Não Clichê
1 Capítulo 1 - OneShot
Notas iniciais
Eu estava cansada. Jogada em meu sofá eu lamentava a putaria que minha vida tinha se tornado desde que aquela paixão estúpida me envolvera. Quem mandou se apaixonar pelo melhor amigo que tem uma namorada?
Estúpida, estúpida, estúpida.
Eu repetia esse mantra enquanto me entupia do tão famoso sorvete para gente carente. A frase que eu havia lido mais cedo naquele blog para meninas traídas e desiludidas ainda rondava minha mente enquanto a imagem dele tentava tomar lugar em minha cabeça.
“Alma gêmea, príncipe encantado, metade da laranja, homem da sua vida, tampa da sua privada....Junte tudo isso e terá um grande saco de merda de teor clichê que só serve para te iludir e deixar que se sinta dependente disso para ser feliz. Nada disso existe.”
Se nada disso existe porque as pessoas inventam esses contos de fadas, cujo único objetivo é iludir as crianças desde cedo para que cresçam idealizando o amor perfeito, quando simplesmente é tudo uma mentira?
Há dois anos eu descobri nutrir um sentimento avassalador e totalmente platônico pelo meu melhor amigo Sasuke Uchiha, e para tentar fugir de toda a confusão que isso causou, levando em conta seu relacionamento conturbado com a namorada e nossa amizade, eu me joguei de cabeça em um relacionamento paralelo que teve seu trágico fim ontem.
Nossa discussão começou quando perguntei a ele sobre a dona do sutiã vermelho que estava jogado debaixo de sua cama e terminou comigo chorando quando a explicação veio por ele sem nenhum remorso. Apesar de não ama-lo da forma como amo Sasuke, eu desenvolvi um sentimento intenso por ele durante os um ano e quatro meses que estivemos juntos e descobrir que aquilo terminou sem nada significar para ele...acabou comigo.
Mesmo sabendo, desde o começo, que eu usava aquele relacionamento como uma válvula de escape para minha dor e frustração, eu acreditei e depositei meu coração em transformar aquilo em algo duradouro. Às vezes me pergunto se eu realmente não teria me envolvido com Sasori se não fosse Sasuke, me pergunto se sofrer agora é culpa da dor anterior, se tudo sempre se resumiu a essa paixão estúpida pelo meu melhor amigo comprometido.
Agora eu sei que envolver-me com Sasori foi um erro pior do que me apaixonar por Sasuke, mas que se eu nunca tivesse me apaixonado por ele, e nunca tivesse sofrido com esse namoro eu ainda estaria vivendo a ilusão dos contos de fadas.
Acreditar nessas lendas e mitos de príncipes encantados somente põe em evidencia nossa insegurança e falta de capacidade em imaginar um mundo em que podemos ser felizes com nós mesmas. Depender de um homem, de um relacionamento soa tão patético agora que a realidade decidiu me dar uma tapa na cara.
O sorvete já havia acabado e eu estava enterrada em baixo de dois edredons quando ouvi meu celular tocar. A tela iluminava a foto e o nome de Ino.
- O que quer? – Perguntei com a voz abafada, ainda atolada nas cobertas.
- Como assim o que eu quero? Esqueceu que tinha de estar na escola para me ajudar com os preparativos do baile? É o nosso ultimo ano Saky! – Ino falava empolgada do outro lado da linha me pegando de surpresa com o assunto do baile. Levantei devagar me endireitando no sofá com a coluna ereta, de alguma forma eu esperava que caso eu me mexesse demais, os pedaços do meu coração fossem soltar de vez e desmoronar dentro de mim.
Estúpida, estúpida, estúpida.
- Desculpe-me. Eu tinha esquecido completamente do baile enquanto vegetava no meu sofá. – Pronunciei tudo em um tom irônico, mas minhas desculpas eram sinceras. Sabia o quanto Ino estava se dedicando aquele baile, embora seu principal motivo fosse um completo erro em minha mais nova concepção de mundo.
- Vegetando? O que aconteceu? – Seu tom soava preocupado agora.
- Sasori... – Parei a frase antes de sequer ela começar a fazer sentido. Dizer o nome dele havia trazido toda uma angústia de volta ao meu peito e eu quase pude ouvir o barulhinho dos pedaços do meu coração enquanto eu me remexia desconfortavelmente no sofá.
