busca de respostas. Olhei nervosamente para a porta me questionando o porquê de tanta demora. De repente, vi vários médicos e enfermeiras correrem pelo corredor em direção ao quarto ao lado. Um alívio percorreu minha espinha ao me recordar que minha irmã estava à um andar acima do meu, enquanto eu estava no térreo. Mesmo sabendo disso, meu coração não parava de acelerar. O barulho aumentava a cada segundo e pude ouvir poucas gritarias advindas do quarto, me fazendo ficar amedrontada.

Cerca de dois minutos depois, André entrou pela porta do quarto cabisbaixo. Seus olhos pareciam assustados. Vê-lo daquela forma era doloroso.

– O que está acontecendo ali? – Perguntei com a respiração entrecortada.

– A sua irmã... – Ele me olhou, seus olhos pareciam duas órbitas negras e sem vida.

– O que tem a minha irmã? – Estava confusa e chocada com aquilo tudo. Meu medo de ouvir a resposta para aquela pergunta era claro, quase palpável..

– Ela simplesmente se foi...

Notas finais
Espero que não me matem pelo final u.u Eu sei, eu sei... Que dó da Maria! Foi um pouco doloroso escrever essa parte e o capítulo seguindo (que vai ser bem emocionante no final das contas). Teve uma reviravolta enorme não é?
Bom, meus queridos leitores ^^ Até o próximo. E eu espero não demorar tanto!