Não Brinque com Rituais.
2 Quarto ardente.
Todos olhavam para mão da garota, que de forma misteriosa estava coberta de sangue inclusive a faca que a mesma segurava, o restante do grupo ficou intrigado, mas o que mais causou impacto foi a frase dita a seguir.
Karin: Está na cara que ela é a culpada!
Ingrid: Fala sério, Karin! Você não tem provas.
Davi: Talvez estejamos sobre efeito de drogas. Não podemos culpar alguém sem ter certeza.
Karin: Mas olhem – Apontava para a mão de Micaela. – Essa prova não é suficiente?
Aaron: Você ouviu o que ele disse?
Angélic: Gente, calma! Vamos pensar como sair daqui primeiro, depois vamos ver o suposto... — Procurando uma palavra para descrever.
Maximiano: O "cara-da-parede" ?
Angélic: Vamos chamá-lo de Réu.
Angélic escolheu a palavra Réu por lhe parecer mais conveniente para a situação atual. Muitos naquela sala concordavam fielmente com a suposição de Davi.
Thomas: Não sei se você notou Ange...mas...não tem porta, nem janela, como vamos sair daqui?
Toni: Então se a gente não sair daqui, vamos morrer de fome? — Em quase desespero.
Juan: Não seria tão fácil. Vai acontecer algo pior ainda...
Micaela: Não necessariamente, isso é só um quarto.
Aaron: VOCÊ NUNCA VIU FILME DE TERROR? — Falava indignado.
Micaela: Mas isso não é um filme.
Toni: Mas é terror, só pelo fato de que vamos morrer de fome e virar canibais.
Ingrid: Valeu o apoio moral. — Dizia em choramingo.
Davi: Alguém já pensou em como sair daqui? — Comentava na intenção de acabar com a conversa desnecessária.
O silêncio prevaleceu pelo aposento e todos começaram a desviar os olhares. Na cama estava Micaela deitada com a cabeça sobre o colo de Ingrid que estava ao lado da cabeceira, Angélic sentada próximo aos pés de Micaela e Davi no lado oposto e que debatia com Toni, Maximiano e Aaron sentados no chão, Thomas e Juan ficam em pé em cantos diferentes, enquanto Karin andava angustiada pela sala. Thomas resolve se escorar na parede e sente algo aquoso e gelado, ele se desencosta rapidamente da parede de forma evasiva, após se recuperar da surpresa, passa o dedo sobre o líquido na parede e cheirava para reconhecer a substância.
Thomas: Álcool...
Juan: Não queria falar, mas como vocês não vão perceber a tempo... As paredes estão mais luminosas que antes. — Dava de ombros.
Toni: Acho que isso faz parte do “pior”.
Micaela: O que isso quer dizer?
Davi: Que a sala pode pegar fogo a qualquer momento... Se as paredes continuarem a esquentar.
Maximiano: Ta, mas como vai pegar fogo?
Angélic: Precisamos de um gás e uma substância. Nosso gás é o oxigênio e a nossa substância é o álcool. E o calor é a fagulha que precisamos para fazer fogo.
Ingrid: Tenho uma notícia boa e uma ruim. Qual preferem primeiro?
Toni: A boa, a boa!
Ingrid: Se vai pegar fogo mesmo, quer dizer que tem alguma passagem para entrar oxigênio. E a ruim, é que se não tem a passagem, vamos morrer asfixiados. — Estava séria enquanto falava.
Angélic: Como não pensei em algo tão lógico!?
O resultado foi total desepero, pois de uma forma ou outra iriam morrer ali, a não ser que achassem a passagem de ar, que não havia. Motivados pela remota chance de sobrevivencia começaram a tocar nas paredes e no chão para encontrar a saída. Sem sucesso passam-se alguns minutos e a luz cada vez mais forte e as paredes ficando mais quentes.
Aaron: AAAH! Vamos morrer!
Micaela: Morrer queimados!
Toni: Ou asfixiados! Ou pior, de fome!
Maximiano: Veja o lado bom.
Ingrid: Qual?
Maximiano: Pelo menos temos bronzeamento artificial grátis. — Sorriso de garoto propaganda.
Maximiano leva um soco de Ingrid, Micaela, Karin e Toni.
Maximiano: AI! Só quis ajudar. — Chateado.
Davi: Acho que você não ajudou muito.
Juan: Por que vocês se distraem tão fácil?
Karin: Talvez para se distraírem da verdade de todos morrerem queimados por causa dela — Apontava para Micaela.
Micaela: NEM VEM! Ninguém tem culpa aqui porque todos concordaram, e ninguém te convidou então você é a ultima que tem direito de apontar culpados.