- O que tem o Sasori? Aconteceu algo com ele? – Eu ouvi passos ao longe, como se o celular de Ino estivesse no viva-voz o tempo todo e só agora ela caminhara até ele. – Saky? – Ino me chamava novamente enquanto eu meditava sobre as palavras que viriam a seguir.
- Nós terminamos. –Respondi sem maiores explicações, ainda sentindo a dor latejar conforme o ritmo das batidas do meu coração.
- Terminaram? Você e o Sasori? Como? Quando? Por quê? – Suas perguntadas vieram em um jato, sem que tomasse fôlego para processar se as mesmas faziam sentido. Ouvi o reboliço que aquela informação causara nas pessoas que observavam nossa conversa pelo lado de Ino, pareciam tão surpresas como a própria, menos ainda que eu.
-Nós terminamos ontem– Respondi calmamente ainda atenta as exclamações de fundo – Parece que para ele, apenas uma não é o suficiente. – Declarei por fim com amargura.
Ouvi um grito agudo que me fez separar o aparelho do ouvido, uma discussão se iniciara do outro lado. Ino xingava abertamente Sasori de nomes jamais proferidos até mesmo por mim, todos pareciam ter entendido a traição implícita do argumento, e quando cogitei cortar a ligação ouvi sua voz inundando o ambiente.
- O que está acontecendo? — A pergunta foi simples, mas seu tom autoritário fez com que todos parassem as conversas paralelas. Enquanto tentava normalizar meus batimentos cardíacos diante da opção de Sasuke descobrir sobre meu par de chifres, Ino já estava adiantada lhe esclarecendo sobre os motivos de tanta confusão. Quando voltou a falar, seu tom era bravo. Muito bravo. – Onde está esse bastardo?
Os gritos voltaram e tentei chamar a atenção da pessoa responsável por segurar o aparelho celular.
- Saky? Está ai? – Sua voz foi à resposta de meus gritos e novamente tudo estava silencioso.
- Estou aqui Sasuke. – Respondi em um fio de voz.
- Aquele imbecil realmente fez o que estão dizendo? – Meu silencio foi à afirmação que ele precisava para começar a praguejar, demorou um pouco para que ele notasse que eu continuava na linha, esperando. – E você está bem?
- Não. – Sasuke soltou um riso fraco com minha resposta direta. – Mas vou ficar. Avise Ino que eu aparecerei somente amanhã e compensarei o tempo perdido. – Disse firme, tentando acabar com aquele assunto e voltar a hibernar.
- Ela ouviu e disse que está tudo bem, que não precisa se preocupar e que é para descansar. – Sasuke enumerou a falação de Ino. – Quer companhia?
Aquela pergunta havia abalado todo meu sistema, e por mais que eu necessitasse de sua companhia ali, me recusei a afundar novamente naquele dilema e paixonite babaca.
- Não! – Minha resposta saiu grossa e até eu me assustei, mesmo sabendo que precisava daquilo. A ligação foi finalizada por mim e após arremessar o celular na poltrona do lado contrário de onde me encontrava, afundei-me no aconchego de meu lar, voltando ao meu estado vegetativo.
--**---
Senti meu corpo se contrair em espasmos assustados quando levantei rapidamente devido o som da campainha. Olhei ao redor procurando por algo que me permitisse alguma indicação, seja do dia ou horário, já que a dor nas minhas costas me fez duvidar se eu não tinha virado a semana naquele sofá.
Era madrugada, duas e meia da manhã, quem estaria tocando a esse horário? Supus que pudesse ser Ino, atarefada como estava com os preparativos do baile e ainda tendo de dar conta da minha parte e de todo o resto de sua conturbada vida era capaz de só ter arranjado um tempo agora para vir catar os pedaços de meu coração. Talvez tivesse SuperBonder e me ajudasse a cola-los de volta.
Estúpida. Estúpida. Estúpida.
Meu mantra voltara diante de meus pensamentos absurdos. Era idiotice acreditar que meu coração se despedaçara por um cara, quando continuara inteiro durante todas as outras dificuldades que já havia enfrentado.
Quando abri minha porta me surpreendi com o breu da noite. Não havia ninguém ali, mas aos meus pés pude ver uma sacola abandonada e um bilhete pendurado em seu lado. Recolhi-a rapidamente depois de dar algumas olhadas tentando identificar seu dono em meio à escuridão, ele já se fora.
