Notas iniciais
Vortei... É, psé... finalmente um cap com tamanho razoável.

–Matheus, o que você está fazendo?- Me fiz de desentendida.

–Achei que agora a gente estivesse ficando. –Meus sentimentos explodiram nessa hora. Eu e Matheus, meu melhor amigo desde pequena? Juntos? Não, ele não pode ter pensado nisso.

–Ficando?- Puxei ele para um canto, com movimentos bruscos.- Nós passamos nossa infância juntos, crescemos juntos, como você acha que poderia acontecer alguma coisa entre nós dois?

–Eu achei que você gostasse de mim. –Ele falou repreendido.

–E gosto. Como amigo. –Falei praticamente cochichando

–Só na friend zone? –Os olhos dele estavam carregados de lágrimas. Eu o conhecia desde bebê, sabia quando ele estava triste.

–Por favor, entenda, nunca iria rolar. Você é mais meu irmão do que meu próprio irmão. Seria estranho.

Ele respirou fundo e foi andando, irritado, me deixou para trás. Com a intenção de me deixar sozinha. Pela primeira vez na vida ele não estava do meu lado quando me sentia triste. Senti uma lagrima rolar pelo meu rosto enquanto o sinal da primeira aula tocava. Fui andando normalmente, fingindo que nada aconteceu, que eu não estava triste e que sozinha era o meu normal. Pelo menos agora teria que ser.

–Fernanda, você vai fazer dupla com Dylan. -Falou senhor Colins, meu gordo e velho professor de matemática. –Vamos logo, eu não tenho o dia inteiro pra esperar, Fernanda, você faz dupla com Dylan. Vai sentar com ele. –Senhor Colins apontou para um garoto com cabelo loiro, que eu nunca havia notado antes o quanto ele era lindo. Peguei minha única caneta e sentei na mesa do lado de Dylan. -Obrigado.

–Oi Dylan. –Falei enquanto juntávamos nossas carteiras. Era incrível o quanto ele era parecido com meu irmão, parecia uma versão bonita dele.

–Fernanda, eu te vi na festa sábado. Você tinha bebido. Ficou meio estranha. –Ele pensou um pouco. –Se bem que eu não sabia que você namorava Matheus.

Merda. Agora eu namoro com Matheus, legal.

–Dylan, para falar a verdade eu estou dando um tempo dele, mas não, eu não namoro ele.

–Ah, entendi, acho. Nunca entendi muito essa coisa de amigos.

–Nem eu para falar a verdade, nem eu.

Nós começamos nosso trabalho de matemática e passamos o resto do dia juntos. É incrível o quanto ele é parecido comigo, a falta de animo, desinteresse, tudo. Depois da aula Dylan foi para minha casa e nós terminamos o trabalho. Eu gostei bastante dele, talvez tivesse um pouco afim dele no inicio, mas, acho que não. Até que no final do dia, meu celular apitou com uma mensagem assim:

Dylan: Ei, topa sair comigo amanhã depois da aula?

Naquela hora meu coração bateu forte na hora em que caiu minha ficha. Ele tinha me convidado para sair. A única coisa que eu conseguir responder foi:

Eu: Pode ser. Legal, que horas, aonde?

Dylan: A hora que acabar a aula eu te encontro na saída da escola. Ok?

Eu: Ok.

Eu fiquei pulando de alegria, por dentro. Entrei no banho pensando no quanto meu dia vai ser perfeito amanhã. Aquela alegria não era minha, não era normal em mim.

Acordei totalmente ciente que hoje eu teria de me manter calma. Ninguém poderia saber que eu estou animada. Muito animada. Eu respirei fundo e contei até dez antes de sair da cama. Fui andando até o armário, coloquei minha calça jeans misturada com legging, minhas meias e percebi que única blusa preta que sobrara era uma de manga comprida, que as mangas, a gola e o “decote” eram todos de renda. Seria a roupa mais sexy que eu já usara na escola, porem, foda-se.