Davi: Não comecem a brigar, não é momento para isso.
Toni: Poxa. Nunca suei tanto assim, nem quando fui ao Brasil no verão.
A luz estava muito cintilante, a ponto de ofuscar a visão dos ali presentes. O relógio estourava assustando a todos, fazendo com que alguns dos garotos fossem ver o que houve e se não havia perigo de pegar fogo e tocar no álcool, Angélic indignada pelo objeto misterisamente estourar, tentava decifrar oque havia ocorrido. Micaela e Ingrid já estavam chorando em desespero, sem qualquer esperança de sairem dali, alguns tentavam não perder o foco e outros já até se conformavam de que iriam morrer ali. Juan era o único sério num momento caótico como aquele e no momento em que desviava o olhar para o teto, via um pequeno contorno escurecido do formato e tamanho de uma tubulação de ar, ele logo puxava a cama para baixo de onde julgava ser a saída, todos olhavam curiosos e sem entender o que se passava.
Juan: Achei a saída, estão esperando o que para me ajudar, porra!
Ninguém respondia, mas agiam para ajudá-lo. Davi logo assumia a liderança comandando o que cada um deveria fazer, seguindo suas ordens Aaron subia na cama e Juan em seu ombro e era o primeiro a sair, isso foi feito de forma estratégica para em seguida as meninas subirem sobre o rapaz e sendo puxadas pelo o outro, para que em seguida subissem nessa ordem: Davi, Maximiano, Toni, Thomas e por ultimo Aaron que no momento em que iria segurar a mão de Juan a cama quebrava por causa das chamas se iniciaram pelo chão, no mesmo momento Davi desesperado começava a chorar e numa ação irracional junto com a adrenalina, se jogava de cima para agarrar o braço do amigo, enquanto Toni e Thomas o seguravam pelos pés. A parede começava a pegar fogo e a se espalhava rapidamente pelo restante do quarto. Aaron era puxado antes de as chamas o alcançarem, e depois de estar a salvo, Maximiano fechava a portinhola para o fogo não se espalhar pela sala atual.
As vestimentas de Aaron estavam levemente danificadas. Depois de todos se acalmarem viram que estava em um local que lembrava muito a um teatro, com as tecnologias aparentemente modernas, porém quebradas. Apesar de toda aparelhagem estar quebrada, havia um holofote no teto sobre as primeiras fileiras de costa para o palco que iluminava onde estaria o público, o que chamou bastante atenção por ser o único aparelho a funcionar. Não haviam muitas cadeiras, a maioria delas foram arrancadas dali, o local estava desorganizado com vários objetos e aparelhos caídos no chão formando diversas sombras.
Thomas: Legal!
Toni: Pelo menos não parece tão perigoso quanto o quarto anterior... Não tem frases bizarras na parede.
Maximiano: Lembrando: Como Juan tinha dito – Imitando a voz do Juan. – “Vai acontecer algo pior ainda...”
Ingrid: Valeu o apoio moral de novo. — Lamentava.
Micaela: Não ligue, eles só querem nós deixar mais paranóicas que o normal.
Juan: Isso é possível?
Angélic: Isso é anormal... Por que teria uma sala branca em baixo de um teatro. E por que não pegou fogo aqui ainda? E cade a portinhola que passamos?
Karin: Como você fez isso, Micaela? — Ignorando Angélic.
Micaela: Hã?
Karin: Sua mão esta limpa.
Micaela: Verdade... Eu não sei, nem reparei isso acontecer.
Karin: Isso te torna mais suspeita. Como é que você fez isso? — Tom acusativo.
Aaron se afastava do tumulto e se sentava numa caixa de som que estava jogada no chão, estava pensativo e triste, aproveitava esse momento para refletir. Maximiano reparava que o amigo se afastava e ia em encontro dele na intenção de animá-lo.
Maximiano: O que foi cara?
Aaron: Só estou pensando.
Maximiano: No que?
Aaron: Em como sou culpado...
Maximiano: Como assim? Aqui ninguém tem culpa e muito menos imaginou algo assim.
Aaron: Velho, eu que dei a idéia e coloquei todo mundo nessa... Se eu morresse ali, nem me importaria.
Maximiano: Mano, cala a boca. Você não tem culpa e como a Micaela falou – Imitava a voz. – “Ninguém tem culpa, pois todos concordaram em participar”
Aaron: Ainda sim, é minha culpa, se eu não tivesse falado pra gente fazer isso...
Maximiano: Se você acha que tem culpa, faz a gente sair daqui. Tenho certeza que você vai conseguir, estamos juntos nessa e vamos sair juntos também, ai você para com essa culpa desnecessaria.
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