O sorriso invadiu meu rosto involuntariamente e o mantra latejou em algum lugar profundo de meu subconsciente “Estúpida. Estúpida. Estúpida.”Dentro da sacola havia um pote de sorvete com uma embalagem novinha de ovomaltine, no bilhete sua letra desenhava perfeitamente as palavras:
“Use e abuse. Sorvete para gente carente. Melhoras =)”
Era simples, somente algumas palavras com significados escondidos, mas foi suficiente para fazer meu estomago embrulhar. Eu queria esquecê-lo, mas Sasuke não parecia disposto a cooperar. Ajudar-me e ser atencioso não me faria bem naquele momento.
Segui as ordens do bilhete e usei e abusei do doce, misturando o ovomaltine ao sorvete e devorando-o sem hesitação. Quando acabou, mergulhei novamente em meu sono profundo.
--***--
Duas semanas depois do acontecido eu já me encontrava mais disposta. O termino do namoro e suas circunstancias se espalharam rapidamente pela escola e Sasori era evitado por boa parte das mulheres, embora os meninos ainda apoiassem sua atitude. Sasuke teve de ser impedido por Naruto de voar no pescoço do ruivo quando este estava a se gabar de seus feitos perto da sala de aula. Sua reação protetora trouxe de volta inúmeras sensações ao meu corpo e tentei evita-las ao máximo, sem que percebêssemo-nos nos afastamos.
Depois dos primeiros dias Sasori baixou a bola e parecia até arrependido diante de minha cara de poucos amigos e constantes reações evasivas, mas não se prontificou e eu sabia que não o faria. Seu orgulho era uma das únicas coisas que superavam Sasuke.
Ino foi uma das que me ajudara em seu limite. Com os últimos preparativos do baile tivemos de nos desdobrar em dez para fazer todo o trabalho e ela ainda tinha tempo e motivação para me animar e consolar. Seu par para o baile tinha sido anunciado para mim com grande alvoroço e tive de apoia-la em seu romance.
Ino e Gaara eram o contrário de todo casal clichê de conto de fada e, por isso eu acreditava que se fosse para um romance ter final feliz, seria aquele. Quando o ruivo entrou em nossa escola há dois anos, Ino foi a única a notar sua presença ocultada pela aura sombria que exalava. Totalmente isolado, Gaara se mantinha preso em seu próprio mundo grande parte do tempo e foi um sacrifício para minha amiga conseguir chegar até seu coração. Para minha grande surpresa ele era uma pessoa maravilhosa e sua companhia era até mesmo estimulante.
Ino foi quem tomara a iniciativa e o convidara para o shopping, um filme qualquer no cinema, eu e Sasori junto de Sasuke e sua namorada, Karin, os acompanhamos. Depois daquele dia a loira se tornou a pessoa mais próxima que ele tinha na sala e a aproximação foi inevitável. Desde o começo ela dizia sentir grande atração por ele, mas mesmo assim foi um susto para a própria descobrir-se apaixonada.
Ino não fazia o tipo de menina apaixonada, pelo contrário, estava sempre gozando da minha cara por estar presa àquela paixonite. Sempre fora a pessoa mais extrovertida que conheci em minha vida, sempre o centro das atenções mesmo sem perceber. Já Gaara tinha seu próprio jeito de demonstrar afeição, suas demonstrações e toques eram sempre bem calculados para não chamar atenção e nem em minhas mais loucas divagações imaginaria ele apaixonado.
O casal mais improvável e incomunmente compatível. O relacionamento tinha se iniciado a partir do convite para o baile que, dessa vez, Gaara fizera. Minhas reações diante da notícia foram bem diversificadas, primeiro não acreditei naquilo, achei impossível, depois senti raiva por Ino se entregar a um relacionamento logo depois de saber sobre minhas conclusões saídas de meu próprio desastre, depois a culpa pelo meu egoísmo e então, agora, me sinto anormalmente empolgada.
Era tudo tão irônico e eles tão fofos. Pareciam sempre tão afastados, mas sufocadamente juntos. Com um único olhar eles me faziam sentir uma intrusa no meio de seu ninho de amor. Não estava pronta para descobrir como me sentiria quando decidissem demonstrar o seu afeto publicamente. Embora duvidasse que acontecesse tão cedo.
