Não Deixe O Amor Passar
8 Capítulo 8 - Homem Também Chora
Notas iniciais
Preparem os lenços! Boa Leitura!!
Ele acordou sentindo a cabeça pesada. Olhou ao redor e teve a vaga lembrança de ter recebido uma ligação na noite anterior, a qual lhe machucara muito. Tinha de ser isso! Tinha de ser um pesadelo. Ele se recusava a acreditar que... Pensar nisso doía demais. Pegou o celular e ligou para a única pessoa que poderia esclarecer-lhe aquele assunto.
_ Cath, sou eu o Grissom! – ele falou assim que ela atendeu.
_ Gil, eu sinto muito! Foi tudo tão rápido... – ela disse com a voz embargada pelo choro.
_ Então é verdade! – ele disse suspirando tristemente – Minha mãe...
Ele não conseguiu terminar. Rompeu em choro. Um choro dolorido e com um pouco de remorso. Remorso por não ter estado ao lado de sua mãe para dar o último adeus, o último abraço. Conseguiu recuperar o auto – controle e disse:
_Eu nem sabia que ela estava doente Cath. Eu devia ter percebido, mas não fui capaz de perceber que minha mãe estava doente...
_ Ninguém sabia Gil... sua mãe escondeu de todo mundo.
_ Eu vou voltar Cath – ele disse com absoluta certeza – Vou pegar o primeiro vôo para Vegas...
_ Gil, não precisa! Sua mãe me fez prometer que eu não deixaria que você voltasse antes do tempo combinado. Pode deixar que eu cuido de tudo. Você sabe que eu amava Dona Beth como se fosse minha segunda mãe... – ela respirou profundamente – E antes que vocême pergunte, ela não sofreu. Bom trabalho Gil! Até a volta!
Ela desligou. Grissom deixou-se ficar sentado na cama como se estivesse em transe. Sua mãe, sua adorada mãe estava morta. Morta! E ele nem tivera tempo de se despedir. Nunca mais veria aquela doce senhora com seus sábios conselhos e isso o deixava imensamente triste. Pode parecer mentira, mas ele nem sabia que Dona Beth estava doente. É certo que a notara mais magra, pálida e mais debilitada do que o de costume, no entanto julgara que isso fosse próprio da idade. Como fora tolo! Tinha o pressentimento de que sua mãe já sabia o que lhe aconteceria e talvez fora exatamente por isso que ela lhe deixara o caderno.
O caderno! Ele levou a mão para onde guardara aquele pequeno tesouro. Era exatamente nisso que o caderno se transformara: um tesouro. A última lembrança que tinha de sua mãe e que com certeza guardaria para sempre. Abriu-o para ler o conselho reservado para aquele dia. Ficou surpreso com o que lera:
“Meu filho querido, se os meus cálculos estiverem corretos, como acho que estão, quando você nessa parte dessa pequena coletânea de conselhos de sua mãe, eu já estarei morta. Já terei me juntado ao seu pai.
Sei que você deve estar triste, mas não se preocupe meu filho, eu estarei bem. Tenho meus motivos para não ter contado a você sobre minha doença. Já fazia algum tempo que sabia que estava com câncer. Não lhe contei porque tinha certeza de que você ficaria muito preocupado. Por favor, perdoe sua mãe por essa pequena omissão.
Agora você já deve ter percebido o porquê de eu ter lhe dado o caderno. Foi exatamente por isso. Porque eu sabia que meu tempo estava chegando ao fim. E precisava que você trilhasse esse caminho. Só fico triste porque não terei a chance de conhecer minha nora, muito menos meus netos... Tenho apenas um pedido a lhe fazer: Siga sua vida, meu filho, e fique atento aos meus conselhos e aos sinais.
Bem, já falei demais. O conselho de hoje é: Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar a suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.”
