Não Deixe O Amor Passar
18 Capítulo 18 - Olhos nos Olhos Outra Vez
Notas iniciais
Aqui está o capítulo do encontro, espero que gostem!
Tudo o que acontece na vida tem um motivo, uma razão. Nada é por acaso. Ás vezes o que em um primeiro momento parece ser uma tragédia, pode no fim ser uma benção, uma chance para um recomeço. Determinadas situações acontecem para fazer refletir, repensar ações... Algumas coisas, o destino nos permite que aconteça como forma de aprendizagem, para aprendermos a dar valor principalmente às pessoas que passam por nossas vidas.
Grissom havia se tornado supervisor do turno noturno em lugar de seu amigo Jim Brass, mas nem por isso estava feliz. O preço fora muito alto. Holly Gribbs, a CSI novata, se encontrava entre a vida e a morte. E como se isso não fosse suficiente, a mídia estava em cima cobrando uma solução para o caso. Ele se sentia atordoado. Sua equipe estava desfalcada e já trabalhavam durante muitas horas seguidas sem descanso. Passou a mão pelas têmporas, onde uma dor já conhecida começava a se instalar. Mau sinal. Uma crise de enxaqueca se aproximava e sabia que ela não cessaria enquanto ele não fechasse o caso de maneira satisfatória. Tentando raciocinar sobre o que fazer, um nome surgiu em sua mente. Ela seria a resposta para os seus problemas? Justo ela? Mesmo depois de tudo o que havia acontecido, aquele nome não saía de sua cabeça e ele tinha consciência de que chamá-la era a decisão mais acertada no momento. Não deixaria que o passado interferisse em seu trabalho.
Sabia que seria difícil seus amigos e família de trabalho aceitarem um “intruso” entre eles, mas aquela era a decisão certa a tomar. Precisava urgentemente de uma pessoa que pudesse lhe ajudar com aquela investigação. Ligou para Jack Johnson e fez sua exigência:
_Jack Johnson, aqui é Gilbert Grissom.
_ Olá senhor Grissom. É um prazer falar com o senhor. Em que posso ajudá-lo?
_ Preciso de Sara Sidle aqui em Las Vegas para me ajudar a elucidar um caso. Eu sei que ela é uma excelente perita.
_ Sim, ela é uma excelente perita. Mas sinto muito, Sara não poderá ir. Posso mandar outra pessoa?
_ Não. Preciso de Sara aqui em Vegas. Somente ela pode me ajudar – Grissom ainda argumentou um pouco mais, até que Johnson cedeu.
Ele desligou o telefone, não sem antes pensar consigo com um longo suspiro:
_ Preciso de Sara aqui em Vegas e em minha vida mesmo que a distancia.
-o-
A cidade de Las Vegas não parava um instante e aquele dia em específico não poderia ser diferente. Como se não bastasse o problema interno que enfrentava, Grissom recebeu o comunicado de mais um caso. Mais um caso lhe exigia atenção. Suspirou e olhou resignado para a ficha em suas mãos. Um homem que ganhara 40 milhões em uma máquina de caça-níqueis em um cassino, aparentemente cometera suicídio pulando de um prédio. Iniciava seu novo posto em grande estilo, pensou irônico.
Enquanto se dirigia à sala de convivência, onde encontraria seus colegas e dividiria os casos da noite, pensava que palavras usaria para comunicar-lhes que logo teriam ajuda. Que Sara Sidle estava a caminho. Abriu a porta e encontrou seus colegas de trabalho ali: Catherine Willows, Nick Stokes e Warrick Brown. Fez a distribuição dos casos. Catherine, depois de desafiar Grissom, ficou com a casa onde Holly Gribbs fora baleada e Gil e Nick ficaram com o aparente suicídio no cassino Mônaco. Warrick fora afastado porque estava envolvido no caso. Chegara a hora de anunciar a eles que teriam mais um integrante na equipe. Pigarreou e começou a falar:
_ Estamos em um número reduzido, por isso vou trazer Sara Sidle para nos ajudar.
_ Sara Sidle? – Catherine perguntou buscando aquele nome em sua mente. Nada encontrou. Aquele nome nada significava para ela.
