Draco estava sentado em sua poltrona favorita. Na verdade, o "sua" da frase anterior deve ser considerado com real valor de possessão. Ninguém, além dele, podia sentar naquela poltrona. Era praticamente uma regra. Reza a lenda que Malfoy mandara trazer a preciosa cadeira de sua própria casa.

O loiro estava com uma perna descansando sobre a outra. Em suas mãos segurava um livro de capa escura. Aqueles que viam a cena ficavam admirados. Algumas garotas estavam quase petrificadas encarando-o. Ele, no entanto, não demonstrava nenhum sinal de que sabia que estava recebendo toda essa atenção. Consumia aquelas páginas com uma concentração pertencente a monges.

– Hum... Draco?

Um garoto se aproximou. Parecia desesperado. Sua cara, cheia de espinhas, estava contorcida em uma careta.

Draco levou alguns segundos para tirar os olhos do livro e encarar o garoto. Tudo ficou em silêncio quando Draco perguntou qual era o problema.

– Eu preciso daquilo para amanhã. — ele abaixou a voz na palavra "daquilo".

– Beleza, Peter, encontre-me amanhã no lugar de sempre.

Houve uma mudança na expressão do garoto. Seu alívio ficou óbvio para todos.

Quando Peter Goodman saiu da sala, todos voltaram a falar normalmente. Alguns até discutiram teorias sobre o que acabara de acontecer.