Faltava pouquíssimo tempo para o que Ino nomeou como “O grande dia”, embora não fosse o primeiro baile que participávamos e não tivesse nada de diferente ou inovador, na verdade, a única coisa fora de seu lugar era que, pela primeira vez, eu não tinha um par para o baile e não sentia vontade alguma de ir atrás de um. Podem me chamar de mal amada, chifruda, dizerem que estou revoltada com o mundo e desiludida com a vida, mas eu só decidi curtir a minha noite de princesa sem o príncipe sapo.
Enquanto discutia comigo mesma Ino apareceu no fim do longo corredor, deslizando rápido como se estivesse somente de meia no piso fino, e pulou em cima do meu corpo, apertando-me forte entre os braços e berrando em meus ouvidos. Contorci-me de susto e num ímpeto agarrei seus cabelos loiros a arrancando de cima de mim com toda a delicadeza que a situação me proporcionava. Ela ria descaradamente, era quase doentio.
- O que diabos aconteceu com você? – Levantei-me ajeitando o uniforme no corpo, esperando que a mesma imitasse meu movimento. – Gaara te pediu em casamento ou algo parecido?
- Não! – Sua risada dominou o ambiente novamente enquanto parecia analisar minha ultima hipótese. – Ainda não. – Piscou. – O que tenho para dizer é muito melhor. Vem! – Segurando minha mão, Ino me arrancou de lá, levando-me por entre os milhares de corredores que aquela escola possuía. Quando paramos em frente de uma sala aparentemente vazia e longe o suficiente do resto da sociedade a loira me jogou porta adentro a fechando logo depois de passar pela mesma. – Acabei de saber. Sasuke e Karin tiveram sua ultima briga. Acabou tudo.
Eu paralisei. Como uma idiota, fiquei observando Ino, a única que sabia de meu segredo, que esperava por uma reação minha, mas meu cérebro não parecia pronto para processar e absorver aquela informação, na verdade eu não sabia que tipo de reação eu deveria ter quando havia desistido de tudo que o envolvia.
- Acabou? – Foi tudo que consegui pronunciar e antes que Ino pudesse comentar sobre minha falta de expressão ou responder a pergunta idiota que fiz, sai da sala com um rumo determinado.
Bem atrás do nosso colégio havia um lugar que somente poucas pessoas iam, um lugar reservado em meio às árvores que o cercavam, o lugar que sempre íamos quando precisamos conversar um com o outro. De alguma forma eu sabia que ele precisava de mim. Quando cheguei, notei sua cabeleira morena em meio às folhas e apressei o passo, tocando levemente em seu ombro direito avisando de minha presença.
Sasuke virou-se lentamente, seus olhos fechados, mas o sorriso no rosto indicando já saber que era eu que estava ali. Sentei-me ao seu lado, olhando sempre em frente.
- Sinto muito pelo que aconteceu. – Falei calmamente, por mais que no fundo eu torcesse por aquilo, sabia que não era fácil um término.
- As notícias correm rápido. – Ele riu levemente. – Ino?
Chacoalhei minha cabeça concordando e rindo na sequencia. Ino sempre sabia de tudo que acontecia antes de todos, era a principal integrante do rádio corredor.
- Como está? – Perguntei ainda com a vista fixa nas folhas a frente.
- Normal. – Ele sacudiu os ombros desconfortavelmente. – É meio estranho pensar que acabou, mas já estava para chegar ao fim há muito tempo.
- O que quer dizer Sasuke? – Perguntei em séria duvida. Apesar das claras diferenças e constantes discussões, eles sempre se arrumavam, superavam e continuavam em frente, sempre tão bem.
- Estávamos com problemas. Não era algo que pudéssemos resolver com uma conversa, era muito mais complicado. – Deu de ombros novamente.
- Explique. – Pedi, tentando entender. Ele não falou nada o que me fez virar a cabeça em sua direção pela primeira vez desde que chegara lá, eu tomei um susto quando notei o quão próximos estávamos, mas não me mexi, nem afastei.
Em algum momento, Sasuke tinha se inclinado sobre mim e agora analisava o meu rosto atentamente, meus pensamentos embaralhados me permitiam somente apreciar a vista. Notei quando, devagar, sua mão deslizou para minha cintura e seu rosto se inclinou mais sobre o meu até que nossas testas se chocaram e nossos olhares se prenderam. Eu sentia minha respiração descompassada e meu fluxo sanguíneo se concentrando em minha bochecha.