_ Quem é ela? – indagou Warrick
_ Uma CSI de São Francisco – Catherine o olhou inquiridoramente ante a menção da palavra São Francisco e antes que alguém fizesse qualquer ligação com sua viagem àquela cidade meses atrás, ele completou – Ela é uma amiga minha, alguém em quem confio.
Pelo menos confiava, ele pensou consigo, porém omitiu esse detalhe e a parte do romance. Era pessoal demais e ainda doía. A ferida ainda não havia cicatrizado.
_ Ela vai ficar encarregada da investigação interna. Quero manter isso entre nós. Não quero a corregedoria envolvida – Grissom arrematou.
_ Ótimo! Era isso o que precisávamos... alguém metendo o nariz onde não é chamado – disse Catherine incomodada com a vinda da nova CSI.
Sabia que seus amigos teriam certa resistência, mas não imaginava que fariam uma oposição tão ferrenha. Sara teria que ser muito forte para enfrentá-los. Sara! Afastou-a de seus pensamentos e seguiu com Nick para o seu local de crime.
-o-
Ela caminhava a passos lentos. A confiança com que chegara parecia que havia morrido, a abandonado. Sentia as pernas bambas e o estômago embrulhado, e sabia muito bem que não era por causa de tontura ou enjoo. Aquelas sensações não eram sintomas da gravidez, era puro nervosismo que se espalhava por cada célula de seu corpo. Andava pelos corredores daquele prédio imenso e desconhecido, e enquanto andava observava aqueles rostos de pessoas sem nomes, que se davam tão bem e que seriam seus companheiros de trabalho por um tempo. Lembrou-se de seus colegas do laboratório em São Francisco, eles também eram assim. Sempre tinham uma piada para contar, uma brincadeira para fazer... Ela suspirou saudosa, reprimindo as lágrimas que queriam descer por seu rosto.
Sara respirou fundo, tentando aplacar um pouco aquele nervosismo que a consumia totalmente. Chegara o momento de conhecer o pessoal com quem trabalharia. Parou em frente a um balcão onde uma jovem de pele clara, olhos e cabelos castanhos escuros, fazia algumas anotações.
_ Boa tarde! – Sara a cumprimentou, percebendo que no jaleco da garota havia um crachá com o nome dela – Juddy. Esse é seu nome, não é?
_ Boa tarde! Esse é meu nome sim – Juddy respondeu sentindo-se contente por um visitante ter percebido seu nome. Nunca ninguém a notava. – Em que posso ajudá-la, senhorita...
_ Meu nome é Sara Sidle e preciso falar com Gri... – ela se corrigiu. A velha força do hábito era difícil de controlar – com o senhor Gilbert Grissom.
A jovem a olhou curiosa. O que aquela mulher queria com o doutor Grissom? O que teria para falar de tão importante. Deixou seus pensamentos e curiosidade de lado e deu de ombros. De qualquer forma, Grissom não estava ali. Ela teria que esperar.
_ Sinto muito senhorita Sidle, mas ele não se encontra no momento. Está em uma cena de crime. Há algo mais em que posso ajudá-la?
_ Sim, há. Você poderia me passar o endereço de onde ele está?
Juddy pareceu hesitar com razão. Não conhecia a morena que chegava ali procurando por seu chefe. Como poderia lhe passar o endereço de onde ele estava? Não era certo. Sara percebeu a hesitação da jovem recepcionista, por isso comentou, omitindo alguns fatos:
_ Sou uma conhecida do senhor Grissom. Ele mesmo me pediu que para que viesse ajudá-lo em uma investigação – não precisava dizer a verdade totalmente.
Os olhos de Juddy brilharam, Sara não soube dizer se de alegria ou tristeza, quando ela mencionara o caso para o qual tinha vindo trabalhar. Por fim a jovem recepcionista rabiscou alguma coisa em um papel, lhe entregou e dizendo-lhe:
_ Esse é o endereço onde o doutor Grissom se encontra. A senhorita sabe onde é?
_ Não – ela respondeu sinceramente – Mas darei um jeito de chegar até lá.
Sara se despediu de Juddy com um sorriso nos lábios. Se todos naquele laboratório fossem como aquela garota, seria fácil a convivência com eles.