Por incrível que parecesse, ler aquela explicação de sua mãe o deixou mais calmo. Ainda doía a ausência, a perda de sua mãe daquela forma. A tristeza lhe invadia a alma. Levantou-se, dirigiu-se ao banheiro, tomou um banho e vestiu-se para o trabalho. Provavelmente se os amigos estivessem com ele, lhe diriam para que ele não trabalhasse. No entanto, se ele permanecesse sozinho, tinha a impressão de que sucumbiria a depressão. Por isso achou melhor ir para as palestras, para a companhia de seus alunos e de Sara.
-o-
Ele se enganara ao pensar que seria mais fácil se estivesse rodeado de pessoas. Todos os que o olhavam lhe perguntavam por que estivera chorando, por que seus olhos estavam vermelhos. Não havia uma única pessoa em todo o Centro de Convenções, que não ficara curioso ao ver o ilustríssimo professor Grissom em um estado de fragilidade.
E naquele momento em especial não era diferente. Estava em sua sala e lutava para não desmoronar em meio aos alunos. Vez ou outra respirava fundo para que as lágrimas não pudessem cair. Falava devagar, tentando fazer com que sua voz saísse firme. Impossível. E o inevitável aconteceu. As lágrimas rolaram.
_ Me desculpem! Eu não posso continuar... – e saiu da sala sem olhar para trás, deixando a turma estupefata. Apenas uma pessoa se levantou e esgueirou-se para segui-lo.
Ele se sentou em um banco próximo. Doía muito. Aquela dor que sentia no peito parecia não ter fim. Ela lhe fazia muita falta. Não teria mais os conselhos dela, não ouviria mais sua voz. Tudo o que lhe restava era o caderno que com tanto carinho ela o tinha confeccionado. Não podia partilhar para estranhos o que lhe afligia. Sempre fora reservado e agora não seria diferente. Recriminou-se por não conseguir disfarçar sua dor, suprimi-la, guardá-la no mais profundo recanto de seu ser. Estava perdido em seus pensamentos, quando ouviu uma voz suave ao seu lado. Uma voz conhecida que o aqueceu por dentro.
_ Gris – Sara o chamou suavemente.
Era a primeira vez que ela o chamava assim. E ele gostou.
_ Posso me sentar com você? – ela perguntou.
Ele assentiu. Ela sentou-se bem ao lado dele.
_ Se você quiser, pode me contar o que tanto está te machucando. Se não, eu entenderei, mas saiba que estou aqui com você para o que precisar...
Ele não teve dúvidas de que poderia partilhar seu sofrimento com ela.
_ Estou de luto Sara – ele falou. As lágrimas voltando a banhar o seu rosto. – ela me deixou...
Sara o abraçou com força, embora tivesse medo de perguntar sobre quem Grissom falava. Seria uma esposa? Uma noiva? Não importava quem fosse, quando ela o viu chorar, quando o viu derramar aquelas lágrimas doloridas, teve vontade de tomar a dor dele para si. Doía-lhe vê-lo sofrer.
_ Minha mãe morreu essa noite e eu nem estava lá para me despedir...
Ela fez com que ele repousasse a cabeça em seu ombro e afagou-lhe a cabeça, como quem consola uma criança. Seus olhos encheram-se de lágrimas. Ela sabia o que era não ter a mãe por perto. Sua mãe podia não estar morta, mas era como se estivesse. Ela estava internada em um sanatório.
Ele levantou a cabeça e viu que aqueles olhos castanhos que tanto amava também estavam chorando. Ela levou a o dedo indicador para face dele e enxugou-lhe as lágrimas com ternura.
_ Chore querido! Não sei o que você está passando agora. Eu sei que essa dor não passa, mas com o tempo ela ameniza, e eu estarei aqui para te ajudar.
Grissom a olhou com carinho. Sua mãe tinha razão. Ele poderia contar com Sara em qualquer momento de sua vida.
Notas finais
Até o próximo capítulo! E já antecipo que começará a esquentar kkkkkkkkk
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