Sasuke fechou os olhos e foi quando eu ouvi algo que me paralisou. Minha discussão e de Sasori se repetiam em minha mente, eu ouvia claramente todas as palavras jogadas naquele dia como se estivessem sussurrando em meu ouvido. Senti o bolo na garganta e partes das lágrimas caíram quando lembrei o que levou a tudo aquilo, ou melhor, quem.
Levantei-me apressada, eu sabia que tinha molhado seu rosto, mas não liguei. Sasuke não se mexeu ou teve reação alguma, pude ver seu punho se fechando e ele continuou parado com os olhos fechados. Virei e corri, passando rapidamente pelo portão da escola sem me importar com a próxima aula. Perto de casa tirei o celular do bolso para mandar uma mensagem a Ino avisando que tinha ido para casa, para não se preocupar.
Meu mantra voltara a me infernizar enquanto eu repetia mentalmente tudo que tinha decidido não fazer naquele dia.
Estúpida. Estúpida. Estúpida.
--**--
“O grande dia” chegara e eu já estava pronta apenas esperando pelo taxi na frente de casa. Eu iria sozinha, como o planejado. Ino me ligara dizendo já estar no local e comentando o quanto estava lindo, perfeito, maravilhoso e outros adjetivos que encontrara para descrever sua obra-prima. Eu tinha muita pena de Gaara em um momento como esse.
No caminho para o colégio minha mente divagou sobre diversos assuntos, sempre tentando ignorar os últimos acontecimentos. Eu e Sasuke conseguimos nos afastar ainda mais, e era sufocante saber que já não podia contar com ele como meu amigo. Pelo menos não sem que eu cometa uma burrada e caia em tentação.
Depois de muito refletir cheguei à conclusão de que aquele ato impensado de Sasuke foi devido, sobretudo, a sua carência e fragilidade do momento. Não que ele seja frágil ou carente, muito pelo contrário, mas eu sempre soube que ele era um cara que não se acostumava em ficar sozinho de alguma forma. Antes de Karin ele vivia metido em seus rolos com as mais diversas meninas do colégio e só sossegou quando declarou seu namoro.
Naquele momento, eu era a pessoa que o impediria de estar sozinho, de sentir o vazio do fim de relação. Eu seria algo como o Sasori sempre fora para mim.
O taxi parou e desci chamando grande atenção. Meu vestido tinha sido escolhido por Ino e tinha quase a cor dos meus olhos, verdes. De alguma forma, eu me sentia muito bonita naquele dia.
Entrei notando ser a única sem seu par, as pessoas que vinham sem tinham o costume de não se misturar ou entrar para a pista enquanto ainda estivesse vazio, mas eu não ligava para aquilo.
Avistei a cabeleira ruiva de Gaara e me aproximei sorrindo. Constatei assustada o fato dos dois estarem maravilhosamente sedutores, e se eu me imaginava bonita antes, perto de Ino eu estava totalmente ofuscada. Ri com meu pensamento antes de cumprimentá-los.
Notei como Gaara observava cautelosamente os mínimos movimentos de Ino e então desviava a vista ao redor, tentando captar quem mais estivesse analisando ela. Pouco depois, seus braços rondaram a cintura da loira e quando ela o interrogou com o olhar pude vê-lo dar uma piscadela olhando por cima de meu ombro e então guiando-a em seguida para a mesa de bebidas.
Confusa, lancei um olhar para a mesma direção que Gaara há poucos segundos atrás e o vi, majestoso como só ele poderia entrando pela porta do salão, chamando toda a atenção para si. Rapidamente percebi a falta de um par ao seu lado e então seus olhos já estavam pregados ao meu. A surpresa palpável estampada em seu rosto.
Tentei desviar de seu caminho e fugi em direção aos fundos, isolando-me de todos. Ele me seguiu.
- Saky! – Sua voz dizendo meu apelido novamente depois de tanto tempo fez com que calafrios cobrissem meu corpo, sorrindo involuntariamente. O mantra cantou no fundo.
Estúpidaa.
- Sasuke, como vai? – Tentei cumprimenta-lo normalmente, como se nada tivesse acontecido, mas falhando miseravelmente quando este sorriu e sentou em um banco ali perto, batendo a mão para que me sentasse ao lado.
- Estou bem. – Riu. – E você? Ainda quer saber sobre o motivo de minha separação? – Perguntou, retomando o assunto inacabado daquele dia.
