Não Desista, Eu Posso Te Amar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem dessa também
Queria agradecer em especial Alois e Gabrilea pelos reviews
Então essa é para vocês
Não esta tão depre quando eu queria, mas logo faço uma do meu jeito =D
A vida não tinha mais sentido para Jesse. Já havia algum tempo que ele vinha planejando como acabar com ela. Ele se sentia culpado por pensar nessas coisas. Seus pais e sua irmã realmente iriam ficar muito chateados. Ele até tinha escrito uma carta de suicídio. Estava bem guardada em seu bolso, junto da lâmina.
Ele pensara em qual método iria usar. Tinham vários. Ele imaginou cada um, qual seria o sofrimento, quanto tempo demoraria. E acabou decidindo por cortar os pulsos, afinal, ele já se cortava há anos. Era algo do qual ele já estava acostumado, e que tinha virado seu maior vício.
Motivos pra acabar com sua vida? Os de sempre: brigava muito com a família, não tinha amigos e o maior de todos, amava alguém que nem sabia que ele existia. Tinha acabado de entrar no colégio novo, na sétima série com 13 anos quando o conheceu.
Casey era perfeito em todos os sentidos. Lindo, inteligente, popular. Tudo que qualquer garota, e garoto, gostariam de ter em um namorado. O único defeito dele era não saber de sua existência. Eles já estavam no terceiro colegial, com 17 anos. E em todos esses anos, se falaram tão pouco que Jesse pode contar em uma mão.
Mas ele se lembra de todas as palavras que trocaram. Assim como se lembra das bandas que ele curte, seu esporte preferido, quem é seu melhor amigo, qual matéria mais odeia entre outras coisas. E Casey não sabe nada dele, apenas que não tem amigos e fica sozinho o dia todo.
Jesse bem que tentou criar coragem para falar com o amor de sua vida, passara noites acordado treinando cada palavra que falaria. E quando chegava a manhã do dia seguinte, em que ele estava indo na direção de Casey, bastava olhar pra ele que perdia toda a coragem.
Perdera a conta de quantas noites passou acordado pensando nele, em como seria o primeiro beijo deles, o primeiro encontro, a primeira vez, tudo. Começara a gostar de tudo que descobriu que Casey gostava. Imaginava as conversas que teriam, pois sabe que tem muitas coisas em comum entre eles.
Se lembra da vez que criou um e-mail falso para se declarar para o garoto sem que ele soubesse que fora ele. Passou uma semana o seguindo e ouvindo as conversas pra saber o que ele achara daquilo. Mas Casey não falou disso com nenhum amigo, não agiu diferente do normal.
Então era esse um dos motivos que o faziam estar segurando uma lâmina agora. Em sua carta ele escreveu o quanto ama Casey, o quanto sempre amou e o quanto sempre vai amar.
Então chegou a hora. Jesse se sentou no chão, com as costas na parede. Leu a carta uma última vez, a guardou no bolso e segurou a lâmina na frente de seu rosto. Lentamente a passou pelo braço. Fez um pequeno corte. Não queria morrer ainda, queria sofrer mais um pouco primeiro.
Fez um segundo corte ao lado. O sangue começara a escorrer. Jesse sorriu. A dor era ótima. Ele merecia sofrer bastante. Estava preparado pra fazer um corte bem profundo quando ouviu a porta do terraço se abrindo. Tentou reagir, mas quando viu quem era, ficou totalmente sem reações.
- Jesse! – Casey veio correndo em sua direção.
Jesse se levantou e tentou esconder o braço e a lâmina, mas o sangue caia no chão. Casey olhou do braço dele para seu rosto, uma expressão assustada sem eu rosto.
- O que você pensa que estava fazendo Jesse? – Casey tirou seu casaco e puxou o braço de Jesse. Começou a secar o sangue e enrolou o casaco, de modo a tentar fazer o sangue parar.
- O que você está fazendo aqui? – Jesse falou baixo, não acreditava no que estava acontecendo.
- Eu gosto de vir aqui quando quero ficar sozinho. Sorte que eu vim hoje, você poderia ter se machucado mais. – Casey parecia realmente preocupado.
Jesse estava olhando pro chão. E sentiu quando a mão de Casey segurou seu rosto e o levantou, de modo que se encarassem. Não conseguiu desviar os olhos dos olhos do garoto a sua frente, nunca tinha ficado tão perto dele. E seus olhos castanhos eram perfeitos.
- Como se você se preocupasse comigo... – Os olhos de Jesse começaram a arder, sinal de que logo iria chorar.
- Como assim? Claro que me preocupo. – O olhar de Casey era tão profundo, Jesse sentia seu coração disparado.