Bati na porta de meu irmão, quase pensando em entrar lá, mas em minha família, era altamente proibido entrar no quarto do outro, então eu ignorei meu fantasma de pensamento. Ele abriu a porta, nós chegamos na escola, nos despedimos e eu fui diretamente pra sala de aula.

–Fernanda, vamos? –Vi Dylan pela primeira vez no dia, ele estava lindo, mas quando eu percebi, ele estava olhando fixamente pra mim. –Terra pra Feer. Vamos?

–Vamos.

Nós caminhamos até um restaurante perto da escola, o único que não era self-service. O restaurante era todo escuro com vários sofás espalhados por ele. Nos sentamos em uma mesa qualquer, um do lado do outro

–Então, Fernanda o que está acontecendo? -perguntou ele, querendo saber de tudo.- Digo, porque você está andando mais comigo do que com Matheus?

–Bem, como você deve saber, no fim de semana eu dormi com ele, mas eu estava bêbada, não fazia ideia que ele poderia se apaixonar por mim. Amizade colorida, talvez, mas namorar? Nós somos amigos de infância, seria muito estranho. Eu sempre amei infinitamente a companhia dele mais do que qualquer coisa no mundo, mesmo eu nunca tendo demonstrado isso. Eu nunca iria querer machuca-lo. Entende? –Dylan deu um suspiro como resposta, eu estava falando coisas românticas de mais para meu gosto, clichê de mais. Eu nunca precisei de palavras de amor, abraços, demonstrações de afetos. Mas naquele momento, precisei mais do que tudo, destas coisas.

–Acho que não, meus amigos de infância morreram em um acidente na minha escola antiga, não gosto de tocar no assunto.

Eu olhei nos olhos de Dylan, estavam sérios, como sempre. As pessoas que nos olhavam de fora, provavelmente achavam que nós éramos um casal de góticos. E talvez fossemos. Dylan deu um sorriso torto apaixonante, que quase me fez avançar em cima dele, mas não avancei, na verdade não precisei. Ele pegou meu rosto entre suas duas mãos e me beijou. Um beijo leve, coisa simples não nos levaria a nada muito mais forte.

POV Matheus

A única coisa que eu consegui pensar era em Fernanda e o jeito que ela ficou na aula. Por que eu fui beija-la? Eu fui um idiota de ter chamado ela para transar, quando eu sei que não aguentaria apenas amizade colorida pois eu a amava desde pequeno incondicionalmente.

Fiquei sentado no sofá de couro olhando para o relógio marrom do centro da sala de estar.

Tique

Taque

Tique

Taque

Eu não conseguiria resistir, se ela não queria meu amor como namorado, teria meu amor como amigo. Então mandei uma mensagem um pouco melosa de mais para o gosto dela, porem, a hora que eu percebi isso, já tinha enviado.

Eu: Feer, eu te amo. Como amiga. O sorriso na sua cara é a razão do meu bem estar, pense bem se vai resolver me odiar para sempre, pois eu te amo, amiga.

Eu fui para a cozinha, imediatamente agarrando o copo azul de vidro que tinha carrinhos desenhados, que eu gostava desde bebê e me servindo de água. Quando meu celular apitou.

Tim tim tim

Fernanda: Eu estou tentando dar um tempo de você, por favor, me deixa. Só por alguns dias.

Vendo aquela mensagem, eu imediatamente derrubei o copo no chão, fazendo dele só sobrarem vários pedacinhos azuis espalhados no chão. Uma agonia percorreu meu corpo, meu copo favorito quando bebê havia quebrado. Me ajoelhei no chão catando os pedaços e colocando eles na base do objeto que continuava intacta. Quando percebi que a razão de minha tristeza do momento era culpa de Fernanda, minha mão se fechou como se eu fosse dar um soco. Uma coisa que eu não percebi na hora é que tinha um pedaço do copo em minha mão, fazendo ela se cortar. Eu senti um alívio a hora que vi o sangue cair. Comecei a passar o vidro loucamente por meu braço me fazendo sorrir. Aquilo era bom, muito bom. Talvez meio depressivo e gay, mas me fazia bem, uma coisa que seria difícil no momento.