Com o endereço em mãos, tomou um táxi e passou o endereço ao taxista.
_ Quero ir para este endereço, por favor!
Ele a atendeu prontamente. Ele a deixou em frente ao local desejado. Parecia que ali havia um show. Muitas pessoas estavam reunidas para observar um belo homem maduro, trajando uma calça jeans azul, camiseta preta e tênis, que analisava a queda de alguns bonecos. Sabia o que ele estava tentando fazer, embora se ela fosse analisar usaria outros métodos. Ela o observou mais atentamente. Seu coração pareceu falhar uma batida. Era ele! Era Grissom! E estava mais lindo do que ela se lembrava. Resolveu anunciar-se, lançando uma pergunta, depois vê-lo fazer algumas anotações.
_ Você também não pularia se tivesse um péssimo casamento?
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Ele estava no Mônaco junto com Nick, realizando a operação Norman para avaliar se a vítima de seu caso havia se suicidado, se jogado, ou se havia sido empurrado, quando ouviu aquela doce voz que conhecia tão bem:
_ Você não se jogaria se tivesse um péssimo casamento?
Ao ouvir aquela linda voz, sentiu um arrepio percorrer-lhe todo o corpo. Ela ainda tinha influencia sobre ele, embora ele detestasse admitir.
_ Nem preciso me virar. Sara Sidle! – ele disse num tom melancólico e com o coração batendo aceleradamente. Ouvir aquela voz novamente era como música aos seus ouvidos. Seus lábios traidores esboçaram um sorriso de satisfação. Ela estava mesmo ali.
_ Sim, sou eu – ela respondeu com um riso maravilhoso, retirando os óculos escuros que cobriam seus lindos olhos, contente por revê-lo. Ainda sentia as mesmas sensações que tivera em São Francisco.
Ele não resistiu à tentação de vê-la uma vez mais. Sua mente dizia que não deveria, porém seu coração ansiava por contemplá-la novamente. Como sentira falta dela!Ele se virou e encontrou aqueles maravilhosos olhos castanhos que um dia lhe enfeitiçaram.
Grissom percebeu o quanto estava despreparado para o impacto emocional de estar com Sara novamente, mesmo que a ocasião não fosse das melhores. Uma investigação interna não era nada animador. Droga, ela estava maravilhosa. Seu coração doía só em contemplá-la. Ela usava uma calça verde meio apertada e uma blusa rosa-chá perfeita para sua silhueta longínea.
Eles conversaram um pouco sobre o método que ele usara para determinar como havia sido a queda da vítima e sobre o estado de Holly Gribbs. Falavam tudo, exceto o assunto mais importante: a situação dos dois.
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Com um pouco de dificuldade, a equipe conseguiu esclarecer os casos. A vítima do Cassino Mônaco que aparentemente havia cometido suicídio, havia sido empurrado pela namorada. E Holly Gribbs, fora atacada pelo assassino da cena original que investigava. Warrick foi culpado por deixá-la sozinha, no entanto fora reintegrado à equipe.
Tendo terminado sua investigação, Sara dirigiu-se ao escritório de Grissom. Precisava conversar com ele.
_ Grissom – ela o chamou – preciso conversar com você... – depois de muito questionar-se, estava decidida a contar-lhe sobre a gravidez.
Ele lançou-lhe um olhar frio que a fez congelar por dentro. Se tinha alguma esperança de continuar o relacionamento que tiveram em São Francisco, essa morreu ao perceber o olhar de desprezo dele. Ele pareceu ler os pensamentos dela, por que disse:
_ Sara, antes que você diga qualquer coisa, tenho que deixar um ponto bem claro – ele a fitou bem nos olhos – Não podemos retomar nosso relacionamento. Agora sou o seu supervisor. Um relacionamento entre nós, é completamente proibido e inconcebível – Bem, o que você queria me falar?
_ Na-nada – ela balbuciou desistindo de contar a ele.
Saiu da sala de Grissom, com os olhos marejados, mas não daria o braço a torcer. Sabia o que fazer. Era mulher suficiente para criar o filho sozinha e era o que faria.
Notas finais
Estou esperando a opinião de vocês...
Nos vemos no próximo capítulo!!
Bjinhos da Bia!
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