- Desde quando alguém como você se preocupa com alguém como eu? – Tentou abaixar o rosto, mas a mão em seu queixo não deixou.
- Alguém como você?
- Sim. Um garoto esquisito, sozinho e que quer se matar. – Lágrimas começaram a descer pelo seu rosto.
- Eu não acho você esquisito. – A outra mão dele secou algumas lágrimas. – Eu só queria saber o motivo que te levou a chegar a esse ponto.
- Eu odeio minha vida. É motivo o suficiente?
- Não odeie. Ninguém merece se matar Jesse...
- Eu mereço. Você não sabe meus motivos. – E mais lágrimas desciam, e a mão continuava a secá-las.
- Você poderia me contar. Temos a manhã toda. E a tarde toda se você quiser. – Ele sorriu, e Jesse sentiu que se apaixonara um pouco mais por ele.
Eles se olharam novamente. Os olhos azuis de Jesse e os castanhos de Casey. A mão de Jesse tocou na mão do outro garoto. Sentia que poderia morrer agora, porque soube como era tocar nele, pode estar olhando dentro de seus olhos. As dores dos cortes não significavam mais nada, pois seu coração falava mais alto.
- Eu te amo... – Uma confissão bem baixa, quase não poderia ser ouvida se não estivessem tão perto.
Casey arregalou os olhos. Não esperava por isso.
- Me desculpe... Eu não deveria ter falado isso e...
- Shh... – Casey o abraçou. Nunca se sentira tão quente em toda a vida. Como era bom o calor do seu corpo. Jesse o abraçou forte.
Ficaram um tempo assim, Jesse chorando e agarrado fortemente enquanto Casey o confortava e pensava no que acabara de ouvir. Após alguns minutos Jesse parara de chorar e estava apenas aproveitando aquele momento único. Ele realmente morreria feliz agora. Teria que adiar o plano de se matar pelo menos por um dia.
- Esse é um dos motivos? Me amar?
- Não te amar, pois isso é ótimo, mas sim não ser correspondido.
- Não faça isso, eu não mereço que você se mate por mim.
- Me desculpe...
- Não, me desculpe você por te fazer sofrer tanto ponto de querer tirar sua vida.
- Casey...
Eles se separam apenas para voltar a se olharem. Então Jesse sentiu novamente uma mão segurando seu rosto, mas dessa vez fazendo carinho. Sentiu Casey chegando mais perto. Sentiu o coração dele bater tão rápido quanto o seu. E finalmente sentiu os lábios dele tocando os seus.
O selinho durou pouco tempo, logo as línguas se encontravam. Jesse pensava que talvez ele tivesse conseguido se matar e agora já estava no céu, sonhando com um anjo. Apertava tão forte Casey, pois queria que não fosse apenas uma alucinação de sua cabeça doente.
Mas aqueles braços em volta de sua cintura, aquelas mão apertando-lhe, aqueles lábios e língua quentes, o perfume delicioso, o bater do coração do outro lhe dizia que ele não conseguiria imaginar tanta perfeição, que aquele momento era real.
O beijo durou menos tempo do que Jesse queria, mas ambos estavam sem ar já. Se afastaram e ficaram se encarando. Jesse estava tão vermelho e Casey o olhava tão carinhoso.
- Eu nunca te achei esquisito... Eu na verdade nunca conversei com você porque você parecia querer ficar sozinho sempre, nunca dando abertura pra ninguém falar com você.
Ambos suspiraram devagar.
- Eu até sempre te achei interessante. Você nunca ligou pras garotas e garotos populares. E você também não ligava pros nerds, apesar de você ter ótimas notas.
E agora um sorriso por trocado entre eles.
- Desde quando você me ama?
- Desde o primeiro dia de aula da sétima série.
- Foi seu primeiro dia no colégio né? E já de cara se apaixonou por mim?
- Sim, foi essa coisa de Amor a Primeira Vista sabe? É bem bobo e idiota, mas meu coração manda em mim... Até hoje.
- E você tem me amado em segredo por todos esses anos? Por que não veio falar comigo? A gente poderia ter conversado, se conhecido melhor, ou apenas termos nos tornado amigos.
- Não, não poderia. Você é um cara popular e eu sou o isolado. Você nunca iria querer ser meu amigo e muito menos meu namorado.
Casey distribuía beijos por todo o rosto do garoto. Suas mãos ainda apertavam sua cintura, às vezes subindo por suas costas e descendo de novo. Sentia as mãos do outro ora em sua nuca apertando os cabelos, ora apertando seus ombros.
- Eu quero te conhecer Jesse. Quero que você me conte os motivos pra querer acabar com sua vida hoje. Vem. – Casey soltou o abraço e levou Jesse para um canto do terraço, fazendo-o se sentar e sentando-se ao seu lado.
