Não é depressão
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Uma semana depois
Matheus acha que eu tenho depressão. Nada oficializado ainda, mas ele acha.
Ele insistiu a semana toda para eu ir na festa idiota do amigo idiota dele e ta certo, eu vou.
Me olhava no espelho e via como era estranho me ver com uma coisa sem ser minha calça jeans e a blusa preta que uso quase sempre. O vestido que deixava dois terços da coxa e as costas despidas era um pouco desconfortável, mas era bonito. Deixei meus cabelos loiros soltos, coloquei meu coturno e fiz uma maquiagem qualquer. Eu nunca estivera tão produzida. A não ser em ocasiões formais, mas nestas, eu era obrigada.
Fui andando até a sala, onde Matheus me esperava.
–Uou.-Matheus falou olhando para meu rosto cheio de maquiagem.-Então quer dizer que você tem alguma coisa no armário sem ser jeans?
–Vamos logo, seu bobo.
Nós pegamos um taxi e fomos para a festa estúpida.
Aquela festa estava bem legal, porém eu fiquei fazendo minha melhor cara de entediada, isso me fazia parecer mais... sexy.
Mas eu resolvi aproveitar, pois eu não iria voltar naquele tipo de lugar tão cedo. Eu dancei bastante antes de ir com Matheus ao bar.
–Dois copos d...-O barman interrompeu Matheus batendo duas garrafas no balcão.-O que é isso?
–Garotas desse tipo, putinhas, sempre bebem mais. Não precisa fingir que não vai larga-la após a comer. -Vi o ódio queimando nos olhos de Matheus quando o homem falou aquilo.
–Repete isso de novo e juro que eu te mato.–Matheus falou de jeito amaçador, tirando uma arma de seu bolso e a apontando para o homem.-Agora escute bem, essas bebidas vão ser de graça. Entendeu?–Ele concordou com a cabeça.
–Matheus, tudo bem. Vamos beber um pouco.
Mat relaxou um pouco, pegou uma garrafa e entornou o líquido em dois copos. Mas eu neguei, levantando a outra garrafa, abrindo e bebendo diretamente do recipiente. O gosto do álcool me fez esquecer todos os xingamentos, meus problemas, tudo. Cada vez eu bebia mais rápido, eu me estranhei nisso, eu já tinha bebido algumas vezes, mas nunca cheguei a esse ponto. Era estranho me ver daquele jeito, com roupas curtas, bebendo que nem uma vadia. Daqui a pouco tempo, quem sabe eu poderia estar me pegando com um desconhecido.
Acordei abraçada ao Matheus. Eu tinha dormindo com meu melhor amigo. Merda. Mas existe amizade colorida não é? Talvez não fosse importante pra ele, do mesmo jeito que não foi para mim. Saí sem fazer a menor cerimônia, apenas deixei uma mensagem no celular dele. Que foi visualizada dez dias depois.
Dois dias depois
Acordei, fiz a mesma rotina chata de sempre mas hoje o dia era especial, era dia de prova, a última coisa que eu iria pensar era em Matheus e no que tinha acontecido, mas pelo jeito, foi diferente com ele.
–Oi Fer.-Ele me deu um selinho.
Realmente, para ele, dormir comigo tinha sido mais que amizade. Como eu explicaria pra ele que eu quero apenas amizade colorida?
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