- Estou bem. – Sorri. – Seria mentira se dissesse não estar curiosa. – Ri sem humor, Sasuke pareceu achar mais graça da situação. Ele tocar naquele assunto tão rápido só poderia significar duas coisas: ¹ Ele não sabia mais o que dizer depois de termos nos ignorado durante tanto tempo ² Ele precisava desabafar.
Escolhi a segunda opção como mais provável e esperei por sua explicação, observando o céu já escurecido.
- Karin disse não aguentar mais continuar comigo sabendo que eu estava apaixonado por outra. – Sasuke sorria olhando para frente quando eu virei para encara-lo estupefata.
- Apaixonado por outra, como assim? – Perguntei ainda raciocinando a nova informação.
- Bom, faz tempo que eu gosto dela, muito tempo. Quando eu percebi isso eu me neguei a acreditar e ignorei todos os sentimentos confusos que tinha em sua presença. Mas teve uma hora que ficou impossível não notar, impossível não doer. Eu comecei a depender de seus sorrisos e não conseguia mais ficar longe. Eu tive medo de me ver preso a ela e achei que era hora de me libertar. Quando meu relacionamento com Karin começou eu achei que seria possível, que substituir a menina que eu amava por ela seria mais simples, até porque, ficar em sua companhia ela simples pelo fato de não sentir absolutamente nada por ela. – Sasuke começara a história do começo, me surpreendendo com suas novas revelações.
“Nós dois conseguimos superar aquela falta de sentimento com pura atração física, mas assim como eu, uma hora Karin cansou e disse não aguentar mais. Quando nós terminamos eu pude-me sentir realmente livre. – Sasuke havia pegou minha mão, brincando com meus dedos como uma criança. – Aquela não tinha sido nossa primeira briga sobre o mesmo assunto, então já havia sido frustrante o suficiente.”
- Então vocês terminaram pelo fato de estar apaixonado por essa outra menina da qual você ignora? – Perguntei ainda confusa com sua declaração. Ele amava outra? Quem?
- Exatamente. Como tinha dito, é complicado e na verdade bem estúpido porque essa menina também gosta de mim. – Ele sorriu me encarando agora. Senti minha mão escorregar por seus dedos e pousar no ar, ao lado do meu corpo, enquanto ele continuava. – Pouco tempo depois do inicio do meu namoro, ela começou a namorar com um babaca e eu me vi muito irritado. Acabei indo pedir explicações a sua melhor amiga, e ela acabou deixando escapar que na verdade a menina que eu gosto me amava e estava tão enrolada com o namorado como eu estava com Karin.
- E porque você continuou com Karin e não foi atrás dela? – Perguntei quase sem voz, eu sentia o bolor na garganta e meus novos mandamentos dançavam em minha cabeça.
- Porque entrar em um relacionamento monogâmico parecia tão complicado. – Ele deu de ombros. – Tínhamos tido a mesma ideia para afogar as magoas e incertezas, e sendo tão jovens achei que merecíamos um tempo para poder cair de cara no chão e notar que nem tudo é perfeito.
- Para poder ter algo não clichê, mas sim real? Sem expectativas? – Perguntei ainda sufocada.
- Exatamente. – Ele sorriu. – Viu? Ainda pensamos iguais!
- Seu idiota! – Levantei-me rindo. As lágrimas descendo sem permissão.
-Desculpe-me por te fazer chorar, eu realmente não esperava que aquele babaca fosse fazer algo daquele tipo. – Sasuke se aproximou, limpando as lágrimas. – Também não pensei que fosse tão difícil para você ficar longe de mim. – Seu sorriso agora era sedutor enquanto acariciava minha bochecha. Minha cara deve te-lo alertado de que era melhor arrumar aquela frase. – Não tanto quanto era para mim, é claro.
Eu ri. Gargalhei alto pensando em todas as idiotices que passamos para chegar a uma simples conclusão patética.
- Sasuke você é patético. – Exclamei antes que ele me puxasse para um beijo urgente.
Contos de fadas realmente era uma perda de tempo, acreditar em príncipes perfeitos também, mas era possível ter algo dentro dos meus novos mandamentos, sem expectativas, sem decepções, sem o idealismo, vivendo por si mesma e se amar ao máximo para então compartilhar com o próximo.
Parecia justo viver aquele relacionamento monogâmico não clichê.
Notas finais
Deixem um comentário, elogio, crítica, deem um sinal de vida! =)
Um beijãão XD
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