- Você tem certeza? – Jesse não acreditava no que estava acontecendo, o amor de sua vida querendo conversar com ele. A mão dele segurou a sua, enquanto o braço livre passou por suas costas.
- Sim, quero saber tudo de você.
E então passaram o resto da manhã assim, sentados lado a lado, com as mãos dadas, contando tudo sobre sua vida um pro outro. Jesse já sabia de quase tudo, mas teve algumas novidades, e ficou feliz demais por poder saber dessas coisas.
E Casey descobriu tudo sobre a vida de seu mais novo amigo. Como sempre sofreu, sobre sua depressão, sobre quando começou a se cortar, o quanto era apaixonado por ele desde a primeira vez que o viu, e como demorou um mês todo para planejar o suicídio.
Casey ouviu tudo em silêncio, apenas fazendo carinho na mão do garoto. E secou as lágrimas quando elas caíram. Trocaram mais alguns beijos. Já se passavam das duas horas da tarde quando começou a chover. Eles correram pra dentro do colégio rindo.
- Uau, acho que vou ficar preso no colégio até terminar essa chuva. – Casey tentava secar os cabelos.
- Não trouxe guarda-chuva? – Jesse olhava tão apaixonado por ele.
- Eu nunca trago nada.
- Hum, se você quiser, eu posso te dar uma carona sabe, a gente mora quase na mesma rua.
- Você sabe onde eu moro? – O olhou assustado.
- Eu sei tudo sobre você... Desculpe, eu sou esquisito mesmo. – Abaixou a cabeça nervoso.
- Que bom, não preciso te contar muita coisa, você já sabe. – Começaram rir da piada. – Bom, então vamos pegar nossas coisas e irmos pra casa.
- Okay.
Desceram até a sala de aula, Jesse apenas pegou a mochila que tinha largado ali e Casey teve que arrumar seu material. Em alguns minutos estavam saindo do colégio, dividindo o guarda-chuva roxo de Jesse. Ele tinha o braço passado pelo braço de Casey, este que o abraçava com o outro.
Iam conversando sobre besteiras, rindo, Casey roubava uns beijos de vez em quando, e Jesse nem lembrava mais que tinha planejado de se matar. Ele só pensava em aproveitar o momento. Sabia que no dia seguinte Casey nem ia lembrar mais dele, então teria que aproveitar os momentos que tivesse.
Quando chegaram na casa de Casey, eles pararam e ficaram se olhando. Casey chegou perto e deu um último beijo, mas bem carinhoso. Durou o máximo de tempo que conseguiram antes de precisarem de ar. E então se separaram. Jesse sabia que seria a despedida, mas não queria que acontecesse tão rápido.
- Passa aqui em casa amanhã, pra irmos juntos pro colégio. – Mais um selinho.
- Você, tá falando sério? – Jesse voltou a lhe olhar nos olhos.
- Claro que sim. Ou você pensou que eu não iria querer falar com você amanhã?
- Era o que eu estava pensando.
- Pois pensou errado, agora que eu conheço você melhor, quero te conhecer inteiro, quero ser seu amigo. E nem pense em fugir de mim, eu irei atrás de você. – Outro beijo carinhoso trocado.
- Obrigado Casey. Até amanhã.
- Sim, até amanhã.
Jesse deu as costas e começou a descer a rua indo em direção a sua casa. Mas parou quando ouviu Casey gritando por seu nome. O garoto vinha correndo em sua direção e parou quando chegou bem perto. O abraçou e lhe deu um beijo de tirar o fôlego.
- Jesse nunca mais pense em tirar sua vida... – Olhos nos olhos. – Não desista, eu posso te amar.
Jesse sentiu os pedaços de seu coração voltando a ficar juntos. A vontade de se matar foi sumindo aos poucos e a vontade de viver finalmente apareceu em sua vida. Um sorriso, um sorriso verdadeiro apareceu em seus lábios. Ele não queria mais morrer. Não, ele queria passar o resto da vida com Casey.
Essa frase que ele acabara de lhe dizer, foi o que o fez querer viver. Ele tinha chances afinal de contas. E ele iria aproveitar todos os momentos que tivesse com o amor de sua vida. E esperava que durasse por muito tempo, até o dia que morresse.
E iria durar. Porque Casey com o tempo se apaixonaria perdidamente por esse garoto que um dia tentou acabar com a própria vida, se apaixonaria por esse garoto depressivo, que virou feliz por ele. E eles viveriam juntos até o final, porque entre eles está o amor verdadeiro.
FIM
Notas finais
Amo vocês que leem e comenta ♥
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